The Devil Wears Prada
9 Capítulo IX - Two steps forward.
Notas iniciais
Voltaram a redação e Zelena lançou um olhar fulminante a Emma. Regina passou reto, jogando o casaco e a bolsa na mesa da loira.
– E então? Se divertiu? – O tom de Zelena era carregado de sarcasmo.
– Bastante, na verdade. – Emma sorriu tranquilamente, enquanto pendurava os pertences da chefe no mancebo.
– Emma. – Regina chamou a secretária de dentro de sua sala.
– Sim. – A loira se apressou até chegar na porta.
– Estou indo embora mais cedo hoje, tenho alguns assuntos a tratar. – Emma assentiu com a cabeça e se virou, para voltar a sua mesa. – Quero que leve o livro a minha casa hoje. – Ela assentiu outra vez. – É só isso. – A loira se dirigiu a mesa de Zelena.
– Zelena, eu sei que você não vai muito com a minha cara e... – Foi interrompida.
– Não mesmo.
– Certo, mas preciso da sua ajuda. – Se aproximou da ruiva para poder falar baixo. – Regina quer que eu leve o livro até a casa dela hoje. O que é o livro?
– Oh, Emma. O que eu faço com você? – Zelena tinha o rosto apoiado em suas mãos. – O livro é sagrado. Contém tudo que sairá na próxima edição da revista, então o entregamos a Regina e ela devolve com suas anotações no dia seguinte. – Se abaixou, pegando a chave que havia em sua gaveta. – Essa é a chave da casa dela. Se ela te designou essa tarefa, é porque não acha que você é uma psicopata total. – Emma sorriu mentalmente. Sorriu bastante. – Você vai passar pelo hall e deixar em cima da mesinha da entrada. – Ia passando a chave para Emma, quando segurou com mais força, deixando a loira sem nada nas mãos. – Não dê um passo além da mesinha, certo? Nenhum passo! Isso é crucial.
– Certo. Subo, deixo na mesinha de entrada e saio. – Concordou.
– Você será cega, surda e muda. Entendeu bem? – Zelena soltou a chave não mão de Emma.
– Sim! – Regina ia saindo, Emma logo pegou o casaco e sua bolsa, entregando-os para a “Dama de Ferro”. Ela os pegou e saiu.
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As portas dos elevadores se abriram e Emma mal podia respirar. Estava nervosa. Dessa vez não foi recebida pela governanta, a casa parecia estar vazia. Repassou mentalmente o que deveria fazer, respirou fundo e entrou. Olhou para a mesinha que já havia visto da outra vez, se aproximou, quase comemorando a missão cumprida, mas notou que haviam outras duas como aquela, cada uma em um canto. Praguejou Zelena por não ter dito em qual era. Com o livro em suas mãos, se aproximou da que ficava mais perto da escada, concluindo que seria mais fácil para Regina ver. Um passo a frente e começou a escutar vozes. Arregalou os olhos, deixou o livro ali em cima e, quando ia se retirar, deu de cara com a “Dama de Ferro” e a mulher que havia sentado ao seu lado, no evento beneficente do fim de semana.
– Ótimo! Você nunca vai mudar, trás trabalho até para casa agora! – Rose saiu a passos pesados, cravando seus saltos no chão de mármore e foi para o que parecia ser um escritório, batendo a porta.
Emma nada falou. Seu coração tinha disparado. Regina a olhava com os olhos incrédulos, transparecendo toda a irritação que sentia por Emma naquele momento. A loira foi dando passas de costas, se virando ao perceber que havia chegado a porta. Saiu.
Regina foi atrás de Rose, abriu a porta do escritório, se deparando com a ex-mulher bebendo um copo de whisky, sentada em sua cadeira.
– E então, Rose? Diga logo o que veio fazer aqui antes de começarmos a discussão. – Seu tom era calmo, como de costume.
– Eu quero ir para a semana de moda, em Paris. – Deu o seu tiro certeiro.
– O que?! – Regina ficou surpresa. – Vai fazer o que lá?
