The Devil Next Door
12 Capítulo 12
Um suspiro suave deixou os lábios do publicitário quando os primeiros raios de sol fortes o suficiente para iluminar algo incidiram pela janela do quarto, fazendo com que ele abrisse os olhos devagar, somente para fechá-los novamente. Ele não precisava trabalhar aquela manhã... E depois, a sensação de dedos contra o seu corpo, caminhando sobre ele vagarosamente e com ternura era bem-vinda. Fazia tempo que ele não se sentia assim. Ou que ele dormia junto de alguém, com as suas costas contra o tórax de outro ser humano, sincronizando a respiração e as batidas do coração também. Um momento de pura e absoluta paz, no apartamento do seu vizinho. Vizinho... De repente, Kaoru se levantou da cama, saindo com força demais da mesma e quase colidindo com a parede que ficava ao lado dela. Com olhos arregalados, coração disparado e respiração ofegante, ele apenas encarou a criatura que restou na cama, agora acariciando o espaço vago que ficara nos lençóis e sorrindo para ele, torso elegantemente levantado com ajuda do outro braço.
Ando Daisuke, iluminado por ainda poucos raios de sol, era uma verdadeira visão aquela hora da manhã. — Ohayou, Kao. Dormiu bem? Sem ação, o publicitário demorou alguns longos segundos para voltar a falar, piscar e respirar. No entanto, a primeira atitude que seu corpo tomou ao recobrar o próprio controle foi tingir seu rosto com um tom adorável de vermelho. — Eu acho que sim. — dando um sorriso satisfeito, Die deitou-se de volta na cama, cruzando os braços atrás da cabeça e usando os mesmos como um travesseiro extra, seus olhos escuros ainda presos em Kaoru — Eu acho que hoje está mais quente... Pode tirar seu pijama se quiser. — Nos seus sonhos, Daisuke. Depois da ameaça não muito ameaçadora por causa do rubor que ainda se apresentava no seu rosto, o publicitário se arrastou pela parede vagarosamente, como se estivesse se movimentando em um filme de ação, sem querer levar uma bala no meio da cabeça mas na verdade ficando o mais longe possível de Die. Ele notou que estava ficando com calor de fato, mas não iria confessar aquilo abertamente. — De fato, Kao, de fato. — o ruivo suspirou da sua confortável posição — Devo dizer que você sem camisa, ofegando e ainda por cima colocando as suas mãos... Em um piscar de olhos, o homem de cabelos roxos havia ido parar em cima de Die, as suas duas mãos firmemente presas ao pescoço do seu chefe interino e pronto para desferir um golpe letal. O ruivo continuava sorrindo, embora a curva dos seus lábios tivesse encolhido visivelmente, o que apenas deixava o seu semblante mais sedutor. — Bom, suas mãos não estavam exatamente aí, mas em compensação... Ótimo lugar que você escolheu para sentar. O jeito que a cor vermelha retornou ao rosto de Kaoru, combinado com o tamanho que seus olhos assumiram foi o que Die precisava; aproveitando-se do espanto momentâneo do outro homem, ele rapidamente usou suas mãos para inverter as posições, prendendo os braços do publicitário acima da cabeça do mesmo. Ele adorava esse jogo. — Daisuke! — o outro gritou o mais alto que ele conseguia àquela hora da manhã, sua mente indo muito devagar para acompanhar o desenrolar dos fatos ainda; seu corpo, no entanto, não tinha problema algum com o andamento da coisa, começando a responder de um jeito que não estava agradando o homem de cabelos roxos. — Quase! Não era bem assim que você estava gritando meu nome no sonho, mas estamos quase lá... — de repente, o ruivo inclinou seu corpo para baixo, lábios ficando milímetros separados e os corpos perigosamente próximos demais, todos os alarmes disparando na mente do publicitário. Nesse exato momento, o telefone tocou. O suspiro de alívio de Kaoru foi tão grande que Die conseguiu sentir o mesmo, lançando um olhar estranho para o homem que tinha debaixo dele. Muito a contragosto, ele desmontou de cima do homem de cabelos roxos, rolando para o lado e conseguindo atender o telefone no quarto toque, não sem antes deixar que sua mão tocasse partes do corpo de Kaoru que estavam ficando convenientemente excitadas. Curiosamente, quem havia ligado era a mesma pessoa que o publicitário tinha em mente, já fora da cama enquanto tentava se acalmar. — Ah, ohayou, Fumiko-san! Dormiu bem? Sim, sim, nós também descansamos. — Die olhou para Kaoru com o canto do olho, um pequeno sorriso se formando no seu rosto antes de se desmanchar para continuar a conversa — Café da manhã para nós? Mas quanta gentileza! A ligação telefônica durou mais algum tempo até que o ruivo agradeceu a matriarca Niikura efusivamente, desligando o aparelho. Virando-se para Kaoru, totalmente sob controle agora, ele bocejou com vontade, se espreguiçando e fazendo com que o publicitário notasse o modo como os músculos do abdômen de Die eram perfeitos. — Era a minha mãe no telefone? — Sim, era. — Die concordou com a cabeça — Temos café da manhã lá fora, ela pediu para irmos buscar. O ruivo se levantou da cama, deslizando a mão direita pelo seu tórax e descendo com ela pela barra da sua calça, retirando a chave do local onde ela tinha passado a noite. O chefe interino fez isso com completa naturalidade, deixando o outro homem um tanto quanto espantado, mas incrivelmente aliviado quando notou que não teria de iniciar uma saga histórica para recuperar a mesma.
