The Desolation of Thranduil
18 Capítulo 18 - Mereth en Gilith
O vento suave do inverno percorria por dentro da tenda, e alguns fracos raios de sol iluminavam o rosto adormecido de Tauriel, do seu lado, sentado numa cadeira improvisada de vários caixotes, estava o príncipe élfico, velando o sono de sua velha amiga, ele também estava muito cansado, não lembrava-se nem a última vez em que tinha dormido, todos aqueles dias antes de guerra pareciam ter sido longos demais para o jovem, ainda mais estando longe de todos, porém esses dias em que ele permanecera fora o ajudaram a pôr os pensamentos em ordem, no final das contas tudo que Legolas precisava era de um tempo para absorver todos os recentes acontecimentos que foram despejados em cima do elfo tão rapidamente em um curo período de tempo. Era perto do meio dia e a ruiva ainda continuava no seu sono profundo o e calmo, mas ele não se preocupava, antes de todos os elfos voltarem para a floresta e para o castelo, os vários curandeiros que trataram dela garantiram que todo o veneno da lâmina do orc tinha sido extraído do seu corpo e que seria apenas questão de tempo ela acordar. Todos já tinham ido embora, ficando apenas Legolas e Tauriel para trás e apenas uma dúzia de soldados, para escoltarem o príncipe e a capitã de volta ao castelo, assim que ela acordasse. Ele se perdera em pensamentos, analisando todos os acontecimentos recentes, assim como o daquela manhã.
Antes do sol começar a aparecer entre as montanhas frias do leste, Thranduil estava ordenando que seu exército juntasse todos os suprimentos que restaram, assim como os corpos dos soldados mortos, afim de levá-los de volta para suas respectivas famílias, o rei tinha que chegar o quando antes ao castelo para planejar todos os preparativos do Mereth en Gilith que aconteceria nesta noite, os elfos eram seres muito ligados a sua cultura e ao seu povo, dessa forma, sendo eles seres celestiais, acreditavam que todo elfo que morria em batalha, ganhava seu lugar no céu, tornando-se parte da luz das estrelas, que seu povo tanto amava. O banquete era para homenageá-los, era uma boa fora de prestas luto aos seus entes queridos, então tudo teria que estar pronto até o anoitecer. Legolas percebendo a movimentação que começara ficou um pouco confuso em relação ao seu pai, o rei estava logo à frente do príncipe, conversando com alguns capitães, que se afastaram quando notaram a aproximação de Legolas para com seu pai.
– Já está indo? – Perguntou Legolas surpreso.
– Sim, os preparativos para o Mereth en Gilith desta noite não podem esperar. – O rei respondeu sem muita emoção, de fato não era seu desejo realmente ir.
– Irá deixa-la aqui sozinha? – O tom do jovem parecia de como quando um pai dá um sermão para um filho. Mas antes que Legolas pudesse criticar as palavras do pai, Thranduil fora mais rápido.
– Ela não está sozinha, estará com você. E creio que serás uma boa companhia. – Ele dizia enquanto andava até um cavalo que crina negra, que Legolas reconhecera ser o de Tauriel. – Ela precisará de um bom amigo agora. – Montado, deu um pequeno aceno para o filho. – E eu não posso ser isso a ela. – O príncipe élfico ficou parado, olhando o pai desaparecer, assim como todos os outros elfos que seguiam atrás do rei.
Legolas foi tirado de seus devaneios assim que ouviu um gemido baixo da elfa, no mesmo instante ele saiu de onde estava sentado para sentar ao pé da cama, também improvisada onde Tauriel se encontrava, ela se mexeu um pouco até abrir os olhos lentamente, assim que vira a imagem do elfo em sua frente abrira um sorriso largo para ele, que o mesmo devolveu sem esforços. A ruiva se ajeitou lentamente na cama, também ficando sentada, ambos ficarem olhando-se sérios por um tempo, até que ela decidira quebrar o silêncio.
– Eu senti muito a sua falta. – Ela disse tristemente, ao mesmo tempo em que se esticava para abraça-lo, Legolas aceitou, abraçando-a de volta. – Eu sinto muito por tudo que te fiz passar, eu sei que nem de longe eu tenho sido uma boa amiga e tenho transformado sua vida num inferno, por favor, eu realmente sinto muito. – Sua voz foi sumindo aos poucos sobre o olhar repreensivo de Legolas.
– Tem razão, você realmente tem acabado com a minha vida, totalmente. – Ele fez uma pausa, a ruiva escutava atentamente, concordando mentalmente com as palavras dele. – Desde que tinha no mínimo uns dez anos, então eu acho que estou acostumado com você arruinando toda a minha existência. – Ele terminou abrindo um grande sorriso para ela, o que fez a elfa acompanha-lo, ao mesmo tempo em que revirava os olhos por causa da brincadeira dele.
– Faço isso porque você nunca leva a sério o que eu digo. – Falou ela entrando na brincadeira.
– O que?! – O príncipe colocou uma das mãos no peito, fingindo indignação. – Que eu bem me lembre, eu sempre era obrigado a entrar em todos os seus planos mirabolantes, que sempre acabavam em “Legolas, você é o mais velho, deveria ter mais responsabilidade. ” ou “ Legolas, onde você estava com a cabeça?” – Disse o elfo numa imitação muito boa do próprio rei, fazendo a risada de Tauriel soar pela tenda. – Ele dizia isso porque não sabia que a mente maligna era bem essa daqui. – Apontou para a cabeça da ruiva. – Perdi as contas de quantas vezes ficamos de castigo por sua causa.
– Não sei do que você está falando. – Tauriel disse de forma desentendida.
– Claro. — O sorriso de Legolas foi se desfazendo, voltando para a expressão séria de antes. – Eu te amo Tauriel. – A expressão dela também mudara agora, seu sorriso aos poucos, foi morrendo. — Sempre amei e sempre irei amar. E é porque eu te amo que quero sua felicidade. – Ele segurou uma das mãos dela, chegando mais perto. – Independente de com quem seja, eu sempre estarei do seu lado. – A cada palavra de Legolas o coração da elfa ia ficando mais pesado. – Eu tive muito tempo sozinho para pensar, e no momento eu te amo de uma forma, que eu não posso ser correspondido, mas isso não significa que irei odiá-la por não me amar da mesma forma. – Ele limpou uma lágrima solitária que caia entre a bochecha de Tauriel. – Não quero que se sinta culpada por nada, apenas siga seu coração, ele sempre nos diz a coisa certa a se fazer.
– Obrigada, eu precisava ouvir isso, eu realmente senti muito a sua falta. – Era como se um peso enorme tivesse sido tirado de suas costas, sentia-se mas aliviada, não queria que Legolas sofresse por ela, quase se sentiu leve, porém a sensação logo se desfez quando lembrou-se de Kili, não conseguira salvá-lo e provavelmente sempre iria se culpar por aquilo, ela de fato sentiu algo pelo anão, algo real, mas não sabia ao certo se aquilo era amor, de qualquer forma a sensação de leveza de desvairava mais ainda quando pensava em Thranduil, todas as memórias que tinha om ele perturbavam a sua mente constantemente, e agora que tudo tinha acabado não sabia como seria o próximo encontro dos dois.
– É claro que sentiu, eu sou insubstituível. – Ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do Mundo.
– Por favor, não exagere. – Os dois riram e Tauriel aproveitou o tempo livre para contar tudo que tinha acontecido com ela e no castelo na ausência dele, tirando as partes mais intimas que ela teve com Thranduil é claro, eram melhores amigos, mas a ruiva achava que ele não precisava saber desses detalhes, então por hora a ruiva decidiu deixar em segredo. É claro que o príncipe não era nenhum tipo de idiota que não percebia nada, no decorrer da sua história era nítida algumas falhas e faltas, mas ela tentava enrolar começando a contar sobre outro assunto, se ele notara, optou por não fazer comentários sobre. De repente a elfa começara a se sentir a pior amiga do Mundo, em toda a conversa deles ela não lembrou-se nem um momento de perguntar como ele estava, fisicamente falando, afinal, fora Legolas quem a salvara de Bolg em Revenhill, ele que o matara depois de tudo, verdade seja dita, Tauriel nos últimos dias havia negligenciado seu amigo de maneira vergonhosa. Não fazia de propósito, mas outros assuntos, Thranduil sendo a maior marte deles, tomaram a total atenção dela.
