The Desolation of Thranduil
15 Lados Opostos
Notas iniciais
Assim que Tauriel saiu da sala de reuniões um arrependimento profundo pairou sobre todo seu ser, como pudera ela ter realmente acreditado nas palavras gentis de Thranduil, e até mesmo permitira que ele a beijasse, a tocasse, fora realmente uma ideia estúpida ter ido atrás dele noite passada, o rei sempre teria um coração frio e nada e nem ninguém poderia mudar isso, absorta em pensamentos a ruiva mal percebera que esbarrara em alguém, até que este alguém a segurou pelo braço.
–Ei, Tauriel, espere. – Quem a parara fora uma das Elfas que Tauriel menos queria ver naquele momento, Lexi.
–Minha Senhora, Lúthien. –A ruiva fez uma pequena reverencia forçada para a loira, não queria demonstrar seus sentimentos para ela naquele momento, e muito menos a ligação que tinha com Thranduil, muito embora Tauriel desconfiasse que ela já deveria saber de toda a história, afinal eram assim tão “íntimos” como Thranduil mesmo falara.
–Me chame de Lexi, por favor. – Lúthien disse sorrindo para ela, Tauriel até sentiu-se um pouco culpada por ter tais pensamentos tão ruins pela loira, afinal, ela não fizera nada contra Tauriel, aliás, o que incomodava a Elfa de verdade era o ciúmes que sentia por Lexi e Thranduil. – O que quer que Thranduil tenha falado lá dentro, tente relevar, ás vezes ele diz coisas por impulso.
– Qualquer coisa que meu rei dissesse é claro que eu nunca contestaria. – O que era mentira, já que acabara de fazer isso na frente de todos, mas a ruiva apenas estava tentando desviar-se daquela conversa.
–É claro. – Lexi saiu da frente de Tauriel, para que esta pudesse seguir seu caminho. A ruiva recomeçou a andar. – Ele realmente gosta de você. – Tauriel parou de andar por um instante, olhando para o chão – Não se esqueça disso. – E recomeçou a andar novamente. Lexi ficou observando Tauriel distanciar-se e ficou pensando que no fim tanto a ruiva quanto Thranduil tinham algo em comum afinal, ambos eram extremamente teimosos. Lexi bateu na porta, como não houve resposta decidiu entrar. Dentro da sala encontrou com Thranduil com cara de poucos amigos, de pé e olhando para o nada, parecia não estar ali na verdade. – Toda essa raiva é por causa de uma certa Elfa ruiva? – A meia Elfa tentou deixar a clima menos tenso, coisa que falhou consideravelmente quando recebeu um olhar mortífero do rei.
– Você quis dizer de uma traidora, cínica, insolente e mentirosa Elfa ruiva? – O Elfo com certeza não estava para brincadeiras, ainda estava tentando acalmar-se da conversa que acabara de ter com Tauriel.
– Nossa, calma...o que ela fez de tão ruim assim? -Lexi perguntou surpresa com as palavras dele, até porque a pouco ele ainda estava tão feliz por conta da noite que tivera com Tauriel.
– Você não viu o que aquela...aquela insuportável falou? –Ele tentava escolher a melhor palavra das tantas que passavam em sua mente. – Além de me afrontar em frente a todos os meus capitães, ela ainda quis defender aquela corja maldita de anões, me desafiou! – Thranduil socou a mesa com raiva. – Depois de tudo o que conversamos ontem, tudo foi em vão. –Lexi esperou um tempo até o Elfo acalmar-se.
–Não foi tão ruim assim...ela apenas deu a opinião dela, e se quer saber, evitar uma guerra não é tão ruim assim. – A loira disse calmamente, aproximando-se de Thranduil.
–Você não entende Lexi, se fosse com qualquer outro povo, ela acataria minhas ordens, mas não, como é com o amado anão dela, ela insiste em me desafiar. – Sua voz por alguns segundos deixou transparecer tristeza e decepção.
– Achei que vocês dois tivessem se entendido ontem... – O rei Élfico olhou para ela, ambos ficaram em silêncio por alguns momentos.
– Eu também achei. – Não havia mais tristeza em sua voz, ou em seus olhos.
– O que irá fazer agora? – Lexi estava preocupada com Thranduil e principalmente nas besteiras que ele poderia fazer quando não estava pensando com a razão e deixava as emoções o controlarem.
– O que eu disse na reunião, iremos à guerra com ou seu Tauriel e se caso ela ficar no meu caminho, eu a matarei junto com o seu anão.
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Tauriel pensava consigo mesmo, lamentava por ter sido tão ingênua a ponto de ter deixado Thranduil convencê-la a ficar com ele, com beijos, sorrisos e olhares. Não podia negar ele era intimidador e talvez tenha sido por isso que ela se deixara levar, o rei era um Elfo cobiçado por todas as Elfas do reino, e ela não era uma exceção, também sentia-se atraída por ele. Por um momento naquela noite pensou que finalmente seu coração estava em paz e que estava onde deveria estar, ou melhor, com quem deveria estar. Escolhera ele por algum motivo, um motivo que a ruiva ainda tentava negar para si mesma, ainda mais agora, Thranduil nunca iria mudar, muito menos por ela e Tauriel sabia que isso não daria certo, ela nunca poderia aceitar alguém que quisesse lhe dar ordens e controla-la, essa não era sua natureza, ele nunca fora uma Elfa submissa. Poderia aceitar suar ordens como rei, mas nunca como companheiro, amante ou o qualquer coisa que um dia chegariam a ser. A Elfa estava decidida, é claro que ela iria fugir e encontrar Kili, tanto ela quando o rei sabiam disso, aquela cena na sala de reuniões tinha sido mera formalidade para os dois, Tauriel apenas precisava de uma boa oportunidade para sair sem que ninguém sentisse sua falta. A Elfa sabia que era um caminho sem volta, no momento que Thranduil soubesse que ela não estaria no castelo, viraria inimiga do seu próprio povo, ela sabia que iria sentir falta de Legolas e de Thranduil também, mas de certa forma era até bom, seria constrangedor tanto para Tauriel quanto para o rei ficar no mesmo lugar ou fingirem que nada disso teria acontecido, “Mesmo que ele diga o contrário...”.