Assim que a porta foi destrancada, Kaoru saiu rapidamente do quarto, andando até a sala e abrindo a porta lá também. No entanto, não havia sinal de sua mãe do lado de fora, apenas uma grande cesta no chão com um bilhete. Franzindo a testa e pegando o bilhete para ler melhor, ele congelou naquela posição quando o ruivo literalmente veio por trás e segurou Kaoru pela cintura, aproveitando a disposição completamente favorável do corpo do seu subordinado. — Kaoru... A voz rouca, cheia de promessas e muito mais do ruivo do 305 fez com que o publicitário tremesse ligeiramente sob o corpo e as mãos do outro homem, sem saber se ele deveria amaldiçoar ou pedir a canonização da sua mãe por surpresas como aquela cesta. Em um piscar de olhos, já era sábado de novo. Kaoru estava esfregando os olhos, passando um cachecol pelo seu pescoço e praguejando contra tudo. Estava ficando cada vez mais frio e o fim do ano se aproximava, e a última coisa que o publicitário faria era uma viagem de trem com aquele tempo. A viagem que ele prometera fazer com Die para Mie só estava acontecendo porque sua mãe havia ligado na véspera, dizendo que ela iria direto de Hyogo e eles se encontrariam em Mie. Logo, não havia jeito do homem de cabelos roxos escapar do seu fatídico destino de viajar para a casa da família Ando. E provavelmente, eles não voltariam no mesmo dia. E da última vez que dormiram juntos, Die havia sido um tanto quanto... Diferente em relação aos métodos adotados para fazer com que ele não escapasse do quarto. Ele não tinha certeza se queria que tudo se repetisse novamente, porque Kaoru... Estava gostando. Seu corpo estava deixando Die ir cada vez mais longe, e ele não tinha certeza sobre até quando ele conseguiria manter o controle. Quando o publicitário suspirou pela enésima vez aquela manhã, olhando seus pertences para ter certeza de que não estava esquecendo de nada, ouviu uma batida nada delicada na porta da sua sala. Revirando os olhos, Kaoru andou até o cômodo principal do seu apartamento, abrindo a porta com cara de poucos amigos. — Kao-Kao! Mas que cara em uma manhã de sábado! O homem de cabelos roxos apenas murmurou alguma coisa longe de compreensível, largando o ruivo do lado de fora e voltando para as suas malas no quarto. Dando uma última olhada, o publicitário achou que realmente não estava deixando nada para trás. Começou a fechar as mesmas, e quase pulou de susto quando ouviu Die falar: — Não vai me convidar para entrar? Revirando os olhos, Kaoru nem se deu ao trabalho de virar na direção do seu vizinho para falar: — Você já se convidou, como se vê. De repente, Die se jogou em cima da grande mala com roupas de frio que Kaoru estava tentando fechar, olhando para ele com um sorriso que o publicitário não soube decifrar. — A gente precisa tomar a rédea das coisas com você, Kao. — É Kaoru. E desce de cima da minha mala. — Eu estou ajudando a fechar sua mala! — o ruivo replicou com um tom quase ofendido, cruzando as pernas em cima da mesma e fazendo peso para baixo — Vamos, termine. O olhar que Kaoru deu para a mente de criança em um estonteante corpo de adulto sobre a sua bagagem foi mais gelado que o tempo do lado de fora. — Desça. — Kao, eu estou ajudando, já disse! — Claro que não. — usando as duas mãos para remover o teimoso vizinho de cima da sua mala, Kaoru acabou perdendo o equilíbrio e caindo por cima de Die, que habilmente rolou os dois corpos para o lado e para fora das malas. Novamente, o publicitário tinha seu infernal vizinho sobre ele. Isso estava ficando repetitivo. Maravilhosamente repetitivo... O ruivo começou a descer a sua face, chegando perto e mais perto do rosto do homem de cabelos roxos. A única coisa que Kaoru conseguiu perceber foi... Que Die vestia uma roupa muito leve para aquele dia, a sua camisa estando inclusive meio