– Como você está querido mellon? — Seus olhos eram cheios de preocupação e isso confortou o jovem em sua frente. – Não fiquei para ver depois que caímos do penhasco, sinto muito.
– Você tem que parar de se culpar Tauriel, estou bem e Bolg está morto, assim como Azog. Alguns orcs que restaram fugiram para as redondezas, mas logo os acharemos, não há mais nada com o que se preocupar. – Seu sorriso confiante fez com que a ruiva se sentisse um pouco menos culpada por tê-lo deixado sozinho, fora um erro, era com os vivos que ela tinha que ter se preocupado, mas no meio da adrenalina seu coração falara mais alto. – Até mesmo em um momento salvei a vida de Thorin sabe. – O príncipe comentou.
– É mesmo? Ele deve ter odiado ser salvo por um elfo, ainda mais pelo...- “filho de Thranduil” – príncipe, não? – Tentara disfarçar o seu incomodo em lembrar do rei, Tauriel se recriminara mentalmente, por mais que quisesse o nome de seu rei estava a todo momento em sua cabeça.
– Talvez, mas ele não pode agradecer ou reclamar. – Seu semblante era sombrio, a elfa já estava atendendo. – Antes de finalmente poder ter livrado o Mundo de Azog, o orc o levou consigo. No fim Thorin e seus sobrinhos descasam em paz agora. – Legolas falava com o máximo de cuidado possível, não sabia se poderia ou não mencionar o nome do sobrinho mais novo de Thorin.
– Era o plano de Azog desde o começo, acabar com a linhagem de Thorin, para nunca mais haver um rei sobre a montanha. – Sua voz era triste, e apesar de estar ali com Legolas, seus pensamentos estavam longe, além das montanhas, numa época em que ela viajaria pelo Mundo, através das estrelas com um anão de cabeços negros, conheceria as grandes estruturas de Argonath, o Bolsão onde viviam as pequenas criaturas chamadas de hobbits, as Colinas de Ferro dos anões, Kili dizia que quase todas as noites eram servidas de muita música, bebidas e festejos ou até mesmo visitar seus parentes elfos em Valfenda, de qualquer forma era um sonho que estava muito distante agora.
– Mas ele não conseguiu, Daín, primo de Thorin irá assumir o trono. – O príncipe se levantou da cama, ficando de pé ao lado dela e ajustando suas vestes. – Inclusive eles apenas esperam a nós para o enterro, Balin convenceu Dáin a deixar que acompanhássemos, ele explicou sua...relação com Kili, acham que é o mais correto e o que ele iria querer. – A ruiva levantou-se também, com certa dificuldade, com a cabeça baixa devido ao desconforto dessa situação, não conseguia olhar nos olhos de Legolas então.
– Vamos então, nosso povo com certeza está ansioso para voltarmos logo para casa. – O elfo parecia num conflito interno, como não houve resposta ela levou seu olhar para ele, estranhou. – O que foi?
– Todos já foram embora Tauriel, só resta nós dois. – Tauriel surpreendeu-se com aquelas palavras, então ele a deixara, mesmo depois do que ele tinha feito, ele ainda não estava com ela, ao seu lado. – Haverá o Mereth en Gilith esta noite, todos foram preparar-se. – Ele se apressou a dizer, mas de qualquer forma isso não fazia muita diferença para ela. Ela assentiu a ele, percebendo o lugar onde estava agora viu que a espada de Thranduil ainda estava encostada ao lado de sua cama, perguntou-se se ele a teria deixado de propósito para que ela tivesse que devolver pessoalmente, a pegou e colocou na bainha novamente, nem ela ou Legolas disseram algo a respeito, logo ambos saírem da tenda, indo em direção a Erebor.
O local estava cheio, alguns homens, incluindo Bard e os filhos estavam entre os anões, no centro havia três criptas, Thorin estava no centro enquanto Fili ocupava a da direita e Kili a da esquerda, alguns dos anões falaram algumas palavras, o único choro na sala era de uma das filhas mais novas de Bard, que era reconfortada pelo pai, Tauriel e Legolas antes mais a fundo, num canto, tentando não chamar muita atenção nos anões ali presentes, eles sabiam que não era bem vindos, mas tinham o consentimento do novo rei, então não se preocuparam muito com os olhares feio que eram lançados constantemente a eles. A ruiva observava o semblante tranquilo de Kili, como se estivesse tendo um sonho bom, e ela realmente esperava que ele estivesse, queria lembrar-se do anão assim, não com sofrimento e dor, queria lembrar de Kili, das conversas que tivera com ele enquanto o mesmo estivera preso nas masmorras do castelo, queria lembrar apenas das partes boas, os elfos tinham uma memória excelente e longínqua, o jovem anão estaria para sempre em sua mente, assim como os poucos momentos que estiveram juntos, ela o considerava como um amigo, talvez até mesmo como algo a mais, como ele parecia corresponde-la, mas não houvera tempo suficiente para saber se tal sentimento era de fato o amor, ele se fora cedo demais. Alguns dos presentes do local agora deixavam objetos com os falecidos, a fim de que eles levassem algo de importante para a outra vida, Tauriel sentiu que também deveria fazer o mesmo e retribuir a Kili o presente que ele tinha dado a ela, mesmo que a runa estivesse novamente com ele, como deveria estar. Aproximou-se lentamente da cripta do anão, todos os outros se afastaram para encará-la, ela não se intimidou. Abaixou-se sobre ele, depositando um beijo em sua testa, algumas lágrimas teimosas caiam sobre suas bochechas, levantou-se e tirou o seu próprio colar que carregava sempre no pescoço, todo elfo carregava consigo algum tipo de luz de estrela, para que a escuridão nunca os tomasse, a dela era Ëarendil, a estrela da tarde, uma das mais amadas pelos elfos, estava com ela desde que nascera, colocou-a dentro das mãos do anão e abaixou-se bem próximo ao seu ouvido.
– Descanse em paz mellon, atra du evarínya ono varda. [Que as estrelas zelem pelo seu caminho. ] – Disse tão baixo que alguns anões até se inclinaram para tentar ouvir melhor e receberam um olhar severo de Legolas. Olhando para Kili pela última vez, ela tomou seu lugar ao lado de Legolas novamente.
Daquele ponto em diante não demorou muito para que as criptas fossem seladas e todos começassem a se dispersar, antes de partir Tauriel fez questão de agradecer essa oportunidade a Balin, que a tratou com o devido respeito e até mesmo simpatia para com a elfa. De volta a cidade de Valle, Legolas se afastou indo pegar os cavalos, e Tauriel se viu sozinha, por mais que estivesse cercada de pessoas alegres e falantes com o fim da guerra, ela sentia-se mais só do que junta, desolada. E não percebeu quando Bard se aproximara.
– Tauriel. – Ele a tirou de seu devaneio. – Fico feliz que esteja bem. – Ela assentiu com um pequeno sorriso para ele – Soube do seu conflito com o rei Thranduil, admiro sua coragem. Não são todos que desaviam o grande rei elfo, e vivem para contar história. – Ele disse sorrindo, Tauriel sabia que ele não estava falando por mal, ele não tinha nem ideia.
– Bem, digamos que eu ainda não recebi a minha bronca. – A ruiva forçou um sorriso para o homem. – Se eu não aparecer aqui pelos próximos anos, saiba que eu realmente não sobrevivi.
Você ajudou meus filhos a saírem da cidade, quando ninguém mais ajudou.- Ele falava seriamente. – Sempre terá um amigo e um abrigo aqui Tauriel, Filha da Floresta. – Ela sentiu uma imensa gratidão pelo homem e não teve como dessa vez não sorrir sinceramente para ele. Ouvindo o som do galope, Legolas já estava ao seu alcance, oferecendo o braço para ela subir, olhou com estranheza para ele, mas aceitou mesmo assim, montou no cavalo branco atrás dele e olhou para Bard.