Todo o castelo estava agitado, Elfos corriam para lá e para cá, todos atarefados, uns preparavam as armas, outros os suprimentos, roupas, armaduras, o número de Elfos que iria para a primeira leva na guerra, enfim tudo que se precisava para uma batalha, sempre todos sendo comandados e seguindo as ordens de seus respectivos capitães. Sendo assim não era aquela uma boa hora para Tauriel escapar, afinal, ela também estava tendo muito trabalho, principalmente em organizar os Elfos mais jovens que iriam entrar numa guerra pela primeira vez, a ruiva odiava quando essa responsabilidade caia sobre si, geralmente era Legolas quem cuidava dos mais novos, a pedido dela é claro. Aquela euforia dos Elfos mais jovens irritava Tauriel, não conseguia compreender o que eles viam de tão excitante num lugar onde só haveria morte e tristeza, sendo assim até o final do dia ela conseguiu dar umas boas broncas e sermões em vários Elfos, o que até a deixou com o humor um pouco melhor e menos ansiosa pelo que estava por vir. Logo que anoiteceu todos os Elfos foram para seus aposentos, o rei dera a ordem de que todos fossem descansar cedo naquela noite, pois Thranduil não tolerava menos que o melhor de seu exército em qualquer batalha que fosse ou por mais curta que fosse. Tauriel depois da reunião com o rei não o tinha mais o visto naquele dia e também não vira Lexi, sentiu uma pontada de ciúmes que preferiu deixar de lado, apesar do rei ter explicado a relação que ele tinha com a loira, ainda sim Tauriel estava incomodada, desde que ela chegara ao castelo foram poucos os momentos em que os dois não estavam juntos. Naquela hora da noite todo o castelo já estava vazio, apenas alguns poucos guardas faziam suas rondas, guardas que provavelmente ficariam no castelo enquanto todos estariam marchando para Erebor, não foi difícil para ela os despistar, até porque poucos tinham coragem entrar no caminho dos capitães do castelo, a ruiva na verdade até achou curioso que Thranduil não desse nenhuma ordem para os guardas não deixarem ninguém sair do castelo, especialmente ela. Saiu pela porta da frente, mesmo quando um guarda fez menção de tentar pará-la Tauriel apenas o encarou, repreendendo com olhar, envergonhado o guarda abaixou a cabeça e voltou para seu posto. A Elfa saiu em direção aos fundos do castelo, onde ficava o grande celeiro, lá escolheu como de costume seu cavalo Lólindir, um cavalo negro, com crina longa e patas peludas, ela raramente patrulhava com Lólindir até porque no fim das contas a floresta era muito estreita para um cavalo do porte dele, apenas cavalgava com ele em última exceção, caso o seu destino fosse longe demais ou precisasse chegar rapidamente, que neste caso, era seu objetivo. Logo que Lólindir avistou-a relinchou alto para a ruiva, feliz por vê-la.
–Shh...não faça muito barulho mellon. –A Elfa acariciou a testa do cavalo que acalmou-se com seu toque. – Também senti sua falta. – Ele relinchou baixinho em resposta. Ela desamarrou a única corda frouxa que ficava no pescoço dele, da viga que ficava ao seu lado. Não colou cela, a maioria dos Elfos colocava no máximo uma rédea, no entanto ela preferia cavalgar com seu cavalo sem nada, os Elfos eram conhecidos por serem espíritos da natureza e livres, não gostavam de prender seus animais também. Tauriel montou no cavalo e deu o comando para Lólindir começar a correr, ambos desapareceram na escuridão da noite, sem deixar vestígios algum.
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Após a reunião e toda conversa com Tauriel, Thranduil ficara um tempo com Lexi, planejando os detalhes de amanhã, já que não teria Tauriel como seu braço direito, os detalhes mais importantes ele queria tratar com alguém te total confiança, neste caso, Lexi. Como ordenado logo no começo da noite todos já haviam retirado-se para seus quartos, inclusive ele, apesar de saber que tinha que descansar o Elfo não conseguiu pregar o olho nem uma hora sequer, a todo instante a imagem de Tauriel vinha em sua mente, queria sentir raiva dela, por causa de sua reação mais cedo, sabia que ela queria proteger o anão e também evitar uma guerra, ainda assim ele tinha ficado ressentido com ela. Mas o pior naquela noite não foi pensar que estava preocupada com ele e sim o sentimento de perda que Thranduil estava sentindo, aquela cama parecia fazia e solitária demais para o Elfo agora, era como se o lugar de Tauriel sempre tivera sido ao seu lado, em sua cama e isso além de incomodá-lo profundamente, também o assustava, ela exercia um poder de posse muito forte nele e por mais que Thranduil quisesse perder seu interesse em Tauriel, era difícil controlar seus pensamentos, tudo que lhe vinha à mente eram seus terríveis olhos verdes que sempre estavam lá, o desafiando, seus lábios rosados e seu corpo quase que inexplorado por ele, ainda. Se o Elfo soubesse que teria tão pouco tempo de paz com a ruiva teria aproveitado mais da noite anterior, tal pensamento fez com que ele desistisse de vez de dormir. “E se eu for até ela?” ele pesou com esperança “Não, ela nunca irá querer me ver, não depois de hoje e pelo menos não agora.”