aberta e possibilitando novamente a visão do tórax perfeito que havia mantido seu corpo quente no fim de semana anterior. Tórax esse que estava se afastando? Piscando, Kaoru percebeu que o ruivo havia saído de cima dele, fechando as malas que estavam na cama e pedindo para que o publicitário se movesse. — O quê diabos aconteceu, Daisuke? — O trem! Eu já comprei as passagens, vamos perdê-lo se a gente não sair logo. O homem de cabelos roxos percebeu, a contragosto, que ele estava ligeiramente decepcionado pelo seu vizinho ter saído de cima e ter parado a brincadeira ou jogo que Die sempre fazia com ele. Por que isso? Ele não deveria estar aliviado? Os dois rumaram para o elevador depois de trancarem os apartamentos e pegarem as malas. Ainda dentro do cubículo móvel que quase deixava Kaoru claustrofóbico, o ruivo roubou um beijo do publicitário, piscando para ele: — Prêmio de consolação por antes. No trem, eu conto com a sua ajuda para me aquecer. Mudo e imóvel de espanto, Kaoru nem sequer conseguiu protestar. Die estava fumando na plataforma de embarque, coisa que nem mesmo Kaoru sabia se era permitido. Olhando o seu relógio de pulso, ele sentiu vontade de socar o esguio ruivo ao seu lado; eram apenas oito horas da manhã. — Por que tão cedo, Daisuke? — Na verdade, por causa da sua mãe. — ele explicou entre duas tragadas — Ela ia sair bem cedo de Hyogo, não quero que cheguemos muito depois dela. O publicitário arregalou os olhos; Die estava sinceramente preocupado com a sua mãe? Esfregando os braços por causa do frio, Kaoru se perguntou silenciosamente como o ruivo ao seu lado não estava com frio com somente aquela maldita camisa aberta; os olhares que Die atraía eram incríveis. Não que Kaoru estivesse percebendo isso por estar com ciúmes ou qualquer coisa do gênero, claro. Pessoas de cabelo vermelho e sem frio em pleno dezembro chamam a atenção de qualquer um. Ainda mais com um peitoral bem trabalhado. Mas isso era o de menos. Não era? A chegada do trem e a perspectiva de ficar mais abrigado dos ventos animou Kaoru; já que escapar daquela viagem não era uma opção, o melhor era fugir do frio por enquanto. Ele e Die tomaram seus lugares, e o publicitário notou que havia apenas duas senhoras mais para a frente deles, viradas para eles, e um rapaz no fundo do vagão. Realmente, quem viajaria às oito horas de um sábado gelado? Sentando na sua poltrona do lado da janela, Kaoru percebeu que ele não havia feito muito em matéria de lazer e diversão desde que chegara em Tokyo. Claro que Die era parcialmente culpado, fazendo da sua vida um inferno, e ele se lembrou que provavelmente aquela viagem não seria a exceção. Seria uma longa manhã com Die ao seu lado. Ele suspeitava que o ruivo iria tentar pelo menos alguma coisa durante todo o tempo em que eles estivessem ali. Tendo os lugares na frente vagos, o charmoso ruivo colocou as pernas para cima, cruzando-as e ficando bem à vontade no vagão. Kaoru apenas censurou o gesto com os olhos, olhando pela janela. O trem estava começando a se mover. — Hey, Kao. O referido homem suspirou pesadamente. Quando Die o chamava daquela forma, algo ruim vinha pela frente. Ele nem se preocupou em responder; ignorar era a melhor tática. Até porque o jeito que o ruivo havia se arrumado no banco era deveras tentador; parecia um modelo para um ensaio fotográfico ou qualquer coisa, os óculos escuros de Die parados no topo da sua cabeça. E a camisa aberta, claro. — Gosta de contos de fadas, Kao? — É Kaoru. — o outro replicou, acompanhando com os olhos o jeito que Die mexia na sua bagagem de mão, tirando um livro de dentro da mesma — Kami-sama, você é alfabetizado. O ruivo não devolveu o ataque ferino do publicitário. — Tenho certeza de que você nunca ouviu esta história! — o empolgado ruivo exclamou, atraindo a atenção das