The Devil Wears Prada

16 Capítulo XVI - Paris is burning everyone.


Notas iniciais
Olá, meus amores. Queria agradecer muito aos que estão acompanhando e comentando, de coração. Então, eu conheci a Jessica Lange e fiz uma cobertura pro site em que trabalho: http://mixme.com.br/novidades/jessica-lange-fotografa-confira-cobertura/ quem quiser ver, está aí. ;)

O dia amanheceu ensolarado e pesado. Regina revirava de um lado para o outro em sua cama, não pregou os olhos, ainda estava aflita pelo que havia ocorrido na noite anterior. Sentia uma atração fora do normal por Emma, por isso não se aguentou no jatinho, mas sua preocupação não era essa. Foi até o quarto da secretária por tudo que ela lhe disse. Nunca tinha escutado alguém admirá-la tanto assim, nem mesmo os puxas-saco (esse a temiam, não a admiravam), só que Emma era diferente; Emma não tinha medo de dizer o que quisesse a ela e, ainda por cima, disse coisas que a “Dama de Ferro” não estava habituada a ouvir. Sorrio ao pensar nisso, sorrio até uma lágrima escorrer por seu rosto. Ela tinha medo de sentir isso, não queria se entregar pela segunda vez e sofrer o que sofreu com Rose. Apesar de se fazer de forte o tempo inteiro, Regina realmente pensou que a ex-mulher fosse o amor de sua vida e doeu muito ter de tirá-la de seu coração. A morena se levantou da cama e foi tomar um banho, a fim de tirar todos aqueles pensamentos de sua cabeça. Hoje teria desfiles importantes e não podia ficar abatida por algo assim.

Emma abriu os olhos vagarosamente, conforme a luz do Sol ia passando pelas frestas da cortina, seu corpo ia respondendo a claridade. Olhou seu corpo despido e sorriu ao lembrar-se da noite passada. Diferente de Regina, Emma não temia a paixão, muito pelo contrário, a “Dama de Ferro” a proporcionou prazeres desconhecidos, que ninguém jamais tinha feito senti-la, nem menos Neal, ou melhor, muito menos Neal.Estava disposta a conquistar o corpo, o coração, a mente, qualquer coisa de Regina para sentir aquilo sempre. Sorriu mais uma vez ao concluir isso. Sentou-se na cama, virou a cabeça para um lado, depois para outro, finalizando com uma gostosa espreguiçada no final. Foi para o banheiro e entrou no chuveiro, deixando apenas a água fria ligada, precisava dar algum jeito naquele calor que sentia.

Os olhos de Cora se abriram e não reconheceu a suíte onde estava. Sua cabeça girava cruelmente, deixando um pouco enjoada; jogou o lençol de seda que a cobria para o lado, mas logo o colocou de volta, tomando um susto ao reparar que não usava traje algum. Tentou reconhecer o cômodo em que se encontrava, porém, só conseguiu chegar a uma conclusão ao sentir o leve cheiro de nicotina que entrava pela porta, se arrependeu amargamente de estar ali.

– Bom dia, minha querida. – Fiona entrou no quarto, fumando seu cigarro rotineiro, abriu as janelas e se sentou em uma poltrona. – Dormiu bem?

– Fiona, não me diga que... – Cora arregalou os olhos, temendo a resposta da loira.

– Que nós tivemos uma noite de sexo maravilhosa e você se lembrou do quão boa de cama eu sou? – Deu uma longa tragada no cigarro, se divertindo com a expressão que Cora tinha em seu rosto. Balançou a cabeça negativamente. – Não, não tivemos. Você está sem roupa porque exagerou no gim. – Mais uma tragada. – Então te trouxe para cá, te dei banho e te deixei dormindo.

– Ufa! – A morena já estava em pé, enrolada no lençol e se dirigia ao banheiro. – Minhas roupas? Onde estão? – Estendeu a mão ao parar ao lado de Fiona.