. O rei Élfico levantou-se de sua cama e sentou-se na poltrona, em frente à lareira e lá esperou o dia amanhecer, o que parecia ter sido uma eternidade, ele acabou entendendo que quando estava sozinho ou melhor, sem sua Tauriel, o tempo passava lentamente, mas afinal de contas, quando ela tinha passado a ser “sua”? O Elfo não tinha resposta para essa pergunta. Quando o Sol pôs-se a aparecer timidamente entre as montanhas, Thranduil dirigiu-se ao closet e trajou-se de partes de sua armadura de prata, colocou apenas as ombreiras, braçadeiras, escarpes e grevas por cima da túnica cinza chumbo que iam até seus joelhos, prendido as ombreiras também havia uma longa capa de um tecido leve, que se arrastava pelo chão, de um cinza quase preto, era bordada com fios de prata que brilhavam conforme a luz, vestiu calças justas da cor de sua capa, embainhou sua espada e a prendeu no cinturão. Nos os cabelos como sempre soltos, estava apenas sua coroa. Confiante ele saiu do quarto num passo apressado, ordenou ao primeiro guarda que encontrou que reunisse todos seus capitães no Grande Salão, assim como Lexi também. Desceu as escadas, indo para a parte norte do castelo, aos fundos onde havia uma grande porta de saída, que era usada apenas em ocasiões como esta, quando um grande número de Elfos precisavam sair todos juntos, a saída dava para uma larga trilha, que ficava a poucos quilômetros do porto do lago, onde os navios já os estariam esperando. O rei Élfico quando lá chegou já notava alguma movimentação dos Elfos, alguns já estavam reunindo-se e recebendo ordens dos sargentos, outros levando suprimentos para as carroças que se encontravam do lado de fora do castelo. Lexi foi a primeira a chegar, trajava apenas um peitoral de ferro e braçadeiras do mesmo metal, seus cabelos estavam preços numa meia trança, ela estava com uma espada na cintura também e uma faca élfica presa em cada coxa, usava uma túnica parecida com a sua, porém na cor azul escura e com bordados de galhos e folhas que vinham da ponta da túnica e terminavam singelamente contornado seus seios.
– Tudo pronto?- Ela perguntou a ele animada.
– Quase. – Ele disse seriamente, enquanto observava mais e mais Elfos chegarem ao Grande Salão.
– O que falta? – Lexi perguntou confusa.
– Quero dar as últimas ordens aos capitães antes de sairmos. – Thranduil não estava dando muito atenção para a loira pois procurava Tauriel no meio dos Elfos que estavam ali, quanto mais chegavam mais ele ficada ansioso por não vê-la no meio deles. Logo todos os capitães já estavam reunidos com Lexi e Thranduil, faltava apenas Tauriel. O guarda para o qual o rei dera a missão de reunir os capitães aproximou-se dele apreensivo.
– Meu Senhor, procurei a Capitã Tauriel em todo lugar do castelo, mas ela não se encontra em lugar algum e ninguém a viu desde... – A voz que Elfo foi morrendo aos poucos em face da expressão de severa do rei.
– Desde...? – Thranduil perguntou impaciente.
– Desde que ela saiu ontem a noite, meu senhor . – O guarda abaixou a cabeça amedrontado, esperando qual seria a reação de seu rei. Por sua vez Thranduil contou até três mentalmente, para não esbravejar sua raiva na frente de todos naquele salão, sua expressão era impassível, o grupo de capitães que antes conversavam animadamente agora estavam num silêncio absoluto e fingiam não ouvir a conversa do rei com o guarda.
– E ninguém perguntou para onde ela poderia ter ido? – O rei Élfico tinha voz calma, mas por dentro sentia seu sangue ferver. O guarda apenas negou com a cabeça. Thranduil revirou os olhos, teria que lembrar-se de dar um sermão para seus guardas quando voltassem, desde que quando começaram a ser não incompetentes assim? Outra pergunta sem resposta para o rei. – Pois bem, chame o primeiro sargento da guarda até aqui. – Ele ordenou ao guarda, que apressadamente foi até um outro Elfo, de longos cabelos negros e olhos azuis, conversaram um pouco até este olhar surpreso para o rei, que em resposta tinha um sorriso presensoço nos lábios, achava graça em ser temido por seus súditos, o Elfo moreno e o guarda vieram até ele.
– Senhor. – O moreno cumprimentou o reverenciando.
– Qual o seu nome rapaz? – Thranduil era bem mais alto do que a maioria dos Elfos e isso fazia com que ele conseguisse olhar para quem fosse de cima, com altivez, e assim o fez.
– Howard senhor. – Ele respondeu confiante.
– Então hoje é seu dia de sorte Howard. – Thranduil disse sorrindo falsamente para o jovem Elfo. – Você ira comandar os outros sargentos da guarda, dê-lhe as ordens que foram planejadas ontem, todo o exército será dividido em quatro partes entre os sargentos, quero que a sua fique na linha de frente e as outras três ao redor, conhece nossa estratégia de ataque?
– S..sim senhor, Tauriel falou dela para todos os sargentos ontem. – O clima ficou tenso novamente quando Howard mencionou o nome de Tauriel.
– Ótimo.
– Mas...e quanto a Tauriel meu senhor? – O jovem perguntou inocentemente, mal ele sabia no que estaria se metendo.
– Creio que isso não seja da sua conta sargento. – Thranduil respondeu seriamente, o moreno espantou-se com a resposta do rei. – Apenas saiba que Tauriel não está no castelo nesse momento e não irá poder comandar os exércitos. E fique atento sargento, meus exércitos estão em suas mãos e não aceitarei qualquer tipo de erro. – Howard concordou engolindo em seco. – Pode ir agora, qualquer dúvida em relação às armas e armaduras fale com o Capitão Daeron, ele irá ajuda-lo. – Thranduil e Howard olharam para Daeron que estava logo atrás, este concordou com o que o rei acabara de dizer. O Elfo mais jovem reverenciou o rei pela última vez e voltou para onde estava com o resto do grupo de sargentos. O rei Élfico voltou-se para seus capitães e Lexi.