duas senhoras que também estavam no vagão mais para frente. Uma delas olhou tempo demais para o tórax de Die. Kaoru balançou a cabeça. Ele não estava ficando paranóico e não estava fiscalizando o tempo de duração dos olhares para o seu companheiro de viagens. Aquilo era inadmissível. Finalmente colocando os olhos no objeto que Die balançava para que ele visse, o publicitário riu sozinho. — Claro que sim, Daisuke. Faça-me o favor. É um clássico infantil. — Infantil? — o sorriso que o ruivo abriu não combinava muito com a ocasião, por algum motivo que Kaoru ainda não conseguia decifrar. Ele achou que deveria ter medo das intenções do seu colega de viagem. — Sim, infantil. Nunca leu \"Cachinhos de Ouro\" quando era pequeno?
— Claro que sim, mas eu vou reinterpretar este clássico, como você mesmo diz. — sem mais palavras, Die dobrou os seus joelhos e abriu o livro sobre o seu colo, aproveitando que o mesmo era grande e que suas pernas bastavam de apoio. Ainda bem que Die vestia uma calça não muito justa, senão Kaoru teria ido tirar satisfações com as duas senhoras mais a frente. Que descaramento ficar olhando daquele jeito! Suspirando com um pouco de raiva, Kaoru olhou para o lado, vendo as imensas ilustrações. O livro era um pouco antigo, e o publicitário imaginava há quanto tempo o ruivo tinha esse livro, ou de onde ele havia surgido. De repente, Die começou a sua narrativa, com uma voz um tanto quanto animada: — Era uma vez, uma família de ursinhos: o Papai Urso, a Mamãe Ursa e o Bebê Urso. Eles moravam numa linda casinha, no meio da floresta. O Papai Urso era o maior de todos e tinha uma voz muito grossa. — Die engrossou a voz — A Mamãe Ursa era um pouco menor e tinha uma vozinha meiga. — o ruivo tentou fazer uma mais afeminada — O Bebê Urso era o menorzinho e sua voz era fininha! Com a última mudança de voz, Kaoru sentiu que de fato todos os outros três pares de olhos do vagão estavam sobre eles. O publicitário, no entanto, sentiu também que seus lábios se curvavam para cima sem que ele tivesse dado tal ordem, começando a realmente rir da interpretação nada exagerada do seu colega de viagem. A voz que Die usara para Cachinhos era a mais engraçada, fazendo o outro homem rir de novo. Só em questão de segundos, a página havia sido virada e a mão que Die usara para fazer isso foi parar no colo do homem de cabelos roxos, que parou de rir no mesmo instante. Sem ação, Kaoru não conseguiu evitar que o ruivo deslizasse ainda mais a sua mão direita, deixando que ela ficasse justamente sobre partes muito sensíveis da sua anatomia. — Cachinhos provou o mingau da tigela grande... — ele fez uma pausa dramática — Mas achou-o muito quente. A última parte da frase foi sussurrada ao pé do ouvido do publicitário, juntamente com uma certa pressão que a mão de Die aplicou no seu baixo-ventre. Sensações um tanto quanto estranhas percorreram o corpo de Kaoru, mesmo depois que o contato entre eles já havia sido desfeito. Com a maior naturalidade, Die retomou a história, mas Kaoru só voltou a prestar atenção quando Cachinhos de Ouro já estava no quarto dos ursos: — Depois, Cachinhos de Ouro foi ao quarto dos ursinhos. Lá dentro havia três camas: uma grande, uma menor e uma menorzinha ainda. Kaoru dessa vez não teve o tempo de uma pausa na narrativa para se preparar para o próximo golpe. Sua mão esquerda foi puxada pela direita de Die, e rapidamente colocada entre as duas pernas do ruivo. Como o seu companheiro de viagem havia dobrado os joelhos para apoiar o livro, sua mão foi de encontro a algo um tanto quanto desperto e confinado na calça e roupas de baixo de Die. — Deitou-se na cama maior e achou-o muito dura... As palavras, novamente faladas bem baixo mas muito mais carregadas de malícia, fizeram o corpo de Kaoru tremer, reação essa sentida pelo ruivo ao seu lado