– Atra guliä un ilian tauthr ono. [Que a sorte e a felicidade sigam-no.] – Foram suas últimas palavras ao arqueiro, Legolas apenas acenou com a cabeça e disparou a caminho do castelo. No caminho ela perguntara a ele onde estava seu cavalo e o príncipe apenas limitou-se a dizer que o rei tinha o levado, não falaram mais nada em todo o caminho, Tauriel não vira o tempo passar, perdida em seus próprios pensamentos, estava dividida entre a tristeza do luto e a tristeza por ter sido abandonada por ele, ele a maltratara tantas e tantas vezes em todos esses anos, a deixou confusa por tantos momentos, a fez olhá-lo com outros olhos, a ter pensamentos com ele que ela não antes não poderia imaginar, nem em seus sonhos mais obscuros, ela fez se entregar e a ter sentimentos tão estranhos, a ter sensações que a faziam tremer dos pés à cabeça, tudo para que? Qual era o significado de tudo, se antes eles tinham algum tipo de relação, agora, depois daquela noite a ligação entre eles era muito mais significativa, o ato sexual entre os elfos era algo importante, selava uma união conjugal, tão importante ou mais que os próprios votos de casamento, feito com amor o que com certeza não era o que eles tinham feito naquela noite e ela sentia-se suja por isso. Havia um forte preconceito entre seu povo com casais que se relacionavam antes do casamento, para as elfas conseguir um casamento digno depois era quase impossível, não que Tauriel estivesse com planos de casar-se futuramente, porém mesmo assim estava péssima. Como não atravessaram o rio e sim o contornaram acabaram chegando um pouco do sol se pôr, adentraram o castelo, estava agitado, elfos andando de um lado para outro, alguns com grandes arranjos de flores brancas e galhos secos, as únicas que nasciam com o inverno, e outros com alguns castiçais, ela e Legolas foram até o salão principal, onde ocorreria o banquete e a cerimônia, o salão era dividido em duas partes, a interna coberta e a externa, onde os elfos poderiam apreciar melhor as luzes das estrelas, ambos os ambientes estavam decorados com tecidos brancos pelas paredes, vários pontos de luz estavam espalhados pela parte interna, e do lado de fora algumas tochas feita de galhos brancos decoravam o lugar, pelo visto ainda faltavam colocarem os arranjos. A ruiva despediu-se do amigo e foi para seu quarto, no caminho recebeu alguns olhares incriminadores, que ela fingia não ver. Já em seus aposentos, desfez-se do seu espartilho de couro, o jogando no chão, não sabia quem o tinha colocado novamente, porque afinal, alguém precisara despi-la para cuidar de seu ferimento, esperava apenas que não fossem quem estava pensado. Colocou a espada do rei com bainha e tudo na cômoda, agora sentia-se mais leve, afinal era a única arma que tinha, perdera suas duas adagas no meio da batalha e Thranduil fizera questão de quebrar seu arco ao meio, teria que providenciar mais armas para voltar ao trabalho, isso se ela realmente ainda pertencesse ao cargo, o que achava improvável. Foi até sua pequena varanda, observando o sol esconder-se por trás das montanhas, banhando-se com os últimos raios de sol que recebia, fechou os olhos, respirando fundo, aproveitando aquele pequeno sentimento de paz que aquele momento relaxante trazia a ela, batidas na porta, abriu os olhos, a paz se fora.
– Só um minuto. – Antes de abrir a porta ela foi até um dos espelhos, arrependeu-se, seu reflexo não parecia ela mesma, o sague seco em seus cabelos a incomodou profundamente, tinha olheiras profundas e roxas, o rosto também estava um pouco sujo, de poeira e sangue, mas não havia tempo para lavar-se agora, teria que receber seu visitante assim mesmo. Foi até a porta e abriu devagar, do outro do lado havia uma elfa um pouco mais baixa do que ela, de cabelos e olhos castanhos, a supor por suas vestes deveria ser uma camareira. – Pois não? – Tauriel perguntou gentilmente.
– O Senhor Thranduil mandou-me para ajudá-la capitã. – A morena falou sorridente, com simpatia. Vendo a confusão no rosto da ruiva ela apressou-se em complementar sua fala. – A senhora foi ferida, nosso rei pensou que seria mais fácil aprontar-se para essa noite se tivesse ajuda.
– Como é seu nome? – A capitã perguntou.
– Alessël, senhora, ao seu dispor. – A elfa cumprimento-a
– Eu agradeço muitíssimo Alessël, mas não irei as festividades de hoje à noite. Sendo assim não irei precisar de sua ajuda hoje. – Ela explicou, tentando não parecer rude com a morena.
– Mas senhora o rei Thranduil mandou-me não sair daqui enquanto a não estivesse pronta, eu apenas cumpro ordens. – A elfa suplicou. – Ele não irá gostar disso. – Alessël a advertiu.
– Ele é nosso rei, mas não é meu dono, se me quiser na cerimônia de hoje terá que me levar arrastada. – A morena arregalou os olhos com a ousadia de ruiva.
– Ele não irá gostar disso...- Ela falou isso mais para si mesma do que para Tauriel.
– Ele não tem que gostar, mais uma vez muito obrigada, mas agora se me der licença, tenho que descansar. – Não deixou a elfa falar mais nada e encostou a porta mais uma vez, com um suspiro pesado foi até seu banheiro, admirou-se com a perspicácia do rei, sua banheira estava preparada com o vapor da água quente impregnando o ar, encostou a porta atrás de si e começou a despir-se havia faixa em volta de sua cintura, quase tinha esquecido de sua feriada, ela não a incomodava, apenas quando entrou na banheira, que a água quente entrou em contado com a pele lesionada que sentiu-a arder, mas nada mais agravante do que isso. A água antes transparente agora tinha uma mistura de vermelho e marrom, o cheiro de vapor misturou-se com o de ferrugem, o sangue de Kili poderia estar li junto com o seu também? Não queria pensar sobre isso, não agora, lentamente ela mergulhou para dentro da banheira, prendendo a respiração. Seu corpo era treinado para sobreviver, ela aguentava alguns minutos debaixo da água sem problemas, sua respiração começou a incomodar e por um momento ela pensou como seria não carregar mais tudo que carregava. Ninguém precisava dela, Legolas sentiria sua falta, mas ele era forte e demonstrava isso mais do que nunca naquela batalha, não tinha parentes e com certeza Thranduil nomearia facilmente um novo capitão da guarda, ela não era realmente necessária, e seu rei não precisava dela, não mais, ele certamente já teve a única coisa que queria dela, ele não a amava, ele a deixaria, talvez seu sofrimento acabasse, talvez encontrasse Kili do outro lado. Flashs de olhos frios e azuis passaram em sua mente, de mãos pelo seu corpo, ela podia ouvir os gritos abafados da guerra, o as lágrimas no rosto de Kili, provou novamente do desespero que sentiu quando encontrou seu rei semimorto e desacordado, tudo passava em sua mente embaralhada-mente, a luz emanando brilhante de sua pulseira e então, fogo. Como num respiro de vida, Tauriel levantou-se bruscamente da banheira, apoiando as duas mãos na borda da banheira, ela cuspiu a água que entrou em sua garganta, recuperando o folego aos poucos, encostou a cabeça na banheira, fechando os olhos, um dia a morte a levaria, mas não seria agora. Acordou exaltada, olhando para os lados, relaxando quando percebeu onde estava, não sabia quanto tempo tinha ficado dormindo, mas a presumir pelas pontas dos dedos que começavam a enrugar já era um tempo considerável, terminou de lavar-se e saiu da banheira, seus cabelos completamente soltos e devidamente lavados caiam em cascatas por suas costas, enrolada entre a toalha branca saiu do banheiro, indo direito para o guarda roupa que ficava perto da porta de entrada de seu quarto.
– Terei mesmo que levá-la arrastada? – Sua voz era arrastada e com um tom escondido de ironia. – Seria uma pena estragar um vestido tão bonito.
No momento em que abria a porta do guarda roupa a ruiva congelou ao ouvir aquela voz, a voz que tanto conhecia e que a tanto perturbava.