– Daeron, como já ouviu, quero que ajude o jovem Howard com a distribuição de armas e armaduras para o exercito, fique com a parte oeste do exército. Vá agora, saímos em vinte minutos. – O loiro ordenou, sua voz estava um pouco ríspida com ele, não simpatizava muito com Daeron, apesar de ele ser um excelente guerreiro. Assim que o Elfo saiu Thranduil começou a dar as ordens para os demais presentes. – Cam, quero que fique na parte leste, se caso algo sair dos planos essa é a melhor rota de fuga que teremos, pelas montanhas, como você conhece melhor o caminho quero que fique lá. Ireth, os Elfos do castelo são melhores em luta corpo a corpo do que no arco, sendo assim fique da parte sul com os Elfos silvestres, vocês irão ficar encarregados dos arcos e Finwe. – Thranduil olhou de baixo para cima o Elfo e constatou que ele não seria de grande ajuda na batalha. – Apenas organize os suprimentos que iremos levar, divida-os entre o exército e o povo da Cidade do Lago, sei que eles irão precisar, e então fique no castelo, você estará no comando até que eu volte. Bem, isso é tudo, se apressem. – O rei dispensou todos, ficando apenas ele e Lexi, ela olhava para ele curiosa.
– E quanto a mim?
– Você ficará comigo é claro, norte, linha de frente. E por favor, fique sempre por perto. Não posso te perder de vista. – O modo protetor com que ele falava fez a loira sorrisse.
– Thranduil eu não sou criança, sei me proteger. – Ela deu uma piscadela para ele.
– Apenas faça o que eu digo. – Ele disse sério, o sorriso da meia Elfa desapareceu.
– Você está bem? – Lexi perguntou cautelosamente, obviamente sabia que ele não estava, mas esperava abordar o assunto “Tauriel fugiu” de uma maneira mais leve.
– Claro que sim, por que não estaria? Não é como se uma certa Elfa ruiva acabasse de fugir novamente para os braços de um anão. Acontece sempre. – Ele respondeu sorrindo cinicamente, com a raiva contida, enquanto deixava Lexi para trás, não queria falar sobre isso com ela, pelo menos não naquele momento.
Ele foi até o estabulo, onde haviam vários Elfos preparando seus próprios cavalos, Thranduil andou em direção ao grande alce branco que o esperava, no caminho olhou para lugar onde o cavalo de Tauriel ficava, ele também tinha sumido. Chegando perto do alce apenas precisou montá-lo, afinal algum de seus guardas já o havia preparado para ele, cavalgou até a saída do grande salão, todos pareciam estarem prontos, ficou em frente a seu exército, não disse nada, apenas os encarou e acenou levemente com a cabeça, apesar de Thranduil ser temido ele também era respeitado por todos, o rei mantinha a ordem e a segurança de seus súditos, e para eles ir a guerra em nome do rei era uma honra. Lexi juntou-se ao lado de Thranduil montada em Shadowfax, um dos Elfos tocou a trompa e deu o sinal para todos começarem a marchar, Thranduil e Lexi foram na frente, seguido pelo restante do exército. A todo momento Lexi olhava para Thranduil, queria falar com ele, mas imaginava que realmente aquele não seria o melhor momento, geralmente Lexi conseguia entender o que Elfo poderia estar sentindo, apenas olhando para ele, mas não dessa vez. O olhar do rei era gélido, duro, seu rosto não expressava nenhum sentimento, a loira não tinha ideia do que se passava na mente dele agora, sabia apenas de uma coisa, que com certeza seria sobre Tauriel.
Thranduil estava no ápice de sua paciência com Tauriel, ele esperou por ela, tentou conquista-la e foi até que bondoso demais com todas as afrontas que ela vinha cometido contra ele, ele dera mais de uma chance para ela redimir-se e decidir-se em que lado queria estar no final e então ela decidira e decidira ficar ao lado do anão, a raiva naquele momento o consumia, sentiu-se traído mais uma vez, não tentaria mais ir atrás de Tauriel, não tentaria mais esforçar-se para tê-la, tinha sido um erro expressar algum de seus sentimentos para ela, um erro que ele jurou nunca mais cometer. Apesar de saber que ela iria atrás dos anões, ainda sim a tinha deixado livre, não iria prendê-la, pois tinha uma pequena esperança de que ela decidisse por conta própria ficar com ele e com seu povo. No entanto agora, ele só veria Tauriel como alguém que desafiara suas ordens, alguém que deveria ser punido e arcar com as consequências de seus atos e nada mais. Todo o ódio que sentia não deveria ser extravasado agora e sim no campo de batalha, mas sabia de uma coisa, apenas estaria satisfeito naquela batalha se ao menos conseguisse levar para casa como premio a cabeça daquele anão e se caso Tauriel tentasse impedir ele também seria obrigado a cuidar dela.
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Já era perto da tarde quando Tauriel chegou aos arredores de Erebor, por conta de não poder cortar caminho pelo Lago, afinal ela não conseguiria pegar um barco no porto sem levantar vários questionamentos dos outros Elfos, por isso decidiu contornar toda a costa, era o caminho mais longo, porém o mais seguro, pois não teria nenhuma chance de encontrar qualquer outro Elfo por ali. Lólindir estava cansado e ofegante, o pobre cavalo aguentara galopar a noite inteira sem parar, agora precisava de um descanso digno. Tauriel desmontou e começou a andar ao lado de Lólindir, que a acompanhava calmamente. Estavam em frente aos grandes portões de Erebor, porém nenhum anão estava à vista, caminhou um pouco mais, quando uma flecha atirada perto demais de seus pés a alertou.
– Nem mais um passo Elfa, senão será o seu último. – A ruiva olhou entediada para Thorin que lhe apontava o arco, ela era capaz de acertar uma flecha bem no meio do olho do anão antes de que ele conseguisse dizer seu próprio nome, mas decidiu não armar-se.
