The Devil Wears Prada

3 Capítulo III - Not Mills, just Regina.


Notas iniciais
Muito obrigada a quem está acompanhando, favoritando e a Nath, Diamonds, Shei, Fabiano123, Swan Queen PLL, Pri, NinaL e Akyyra07 pelos comentários!

Emma acordou e Neal já havia saído para trabalhar. Era cedo, mas ela não estranhou, pois ele trabalhava numa agência de publicidade e não tinha muito horário para chegar ou sair, e é claro, ela sabia que ele tinha ficado chateado, mas resolveu não ficar pensando nisso.

Se arrumou o mais rápido que pode e seguiu seu trajeto até o trabalho. Assim como no primeiro dia, tudo estava igual. As pessoas andavam agitadas de um lado para o outro, dando a impressão que estavam sempre atrasadas. Emma riu e sentou em sua mesa, cumprimentando Zelena e recebendo um olhar de desaprovação em troca, devido ao café do Starbucks que estava tomando.

– Se Regina te vê tomando isso aqui... – A ruiva usou um tom ameaçador, mesmo que não fosse ela a pessoa a brigar com Emma por causa da bebida.

– Não acho que seja pior do que ela me ver com esse suéter velho. – Emma fez a piada e ouviu uma risada vindo do corredor.

– Que grande senso de humor, não? – Era Killian, o homem que perguntou a Zelena “que coisa era Emma” no dia anterior. – Pena que não tem o senso para moda. – Ele riu maliciosamente. – Eu sou Killian Jones.

Emma estendeu a mão para cumprimenta-lo, mas Jones não fez o mesmo, deixando-a extremamente constrangida.

– Eu sou Emma Swan. – Disse timidamente.

– Eu sei. – Ele sorriu. – Levanta, deixa eu ver uma coisa. — Ela se levantou e deu uma voltinha a pedido de Killian. – Você tem pontecial, garota. Digo, olhe para esse braços. – Apalpou os braços da loira, deixando-a, mais uma vez, constrangida. – Olhe para essa bunda. – Deu um tapinha em sua bunda, fazendo-a ficar vermelha. – Você só precisa se interessar mais por esse mundo da moda. Aliás, você me lembra muito a ex-mulher da Regina.

– Ex-mulher?! – Emma indagou. Não sabia desse fato sobre a vida da loira.

– Sim, ué. Ela foi casada com Rose Tinker por dois anos, mas acabou se divorciando há uns dois meses... – Parou um pouco, pensativo. – Acho que Rose a deixou por conta de sua obceção pelo trabalho. – Balançou a cabeça, saindo de seus próprios devaneios. – Enfim, quem sou para falar alguma coisa, não é? Vivo indo para cama com um homem diferente a cada semana justamente pelo mesmo motivo. – Ele riu. – Sugiro a você pesquisar um pouco mais sobre a vida de sua chefe. – Logo que acabou a sua fala, a redação inteira começou a correr. – Falando no diabo... – Ele riu e se dirigiu a sua sala, deixando Emma ainda surpresa com as novidades.

+++

Regina saiu do banco de trás de sua Mercedes, guiada pelo motorista, Colburn, e foi andando a passos largos até o prédio. Fez o mesmo percurso de sempre, sem cumprimentar ninguém. As pessoas saíram de sua frente, para que entrasse no elevador. As portas de metais se abriram e, para a surpresa de Regina, alguém estava lá dentro e essa pessoa não era a ascensorista.

– Regina Mills, como vai?

– Fiona Goode. – Regina colocou o seu melhor sorriso antipático no rosto e respondeu a mulher. – Muito bem e você?

– Magnífica. – Fiona era a presidente e dona da revista concorrente da Mills, a Goode. – E as tiragens dessa semana?

– Muito boas! Obrigada por perguntar. E as suas?

– Batemos o recorde... Mais uma vez. Fazer o que, não é? Quando um trabalho é bem feito, coisas boas o acompanham. – Alfinetou Fiona.

– Fico feliz. – Fitou as portas, que novamente se abriram.

– Mande lembranças a Cora. – Fiona sorriu e piscou cheia de ironia.

– Com certeza. — Regina desceu em seu andar. A Mills ocupava os andares do 15 ao 20, enquanto a Goode ocupava do 21 ao 30.