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Thranduil andava ao lado da camareira que mandou para cuidar de Tauriel até o quarto da mesma, mandou que a elfa aguardasse do lado de fora do quarto pegou o vestido que estava nas mãos dela, não esperou que ela respondesse e entrou sem bater ou avisar, fechando a porta atrás de si para que pudesse ter uma conversa mais privada com Tauriel. Ela não estava no quarto, olhou para porta que dava acesso ao banheiro foi até ela, mas não bateu, apenas inclinou-se para ouvir melhor, o som de água e da respiração suava da ruiva foram percebidos pelos sentidos aguçados dele. Saindo de lá olhou ao redor do quarto, era modesto e humilde, muito diferente do seu, combinava com a personalidade da elfa, colocou o vestido sobre a cama e foi até a varanda, no caminho olhou para sua espada em cima da cômoda de madeira, e também notou o espartilho ensanguentado jogado no chão, chegando lá encostou-se na porta da varanda e esperou. Thranduil não conseguia decidir se a teimosia de Tauriel o irritava ou o deixava mais fascinado, ele sabia que se ela fosse submissa a ele ou a tudo que ele ordenasse ele nunca teria se interessado por ela, provavelmente a trataria como qualquer outra elfa desse castelo, mas não, ela era diferente de todos que ele já conhecera, enquanto a maioria dos elfos eram serenos e com um temperamento por muitos ditos frio o estável, ela o total oposto, ela era quente, era impetuosa, corajosa muitas vezes difícil de se lidar, era forte, ela era o fogo que o queimava por dentro, o fogo que o esquentava, que derretia todas as barreiras de gelo e chegava até seu coração, era a única que conseguia despertar o seu pior e ao mesmo tempo o seu melhor, um coração selvagem e indomável, e livre, por mais que ele tentasse prende-la de todas as formas possíveis, ela não pertencia a ninguém, e o rei tivera que aprender isso da pior forma possível, um movimento de dentro do banheiro fez ele ficar alerta, desencostou-se da porta e cruzou os braços por trás das costas, quando ela saiu do banheiro, não pode deixar de ter um ou dois pensamentos maliciosos vendo-a apenas de toalha em sua frente, ela pareceu não tê-lo percebido atrás de si, a ruiva caminhou até o guarda roupa perto da porta abrindo-o, ele pensou seriamente em apenas ficar observando-a enquanto podia, as próximas cenas poderiam tornar-se bem interessantes pelo ponto de vista dele.
– Terei mesmo que levá-la arrastada? – Achou graça em assustá-la, quase a fez deixar a toalha, quase, para seu desgosto. – Seria uma pena estragar um vestido tão bonito.
A ruiva virou lentamente para encará-lo, com os olhos arregalados, ele sorriu desdenhosamente, mas não deixou que a situação desfizesse sua pose confiante e imponente. Ela não disse nada, então ele continuou andando até ela, lentamente, a cada passo deixando-a mais rubra.
– Como você disse mesmo? – Ele fingia-se de desentendido, com uma falsa expressão confusa. – Eu não sou seu dono não é mesmo? – O semblante dele agora era sério e seus olhos gélidos – Tem razão não sou, mas sou seu rei e enquanto você estiver nesse castelo você deve seguir os conselhos de seu rei.- Estavam frente a frente.
– Conselho? Parece mais uma ordem. – Ela falou sorrindo ironicamente, não deixaria sua vergonha ou ele intimidá-la. – Não me sinto bem para ir, apenas isso.- Falando isso deu as costas para o rei, indo em direção a sua cômoda, abrindo as gavetas, fingindo estar procurando alguma roupa.
– Ninguém está realmente bem, por isso é o Mereth em Gilith, para homenagear nossos mortos e para lembrar-nos que mesmo em tempos sombrios nosso povo permanece unido.
– Parece-me mais uma formalidade, não precisam da minha presença e além do mais eu não perdi ninguém lá. – Ao menos ninguém que os elfos, arrogantes como eram, achariam digno de se homenagear.
– Todos perdemos alguém. – Tauriel sentiu a respiração fria dele perto demais de seu pescoço, um arrepio percorreu sua espinha. Virou-se para encara-lo e pode constatar que ele realmente estava perto demais, afastou-se encostando na cômoda para encara-lo nos olhos. – Mesmo que seja de formas diferentes da morte, o fato que eu quero que entenda é que querendo ou não você vai. – Ela estava pronta para protestar, quando ele a calou falando primeiro. – Muitos presenciaram o seu pequeno show me desafiando e ameaçando-me, claro que não havia nenhum perigo. – O rei sorriu debochadamente. – Mas as notícias voam, e muitos podem considerar o seu ato como alta traição a coroa, e como sabe a pena para traição é a...
– Morte.- Ela concluiu o interrompendo.
– Sim, e caso você não queira me forçar a ter que condená-la a uma morte precoce na forca, eu sugiro que coloque um vestido bonito, desça, dance e sorria, bajule-os, talvez assim você consiga acalmar os ânimos deles.
– Acha que o Conselho me condenaria? – Ela perguntou receosa.
– É muito provável, seus recentes atos não os tem agradado. Eles nunca aprovaram minha escolha a nomeá-la como capitã Guarda, por conta de sua origem, são muito conservadores, nobres aristocratas. – Um sorriso sem humor surgiu em seus lábios – E se eles desconfiarem o motivo de sua fuga, bem, digamos que você já está com a corda no pescoço. E dessa vez não irei poder protege-la.
– Fala como se realmente fosse sua vontade. Me proteger. – Seu olhar pousou-se em direção ao peito do rei. Thranduil ergueu seu queixo, com delicadeza, fazendo-a olhar para ele.
– Eu nunca quis o seu mal Tauriel e eu nunca irei quere-lo, se estou aqui é para aconselha-la e porque quero seu bem, nunca me perdoaria se tivesse que condená-la. – Fitaram-se por alguns segundos, verdes e azuis afundando-se um no outro, a ruiva quase pode ver ternura naqueles olhos azuis.- Então, sugiro que se apresse.
– O que é isso? – Ela disse apontando para a cama atrás dele, tentando desvencilhar-se daquele olhar, o elfo virou-se para onde ela apontava. Ao mesmo a elfa soltou a respiração que prendia.
– Ah sim, um presente e um pedido de paz entre nós, espero que aceite, ambos. – Ele disse simplesmente e voltou a olhar para ela.
– É lindo. – Ela comentou, estava de toalha, mas sentia-se nua com o olhar que ele pousava para ela, começou a sentir sua pele esquentar, segurava firmemente a toalha em frente aos seios, aquela situação começava a ficar constrangedora, e pelo que parecia apenas para ela, pois Thranduil parecia muito interessado em apenas olhá-la, ela tentou desviar dele, saindo pela lateral mas ele barrou a passagem com um braço, estava presa entre ele e a cômoda atrás de si, a respiração dele batia em seu rosto, ele aproximou-se dela, Tauriel fechou os olhos, engolindo em seco, pode sentir quando os lábios roçaram no canto de sua boca, mas tão rápido quanto ele se aproximou o mesmo afastou-se, ela abriu os olhos envergonhada, ele pareceu não se abalar, em sua mão direita ele segurava a própria espada.
– Parece que serviu-a bem.- Ele comentou quando a desembainhou, já longe da elfa, a lamina estava bastante suja com o sangue negro dos orcs.- Bem, já que estamos entendidos, espero que faça a escolha certa. – Ela assentiu a ele, ainda atordoada. O rei deu as costas para ela, indo em direção a porta.
– O que aconteceu em Valle...- Ela começou sem saber por onde ir, mas precisava da resposta dele.
– Foi um erro. – Ele falou firmemente, sem virar-se para olhá-la ou seus olhos o denunciariam. – Nunca mais irá acontecer, tem a minha palavra.
– Certamente. – A decepção era evidente na voz dela. Sem esperar mais o rei saiu do quarto, avisando do lado de fora para a elfa entrar. Queria sair o mais rápido daquele lugar e ficar o mais longe da ruiva, ou todas suas palavras seriam em vão e a promessa que fizera para si mesmo de deixa-la em paz também seria, quase perdera o controle naquele quarto, ficar perto dela o deixava irracional, era evidente que ele a queria, como também a quis, de todas as formas naquela tenda. Mas ele como o rei, não poderia encoraja-la mais, apesar dela parecer quere-lo também sabia que a mente da ruiva estaria muito confusa e seu coração triste e a última coisa que o rei desejava ser a ela naquele momento era um mero reconforto passageiro, ou ela seria dele por completo ou não queria, e a última opção parecia ser a mais realista na situação em que se encontravam. Nem no começo do seu casamento com sua falecida esposa Thranduil sentia-se tão descontrolado, sua mente dizia uma coisa, mas seu corpo fazia outro, o cheiro de jasmim que emanavam de seus cabelos recém lavados confundiam seus sentidos e seus ofuscantes olhos de esmeralda o enfeitiçavam, naquele momento quase pedintes por um beijo, tudo que o rei élfico precisava agora era tirá-la de sua mente, chegando até seu quarto entrou e lá trancou-se.