em razão da posição em que se encontrava a mão do publicitário. Die deixou sua cabeça pender para trás ligeiramente, entreabrindo os lábios e permitindo que um pequeno gemido escapasse deles. Somente isso fez o homem de cabelos roxos retirar a sua mão do baixo ventre do outro homem, com muito mais rapidez que o necessário e corando furiosamente. Como ele nunca havia corado perto de Ando Daisuke antes. Uma risada baixa e suave encheu os ouvidos de Kaoru depois, e ele mais ouviu do que viu o livro ser fechado e guardado. Isso o aliviou imensamente por dentro, mas não ajudou a apagar o fogo que ele sentia queimar no seu rosto. Ele não havia colocado a mão... Lá. Era um sonho. Havia sido uma ilusão. Arriscando um olhar de canto de olho, o homem de cabelos roxos percebeu que não havia sido nenhum dos dois, e sim realidade. Corando novamente, ele decidiu passar o resto dos quilômetros que o trem ainda percorreria em silêncio. Die não voltou a perturbar sua paciência, parecendo satisfeito com os resultados por ora. Por ora. Quando pararam na estação correta, Kaoru ficou de pé para pegar suas malas no bagageiro, logo depois que os outros três passageiros já haviam deixado o trem apressadamente. Nenhum deles iria tomar outro trem tão cedo em breve; estavam provavelmente traumatizados. E o pobre publicitário também, assim como a doce e outrora inocente fábula da menina dos cachinhos dourados que encontrava uma casa na floresta onde habitavam três ursos. O corpo quente de Die estava contra o seu de repente, e a sua voz, pingando sedução, foi tudo que Kaoru ouviu quando o ruivo fez mais uma adição, antes de sair do trem em definitivo: — Isso, Kao, porque eu nem cheguei na hora em que o Papai Urso brada \"Quem esteve deitado na minha cama?\". O publicitário só saiu do trem com ajuda de dois funcionários da estação. Depois de pegarem um táxi que os levaria direto a casa da família Ando, Kaoru tentou ficar o mais longe possível dentro do carro de Die, além de concentrar-se na paisagem do lado de fora. Grama, árvores e montanhas eram coisas interessantes para olhar quando se precisava acalmar o próprio corpo. Alguns minutos depois, os dois finalmente chegaram a casa de Die. Era uma casa com dois andares, bastante ampla e com um jardim bonito na frente. Kaoru desceu do carro, olhando para a construção toda pintada de branco e ouvindo barulho vindo do lado de dentro. Conversa. Havia muita gente conversando. Estranhando tanta movimentação, o publicitário se virou para o ruivo, que já tirava as bagagens do porta-malas do carro com a ajuda do taxista: — Daisuke, quantas pessoas moram aqui? — Meus pais e minha irmã. Por quê? — o outro perguntou, erguendo a cabeça e sorrindo um pouco. Aquilo deixou Kaoru inquieto. — Nada... — Die-chan! Os dois olharam para a porta da casa, de onde veio correndo uma garota que parecia alguns anos mais nova que Die. O homem de cabelos roxos piscou, vendo que a semelhança entre os dois era inegável: a garota tinha os traços harmônicos e marcantes que caracterizavam a presença de Die onde quer que o ruivo fosse, embora os dela fossem mais delicados e femininos por razões óbvias. Na porta da casa, apareceu uma segunda mulher, provavelmente a mãe do seu vizinho e bem mais controlada que a garota que agora estava pendurada no pescoço de Die. — Hey hey, Ayame. Como vai? — Muito bem, ni-chan! Que saudades! — os dois se soltaram e trocaram beijos no rosto, antes que a garota, com cabelos negros na altura do ombro amarrados em uma trança atrás fizesse uma pequena mesura para Kaoru. — Ando Ayame. — Niikura Kaoru. — devolveu educadamente o publicitário — Sou o vizinho do seu... — Ah, o filho de Fumiko-san? O homem de cabelos roxos arregalou os olhos: — Minha mãe está aqui? — Está sim! — a garota respondeu com empolgação enquanto Die pagava o