Fiona trabalhou com Cora, ex-presidente da Mills, se aposentando e deixando o lugar para a pessoa que mais confiava, Regina. Fiona era a editora-chefe durante o legado de Cora, mas as duas se desentenderam por um motivo desconhecido por qualquer um que não fosse elas e a loira resolveu criar sua própria revista, a Goode. Seu trabalho duro gerou frutos e ela conseguiu ocupar 9 dos 40 andares do prédio empresarial, no centro de Nova Iorque. Apesar de ser maior do que a Mills, as duas competiam acirradamente por maiores tiragens semanais, se ultrapassando semana sim, semana não.

Encontrar Fiona era sempre uma afronta a Regina. A mais velha conseguia alfinetá-la em lugares obscuros demais para não mexer com o seu psicológico, sendo assim, o humor da morena já ficou péssimo logo no começo do dia. Entrou no escritório as pressas, se deparando com tudo em perfeita ordem. Foi caminhando em silêncio, sem responder a nenhum dos cumprimentos muito puxas-saco de seus subordinados. Entrou no hall de sua sala, dando de cara com Zelena e Emma. A loira, em especial, a deixou extremamente incomodada com seu suéter verde musgo. A falta de interesse por moda era algo inadmissível para Regina. Tirou um casaco de pele que usava e jogou em cima da mesa de Emma, junto com a bolsa Balenciaga que usava.

– Bom dia, senhorita Mills. – Ouviu a saudação de Emma com raiva. Chamá-la de “senhorita” significava que já havia tomado conhecimento de seu divórcio, ficando zangada e também chateada com aquilo. Regina não conseguia ficar muito tempo com ninguém, as pessoas não entendiam o seu trabalho e o quão duro tinha que dar nele para que tudo desse certo. Não respondeu, nem mesmo a olhou, só continuou seu percurso até sua sala, batendo a porta ao entrar. Emma e Zelena ficaram em silêncio.

– Snow! – Gritou Regina de dentro da sala. – Snow! – Não obteve resposta.

– É você, Emma. – Zelena sussurrou para a loira.

– Eu?! Mas meu nome é... – A ruiva fez um gesto com a cabeça para que ela se calasse e entrasse logo na sala da chefe.

– Pois não. – Encostou a porta, virando-se para Regina, que procurava algo em seu gaveteiro.

– Quero que escolha um bom restaurante para duas pessoas irem jantar hoje à noite. – Levantou os olhos, se deparando com Emma, jeans e aquele suéter horroroso. Apesar do seu péssimo gosto para moda, Regina fitou suas pernas rapidamente. – Se não gosta de moda, imagino que deva gostar de comidas. – Carregou sua fala com ironia.

– Claro! Duas pessoas, tipo um encontro? – Emma perguntou, anotando algumas coisas em sua agenda. Voltou a olhar para Regina e esta a encarava incrédula.

– Isso não diz respeito a você. – Limitou-se a dizer em um tom ríspido.

– Me... Me desculpe. – Emma gaguejou. – Eu só perguntei para saber que tipo de restaurante eu poderia escolher.

Regina continuou a olhando. Olhava-a tão profundamente, que a loira poderia ter sua alma roubada a qualquer instante. Aquilo foi deixando Emma cada vez mais nervosa e, quando estava assim, não conseguia ficar quieta. Abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida pelo som cortante da voz de Regina.

– É só isso. – Fechou a gaveta e voltou-se para seu computador, sem mais olhar para a loira.

+++

O dia se passou de forma rápida. Emma, mais uma vez, recebeu um milhão de tarefas para fazer, deixando-a acabada. Só as duas ainda estavam no escritório.

– Snow. – Regina falou tranquilamente, chamando Emma para sua sala. A loira levantou rápido e foi até lá. – Qual foi o restaurante escolhido por você? – A secretária engoliu em seco.

– Eleven Madison Park, às 20h30. – Falou em um fio de voz. Regina a olhou surpresa, deixando Emma confusa com o que aquele olhar queria dizer. Aliás, isso deixava a loira extremamente confusa! Os olhares de Regina eram sempre longos e profundos, mas pouco se sabia sobre o que eles diziam.

– É só isso. – Falou calmamente e voltou ao que estava fazendo. Emma se retirou e, como havia terminado tudo, foi para casa.

– Mamãe? Está pronta? – A voz de Regina ficou muito mais suave ao falar com a mãe. – Certo, te pego às 20h em ponto. Por favor, não se atrase. – Desligou e continuou analisando mais algumas folhas que estariam na próxima edição da Mills.

No horário marcado, Regina pediu para que Colburn parasse o carro em frente ao prédio onde Cora morava. Era um prédio antigo, feito inteiro de tijolos, com vista para o Central Park. Cora estava sempre bem vestida e entrou no carro com dois minutos de atraso.