– Quero falar com Kili, onde ele está? – Ela falou alto com a esperança de Kili poder estar ouvindo, o que de fato aconteceu, momentos depois dê-la pronunciar-se Kili apareceu com um sorriso que ia enchia todo seu rosto.
– Tauriel! Espere irei abrir os portões para você. – O jovem anão já estava indo para a alavanca quando foi parado por Thorin.
–Você enlouqueceu? Vai deixar que o inimigo entre tão facilmente em Erebor? Depois de ser tão difícil reconquistá-la? – Thorin esbravejou para Kili. Tauriel achou hipocrisia da parte do rei anão, afinal eles mal tinham conseguido matar Smaug.
– Ela está sozinha, não há perigo. – Kili disse tentando justificar.
– A não ser que você considere eu, uma Elfa, perigo o bastante para não poder entrar. – Tauriel falou sarcasticamente enfatizando o “Elfa”, sorrindo para Thorin, Kili também deixou uma risada escapar.
– Não me tente Elfa, se eu quiser mato você agora mesmo, seria um Elfo a menos que eu teria que manter longe daqui. – O mais velho falou seriamente, eles ficam em silêncio alguns segundos, esperando a decisão de Thorin. – Certo, deixe-a passar. – Disse para Kili. – Mas caso você tente algo não hesitarei em mata-la.
Kili foi até o andar de baixo onde ficava a alavanca, e com a ajuda de Fili começou a puxá-la, lentamente os portões começaram a se abrir, Tauriel junto com Lólindir passaram por eles, lá dentro encontravam-se os treze anões, os mesmos que Tauriel prendera junto com Legolas há alguns dias atrás, e também um hobbit, de cabelos encaracolados e castanhos, ela não o reconhecia, no entanto ele olhava para ela intrigado. Tanto Kili e Thorin aproximaram-se dela, o mais velho continuava sério.
– É um belo cavalo, mas parece estar cansado, imagino que deva ter cavalgado a noite toda. – Tauriel assentiu em silêncio. – Fili, dê água e algumas maçãs para ele. – O anão loiro concordou e levou o cavalo para dentro da fortaleza, virou um corredor e a Elfa não pode mais avistá-los.
Então Elfa, o que a trouxe aqui? – Thorin perguntou curioso, todos os outros anões e o hobbit olharam para ela com o mesmo sentimento, ela respirou fundo e começou a falar.
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Thranduil e seu exército chegarem às ruínas da Cidade de Valle perto do meio dia, julgando pela posição do Sol, ordenou que a maioria do exército ficasse ao redor da cidade, apenas entraram a parte do exército que estava com ele assim como as carroças cheias de mantimentos para os homens e mulheres dali, e Lexi. Thranduil passou o arco de pedra de entrada, e avistou um homem de cabelos negros que iam até a altura dos ombros, presos num meio rabo, ele tinha a barba por fazer e parecia estar intrigado do porquê de seu exército estar ali, deveria ser o tal homem Bard, de quem fora avisado, que agora parecia estar comandando o povo dos homens.
– Meu senhor Thranduil. Não esperávamos vê-lo aqui. – Bard disse enquanto Thranduil fazia seu alce parar no lugar.
– Soube que precisavam de ajuda. – O rei Élfico respondeu e logo atrás de si as carroças de suprimentos começaram a chegar. Todas as pessoas foram em encontro a elas, felizes e ao mesmo tempo surpresas, assim como Bard.
– Você nos salvou. Não sei como agradecê-lo. — O homem voltou-se para Thranduil, ele parecia estar sinceramente grato com a ajuda dos Elfos.
– Sua gratidão é equivocada. – O rei respondeu, fazendo o sorriso do rosto de Bard desaparecer. – Eu não vim por vocês. Eu vim reivindicar algo que me pertence. Gemas brancas, brilhantes como a luz das estrelas. – O Elfo falava seriamente e com confiança. Logo depois do rei falar, parte do exército que estava com ele viraram-se e começaram a marchar em direção a saída norte da cidade, que dava acesso a Erebor. Thranduil começou a acompanha-los, dando as costas para Bard.
– Espere! Por favor, espere. –O homem vinha correndo atrás de Thranduil, que não o dera atenção. – Você vai entrar em guerra por um punhado de gemas? – Bard perguntou inconformado com a atitude mesquinha do rei Élfico.
– A herança do meu povo não será facilmente abandonada. –O Elfo respondeu com calma, ainda sem olhar para o homem.
– Somos aliados nisso. Meu povo também tem direito a riqueza daquela montanha. – Ele falava com confiança a fim de que Thranduil desse atenção no que ele estava dizendo. – Permita-me falar com Thorin. – Pela primeira vez naquela conversa o rei olhou para Bard.
– Vai tentar argumentar com um anão?
– Para evitar uma guerra? Sim. – Bard respondeu seriamente. No mesmo momento Lexi veio ao encontro dos dois, sorrindo, o que imediatamente chamou a atenção de Bard.
– Escute o homem Thranduil, se os anões concordarem em devolver as gemas e ajudar o povo do lago a se reerguerem, não há porque ter uma guerra. – Lexi falou piscando para Bard, que não pode evitar de sorrir para ela, e também mesmo não sendo o melhor momento, não pode deixar de apreciar a beleza da Elfa. O Elfo ficou um pouco pensativo, o que ele queria na verdade era entrar em Erebor e matar todos os anões que visse na sua frente, mas não poderia revelar seus desejos para os homens e nem mesmo para seu próprio povo, senão o veriam como um tirano, então teria que aceitar a proposta de Bard.
– Certo, vá então. – Bard assentiu e antes de sair deu uma última olhada para Lexi, que também fez o mesmo, sustentando o olhar do homem, tal ação de ambos não foi despercebida por Thranduil.
