The Devil Next Door
10 Capítulo 10
É engraçado como o tempo parece se arrastar quando algo não vai bem. No entanto, quando Kaoru deu de cara com a pessoa que ele mais desprezava em todo o mundo sentado ali, na sua sala de visitas, no sofá que ele havia comprado com o seu imaculado dinheiro, o publicitário tinha certeza de que o tempo não estava se arrastando; ele estava morto, avançando tão rápido quanto um carro quebrado e preso nos engarrafamentos tradicionais de cidades de terceiro mundo.
Suas mãos se fecharam, punhos prontos para socarem alguma coisa, especialmente o sorriso cretino que sempre estava no rosto do ruivo. Kaoru tinha vontade de tirar todos aqueles dentes brancos e perfeitos do seu alinhamento natural, somente para poder rir da cara de Die quando o seu sorriso fosse apenas um buraco negro pela falta dos mesmos. Aí pelo menos ele não sentiria sua respiração parar no peito quando o outro torcia os lábios daquele jeito. Toshiya e Shinya pareceram notar que alguma mudança brusca havia se operado em Kaoru, porque o outro publicitário de cabelos azuis se levantou do sofá, caminhando com cautela até relativamente próximo do dono da casa, balançando uma mão na frente do seu rosto. O secretário, na outra extremidade do sofá, apertava as próprias mãos, seus olhos pulando de Toshiya para Kaoru, torcendo pela integridade física do mais novo dos dois. Afinal, o homem de cabelos azuis havia deixado que Die entrasse ali. A mão sendo sacudida na frente dos olhos de Kaoru funcionou, trazendo o outro de volta para a realidade imperfeita onde Die ainda estava vivo e, infelizmente, parecendo mais bonito do que nunca. Kaoru estava convencido de que a cada dia que passava, o seu vizinho ficava ainda mais atraente, como se fosse um ímã que puxava involuntariamente para si todos os olhares ao seu redor. E isso deixava o dono da casa sem saber o que fazer, e geralmente sem respirar também. — Kaoru? Você está bem? A voz veio de Shinya, soando preocupada. Kaoru balançou a cabeça afirmativamente, em um gesto mecânico que não convenceu ninguém ali na sala. Ainda parado onde estava, ele ergueu lentamente o braço direito, enfim apontando o dedo indicador da mão para o ruivo, como se tivesse disparado um tiro. Bem que ele gostaria de ter aquele poder. — O quê você está fazendo aqui? Aquele tom de voz poderia ter cortado uma chapa de aço e coisas ainda mais grossas. — Kao-Kao! Até parece que você não está contente em me ver de novo! Os olhares de Shinya e Toshiya foram para o rosto do ruivo, silenciosamente pedindo para que ele se comportasse ou sairia dali pela janela. Ou em cinzas, depois de torrado no forno. Ou retorcido, depois de um choque elétrico. Kaoru era muito criativo no seu trabalho, e isso poderia ser verdadeiro também na hora de cometer um assassinato. — Finalmente você demonstrou um pingo de inteligência. — Estou ofendido. — Die continuou sorrindo do seu lugar, aproveitando o espaço vago deixado por Toshiya e esticando-se ainda mais no sofá, apoiando os braços para os lados, em cima do mesmo. Os olhos escuros de Kaoru perceberam que o último botão da camisa do ruivo não estava fechado. — E vai ficar muito mais ofendido se não sair daqui agora. — o dono da casa redargüiu com uma energia impressionante, fazendo Toshiya dar dois passos para trás. — Mas, Kao! Você ameaçando alguém fica tão sex... — Kaoru-kun! O Die-kun estava apenas preocupado com o seu bem-estar, ne? Não precisa tratá-lo desse jeito por isso... — o secretário interrompeu, vendo que o ruivo estava prestes a dizer algo que iria desencadear uma explosão de raiva incontrolável. Kaoru olhou para Shinya pela primeira vez desde que havia voltado à sala, tendo raiva de si mesmo pelo secretário sempre ser tão eloqüente e racional. O jeito que ele falava não deixava espaço para que ele argumentasse, até mesmo por medo