– Está atrasada. – Regina disse, enquanto a beijava as bochechas.

– Ah, Regina, me poupe! – Cora sabia exatamente como lidar com a filha. Ela era a única pessoa, atualmente, que sabia muito bem até onde ir com Regina. Inclusive, diziam pela redação que a mais velha sempre foi muito mais rígida. E era verdade. – Dois minutos de atraso não farão com que você perca seu jantar.

– Não, mas eu não gosto de esperar. – A morena respondeu entre os dentes.

– Problema é seu, querida. – Cora finalizou a discussão com uma resposta curta e grossa, acrescentando o “querida” para irritar ainda mais a filha.

Chegaram ao restaurante. Regina já o conhecia muito bem, sempre ia jantar lá com Rose. Sempre que dava tempo, é claro. Ela foi recepcionada pelo garçom que a atendia toda vez, se conheciam há anos. Sentaram em uma mesa reservada. O fato de Emma ter escolhido aquele lugar não saiu da cabeça de Regina por um minuto se quer.

– O que foi, Regina? – Cora perguntou ao notar que a filha estava perdida em seus devaneios.

– Nada, mamãe. Problemas no escritório. – Deu os ombros.

– Problemas?! – Se Regina já era obcecada por trabalho, sua mãe era ainda mais. Se aposentou só porque estava realmente cansada e confiava muito na filha, caso contrário, estaria lá até hoje.

– Nada que eu não possa cuidar. Encontrei Fiona hoje.

– Fiona Goode? – Cora carregou sua voz com desprezo. – O que ela queria?

– Adivinha? Provocar, é claro. – Tomou um gole do vinho que havia pedido. – Te mandou lembranças.

– Ela que pegue essas lembranças e jogue no lixo, igual fez com a carreira dela. – Diferente de Regina, Cora não media suas palavras ou grosserias para falar.

– Para ser sincera, a carreira dela não foi jogada no lixo... As tiragens da Goode sobem toda semana. – Regina enfureceu a mãe ao dar aquela informação. Cora era uma pessoa bastante amargurada. Não é a toa que Regina tinha tantos muros a sua volta.

Conversaram sobre amenidades durante o jantar. Tinham uma relação bastante diferente... Não havia muitos gracejos entre as duas, mas se entendiam como ninguém mais.

– Conseguiu encontrar uma nova secretária? – Cora levou o garfo a boca, acabando com o seu último pedaço de salmão que restava no prato.

– Consegui encontrar várias, só que nenhuma passa da primeira semana. São todas umas incompetentes, nunca vi algo igual. – Regina mal tocou na comida, estava tentando se manter em forma para a semana de moda em Paris.

– Aquela magrinha da semana passada não está mais com você?

– Não, ela aguentou só até quarta-feira. Uma tola. – Bebericou mais um pouco de seu vinho. – Agora contratei uma chamada outra. Não sabe nada de moda, mas, pelo visto, tem bom gosto para outras coisas.

– Não sabe nada de moda e você a contratou mesmo assim?! Ficou louca? – Sua irritação com pessoas que não gostavam de moda era ainda pior do que a de Regina.

– Eu tive meus motivos, mamãe. Inclusive, pedi a ela que escolhesse algum restaurante para hoje e escolheu esse, talvez tenha um bom gosto para outras coisas.

– Uma secretária não teria dinheiro para comer aqui nunca, Regina. Não seja tola. Ela deve ter achado que você viria com algum de seus casinhos e pesquisou qual restaurante caro e romântico existe. – Deu os ombros.

– Tem razão. Você precisava ver o suéter verde musgo que ela vestiu hoje... Cruzes! Não sei o que é pior, o senso de moda dessa nova ou o puxa-saquismo de Zelena. – Revirou os olhos em gesto de irritação.

– É complicado, querida. Já tive de lidar com cada uma...

Continuaram a conversa por mais algum tempo, até que se foram. Regina deixou a mãe em casa, jantavam juntas sempre que podiam, só tinham uma à outra hoje em dia. A morena chegou em sua casa e foi direto para o escritório. Se sentia sozinha a maior parte das vezes, então trabalhava até não poder mais para não pensar em sua própria solidão. Deu alguns telefonemas importantes e ficou revisando a próxima edição da Mills.

Notas finais
E aí, gostaram? Só postarei agora na segunda-feira, pois vou viajar hoje, então desculpem. Mostrei um pouquinho da vida da Regina, um pouco da Emma e agora começarei a interação das duas. Favoritem, comentem, recomendem ou o que quiserem. Um bom fim de semana, amores.