– Querida, nossos hotéis são diferentes. – Deu uma última tragada e apagou o cigarro no cinzeiro de cristal, que ficava em cima de uma mesinha de madeira. – Tenho uma reunião importante agora. – Pegou a mão de Cora. – Mas sinta-se a vontade para se arrumar e usar o que quiser. Minhas roupas estão no armário. – Beijou-lhe a mão e saiu, deixando a outra corada com tal gesto.

+++

Emma abriu a porta para sair, ia encontrar Regina no saguão, quando Killian apareceu.

– Bom dia, flor do dia! – Disse todo sorridente.

– Bom dia, Killian. – Sorriu de volta.

Ele mostrou uma garrafa de Dom Pérignon, que escondia em suas costas, e a impediu de passar.

– Vamos, brinde comigo antes de descer. – Entrou no quarto, levando Emma consigo.

– Mas são 8h15 da manhã. – Olhou em seu relógio de pulso, arregalando os olhos para o amigo.

– Eu sei, mas essa comemoração não precisa ter horário. – Pegou duas taças no bar da suíte e voltou para perto da loira.

– E ao que estamos brindando exatamente?

– Ao emprego dos sonhos de qualquer mulher.

– Killian, eu já consegui meu emprego há meses. – Revirou os olhos, brincando.

– Eu não estou falando de você... – Ele estava inquieto, como se fosse para Emma adivinhar.

– De você? Jura? O que conseguiu? – Emma se animou por ele.

– James Holt abrirá uma nova empresa Marc Jacobs em seu nome e precisa de um sócio. – Sorria muito naquele momento. – Eu serei esse sócio! – Estourou a rolha da garrafa, assustando Emma, que riu toda contente.

– Sendo assim, brindarei com você! – Ela pegou uma das garrafas já servidas com a bebida e eles brindaram. – Que incrível isso! Quando começarão?

– Assim que voltarmos de Paris. Estou tão feliz, Emma, é tudo que eu sempre quis fazer!

Eles ficaram papeando por mais alguns minutos sobre o novo emprego de Killian. Por mais que Emma fosse perder um amigo na Mills, sabia que era o melhor para ele. Os dois beberam apenas uma taça e desceram para o saguão a fim de encontrar Regina.

Ao chegarem, Regina estava com a sua cara habitual, bem como seu tom de voz baixo. Cora se mantinha ao seu lado. Emma sorriu ao cumprimenta-la, mas nada ganhou em troca, ficando um pouco desapontada com a morena. Seguiram juntos para um desfile da Chanel, depois iriam para o desfile da Dior, seguido de um almoço oferecido pela Dolce & Gabbana. O dia realmente estava cheio!

Tudo ocorreu tranquilamente. Cora e Fiona se cruzaram em todos os lugares, mas mantiveram a relação o mais distante possível. Killian era só sorrisos naquele dia, tinha, finalmente, conseguido o emprego que tanto lutou para ter. Regina, por sua vez, continuava a mesa de sempre: impassível, dura... A “Dama de Ferro” usava deitava na cama daquela fama que ganhara, o que deixou Emma um pouco desgostosa. Tinha esperanças de conquista-la, mas sempre que lhe dirigia a palavra, recebia apenas um aceno de cabeça ou até mesmo um silêncio pavoroso.

– Vou dar uma volta pelas lojas da Champs-Élysées, alguém deseja me acompanhar? – Regina surpreendeu a todos com aquele convite. Killian e Cora aceitaram, se dirigindo ao carro da frente.

– Você se importa se eu for para o hotel? – A voz de Emma soava triste, desanimada, diferente da sua entonação de costume.

– Aconteceu alguma coisa, Swan? – A morena ficou preocupada, mas fez questão de não demonstrar.

– Não. – Deu os ombros. – Só quero ficar um pouco sozinha. Vai precisar de mim?

– Não. Às 20h te encontro no saguão do hotel, certo? – Enrijeceu a voz.

– Claro.

– É só isso. – Regina entrou no carro e bateu a porta, deixando Emma sozinha em frente ao hotel em que estavam hospedadas.

Emma não ia ficar no hotel. Só precisava ter um tempo para pensar melhor e passear por Paris um pouco. Resolveu trocar os sapatos de salto por um par de sapatilhas e adentrou a porta do lugar.