–Você com certeza pode arranjar coisa melhor Lexi. – Ele falou presunçosamente e saiu dali, deixando Lexi irritada para trás.
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A gritaria era intensa dentro de Erebor, todos os anões discutiam entre si, Tauriel pode ouvir vários xingões, insultos e ameaças de morte deles para os Elfos.
– Podem vir, não temos medo de Elfos! – Gritou um dos anões e os outros concordaram com ele, apenas o pequeno hobbit parecia não compartilhar da mesma empolgação de seus companheiros.
– Vocês não entendem, Thranduil está vindo, com todo nosso exército, não só Elfos do castelo, mas também Elfos das regiões ao redor, acabaram com vocês em minutos. – A ruiva tentou argumentar com eles, mas em resposta ouviu apenas reclamações.
– Você nos subestima Elfa, e acredite até o fim dessa batalha irá arrepender-se de suas palavras. – Thorin disse ríspido.
– Se vocês entregarem o colar de Nauglamir todos iremos ganhar, não irá haver nenhuma guerra. – A ruiva tinha que admitir, aquela teimosia e insensatez dos anões conseguia ser pior que a sua.
– Não iremos entregar nada! – Um outro berrou de trás.
– Thorin, ela está certa, entrar em guerra por causa disso é loucura, vocês todos estão em casa agora, seguros, isso é o mais importante. – O hobbit falou para o rei anão, ao ver de Tauriel parecia o único a ter razão.
– Não irei entregar nada aos Elfos Bilbo, nunca. – Thorin tinha um olhar sombrio que fez a Elfa arrepiar-se. – Mas a grande questão é, por que você veio até aqui nos avisar e tentar fazer um acordo? O que você ganha com isso? – Todos os anões olharam para Tauriel novamente, seu olhar posou-se instintivamente em Kili, e ele entendera o porquê, abriu um sorriso sincero para ela. Antes da ruiva conseguir responder, um anão que estava de vigia chamou a atenção de Thorin e do restante dos anões para alguém que estava aproximando-se, Tauriel ficou apreensiva achando que os Elfos já iriam começar a atacar, mas relaxou quando disseram que era Bard quem vinha ao encontro deles. No momento que os anões focaram sua atenção em Bard, a Elfa puxou Kili para um canto mais afastado dos outros.
– Kili, você tem que tentar convencê-lo, fazê-los pensar com a razão.- Tauriel implorava para o moreno.
– Não há jeito Tauriel, você não conhece Thorin, ele não mudará de ideia. – Kili falou com pesar, mesmo que odiasse os Elfos não queria ter que lutar em lados opostos com Tauriel.
– Todos você acabarão sendo mortos. – A ruiva disse baixinho para que apenas Kili ouvisse, ele sorriu tristemente para ela.
– Se for para morrer, espero que seja pela sua espada então. – O jovem anão acariciou as bochechas da Elfa. – Queria ter tido mais tempo. – Tauriel não soube como responder aquilo, a menos de um dia tinha decidido ficar com Thranduil e esquecer Kili, não queria dar mais esperanças a ele, entretanto, sentiu-se bem com aquele momento.
– Não creio que isso irá acontecer. – Ela respondeu com o mesmo sorriso. – Eu não irei lutar.
– Não irá? Como assim? – Ele perguntou confuso.
– Ontem, eu recebi ordens diretas do rei de não vir procura-lo, caso contrário seria banida e tida como inimiga do reino. – Tauriel tinha a voz cheia de ressentimento, Kili ficou surpreso.
– Sinto muito Tauriel...fique conosco, não posso pedir para que lute contra seu próprio povo, mas posso pedir para que fique a salva dentro de Erebor até a batalha terminar. – O anão pedia com esperança.
– Eu não posso Kili...
– Tem razão, você não pode. – Thorin interrompeu a conversa deles. – Acabamos de declarar guerra contra os Elfos e contra os homens, você não pode mais ficar aqui. Apesar de não estar do lado deles ainda sim é uma Elfa e Elfos não são confiáveis. – Disse ele friamente.
– Não Thorin, Tauriel é diferente, podemos confiar nela, deixe-a ficar. – Kili implorava ao tio.
– Tudo bem Kili, eu tenho mesmo que ir. – Tauriel queria acabar logo com aquela conversa. – Eu já estou indo.
Fili trouxe o cavalo de Tauriel novamente, ele aparentava estar bem melhor do que quando chegaram ali. Dois anões começaram a abris os portões enquanto Tauriel preparava-se para montar, mas foi parada por Kili, que segurou seu braço.
– Posso nunca mais ter a chance. – Tauriel não teve chance de perguntar o que ele queria dizer com aquilo, quando o anão tomou seus lábios, com um beijo rápido, porém carregado de sentimento. Quando a ruiva quebrou o beijo não teve coragem de falar nada para Kili, apenas o encarou por alguns segundos e montou no cavalo, bateu levemente com o calcanhar na lateral do cavalo, dando sinal para este começar a andar, ou no caso correr. Tudo que ela queria naquele momento era fugir dali o mais rápido possível, Kili a tinha pego de surpresa. E no fim ter vindo ali não adiantara de muita coisa, a guerra ainda continuava e teria que arranjar outro jeito de impedi-la. Ela saiu alguns minutos depois de Bard, e logo que saiu ouviu um forte estrondo atrás de si, os anões tinham bloqueado os portões com destroços da estatua do antigo senhor anão.
Longe dali, nas terras do norte, Legolas corria contra o tempo para avisar a todos o que estava prestes a vir, um gigantesco exército de orcs vindo de Gundabad. Porém avisar ao seu povo não era a única preocupação do jovem príncipe, pois em todo tempo que ficara fora, Tauriel era a única que ocupada a maior parte de seus pensamentos.
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Thranduil estava do lado de fora da Cidade do Valle, montado em seu alce, com Lexi ao seu lado, ambos observavam Bard voltar da conversa que tivera com Thorin.