de fazer com que um homem tão gentil e educado ficasse magoado. Enquanto isso, o sorriso de Die tomou mais alguns milímetros do seu rosto. — Muito bem, Daisuke. Diga o que quer e vá embora. Toshiya sorriu ao ver que Kaoru parecia melhor e voltou para o sofá, se acomodando mais para a ponta quando Die não deu sinais de deixar de ocupar um pouco do seu antigo lugar. Olhando com expectativa para o mesmo, ele viu Shinya também dirigir o foco do seu olhar para o ruivo entre eles. O chefe interino de Kaoru diminuiu o sorriso no rosto apenas para falar: — Bom... Eu pensei em jantarmos todos juntos, pedir pizza... — Ótima idéia! — Toshiya concordou. — Verdade. — Shinya sorriu docemente para Kaoru. Ótima idéia para quem? — Daisuke, você sabe que eu estou cansado e... — Cansado? Ora, Kaoru, você não me deu tempo para cansá-lo do jeito certo. O sorriso do ruivo mudou, e o conteúdo implícito daquela frase que só fazia sentido para Kaoru fez o mesmo ficar vermelho, num misto de raiva e de vergonha, como vinha acontecendo com assustadora freqüência. — Kaoru-kun! Eu tenho certeza de que se você parar de trabalhar tanto depois do serviço, seu corpo vai ficar mais descansado também. — Shinya deu a idéia, e o dono do apartamento conteu um sorriso sarcástico; ele não era dirigido para o secretário mesmo.
— Excelente idéia. Talvez parar com as horas extras compulsórias fosse uma boa coisa. — Não é? Se bem que o meu trabalho diminuiu com elas... Três pares de olhos se fixaram em Toshiya, com diferentes significados. Confuso, o bonito colega de divisória de Kaoru piscou. — O quê foi? — Nada, Toshiya. — responderam os outros três em uníssono, suspirando juntos também. Toshiya apenas piscou de novo, ainda sem entender nada. Levantando do sofá, ele retirou o telefone de Kaoru da base e ligou o mesmo. — Vamos pedir as pizzas? Quanto vocês comem? — Quatro pedaços no mínimo! — Die falou logo, fazendo Shinya rir e Toshiya também, começando a discutir os sabores de pizzas e a quantidade das mesmas também. Kaoru continua em pé, quase imóvel, tentando lembrar quando ele havia permitido aquela festinha na sua casa. Entretidos na conversa sobre comida, secretário e publicitário de cabelos azuis não perceberam o sorriso furtivo, nada inocente que o ruivo dedicou a Kaoru, fazendo o outro grunhir e se dirigir para a cozinha, onde um alto barulho de alguma coisa, ou melhor, várias coisas caindo se seguiu. As conversas sobre pizza pararam, fazendo os três homens se entreolharem. O medo de verificar as condições de Kaoru, até mesmo porque mais barulhos nada normais em cozinhas se seguiram, estava estampado no rosto dos homens que ocupavam as beiradas do sofá, que olharam para Die com profunda esperança. — Tudo bem, tudo bem. — o ruivo ergueu as mãos para cima, como se estivesse se rendendo e tirando suspiros aliviados dos outros dois homens — Eu vou ver o que a moça em tensão pré-menstrual está fazendo com a própria cozinha. Embora o ruivo tivesse levantado do sofá com uma cara de profundo drama e desespero, assim que ele se encaminhou para a porta aberta da cozinha e saiu do campo de visão dos outros dois, ele sorriu de um modo que beirava o maligno. Ele entrou na cozinha, os sussurros que os dois homens trocavam no sofá logo deixando de serem ouvidos. O homem de cabelos roxos estava parado na frente da pia, o armário sobre a mesma aberto e várias panelas espalhadas pelo chão. Kaoru estava com as mãos apoiadas no armário, na altura da sua testa, descansando a cabeça contra as mesmas. A visão era extremamente atraente; o publicitário ficava deliciosamente irresistível quando estava bravo. Sem contar que tal posição dava ao ruivo do 305 uma vista perfeita do fim das suas costas e do começo do seu traseiro. Sorrindo de forma agora predatória, Die se aproximou sem um barulho sequer, Kaoru somente notando a