– Emma. – Valentino chamou por ela logo que a viu. – Minha futura modelo.

– Ei. – Emma sorriu e foi cumprimenta-lo, timidamente. – Como vai? – Deram dois beijinhos na bochecha.

– Excelente. Emma, estive pensando e foi bom te encontrar! Recentemente, abri capital em uma nova empresa de James Holt.

– Estou sabendo e muito feliz por isso! – Lembrou-se de Killian contando que seria o sócio de Holt.

– Como Fiona será a sócia de James e, cá entre nós, eu e ela somos bem amigos. – Emma arregalou os olhos, surpresa com aquilo. – Pensei em pedir a eles que você estrele a primeira campanha da empresa, o que acha?

– Espera. – Os pensamentos de Emma corriam a mil em sua cabeça. – Não seria Killian o sócio?

– Sim, sim... Mas conversei com Regina e, para que Fiona não fosse para a Mills francesa, onde a editora-chefe é amiga da família Mills, Regina me pediu para oferecer o cargo a Fiona. Honestamente, acredito que ela fará um trabalho muito bom, assim como fez na Goode.

– Killian ficará devastado. – Emma levou as mãos à cabeça, estarrecida com aquilo. – Me desculpe, mas eu preciso ir. Depois falamos sobre isso, certo? – Logo tratou de sair a passos largos, tentando ligar para Killian igual a uma louca.

Emma não podia acreditar que Regina havia feito aquilo com o amigo dela!

– Merda, Killian! – Passou a tarde inteira em seu quarto, tentando falar com o amigo, mas, infelizmente, Killian havia deixado o celular desligado.

As horas se passaram e Emma resolveu ir se arrumar, falaria com Killian à noite, durante o jantar que teriam. Desceu, encontrando Regina e, diferente de sempre, tratou-a com frieza, sem perder o respeito, é claro. Seguiram para o jantar.

+++

Emma não conseguiu falar com Killian durante o jantar, as abordagens eram constantes demais e ele se sentou em outra mesa. Em determinado momento, Jones é chamado no pequeno palco para discursar e sobe, sorridente.

– Por 52 anos, a Mills foi mais do que uma revista. – Começou. – Foi um modelo de elegância e graça. Regina Mills é a melhor guardiã possível desse modelo... Mantendo um padrão que inspira gente no mundo todo. – Emma olhava para Killian e para a mesa de Fiona, que, ao lado de Valentino, sorria vitoriosa. – Senhoras e senhores, com vocês, Regina Mills. – Convidou a “Dama de Ferro” ao palco, recebendo aplausos de todos os convidados.

Regina se levantou e foi caminhando até o palco. Emma torcia, no fundo de seu coração, para que as informações de Valentino fossem falsas.

– Obrigada, querido amigo. – Ela sorriu para Killian, que retribuiu o gesto e se sentou. – Bonsoir. – Brincou, antes de começar o discurso. – Muito obrigada por estarem aqui hoje para celebrar nosso querido amigo, James Holt. – Mais aplausos. – Mas, antes de falar sobre James e de suas várias realizações, gostaria de contar algumas novidades. Como muitos sabem, Valentino concordou em financiar a expansão da marca Marc Jacobs, transformando a visão visionária de James Holt em uma marca global, o que é mesmo uma empreitada fascinante. A Mills e Holt têm muitas coisas em comum e a maior delas é seu compromisso com a excelência. E assim, não deveria ser surpresa que, ao escolher o novo presidente da nova Marc Jacobs, James escolheu alguém da família Mills. – Killian quase pulava de sua mesa, tamanha era sua excitação com aquilo. – É com grande felicidade hoje que anuncio a vocês todos que essa pessoa já trabalhou muito comigo e com a minha mãe, Cora Mills. – Killian sorriu para Emma, que ainda esperava o melhor de Regina, desmentindo o que Valentino havia lhe dito. – É com grande prazer que anuncio a vocês, Fiona Goode.