– Passear, oras. – Levantou-se da cadeira e foi se aproximando de Regina por trás. – Além disso, podemos nos divertir um pouco... – Agarrou-a pela cintura, mas logo a morena se desvencilhou.
– Rose, você é louca? Nós estamos divorciadas!
– Mas as viagens a Paris foram tão boas nos outros anos... Vamos lá, Regina. – Voltou a abraça-la por trás, conseguindo ficar daquela vez. – Nos divertimos tantos nas últimas duas. – Sussurrou no ouvido da morena.
– Rose. – Regina se virou de frente para ela, com uma expressão séria. – Não seria divertido. Nós estamos divorciadas e você tentou tirar a minha revista de mim por pura birra.
– Não foi pura birra, você sabe! Eu só queria mais tempo com você e... – A voz cortante de Regina a interrompeu.
– E isso foi uma atitude infantil. Se quiser ir a Paris, vá, mas não comigo. – Regina ia saindo do escritório, quando ouviu a voz de Rose.
– É por isso que te chama de “Dama de Ferro”. Você não sabe amar, Regina, você só vive para a Mills e isso vai te deixar sozinha. – Pegou sua bolsa e ultrapassou a morena, deixando o apartamento.
Regina respirou fundo, não queria derrubar a lágrima que insistia em cair. Limpou o olho com os dedos e se sentou em sua cadeira. Rose, de certa forma, tinha razão. Regina vivia para a revista, estava sempre focada no trabalho e o apelido lhe dado era real, ela realmente era a “Dama de Ferro”. Seus olhos pairavam pelo escritório vazio e, de repente, Emma surgiu em sua mente. Ficou nervosa por Emma ter invadido o seu espaço pessoal, se encontravam apenas no escritório, não a queria em sua casa... Principalmente vendo a briga que tivera com Rose.
– Droga! – Resmungou, ainda fitando o nada.
Ela sabia que estava irritada, mas uma dúvida surgiu como um tiro: estava irritada por Emma ter entrado em sua casa sem ser convidada ou por Emma tendo visto a ex-mulher ali? Seus pensamentos voavam. Eu não posso me importar com o fato de Emma ter visto Rose aqui. Não posso e não vou! Mas que droga, eu gostei de vê-la aqui... Não, Regina, você não gostou. – Sua mente estava em guerra com ela mesma, não entendia bem o que estava sentindo. Ela é sua secretária e só, você conhece muito bem as regras da Mills: funcionários não tem casos com patrões. Casos, Regina?! Ela não é o seu caso e nem será!– Praguejou Emma por ser daquele jeito e a mãe por ter criado essa regra na empresa. Regina era o caos, todavia, dessa vez era ela quem estava em um caos interno.
+++
No dia seguinte, Emma entrou correndo no escritório. Regina já estava lá.
– Emma, vem aqui! – Zelena a puxou pelo braço, levando-a até a pequena cozinha que ficava ali do lado. – Você é louca?!
– Eu não sabia! Tinham 3 mesinhas, não sabia em qual por e me confundi. – Gaguejava, nervosa.
– Você passou a primeira?! – A ruiva estava incrédula.
– Eu não tinha noção! – Emma quase chorava de nervoso.
– Ah claro, então você passou as mesinhas e esperou pelo que? Que ela lhe convidasse para tomar um chá e contasse histórias sobre sua vida?
– Ok, eu cometi um erro. Eu sei disso. – Ia se retirando, quando o braço de Zelena a alcançou e a puxou de volta.
– Emma, você não faz ideia! Se ela te demitir, eu corro o risco de não ir para Paris.
– Ela vai me demitir?!
– Eu não sei. – Zelena abriu os braços na altura da cintura, mostrando dúvida. – Ela não está feliz.
– Emma. – A voz de Regina entrou pela cozinha com o seu tom de sempre. Zelena estalou os dedos e apontou na direção da sala da chefe.
– Senhorita Mills, sobre ontem à noite, me desculpe... – Foi interrompida por Regina.