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A ruiva ficou parada olhando para a porta aberta, cerrando os dentes, um erro, ela fora sempre um erro para ele, todo esse relacionamento conturbado. Teve vontade de voltar e se esconder a noite toda dentro daquela banheira depois daquela cena, não tinha acreditado que mais vez se rendera tão facilmente a ele. Logo após a saída de Thranduil, Alessël entrou no quarto, relutantemente, fechando a porta, foi até Tauriel.
– Me perdoe senhora, não era minha intenção deixa-la em apuros com o rei. – A elfa falou baixinho, olhando para os próprios pés.
– Não se preocupe, não é sua culpa. – Não iria descontar a raiva que estava na pobre elfa, ela não merecia. – Bem, vamos logo com isso, ou ele realmente virá me buscar arrastada. – Tauriel tentou brincar com a situação, para que o clima daquele quarto ficasse menos tenso. Caminhou até a cama parando para observar o vestido em cima dela mais atentamente, Alessël parou de seu lado, fazendo o mesmo, a ruiva sentiu os olhos dela sobre si, olhando com estranheza a forma de como Tauriel estava vestida, mas não por ela estar de toalha, era normal uma elfa ficar assim depois de um banho e sim pelo rei tê-la visto dessa forma, mas nada a morena comentou, voltou a olhar o vestido também. Seu vestido era quase que inteiramente prateado, apenas seu forro era feito de uma renda branca, as mangas eram longas chegando a encostar na barra do vestido que arrastava pelo chão, eram cortadas no meio, fazendo assim com que os braços tivessem um movimento livre, na cintura um cinto de correntes de prata num tom mais escuro, quase chumbo, que combinavam com o bordado de arabescos que contornavam o decote, na altura, no centro, um pouco abaixo dos seios, repousava uma cintilante pedra cristalina. O forro da manga e da saia aram pretos e o bordado de todo o vestido eram também em arabescos prateados em alto relevo. “Vestes dignas de uma rainha. ” Tauriel pensou, mas não ousou dizer. – Acho que eu não deveria usar isso. – Ela falou inserta.
– Bobagem. – Alessël pegou o vestido alegremente, sorrindo para Tauriel. – Se eu tivesse oportunidade de vestir algo assim, eu não perderia tempo. Vamos, vamos, temos que nos apressar, logo a cerimonia irá começar. A morena ajustou Tauriel a se vestir, estava amarrando o espartilho dela, com cuidado, não apertando muito para que não pressionasse o curativo em sua cintura.
– Você irá Alessël? – Perguntou Tauriel olhando-a através do espelho.
– É claro senhora, tenho muito o que homenagear sabe. – O reflexo de seu semblante era sereno. – Meu pai e irmão morreram em batalha, seria uma enorme desonra a minha família se eu não fosse.
– Eu sinto muito. – A ruiva falou envergonhada por ter tocado no assunto.
– Tudo bem, eles estão com Mandos agora, eu ainda os verei antes de ir para as terras de Aman. – Ela respondeu sorridente. Tauriel sentiu-se com vergonha de si mesmo, o sofrimento de Alessël era muito pior que o seu e nem por isso ela estava se arrastando pelos cantos como ela mesma estava fazendo.
Alessël começou a trabalhar no seu cabelo, Tauriel optou por deixar todas suas madeixas ruivas soltas por completo, seu cabelo já começava a ficar quase que completamente seco, desde a altura do queixo até as pontas ele estava totalmente ondulado. A morena levou alguns minutos para finalizá-lo, enfeitando com uma coroa improvisada de galhos secos e flores brancas de jasmim. Olhou seu reflexo no espelho e não parecia a mesma elfa que tinha visto a menos de um par de horas atrás, sentia-se bonita, o vermelho em seu cabelo entrava em contraste com o prateado do vestido e seus olhos verdes brilhavam através das mechas que caiam sobre eles, nós pés decidiu por colocar sandálias pratas também, não muito alta, a elfa a seu lado olhava orgulhosa para ele, com quem admira sua obra de arte recém-concluída. Ela pediu licença para ir embora, explicando que também tinha que se arrumar, Tauriel agradeceu e foi deixada sozinha com seu reflexo, toda a insegurança foi deixada para trás, se queriam que ela os agradasse então era o que ela iria fazer. Foi até a cômoda abriu uma das gavetas, a última, tirando de lá sua velha adaga, colocou-a na coxa, por baixo do vestido, sabia que poderiam ter alguns orcs soltos pela região, e qualquer proteção era bem-vinda. Logo ouviu batidas na porta mais uma vez, seu coração parou.
– Entre. – Voltou a respirar quando percebeu que era Legolas o novo visitante.
– Espere. – Legolas disse olhando confuso para trás. – Acho que eu entrei no quarto errado, quem é você? – Ele disse tentando segurar o riso.
– Muito engraçado. – A ruiva revirou os olhos para ele, o príncipe estava trajado com vestes em tons que variam de prata e branco também.
– Não sabia que tinha virado a nova rainha desse castelo. – Ele andou até ela, analisando-a.- Você é muito astuta querida Tauriel. – Depositou um beijo na mão direta de Tauriel.
– Sim, serei sua nova mamãe. – Ela debochou dele, o príncipe fez uma cara de nojo.
– Vai fazer com que eu tenha pesadelos a noite. – Ele ofereceu um braço a ela, que aceitou de bom grado, ambos foram para o salão rindo e conversando, era bom poder voltar a se divertir com Legolas.
O salão estava cheio, desde a esquina do corredor já era possível ouvir a conversa e a música suave que ecoava por todo o castelo, todos abriram caminho para o príncipe e para ela consequentemente, muitos pareciam surpresos de vê-la ali, ficaram do lado de fora do salão, o céu naquela noite era completamente iluminado, logo após sua chegada a música parou, anunciando a entrada do rei, todos voltaram as atenções para o portal principal do salão. Ele entrou acompanhado de Lexi, que usava um vestido de renda branca, longo e solto, marcando apenas sua cintura, estava com os cabelos loiros soltos, apenas presos por duas tranças laterais, Thranduil por sua vez vestia uma túnica prata e calças na cor chumbo, usava botas longas da mesma cor, por cima da túnica usava uma echarpe longa, que ia até os pés com bordados de arabesco preto e fundo prata, por coincidência ou não os bordados das vestes do rei erma iguais aos de seu vestido, era como se fizessem um par. Na cintura ele estava com sua espada embainhada, nos cabelos completamente soltos e lisos repousava sua cora de prata. Sua chegada fora reverenciada por todos que estavam presentes, por um momento ele olhou para ela e para Legolas, mas não deixou transparece nada, fora até o centro de todos e começou seu discurso, ao decorrer Tauriel notara que algumas elfas deixavam lágrimas caírem, mas eram amparadas por quem quer que estivesse ao lado, a ruiva olhava para seu povo, Thranduil estava certo, o sentimento de união entre eles era algo que poderia sentir-se na pele, tudo que fizera entre aqueles dias, parecia não ser mais digna em estar entre eles, mas estava feliz por ainda poder voltar para casa. Chegando ao final da fala do rei, todos já estavam com uma erisdar em mãos, Legolas passou uma para ela, Thranduil foi quem soltara a primeira, sendo seguido pelos demais, as luzes iluminavam a escuridão do céu e se misturavam com as estrelas, cada lanterna representando um companheiro que cairá em batalha, Thranduil então desejou então com um brinde boas festividades para todos os presentes, tomando um gole de seu vinho encontrou o olhar de Tauriel de longe, mas logo o quebrou quando um dos membros do Conselho o abordou para uma conversa. A música recomeçara novamente, todos os elfos se dispersaram, alguns foram para a pista de dança, outros apenas ficaram conversando no lugar ou indo para a mesa de comidas, Legolas fora pegar uma bebida para eles, ela precisava de algo forte para aguentar aquela noite, ela acompanhada do príncipe fizera tudo que o rei falara, conversou com os outros capitãs com uma falsa alegria, até mesmo deixou que Daeron a cortejasse e trocara uma ou duas palavras gentis com alguns membros do Conselho que viam conversar com Legolas, olhava para o rei a toda hora e se decepcionava ao perceber que ele não olhava para ela da mesma forma, era como se ela não existisse. Legolas percebeu a tristeza do rosto de Tauriel, sem avisar tirou a taça da mão dela, colocando-a em cima da mesa mais próxima, o gesto fez com que a ruiva olhasse para ele desconfiada.