– Acha que ele conseguiu? – Lexi perguntou apreensiva, Thranduil sorriu maldosamente em resposta a ela.
– Ele não nos dará nada. – Bard disse enquanto chegava, o rei sentiu Lexi enrijecesse ao seu lado.
– Uma pena. – Thranduil falou com ironia. – Ainda sim, você tentou.
– Eu não entendo. Por quê? Por que ele arriscaria uma guerra? – Os três tiveram suas atenções chamadas para a cabeça da estatua que acabara de ser derrubada, bloqueando os portões de Erebor.
– É inútil dialogar com eles. – O rei Élfico empunhou sua espada, observando-a com grande satisfação. – Eles só entendem uma coisa. – Bard entendera. – Nós iremos atacar ao amanhecer. – Thranduil deu meia volta e num galopar lento rumou para a cidade. – Está conosco? – Não era realmente uma pergunta, Bard olhava o Elfo voltar para a cidade, aflito, Lexi ainda estava parada no lugar, olhando para o homem com pena, mas seguiu Thranduil também, deixando Bard para trás.
Já era o por do Sol quando Thranduil acompanhado de Lexi comiam em silêncio na tenda principal que fora armada para qualquer reunião pré-guerra, se assim fosse necessário.
– Você está bem quieto hoje, mal nos falamos. – A loira tentou começar com a conversa.
– Talvez porque eu não tenha nada para falar. – Ele a respondeu sem olhá-la enquanto bebia seu vinho.
– Tudo bem. – Ela respondeu ríspida. Mas Thranduil a conhecia muito bem, quando Lexi queria uma coisa ela era o mais insistente possível, então o “tudo bem” dela era ficar emburrada, irritada e começar a fazer tudo com rispidez, assim como colocar o copo na mesa depois de beber com mais força do que o realmente necessário, ou ficar bufando em cada respiração, ou largar os talhares no prato, fazendo com que fizesse um som alto, que sempre incomodou Thranduil.
– Certo Lexi, você venceu. – O Elfo falou sem paciência mais para a infantilidade dela. – O que quer que eu diga? Que ela me deixou mais uma vez? Que ela me trocou? Que me traiu? Sim ela fez tudo isso. – O rei aumentara o seu tom de voz, a meia Elfa escutava tudo atentamente. – Quer me ouvir dizendo que eu me enganei com ela? Que eu estou com raiva? Decepcionado? Que eu imaginei que seria tudo diferente? Sim, sim para todas suas perguntas. Pronto, era isso que queria saber? Agora já sabe! – O Elfo levantou-se da mesa bruscamente e atirou sua taça no chão, Lexi não ousou dizer uma palavra. Ele deu as costas para ela e respirou fundo, tentando acalmar-se. Antes de qualquer um falar alguma coisa, houve uma movimentação na entrada da tenda, por ela passaram-se Bard, acompanhado de um Gandalf muito machucado. Thranduil assumiu sua pose mais intimidadora, fingindo que nada tinha acontecido, se alguns dos dois que acabaram de entrar perceberam o clima tenso que estava naquele lugar, nada falaram, até porque as atenções do mago foram rapidamente voltadas para Lexi.
– Pelas barbas de Eru, Lúthien Tinúviel sua tola. O que faz aqui?! – Gandalf pergunta exasperadamente. Lexi olha para ele, dando um sorriso amarelo, sentia-se como uma criança que acabara de ser pega roubando biscoitos do pote. – Thranduil que insensatez é essa? Deixar uma criança participar de uma guerra?! – Lexi não era criança, mas entendia a preocupação do mago, ele a vira crescer e eram muitos ligados, ainda por Lexi ser neta de Galadriel.
– Creio que Lexi possa fazer suas escolhas sozinhas Gandalf. – Mesmo tendo acabado de discutir, Thranduil sempre estava ao lado de Lexi, ela sorriu para ele, agradecida do apoio, mas ele não retribuiu.
– Sua avó sabe que você está aqui? – O velho perguntou ainda bravo.
– Hm, não. – Lexi teve que confessar, envergonhada. Bard tentava segurar o riso com aquela cena, Lexi lançou um olhar de reprovação para o homem, que só fez com que seu sorriso alarga-se mais.
– Depois senhorita, teremos uma conversa, a sós. Por hora, meu assunto é com você. – Gandalf disse apontando o cajado para o rei Élfico. Que agora encontrava-se sentando no seu trono temporário que montaram na tenda. – Esqueça essa rivalidade estúpida com os anões, a guerra está vindo. As masmorras de Dol Guldur foram esvaziadas. – Thanduil ouvia impaciente toda aquela conversa do mago. – Todos vocês correm um perigo mortal.
– Do que você está falando? – Bard perguntou num sussurro enquanto aproximava-se de Gandalf.
– Percebo que não conhece os nossos magos. – O Elfo o cortou antes de que o mais velho pudesse responde. Levantou-se do trono e foi até a mesa, pegando duas taças vazias, encheu-as de vinho e serviu uma a Bard, que aceitou. – São como um trovão no vento se aproximando lentamente, assuntando a todos com um alarde. – Gandalf começara a ficar aborrecido com o que o rei falava. Mas, ás vezes, uma tempestade é só uma tempestade. – Finalizou encarando o velho.
– Não desta vez. Exércitos de orcs estão a caminho. São guerreiros, foram criados para a guerra. – O mago falou com convicção. – Nosso inimigo convocou todas as suas forças.
– E por que estão agindo agora? – Thranduil perguntou.
– Porque nós os forçamos. Quando a companhia de Thorin tentou recuperar a terra natal. – Gandalf explicou com paciência. – Os anões não deveriam ter chegado a Erebor. – O mago começou a caminhar para fora da tenda e foi seguido pelos três que ainda se encontravam nela. – Azog, o Profano, foi enviado para mata-los. O mestre dele quer controlar a montanha. Não só pelo tesourou, mas também por sua posição estratégica. – Todos os quatro agora estavam num tipo de varanda, destruída, que dava vista para a entrada de Erebor. – Esta é a entrada para as terras de Angmar no norte. Se esse reino cruel se reerguer ...Valfenda, Mória, o Condado, até mesmo Gondor cairá.