motorista e carregava parte das malas para dentro, ação que Kaoru logo copiou — Ela chegou mais cedo. Por favor, entre! Seguindo a ordem dada pela irmã mais nova do seu vizinho, o homem de cabelos roxos se encontrou no hall de uma casa bem grande, vozes altas vindo do lugar onde ele julgava ficar instalada a cozinha. Uma delas era com certeza de sua mãe. A senhora que Kaoru vira na porta mais cedo apareceu, cumprimentando-o e abraçando o filho logo em seguida: — Daisuke... Não acredito que já é amanhã o seu aniversário de vinte e seis anos! Você era tão novinho quando saiu de casa... — Aniversário? Kaoru deveria ter dito aquilo mais alto do que imaginara, porque todos no pequeno hall pararam de falar. A mãe do seu adorável vizinho prosseguiu: — Sim, aniversário. Amanhã meu Daisuke faz vinte e seis. Por que vocês dois não sobem para o quarto, deixam as malas lá e depois voltam para experimentar a comida? — Excelente idéia, kaa-chan. Nos dê alguns minutos. — Claro, querido. A mãe e irmã de Daisuke voltaram para a cozinha, enquanto o homem de cabelos roxos não teve escolha a não ser arrastar-se escada acima com suas malas, imaginando porque Die não tinha contado que era seu aniversário. Teria ele mais algum plano impossível e maluco? Assim que o publicitário conseguiu colocar suas coisas em cima de uma das duas camas do quarto, ele perguntou, ofegante da subida: — Por que não me contou que era seu aniversário? Die estava abraçando-o por trás antes que ele pudesse piscar. — Porque se eu contasse, talvez o meu presente não quisesse vir. E eu iria ficar muito chateado se a maior atração de amanhã ficasse para trás em Tokyo... Com um chute preciso, o ruivo fechou a porta do quarto onde os dois estavam, lançando Kaoru contra a porta de madeira. Um sorriso que tinha algo de maligno e muito de predatório estava estampado no rosto do ruivo, fazendo com que o publicitário se arrepiasse por completo. Die gostou do resultado. — Estou pensando em colocar você dentro do bolo amanhã, Kao. Ultrajado com o que ouviu, Kaoru usou toda a força que tinha para jogar o ruivo para longe, bufando de raiva. A cor vermelha voltava ao seu rosto novamente, mas não por estar envergonhado dessa vez. — Daisuke, eu estou cheio dos seus jogos. Cheio. É melhor você parar com eles já. Pisando forte, Kaoru saiu do quarto, batendo a porta atrás de si. Ele nem ligou para o fato de que aquilo poderia ter chamado atenção indesejada, saindo rapidamente para o jardim da casa sem avisar ninguém e procurando um lugar onde ele pudesse ficar sozinho para pensar e organizar seus pensamentos, muito confusos e cheios de opiniões contraditórias. Ele não contava, no entanto, com a presença de um enorme cão de guarda, que saiu correndo atrás do ser desconhecido que marchava sobre o gramado dos fundos. Assustado, Kaoru saiu correndo em disparada para a árvore mais próxima, enquanto o cachorro latia alto e tentava atacar o homem que corria na sua frente. Com o barulho, Die havia se debruçado na janela, assim como todo o resto das pessoas que estavam na casa para o seu aniversário. Os gritos do publicitário, misturados aos latidos, provocaram um sorriso involuntário no rosto do ruivo; nem ele, nos seus tempos de criança, havia escalado a árvore onde Kaoru se encontrava agora tão rápido. Parece que era a hora ideal para eles brincarem um pouco mais de contos de fada. Depois do resgate do príncipe Die, a princesa Kaoru não poderia reclamar se o seu salvador desejasse alguma coisa em troca. Qualquer coisa.Continua...
Notas finais
Eu pessoalmente adoro esse mini-arco em Mie da história; espero que vocês também gostem!
Obrigada por todas as reviews, carinho e apoio! Beijos!
Mari-chan.
Obrigada por todas as reviews, carinho e apoio! Beijos!
Mari-chan.
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