aproximação do ruivo quando era tarde demais, preso entre os braços do seu chefe interino e o corpo do mesmo. O publicitário pensou em gritar alguma coisa, mas aquilo só faria os outros dois homens entrarem correndo na cozinha para ver o quê tinha acontecido. Cretino. Ando Daisuke realmente planejava cada movimento seu. — Filho da mãe. — Kaoru bufou, nem mesmo tentando escapar do abraço inesperado do outro. Ele sabia que seria impossível pela diferença de força física que havia entre eles, e da última vez que ele tentou sair de uma enroscada semelhante, ele acabou virado de frente para o rosto do ruivo. Ele também se lembrou de que o quê seguiu então não foi nada fácil de ser parado. — Todos nós temos mãe, Kaoru. Brilhante observação, meu caro. O publicitário pensou em tentar pegar uma das panelas que estavam ali na pia para usá-las como armas, mas seus braços também haviam sido imobilizados. Ele nunca teve tanta vontade de matar o seu vizinho como naquele segundo, completamente sem ação. — Me solta, Daisuke. — Não. — o ruivo sussurrou sua negação na orelha do outro, sentindo que o corpo do outro havia sido percorrido por um arrepio quando fez aquilo — Me dê um bom motivo para que eu faça isso. — Você continuar vivo. — Vou continuar mesmo se não soltar você, Kaoru... — ele continuava falando perto demais da orelha do outro homem, e o publicitário sabia que suas pernas iriam assumir a consistência de geléia se aquilo continuasse por muito tempo. — Me solte, Daisuke. — Kaoru repetiu suas próprias palavras, por entre dentes cerrados. — Por que você me odeia tanto? — o ruivo perguntou, agora traçando o contorno da orelha do homem de cabelos roxos com a sua língua, sentindo com prazer que o homem que tinha preso na sua armadilha havia deixado seu corpo ligeiramente menos tenso e se apoiava agora no seu tórax. — Daisuke... — Kaoru tentou protestar, mas não podia fazer aquilo elevando a voz. A conseqüência acabou sendo o fato de que o quê era para ser ameaçador pareceu levemente com um gemido de prazer. — Muito bom, Kaoru. Muito bom mesmo... Estamos na trilha certa agora, não estamos? — o ruivo continuou, agora deixando que a sua língua fosse conhecendo bem de perto o pescoço de Kaoru, puxando a manga esquerda da camisa do mesmo para ter mais acesso ao corpo que ele experimentava. O publicitário sentia que a sua mente estava furiosa, quebrando tudo que havia dentro da sua cabeça por ele se entregar daquele jeito. Mas seu corpo não queria saber se Kaoru detestava ou estava jurando de morte o ruivo atrás de si, porque ele era bom, não, excelente no que fazia, e aquele tipo de tratamento não era conhecido do jovem de Hyogo há algum tempo já. — Kaoru-kun! Tudo bem se pedirmos a de frutos do mar? A voz de Shinya tirou os dois do mundo a parte para o qual sentiram ter sido transportados, Die prontamente soltando Kaoru e caminhando para trás, pegando uma panela nas mãos como se estivesse ajudando a colocar tudo no lugar. Seu rosto estava impassível, enquanto o dono do apartamento agora estava quase debruçado sobre a pia, sua respiração mais acelerada que o normal. Aquilo não era bom. — Kaoru-kun? — Shinya entrou na cozinha, seguido de Toshiya, que tinha um folheto nas mãos. Kaoru nem tinha idéia de onde aquele panfleto sobre pizzas havia surgido; ele esperava que seu colega de divisória não andasse com um na mala. — Frutos do mar está ótimo! — o ruivo respondeu, colocando o utensílio que tinha nas mãos para dentro do armário, mas não fazendo com que os outros dois parassem de olhar a figura abatida de Kaoru, além do monte de coisas pelo chão. — Está tudo bem aqui? — Shinya perguntou. — Está. — Kaoru respondeu rápido demais, se virando e deixando seu corpo ainda apoiado contra a pia, sorrindo forçosamente — Está sim, Shin-chan. Eu só... Puxei as coisas para fora sem querer. — A-ham. — Toshiya