– Venha, vamos dançar. – Ela agradeceu a ele mentalmente por tirá-la daquela conversa chata que estava sendo forçada a ter.
– Não é apropriado para você meu príncipe, dançar comigo. – Ela falou maldosamente. – Alguns podem interpretar de maneira errada.
– Não há com o que se preocupar, muitos cairão de bêbados até o final da noite, ninguém ira lembrar-se de nada. – Ela riu com a resposta dele, isso era verdade, os elfos poderiam ficar bem “alegres” quando se empolgavam.
Os dois dançaram algumas músicas um pouco mais agitadas, rindo e conversando, até que uma lenta começara, Legolas fez com que ela se aproximasse dele, pousando uma das mãos em sua cintura respeitosamente, como o cavaleiro que era, e a outra segurando a mão da elfa, olharam um para o outro, com os sorrisos desfazendo-se aos poucos. Rodavam pelo salão.
Uh oh, uh oh, uh oh, oh no no
Em uma dessas voltas algo chamou a atenção de Tauriel, por cima do ombro de Legolas, Thranduil também dançando com Lexi, chamando a atenção de alguns elfos que estavam na pista de dança, não era comum ver o rei dançar.
You got me looking, so crazy, my baby
I'm not myself, lately I'm foolish, I don't do this
I've been playing myself, baby I don't care
Baby your love's got the best of me
– Tauriel, eu vou embora depois dessa noite. – O príncipe falou perto de seu ouvido, chamando a atenção da elfa para ele. Ela olhou para Legolas com um misto de dor e surpresa.
– O que? Por que? – Ela perguntou apressadamente, tirando a imagem do rei e Lexi dançando próximos demais, íntimos demais, de sua mente.
Your love's got the best of me
Baby your love's got the best of me
And baby you're making a fool of me
You got me sprung and I don't care who sees
'Cuz baby you got me, you got me
You got me, you got me
– Eu quero o seu melhor, quero que seja feliz, de verdade. – Ele disse num suspiro pesado, desviando o olhar dela. – Mas eu te amo, ainda te amo, e não posso viver com você agora, sabendo que não me ama da mesma forma. – Seu olhar voltou para ela. – Eu preciso de um tempo para mim. – Outra volta, Tauriel capturou o olhar de Thranduil, ele sussurrava algo no ouvido da loira, olhou para ela sorrindo com o canto dos lábios, sedutoramente.
I look and stare so deep in your eyes
I touch on you more and more every time
When you leave I'm begging you not to go
Call your name two or three times in a row
– Eu sinto muito Legolas, sinto por tudo. – Lágrimas insistentes caiam sobre sua bochecha, sua garganta estava seca, em brasa, sentia-se mal, e não sabia se era por Legolas ou pela cena que estava tendo que presenciar. – Eu nunca quis que nada disso acontecesse, nunca quis te afastar...eu apenas...
Such a funny thing for me to try to explain
How I'm feeling and my pride is the one to blame
Yeah, I still don't understand
Just how your love can do what no one else can
– Não é sua culpa, não é culpa de ninguém, e eu não irei embora para sempre, ainda iremos nos ver, você ainda é minha melhor amiga, certo? – Ele limpou com o polegar algumas lágrimas de seu rosto e ela assentiu para ele, abraçando-o ainda enquanto dançavam lentamente, encostando sua cabeça no peito dele.
Got me looking so crazy right now
Got me looking so crazy right now, your touch
Got me looking so crazy right now (your touch)
Got me hoping you'll save me right now, your kiss
Got me hoping you'll save me right now
Looking so crazy in love's
Got me looking, got me looking so crazy in love
A música foi parando aos poucos, Tauriel olhou par cima, e notou a face incrédula de Legolas, olhando para algo atrás dela. Ela seguiu o olhar dele, mesmo o príncipe tentando impedi-la, mas era tarde demais, alguns metros longe deles se encontrava Thranduil beijando Lexi, colados um ao outro, ele segurando o rosto dela com uma das mãos, não durou muito, mas o suficiente para a raiva, ciúmes e magoa tomaram o coração da ruiva, com separaram-se ele lançou com olhar frio a ela, que apenas o correspondeu com desprezo, não deixara nem uma só lágrima cair, não na frente dele, deu as costas o mais rápido que pode, indo em direção as escadas que davam aos jardins do castelo, com sorte ninguém notara sua reação, afinal estavam ocupados demais olhando com alegria o novo casal.
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Do outro lado do salão Thranduil olhava para a ruiva nos braços de seu filho, conversavam sobre algo que o rei desejava muito saber, de vez em quando seus olhares se cruzavam e ele fazia questão de que ela realmente o visse ali com Lexi, o ciúme que sentia vendo ela com Legolas fora o bastante para levar a amiga até a pista de dança e tentar provocar o mesmo ciúme que Tauriel estava provocante nele, pelos olhares que ela lançava e ele estava dando certo.
– Dessa forma irão achar que você realmente será a nova rainha, não acha? – Ele sussurrou no ouvido da loira, sorrindo maliciosamente para a ruiva que estava com os olhos atentos nos dois.
– Nem em seus melhores sonhos querido. – Ela respondeu num deboche. – Ser sua amiga já é fardo suficiente. – Tauriel voltara sua atenção para Legolas, parecia estar chorando, Thranduil afastou-se um pouco de Lexi para ver melhor, algo estava errado. Mas o que veio a seguir deixou o rei possesso, a elfa quebrou todo o espaço que tinha com o príncipe, encostando sua cabeça no peito dele, abraçando-o, tão íntimos, tão bonitos, um par perfeito. O maxilar do rei endureceu, seu rosto era inexpressivo, mas seus olhos queimavam.
– Terá que me perdoar Lexi. – Ela olhou de forma estranha para ele e não teve tempo de questionar, logo Thranduil roubara um beijo rápido e sem emoção dela, apenas encostara seus lábios nos dela, fora rápido, mas não suficiente para passar despercebido por todos que estavam ao redor e se viraram para olhar. Quando deu-se por si estava sendo empurrado para trás pela loira. Olhou novamente para onde estava o filho e Tauriel, tudo que emanava dela era desprezo e raiva, Thranduil sentia uma sádica satisfação interna por tê-la atingindo, viu apenas quando ela deu as costas indo em direção as escadas externas do salão aberto. Lexi seguiu o olhar dele, lamentando mentalmente por ter feito parte disso.
– Como pode ter feito algo assim? – A meia elfa se dirigiu a ele novamente, com a raiva contida, para não fazer uma cena na frente de todos os presentes.
– Era algo que tinha que ser feito. – Ele respondeu sombriamente, sem nenhum traço de divertimento ou satisfação mais.
– Não, é claro que não tinha. É por isso que ela se afasta de você, parece que você faz questão de tornar a vida dela um inferno.- Ela chegou mais perto, encarando Thranduil incriminando-o. – Tem razão, você não a merece. – O rei ouvia tudo atentamente, ela suspirou. – Você não é assim Thranduil, nunca foi. – Ela olhou para trás por onde a ruiva que acabado de sair. – De um jeito nisso, ou tudo que você irá conseguir será fazer com que ela te odeie.- Falando isso Lexi deu as costas para ele, indo para o salão interior.