– Esses exércitos de orcs de que fala, Mithrandir, onde estão? – O rei perguntou.
– Perto, muito perto, a menos de um dia de viagem, sem duvidas. – A voz do mago era carregada de preocupação.
– Desculpe Gandalf, mas estou longe de acreditar em historias mirabolantes como essa. – O Elfo respondeu cinicamente e voltou a entrar em sua atenda, até porque a noite já começara a cair. Lexi apressou o passo para alcança-lo.
– E se Gandalf estiver certo Thranduil? Eu nunca vi Mithrandir dizer algo que não tivesse plena certeza, e você também não. – Lexi dizia tentando convencê-lo.
– Exato! – O mago adentrou a tenda novamente, irritado. – Desde quando meu conselho é tão desprezível? Que intenção acha que eu tenho?
– Acho que está tentando salvar seus amigos anões. – Thranduil respondeu com descaso. – Admiro sua lealdade a eles. Mas isso não me faz desistir dos meus planos. – Ele falou sombriamente. – Você começou isso, Mithrandir, vai me perdoar se eu finalizar. – Thranduil sabia muito bem ser tirano quando queria, dirigiu-se ao guarda que estava fora da tenda e seu a ordem. – Os arqueiros estão em posição?
– Sim meu senhor. – O guarda respondeu.
– Dê a ordem. Se algo se mover-se naquela montanha, matem. O tempo dos anões acabou. – Todos olhavam com angustia o sorriso sádico que formava-se nos lábios do rei.
– Você, arqueiro. – Gandalf se dirigiu a Bard. – Concorda com isso? Esse ouro importa tanto para você? Pagaria com o sangue dos anões? – Ele tentava achar uma pouco de lucidez em alguém ali presente ao menos.
– Não vai chegar a esse ponto, não é? – Bard olhou ao redor, nenhum deles ali concordou, Gandalf olhou para ele com compaixão, Bard era inocente demais para entender tal rixa entre anões e Elfos. – É uma guerra que não podem vencer.
– Isso não os impedirá. – Uma voz vinha de fora da tenda. – Acha que os anões irão se render? Não vão. – Ele tentou desvencilhar-se dos guardas que o barraram na entrada, mas que o soltaram com um aceno de Thranduil. – Eles irão lutar até a morte para defender o que é deles. – O Elfo ouvia tudo atentamente, aquilo estava ficando melhor do que esperava, realmente não desejava que os anões se rendessem.
– Bilbo Bolseiro. – O mago o saldou, e recebeu um sorriso do hobbit.
– Se não me engano, esse é o pequeno que roubou as chaves de minhas masmorras debaixo do nariz dos meus guardas. – Thranduil disse repreensivamente enquanto sentava-se no trono e fitava o hobbit friamente.
– Pois é...desculpe por isso. – Ele falou sem jeito, Lexi achou graça nele. – Eu vim, para te dar isso. – Bilbo aproximou-se da mesa que ficava em frente ao trono e tirou um pequeno embrulho do casaco, o colocando em cima da mesa, desembrulhou-o e o que revelou-se em seu conteúdo era nada mais e nada menos do que a Pedra Arken. Imediatamente Thranduil levantou-se surpreso, assim como todos dentro da tenda.
– O Coração da Montanha. A joia do rei. – A voz do Elfo saiu num sussurro.
– De valor inestimável. – Completou Bard que aproximava-se também. – Como conseguiu pegá-la?
– É o meu 1/14 avos do tesouro. – Bilbo respondeu com simplicidade.
– Por que fez isso? Você não é leal a nós. – Bard questionou.
– Não fiz isso por vocês. – O pequeno hobbit disse de imediato. – Sei como os anões são teimosos, cabeças-duras e difíceis de lidar, suspeitos e cheios de segredos. Com o pior comportamento que se possa imaginar. – Thranduil revirou os olhos, tendo que ouvir aquela conversa, apenas Lexi percebeu e o repreendeu com o olhar. – Mas também são corajosos, gentis, leais até a morte. Eu gosto muito deles, e irei salvá-los, se puder. Mas Thorin valoriza demais essa pedra. Em troca acredito, que ele dará o que deve a vocês. – Gandalf olhava para Bilbo com admiração por sua coragem, hobbits realmente eram criaturas muito surpreendentes. – Não haverá necessidade de uma guerra. – Todos mais uma vez, incluindo agora Gandalf e Bilbo olharam para Thranduil, como se pedissem sua aprovação, seria tão difícil assim matar alguns anões? Pelo visto sim.
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Depois do encontro que tivera com todos Thranduil recolheu-se para sua própria tenda privada, ficava um pouco mais afastada do que a dos outros capitães, afinal eles eram os únicos que também tinham direito de uma tenda privada. Dispensou os guardas que a guardavam, queria total solidão naquela noite. Entrou e despiu-se primeiro da coroa, e depois da armadura pesada. Mais uma vez ele fora forçado a tentar fazer um acordo com os anões, para um “bem maior”, sua sorte era que Thorin não estava com a cabeça no lugar, talvez quando visse a Pedra Arken com ele, o anão perderia a cabeça de vez, e então seria apenas uma questão de tempo para que os outros o seguissem nessa batalha suicida, tal pensamento animou um pouco mais a noite de Thranduil. Estava de costas para a entrada da tenda e de frente para uma pequena mesa de madeira rústica, enquanto faltava despir apenas de suas braçadeiras, se tratando da armadura em si, algo o alertou de imediato.
– O que faz aqui? – A voz do Elfo saia fria como gelo.
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