falou, se abanando com o panfleto e olhando para as panelas. Decidindo ajudar, ele deixou o mesmo sobre a mesa da cozinha, começando a ajudar a arrumar o cômodo. Shinya fez o mesmo. — Achamos o folheto na sua correspondência, Kaoru-kun. — o secretário explicou, procurando a tampa da panela que tinha na mão pelo chão. Die também circulava pelo local, mais fazendo figuração do que ajudando de fato. — Provável. Não vejo minha correspondência há dias. — o dono da casa concordou, mais aliviado em saber que aquilo não havia saltado da mala de Toshiya. Ele tinha medo de qualquer coisa que viesse do outro homem em matéria de comida, desde uma vez no escritório quando o bonito homem de cabelos azuis havia enumerado seus cinco pratos favoritos. — Tem um monte de cartas lá na mesinha da sala, talvez você devesse olhar tudo depois. — Toshiya sugeriu amigavelmente — Isso aqui não tem tampa? — Isso é uma frigideira. — o dono da casa falou, suspirando. — ...E a tampa da frigideira? Os outros três homens olharam incrédulos para o publicitário de cabelos azuis, que incrivelmente não corou sob os olhares dos outros. Um silêncio estranho se seguiu. — Que foi? — Frigideiras não têm tampas, Totchi. — Shinya disse com cautela, retirando o utensílio das mãos do outro — Talvez fosse melhor você ligar para a pizzaria e deixar a gente terminar aqui. — Pode deixar que eu ligo! — Die se ofereceu, entulhando as mãos do publicitário mais novo com as coisas que ele havia recolhido do chão — Eu já volto! — agarrando o folheto da mesa, ele se foi para a sala, um sorriso que não acalmou Kaoru em nada estampado no seu rosto. Ele tinha um mau pressentimento sobre as pizzas. — Pimenta Seca? Você ficou louco, Daisuke? A mesa na cozinha de Kaoru havia sido arrumada com quatro conjuntos de pratos e talheres, além dos copos e guardanapos. Toshiya e Shinya ergueram os olhos para o ruivo também, o secretário fazendo uma careta discreta. — O quê vem nessa pizza, afinal? — Ahhhh, coisas boas. Pimenta vermelha, cebola, salsichas apimentadas e carne de porco mexicana.
— Parece delicioso. — Toshiya lambeu os próprios lábios, aplaudindo, não percebendo os olhares incrédulos de Kaoru e Shinya — Eu não conhecia essa pizzaria! Eu posso levar o folheto para casa, Kao? — ...Pode, Totchi. Kaoru definitivamente não queria mais correr o risco de terminar com uma pizza que não fosse comestível na sua casa. Suspirando, o dono do apartamento se sentou na sua cadeira, quase pulando quando o ruivo passou por trás dele, deixando sua mão raspar contra a sua nuca enquanto caminhava para o seu lugar na mesa, ao seu lado. O publicitário notou com desgosto que qualquer que fosse a distribuição dos lugares, Die teria chance de importuná-lo, estivesse ele na sua frente ou do seu outro lado. Eles deveriam ter chamado mais vinte pessoas para comer, ou então escolher uma daquelas mesas gigantes encontradas em palácios europeus, onde você mal via a pessoa na ponta oposta da mesa. — Bom, temos bastante água caso algo aconteça... — Verdade. A água nunca foi cortada aqui, pelo menos. O olhar venenoso que Kaoru lançou para o ruivo ao seu lado criou pontos de interrogação nos rostos dos outros dois homens. — Nós saberíamos se tivesse sido cortada. Daria para notar a falta de banhos, ne? Shinya pisou levemente no pé do seu amigo por debaixo da mesa, calando Toshiya. Die tentou não explodir em risadas. O dono do apartamento estava lutando para não bater sua cabeça contra o prato numa tentativa desesperada de acabar com aquele jantar nada planejado, mas foi salvo pelo gongo; ou melhor, o interfone. Olhando para a parede atrás de si, Kaoru percebeu Die se levantar ao seu lado para atender o mesmo. Lançando um olhar que era um aviso mudo, o publicitário colocou sua mão direita sobre a coxa de Die, impedindo-o que ele se levantasse. Mais um toque