Todos direcionaram suas palmas a Fiona, que sorria vitoriosamente. Killian sentiu aquela traição de Regina penetrar sua alma, tudo o que queria fazer era sair dali, mas se manteve firme e se juntou aos outros candidatos nas palmas. Entretanto, Emma não tinha sangue para aquilo. Não aguentou saber que Regina era realmente a “Dama de Ferro”. Olhou para a chefe, que aplaudia toda sorridente, ainda em cima do palco, e ali passou a não querer mais nada com ela. Sentia-se triste, acabada... Como Regina poderia fazer aquilo a um amigo? A morena prosseguiu seu discurso e Emma olhou para Killian.

– Quando a hora chegar, ela vai me recompensar por isso. – Sussurrou cabisbaixo, com os olhos cheios de lágrimas.

– Tem certeza?

– Não. Mas espero pelo melhor. – Fez uma pequena pausa e continuou. – Eu tenho que fazer isso.

Emma segurou a mão do amigo e assim ficou até o fim do evento.

+++

Regina esperava Emma dentro do carro. A loira entrou, fechando a porta. Não olhou para Regina um minuto se quer, mantinha sua visão focada na janela.

– Não fique tão desapontada, Swan. É preciso fazer o que tem de ser feito no mundo dos negócios. – Regina também não a encarava. – Mas eu fiquei muito surpresa com a sua perseverança em avisar Killian. – Emma ficou chocada ao ouvir aquilo. Como Regina sabia? – Nunca pensei que fosse dizer isso, Swan, mas vejo muito de mim mesma em você. Você vê além do que as pessoas querem ou precisam, e pode fazer escolhas por si mesma.

– Não acho que eu seja assim. – Desafiou Emma. – Não poderia fazer a ninguém o que você fez com Killian hoje. – Voltou a encarar a janela.

– Mas você já fez. – Regina mantinha seu tom habitual. Emma se virou para ela, incrédula com o que Regina havia dito. – Com Zelena. – Ela continuou.

– Não foi isso que eu fiz. – Emma protestou. – Eu não tive escolha.

– Não, não... Você escolheu. – A “Dama de Ferro” mostrou que realmente podia ser de ferro. – Escolheu ir em frente. Se você quer essa vida, essas escolhas são necessárias.

– Mas e se isso não for o que eu quero? – A secretária perguntou mais para si mesma do que para Regina.

O carro estacionou, revelando uma multidão de repórteres aguardando por Regina.

– Não seja ridícula, Emma. – Regina colocou os óculos escuros e foi abrindo a porta. – Todo mundo quer isso. Todo mundo quer ser como nós. – Terminou de abrir a porta e se retirou.

Emma ficou confusa. Achou que poderia ver alguma coisa boa em Regina, mas, pelo visto estava enganada. Um milhão de sentimentos golpearam seu corpo naquele momento. Respirou fundo e desceu do carro.

Regina sorria para os fotógrafos. Olhou para trás na tentativa de encontrar Emma e encontrou. Diferente do que Regina imaginou, a loira estava de costas e se afastava cada vez mais dela. Pegou seu celular e discou o número de Emma, todavia, não foi atendida. Emma Swan tinha seu rosto coberto por lágrimas, a cada toque da ligação, um pedaço de seu coração parecia ceder. Em um ato desesperado, jogou o celular na fonte que estava ao seu lado. Olhou para Regina pela última vez, seus olhares se cruzaram e se pediram, mas ela negou. Negou e foi embora.

Notas finais
Queria dizer algumas coisas sobre esse capítulo: 1- Estou recebendo menos comentários do que antes e isso me desanima muito, então fiz algo para dar uma agitada na fic. 2- Fiz ele maior do que os outros porque amanhã terei muito trabalho, por isso não sei se postarei. 3- Não briguem comigo por causa do final dele. O filme acaba dessa forma! Tentei me manter o mais fiel que pude, ou seja, a partir de agora será ainda baseada no filme, mas a história delas duas vai ganhar mais conflitos. Minha ideia inicial era fazer essa interação entre elas por meio de "O Diabo Veste Prada", a partir de agora vou focar mais nelas e menos no enredo adaptado. Sem mais delongas, espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e o que quiser. Beijos!