Por um momento Thranduil ficou parado no meio da pista de dança, olhando para o nada, e no outro já estava andando rapidamente por onde Tauriel fora, sentia o perfume dela no ar, mas não a via, chegando ao final da escada, encontrou o portão que dava acesso ao jardim aberto, passou por ele fechando-o, a música soava distante ali, o som do vento gelado batendo nos galhos das arvores era mais alto, a única luz que tinham era o do luar, os passos faziam baralho quando quebravam as folhas secas do chão, alguns resquícios de neve já se formavam no chão. Um movimento suspeito atrás de si fez com que o rei sacasse sua espada na mesma medida em que defendeu o golpe vindo por trás de suas costas, o tilintar das laminas ecoaram pelo jardim, Thranduil com o braço direito ainda no alto acabara de defender o ataque fugaz de Tauriel, um rosnado silencioso e contido fora emitido pela garganta da elfa, o rei se surpreendera com o ataque, mas não tinha acabado por ai, no momento seguinte ela o atacara mais uma vez, estava armada com uma adaga élfica, um pouco mais curta do que sua própria espada, ele defendera novamente, no mesmo tempo em que ela tentava acertá-lo, a ruiva não media esforços, sabia que era improvável que realmente conseguisse alcança-lo, mas ainda sim tentava. O elfo nunca a tinha visto tão feroz e selvagem, nem mesmo dentro do campo de batalha, seus ataques eram rápidos e fortes, os dois travavam uma dança tortuosa, embalada pelo som das laminas a se encontrarem. Thranduil nunca iria ataca-la assim como ela nunca iria acertá-lo, afinal mais de dois mil anos de treino os diferenciavam. O som do tecido cortado surpreendera os dois elfos que por um segundo pararam, o rei olhou para seu próprio antebraço e Tauriel o acompanhou, havia um pequeno corte, pouco pior do que um arranhão, insignificante aos olhos de outros, mas o bastante para Tauriel que agora sorria perversamente, da mesma forma que Thranduil sempre fazia. O rei não deixou barato, atacou a ruiva pela primeira vez, Tauriel teve que inclinar-se para trás, fazendo com que a espada do elfo passasse a centímetros do seu rosto, o que apenas a instigou a litar, fazendo novamente suas armas se cruzarem, ambos ficando cara a cara.
– Farn Tauriel! [ Chega Tauriel!] – Ela não deu ouvidos a ele, sua cólera era maior do que sua razão. Tudo que queria fazer era machuca-lo da mesma forma que ele fizera com ela, talvez estivessem fadados a aquele relacionamento mórbido e doentio, que ambos tentavam ferir um ao outro de todas as formas possíveis, deliberadamente, como num jogo, tentando saber quem ganharia no fim. Thranduil conduziu a luta, fazendo-a recuar em direção a árvore mais perto, empurrou-a e fez com que ela batesse a cabeça no tronco, prensou seu corpo com o dela, a lamina de sua espada encostada na garganta da elfa, ela parou de tentar resistir, sua respiração era acelerada sob sua espada. – Nunca desafie alguém melhor do que você, na próxima poderá não sair tão bem dessa. – Ele sussurrou a ela.
– Nunca me subestime, na próxima poderá sair pior do que eu. – Thranduil sentiu a ponta afiada da lamina perigosamente perto de sua virilha, encararam-se, e ele afastou-se dela, abaixando a espada. – Por que você faz isso? Por que me afasta e ao mesmo tempo me provoca? Por que me assombra? – Sua expressão não era mais de raiva, por mais que o sentimento ainda estivesse lá, a ruiva apenas queria respostas dele e acima de tudo queria a verdade, passara a vida inteira sendo tratada de uma forma por ele e agora tudo mudara e ela tinha que saber o motivo.
– Você quer saber o motivo? – Ele perguntou secamente. Aproximou-se dela, diminuindo consideravelmente o espaço entre eles. – Eu a tenho observado, durante vários séculos, eu a salvei, te dei um lar, te ensinei, a vi crescer. – Mais perto. – E se tornar quem é hoje, sim, eu tenho mudado, porque você faz isso comigo. Seu toque, seu olhar, seus lábios. – Inclinou-se sobre ela, sentindo a respiração ofegante dela com sua aproximação. – Seu cheiro. Despertam o pior e o melhor de mim.
– Por que agora? Eu não entendo. — Ela perguntou ansiosa.
– Quando percebi os sentimentos de Legolas por você, algo mudou, perdeu seu curso. – Ele estava aflito, não a olhava mais nos olhos. – Algo que não era para ter acontecido, sentir ciúmes do meu próprio filho, ter raiva, é algo que eu não posso controlar. – Ela tocou seu gosto suavemente, fazendo-o voltar seu olhar para ela. – E que por mais que eu me envergonhe em admitir, é algo que eu não quero controlar. Vendo-a dançar com ele, sorrir, se divertir, sabendo que nunca age da mesma forma comigo, eu os invejo.
– Não precisa ser assim, não precisamos ser assim.- Ainda não estaca plenamente confiante em dizer tudo que sentia para seu rei, tudo que ele fazia ela sentir, mesmo em tão pouco tempo ele a mudara de uma forma que ela nunca imaginara em sua vida.- Legolas entende agora, ele sabe que eu não sinto o mesmo por ele, nunca o amei da mesma forma que ele o faz, nem a ele, nem a Kili. – Com a menção do nome do anão os olhos azuis de Thranduil brilharam em confusão. – Com ele era diferente, poderia ser algo a mais, talvez, mas não era amor, eu entendo isso agora.
– Como? – Ele a pressionou.
– Apenas sei. – Dizer as palavras certas em voz alta seriam um caminho sem volta e ela não estava certa se ambos estavam prontos para isso.
– Eu sinto muito por ele. – Ele recebeu um olhar cínico e repressivo de Tauriel. – É verdade, eu prefiro vê-la nos braços de outro do que infeliz. – Ele acariciou o seu pescoço dela, fazendo-a inclinar a cabeça um pouco para o lado e dar espaço para sua mão.
– Mas mesmo assim me afasta, não quer me ver com outro e também não me quer ao seu lado. – Ela encostou seu corpo ao dele. – Parece que estamos num impasse.
– Sim, de fato. É um fardo que temos que carregar. – Thranduil sorriu tristemente para ela. – Eu quase não tenho mais forças para ficar longe de você.
– Não fique. – Tauriel aproximou-se de seus lábios, esperando por ele, mas para sua decepção tudo que recebeu fora um beijo singelo na testa. Levantou seu olhar para ele.
– Eu não sou digno. – Ele se afastou dela, para sua própria segurança, ou não conseguiria cumprir com sua palavra. – Não podemos ficar juntos.
– Não pode decidir isso sozinho, não pode decidir por mim. – A ruiva falou já um pouco alterada.
– Eu sei o que estou fazendo, acredite em mim, será o melhor para você. – Sua velha postura impassível e dura começara a se formar novamente. Os olhos verdes de Tauriel se enchiam de lágrimas, mas ele não se alterou, ela passou por ele, voltando pelo caminho de onde tinham vindo, mas não antes de parar de cosas para o rei.
– Como espera que eu confie em você se faz suas escolhas sozinho? – Ela não esperou uma resposta, voltando ao salão, deixando Thranduil sozinho mais uma vez naquela noite.
Antes de Tauriel entrar no salão novamente guardou a adaga de volta por dentro da saia do vestido, ajeitou os cabelos, assim como vestido, enxugou as lágrimas do rosto e entrou no salão com um sorriso nos lábios, como se nada tivesse acontecido, o convívio com Thranduil fizera com que ela aprendesse a dissimular muito bem. Olhou ao redor e não encontrou Legolas em lugar algum, mas uma figura chamou sua atenção, Lexi estava sozinha em uma mesa alta, que não necessitava de cadeiras, em cima da mesa uma garrafa e alguns copos, a ruiva decidiu ir até ela. Quando a loira viu-a chegar endireitou-se na mesa, cumprimentou-a com um gesto.
– O que é isso? – Tauriel perguntou se referindo a garrafa, ela deu de ombros, encheu um copo e ofereceu a elfa, a ruiva aceitou bebendo o conteúdo em um único gole, o liquido desceu rasgando a garganta, mas para uma elfa acostumada com o doce do vinho ela até que não deixara a desejar, Lexi riu da expressão dela.
– Hey, parece que Thranduil escolheu a elfa certa afinal, da última vez que tomei isso, seja lá o que for, acordei nas prisões de Gondor com sete anões, uma maça e um homem me chamando de preciosa, agora não me pergunte o porquê, pois até hoje não lembro o que aconteceu – Tauriel achou graça da história, ficaram conversando por algum tempo, sobre diversos assuntos, uma história mais inusitada do que a outra, mas os risos cessaram quando viram Thranduil entrar no salão novamente, olhando para as duas com estranheza. – Desculpe por aquilo, eu realmente não sabia o que ele estava planejando. – A meia elfa disse envergonhada. – Às vezes ele não pensa muito no que faz.
– Tudo bem, eu sei que a culpa não foi sua. – Tauriel olhava para o rei, que entrara em uma conversa qualquer, suspirou pesadamente.- Só que ás vezes ele é sempre tão...