do aparelho chegou nos ouvidos de todos os presentes, mas Kaoru não ouvia nada depois do jeito que a mão esquerda do ruivo havia se colocado sobre a sua debaixo da mesa, pressionando a mão sobre a sua perna mais firmemente. Corando furiosamente e ficando da cor do cabelo do seu vizinho irritante, o publicitário retirou sua mão com violência do lugar onde estava, batendo a mesma contra a madeira da mesa e grunhindo vários palavrões. Levantando do seu lugar completamente atordoado, ele ignorou os olhares de Shinya e Toshiya, agora presos na sua cadeira que jazia no piso da cozinha depois da sua elegante saída da mesa. — Moshi moshi. A voz dura de Kaoru no interfone, preso entre ombro e orelha enquanto esfregava a mão direita na tentativa de diminuir a dor que sentia da pancada, fez os três homens na mesa terem pena do zelador. — Ah, Niikura-san? — Sim, é ele. — Poderia falar com o Kaoru-san? -...É ele. — Mas o senhor é o Niikura-san! A mensagem que tenho não é para o senhor. — o zelador do prédio, Koetsu, parecia ligeiramente bravo — Queira chamá-lo, por favor. Kaoru queria bater o telefone na base presa à parede, mas não podia. Era melhor a pizza subir de uma vez por todas e acabar com aquela agonia, ainda mais na frente de outras duas pessoas que estavam servindo de testemunha para todas as desgraçadas que aconteciam na sua vida quando Ando Daisuke estava por perto. Suspirando e querendo se matar por antecipação, Kaoru afastou o telefone da orelha, virando na direção da sala como se fosse chamar alguém e gritando alto o suficiente para que o zelador ouvisse do seu lugar: — Kaoru! É para você! O publicitário esperou alguns segundos, como se \"Kaoru\" estivesse vindo atender. Die, Toshiya e Shinya olhavam sem praticamente piscar para o homem que havia acabado de se chamar no interfone, o homem de cabelos azuis girando o dedo indicador na altura dos seus olhos, ao lado da sua cabeça, mostrando por via de gestos para o secretário que seu companheiro de divisória era louco. — Pois não? — Kaoru retomou a conversa. — Ah, Kaoru-san! Uma senhora muito bonita está aqui embaixo, pedindo para subir no seu apartamento. — Uma senhora muito bonita? Os três pares de olhos na mesa piscaram juntos dessa vez, e Toshiya parou com os seus gestos. Todos os presentes na mesa se inclinaram ligeiramente para trás, lado ou frente, como se fosse possível ouvir a conversa que se passava no interfone. — Sim, muito bonita. — uma risada no fundo foi ouvida pelo dono do apartamento — Vou mandá-la subir. Boa noite! Kaoru desligou, virando para os três homens na mesa com uma cara sem expressão nenhuma, totalmente sem ação. Toshiya, infelizmente, foi o primeiro a falar: — Shin-chan! O Kaoru tinha alguém com ele, então! Ela veio consertar as coisas! O pisão no pé do pobre homem foi audível dessa vez. Em estado de transe, Kaoru andou para a sala, parando na frente da porta. Os outros três o seguiram prontamente, sentando no sofá e inclinando o corpo para frente, numa clara demonstração de expectativa. Die, mais do que todos ali, esperava com ansiedade o desenrolar de tudo. De repente, batidas na porta. Parecia que ninguém notava que ele tinha uma campainha. Olhando pelo olho mágico, Kaoru de repente se desvirou, suas costas contra a porta e seu rosto branco como cera. — Kaaaaaaaao? A voz feminina que veio de fora teria provocado risos nos três homens sentados, se o dono do apartamento não parecesse prestes a desmaiar. A cor dos seus lábios estava sumindo. De repente, o publicitário se desvirou com violência, destrancando a porta com igual gentileza e escancarando a mesma. Os seus três colegas de trabalho se assustaram, e Toshiya mencionou alguma coisa sobre Kaoru sofrer de distúrbios psicológicos. No entanto, todos queriam ver quem seria a linda mulher que estava do lado de fora. — Kaoru! Como você está