– Preciso que consiga os desenhos da próxima coleção da Dolce & Gabbana até o fim dessa tarde. – Apoiou seus braços na mesa, encarando Emma.
– A coleção que ainda não foi lançada?! – Era um pedido quase impossível de ser feito.
– Você pode fazer qualquer coisa, não pode? – Regina a desafiou.
– E quero meu filé de frango para daqui a 15 minutos. – Emma assentiu e saiu, sentando-se em sua cadeira, quase surtando.
– Nem seu eu ligasse para Stefano Gabbana conseguiria essa coleção! Droga! – Emma se sentou em sua cadeira, reclamando para Zelena, que se mantinha impassível.
Regina passava pelas mesas das duas, mas parou ao chegar à porta.
– E, se não estiver aqui com a coleção até às 16h, nem precisa voltar. – Olhou-a pela última vez e se retirou.
Emma respirou fundo e foi pensando no que fazer.
– Droga! – Levantou-se em um pulo. – Deseje-me sorte, Zelena! – Saiu correndo.
– Não, não vou. – Zelena respondeu ironicamente.
+++
Emma correu até o restaurante da amiga, Snow, que já havia ocupado o lugar de secretária de Regina, antes de abrir seu próprio negócio.
– Snow! – Entrou as pressas. – Preciso que faça o filé de Regina em 5 minutos.
– Oh meu deus! – Snow suspirou e, como já conhecia a ex-chefe, correu para preparar a comida.
– Ela me pediu a coleção de Dolce & Gabbana até às 16h. – Reclamou.
– Ué, ainda são 14h30. Você consegue. – Snow piscou para ela.
– Não, Snow! A que ainda não foi lançada... Disse para eu nem voltar, se não conseguir. – Suspirou. – Vou deixar o almoço dela lá e ir embora.
– Dolce & Gabbana? Emma, Emma! – Snow parecia ter ficado animada. – Domenico apareceu no escritório algumas vezes e sempre elogiava minha beleza. Uma vez fiz uma sessão de fotos para eles, acho que ainda tenho seu telefone... – Começou a procurar no celular, enquanto o frango era grelhado. – Aqui! – Mostrou para Emma, que fez a ligação imediatamente.
– Ele não vai passar. – Emma desligou o celular chateada, após a conversa inútil que tiveram.
– Ah, ele vai sim! Leve o almoço dela e volte aqui. – A morena entregou-lhe uma sacola e Emma correu.
Deixou o prato de Regina preparado, em sua mesa e saiu voando para encontrar a amiga. Se aquilo fosse um filme, seria “Corra, Lola, corra”, estrelado por Emma. Assim que entrou, Snow estava sentada na mesa com uma pasta a sua frente.
– Está aqui. – Deslizou a pasta até chegar na loira.
– Eu não acredito! Você conseguiu! – Emma a abraçou, enchendo-lhe de beijos. – Muito obrigada! – Queria pular de felicidade. – Como fez isso?
– Eu dei meu jeitinho. – Snow piscou, sorrindo. – Agora corra, você só tem mais meia hora.
Emma beijou-lhe mais uma vez e correu em direção ao escritório. Ao chegar, Regina estava no celular. Entrou na sala dela e deixou a pasta em sua mesa, olhando fixamente para os olhos da morena, que a olhava de volta.
– Essa coleção é a próxima? – Regina desligou o celular, pegando a pasta e abrindo-a.
– Sim. Coloquei a anterior junto, caso você queira fazer comparações. – Sorria. – Há mais alguma coisa que eu posso fazer por você? – Emma a desafiou, sabia exatamente o que estava fazendo.
– Hum hum. – Regina negou apenas com um sussurro da garganta. – É só isso.
Emma se virou e saiu. Regina, ainda surpresa com a eficiência e, principalmente, com o olhar desafiador que lhe dera, virou a cadeira, ficando de frente para a janela e, sem que ninguém visse, esboçou um sorriso em seu rosto. Emma era surpreendente.
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