– Frio, insensível, arrogante, estúpido e vários outros adjetivos a serem incluídos nessa lista interminável? – Tauriel não era a única que estava irritada com ele.
– É...mas não com você. – Tauriel encheu o copo das duas, beberam juntas de uma vez só.
– É, esse é o benefício de conhecer alguém a mais de três mil anos, você pode ser, você mesmo. – Ela falou calmamente, porém Tauriel já pode notar alguns traços da voz alterada dela.
– É, comigo ele quase nunca é assim, não raros os momentos. – A ruiva lamentou.
– Ainda não, o primeiro passo foi aproximar-se de você, o resto vem com o tempo.
– Parece ter tanta certeza. – A elfa olhou para Lexi novamente.
– É porque no fim das contas é só o amor que importa. Eu entendo, que ele possa ser cruel e frio em boa parte do tempo. – Ambas olharam para Thranduil, que ao mesmo tempo também olhou para elas, tentando disfarçar a curiosidade em seu semblante. – Mas ele já passou por muitas coisas, que o forçaram a agir dessa forma. – Lexi sorriu docemente para a ruiva, que retribuiu.
– Eu estou com medo, de me magoar mais uma vez, de andar em círculos, nunca achando um caminho a seguir, sozinha mais uma vez. – A voz dela era baixa, aflita.
– Mas você está aqui, porque você é louca por ele. Apesar de tudo eu entendo sabe. – A loira olhou para Thranduil que naquela altura já estava longe delas, Tauriel fez o mesmo. – Como não amar? – Lexi tinha razão, apesar de tudo a elfa não deixara de sentir por ele algo a mais, algo mais forte, talvez ela estivesse certa, talvez o tempo seria o melhor aliado deles. – Escuta, acredite em alguém que está aqui a muito tempo, quando é de verdade, não há como escapar. – Dizendo isso Lexi bebeu mais um copo, Tauriel iria responde-la, mas foi interrompida por Legolas que juntou-se a elas na mesa, jogando seu peso na mesma.
– O que é isso? – Ele perguntou apontando para a garrafa que já estava pela metade, dessa vez as duas deram de ombros. Ele enchera o próprio copo e bebera num único gole, da mesma forma que a ruiva.
– Esses elfos silvestres são mesmo duros na queda. – Lexi comentou, rindo sem motivo aparente.
– Nunca mais me deixe sozinho nesses tipos de reuniões, tem ideia de quantas danças eu tive que recusar? – Ele falou ofegante, olhando para um grupo de elfas que olhavam para ele, rindo histericamente. Tauriel e Lexi riram da situação e Legolas bebeu outro copo.
Do outro lado do salão Thranduil observava os três elfos sorridentes com confusão, bebiam de uma garrafa que ele não reconhecera seu conteúdo de longe, teria que brigar com Lexi mais tarde por contrabandear bebidas suspeitas para dentro de seu castelo, ela sempre fora uma péssima influencia para qualquer um. Ficara um tempo andando pelo jardim, pensando no que Tauriel havia dito, tudo que ele mais queria era tê-la apenas para si, era um sentimento egoísta e possessivo, mas ele não pode deixar de sentir, queria que Tauriel soubesse que ele sentia por ela não era puramente carnal, ele não a desejava apenas nesse sentido, não poderia viver para sempre ao lado sem podê-la chama-la de sua, eram seres imortais, mas o destino pregava peças, muitas vezes dolorosas demais. Olhou ao redor do salão, ainda tinham muitos elfos, entre eles alguns membros do Conselho e seus capitães, mas estava decidido, não iria perder mais tempo, seria um tipo de despedida a eles, uma última noite, e se algo desse de errado ou ficasse fora do controle, ambos poderiam culpar a bebida e todos os elfos do lugar estavam ali como testemunhas, tanto Thranduil quanto Tauriel haviam bebido demasiado naquela noite. Olhou-a, não demorou muito para ela também olhá-lo, sem demonstrar emoção, caminhou lentamente até ela.
Tauriel era quem estava mais sóbria entre os três elfos, quando percebeu que o rei caminhava até ela, alarmou-se.
– Ele está vindo. – Falou para os outros dois. Lexi que estava debruçada pela mesa semicerrou os olhos, tentar enxergá-lo de longe.
– Ele está vindo. – A loira repediu e voltou a ficar debruçada na mesa.
– Ele está. – Legolas falou em meio a um soluço.
Quando Thranduil chegara até a mesa, olhou com desaprovação o estado que o filho e Lexi se encontravam, mas de qualquer forma resolveria esse assunto mais tarde. Num gesto cavalheiresco, ofereceu sua mão direita a Tauriel, que mesmo insegura, aceitou. Ele a conduziu até o meio da pista de dança, juntou o corpo pequeno dela ao seu, esquecendo as formalidades e sussurrou em seu ouvido.
– Uma primeira e última dança. – O hálito fresco de vinho invadiu as narinas da elfa. A ruiva fechou os olhos para aproveitar o momento único ao lado de seu rei.
You are the hole in my head
You are the space in my bed
You are the silence in between
What I thought and what I said
Antes de entrelaçar seus dedos na mão dela, Thranduil depositou um beijo na parte interna do pulso dela, um gesto simples, porém bastante íntimo, colocou a outra mão na cintura dela, não quebrando o contato que seus olhos mantinham. Ela com a mão livre subiu até o pescoço do rei, acariciando-o, Thranduil arrepiou-se com seu toque quente sobre a pele fria.
You are the night-time fear
You are the morning when it's clear
When it's over your start
You're my head, you're my heart
Seguiam o ritmo calmo da música até aquele ponto, quanto está agitou-se, ele a conduziu para um rodopio ao mesmo que a erguia do chão por alguns segundos, de volta ao chão ambos juntaram seus corpos ainda mais, o perfume que emanava dela, deixava-o mais sedento, não conseguia tirar seus olhos dos lábios vermelhos e convidativos dela.
No light, no light in your bright blue eyes
I never knew daylight could be so violent
A revelation in the light of day
You can choose what stays and what fades away
Tauriel sentia-se como se o olhar de Thranduil sobre ela pudesse queima-la, giravam pela pista de dança, como se fossem os únicos nela, o que realmente pareciam, mas nem ela ou Thranduil estavam dispostos a parar e olhar o que estava acontecendo ao seu redor.
And I'd do anything to make you stay
No light, no light
No light
Tell me what you want me to say
O ritmo acelerado diminuía, as duas mãos dele desceram até a cintura dela, num balanço sensual, tocando cada parte do corpo dela, ao menos as partes que eram permitidas serem tocadas em público. A ruiva aproveitou a situação o mesmo descendo uma das mãos de seu ombro largo, deslizando pelo peitoral, parando na cintura dele.
Into the crowd I was
Crying out and
In your place there were a thousand other faces
I was disappearing in plain sight
Heaven help me
I need to make it right
Ele a girou outra vez, fazendo com que as costas dela encostassem em seu peito, ele teve que se controlar para não beijar e dar leves mordidas no pescoço dela, tão próximo a ele, seus braços estavam entrelaçados, Thranduil a guiou para que ficassem frente a frente, na posição inicial.
But would you leave me
If I told you what I've done
'Cause it's so easy
To sing it to a crowd
But it's so hard, my love
To say it to you, all alone
Com uma das mãos nas costas dela e a outra segurando a mão da ruiva ele a deitava lentamente, conforme a melodia, seus rostos era muitos próximos, assim como seus lábios, ela umedeceu os próprios lábios e em seguida mordeu-os de leve, provocando-o.
You are the revelation
You want to get it right
But, it's a conversation
I just can't have tonight
You are the revelation
Some kind of resolution
Tell me what you want me to say
Assim que a música acabara, Thranduil parecia ter saído de seu transe. Alguns elfos ao redor batiam palmas, outros olhavam com inveja, tanto de Thranduil quanto de Tauriel, e alguns estavam estupefatos demais para esboçar alguma reação. Aquela estava sendo uma noite realmente estranha para todos. Antes de soltar Tauriel completamente ele falou baixo para que apenas ela pudesse ouvir.
– Encontre-me em meus aposentos, em quinze minutos. – Ela apenas assentiu, ele beijou a mão da ruiva com formalidade, tentando disfarçar o que acabara de acontecer, essa vez fora Tauriel quem ficara parada observando Thranduil ir embora dos salões. A esperança crescera dentro dela novamente.
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