grande! Aquele certamente não era o tipo de comentário que os três homens ali reunidos esperavam. Die acabou por se levantar do sofá, já que o comentário feito pelo indivíduo do sexo feminino que esperava no hall do andar era verdadeiro; não era possível enxergar a pessoa que se encontrava frente a frente com Kaoru. Dando alguns passos para a frente, Die de repente se virou para o lado, cobrindo o rosto com as mãos e explodindo em uma gargalhada que ele tentava abafar do melhor jeito possível. Aquilo fez Shinya e Toshiya se levantaram também, arregalando os olhos e esperando que Kaoru saísse da frente da porta. Como se o publicitário pudesse ler pensamentos, a visão da mulher do lado de fora se fez possível quando o dono do apartamento deu alguns passos para trás, deixando que secretário e companheiro de divisória vissem a \"mulher muito bonita\" que desejava vê-lo. -...Okaa-san. Die ainda ria que nem um maluco no canto da sala, seu riso aumentando ainda mais depois que Kaoru chamou a senhora do lado de fora de \"mãe\". Toshiya congelou, e Shinya não parecia ser capaz de mais nada a não ser piscar. A senhora entrou no apartamento, olhando ao redor de um jeito engraçado, apertando um pouco seus olhos. Atrás dela, no hall, sobrou uma pequena mala, que Kaoru colocou para dentro com uma cara que indicava que o conteúdo da mala poderia ser uma guilhotina portátil para ele ou algo do gênero. Fechando a porta silenciosamente atrás de si, a voz de Kaoru quase não foi ouvida no cômodo, sendo quase vencida pelos risos de Die: — Shinya, Toshiya e Daisuke... Esta é minha mãe, Niikura Fumiko. — Muito prazer, meninos. — ela cumprimentou, com uma voz um tanto quanto mais alta do que o necessário. Sorrindo, ela sentou no sofá que os três homens haviam abandonado quando tentaram ver a visita — Que sofá bonito você trouxe para cá, Kao! As risadas de Die ficaram ainda mais audíveis, ferindo os ouvidos de Kaoru e fazendo com que Shinya olhasse na direção do ruivo. Sua mãe, no entanto, não pareceu notar. Niikura Fumiko tinha cinqüenta e um anos, filha de camponeses e tendo trabalhado com terra quando jovem, mesmo quando o Japão já passava por um processo generalizado de modernização. Bonita na juventude, a mãe de Kaoru agora exibia sinais do tempo, como rugas e pequenas manchas no rosto, além de caminhar um pouco curvada. Isso tudo coroado com um problema de surdez crônica, que Kaoru achava benéfico agora, ou sua mãe certamente estaria olhando esquisito para Die. Com certeza, era uma mulher muito bonita para os parâmetros do zelador do prédio. Jovem, até. Fora de rumo com a presença da sua mãe na casa, o publicitário quase pulou quando ela falou novamente: — Não recebeu minhas cartas, Kao? Seu olhar foi para a mesinha, onde vários envelopes esperavam ser abertos. Toshiya tinha dito alguma coisa sobre um monte de cartas também. No entanto, ele quase saiu do chão novamente quando percebeu o ruivo atrás de si, rindo baixinho e fazendo cócegas na sua nuca. — Eu bem que avisei que todos tínhamos mãe, Kaoru. O publicitário se pegou desejando que Die estivesse errado naquele momento.Continua...
Notas finais
Obrigada de novo por todo apoio com a história! E numa nota adicional, eu particularmente gosto do rumo que a fic assume daqui em diante, com capítulos maiores e cenas mais bem trabalhadas (na minha opinião, claro!).
Desculpas aos fãs do Toshiya por tê-lo feito com o QI de uma porta. E esses sabores de pizza mencionados realmente existem em um cardápio de uma pizzaria japonesa que eu encontrei na internet. Medo!
Beijos!
Mari-chan.
Desculpas aos fãs do Toshiya por tê-lo feito com o QI de uma porta. E esses sabores de pizza mencionados realmente existem em um cardápio de uma pizzaria japonesa que eu encontrei na internet. Medo!
Beijos!
Mari-chan.
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