The Desolation of Thranduil

20 Capítulo 20 - Because It Was Real


O cheiro que carne queimada emanava por todo o ar, a floresta havia desaparecido, não só pela fumaça que a envolvia numa grossa camada de cinzas e poeira, mas também por todas as árvores destruídas ao redor, aos seus pés, seu exército caído, totalmente dizimado, ele estava sozinho no imenso campo aberto, sentia seus braços fracos e cansados, tinha certeza que algum lugar de seu corpo estava bastante machucado devido ao cheiro forte de sangue que sentia e pela dor em todos seus membros que queimava. O céu estava escuro, era noite e tudo que emanava vida naquele campo de batalha eram as estrelas brilhantes que o observavam. O rei respirou fundo e pela primeira vez percebeu que alguém estava ali junto a ele, a alguns metros de distância, olhos azuis o fitavam, era como olhar para um espelho, olhos iguais aos seus, sem nenhum traço de simpatia ou qualquer outro sentimento, seus olhos eram frios e duros, como outrora os próprios olhos do rei eram. Era um jovem elfo, uma criança, não parecia ter mais de uma década de idade, mas apesar de olhos idênticos algo os diferenciava, seus cabelos apesar de lisos como os dele, eram de um ruivo intenso e brilhante, caiam uniformemente até um pouco abaixo dos ombros.

Thranduil começou a aproximar-se do garoto, mas ao mesmo passo que ele se aproximava o pequeno elfo se afastava, até que ele começou a correr para longe do rei, passando pelas várias pilhas de corpos, o menino corria por entre as árvores que sobraram, Thranduil apesar da dor tentava acompanha-lo, sentia o vento congelante atingirem suas bochechas como agulhas, não gritou para o elfo esperar em nenhum momento, por mais que tivesse motivos para o fazer, não parecia o correto a se fazer, sendo assim apenas o seguiu. Em um momento o garoto simplesmente desapareceu, Thranduil não conseguia distinguir ao certo como, se por um descuido ele o perdeu de vista, ou se seguira pelo caminho errado, ele tinha desaparecido. Continuou correndo, até que chegou em uma vasta clareira, e apesar do céu aberto aquele lugar parecia muito mais escuro do que por entre as árvores, era um breu. Diminuiu seu passo, andando com cautela, no estado em que se encontrava, se estivesse com a guarda baixa ele não sobreviveria. Ao centro da clareira havia um corpo.

Deitada como se estivesse em um sono profundo, não havia vestígios de sangue ou ferimentos em seu corpo, estava perfeita, imaculada. Seus cachos pousavam entre os seios, o vestido que usava era prateado, Thranduil poderia jurar que o mesmo brilhava. Caiu de joelhos perante ela, deixando cair também e espada de lamina negra de sua mão. Colocou a cabeça dela em seu colo, tentando reanima-la, mas nada adiantava, apesar do corpo estar perfeito, era um corpo sem vida, ao lado do corpo havia uma pulseira, que já não brilhava mais, o fecho se abrira afinal. As lágrimas invadiram os olhos do rei, há muito tempo ele não chorava dessa maneira, a perda dela era algo que ele jamais imaginava que aconteceria, ambos mal aproveitaram o pouco tempo de paz que tiveram, muito embora ele sabia que nenhum limite de tempo era o suficiente para estar com ela, a eternidade aos seus olhos, não era o suficiente. A tristeza o corrompia, ele preferiria um milhão de vezes ter sido ele no lugar dela, assim não teria que viver com a dor de não tê-la ao seu lado, seu choro era sem som, e a única palavra que saiu de seus lábios fora o nome de sua amada, sua amada e doce Tauriel.

Ele não ouviu quando chegara, na verdade pensou que em todo esse tempo a criatura já estava ali, escondida nas sombras da escuridão, apenas apreciando sua desolação, sua ruína. Provavelmente com um prazer sombrio de estar satisfeito com o desespero que causava. Seus olhos estavam baixos, olhando para a grama atrás corpo que ainda estava em seus braços, duas patas gigantescas, negras assim como a noite, garras afiadas estavam cravadas em sua pele escamosa. A criatura não se movia ou fazia barulho algum, apenas estava parada no lugar, lentamente Thranduil levantava seu olhar para encarar a besta, ele já o sabia o que o esperava e estava feliz por isso, assim ele não precisaria viver daquela maneira, apenas esperava poder encontra-la e poder amá-la profundamente, em outra vida. Quando seus olhos encontraram os da criatura tudo que tivera tempo de ver era o fogo que vinha em sua direção, tão rápido como uma estrela cadente que passa em frente aos olhos, o fogo o envolveu.

Thranduil acordou tremulo, sentou-se na cama, ainda norteado. Seu corpo estava quente e bastante suado, sentia seu rosto queimar, era sua cicatriz que o incomodava. Controlou a respiração ofegante e se recompôs, logo a dor em sua face tinha desaparecido, levando a cicatriz consigo. Olhou para o lado, em sua cama Tauriel dormia tranquilamente, em sua mente a imagem dela em seu pesadelo fez com que seu corpo estremecesse. Ele teve que ir checa-la, a ruiva respirava calmamente e seu rosto ainda estava levemente corado, ela estava bem. Saiu da cama em silêncio para não acordá-la, vestiu uma calça larga e foi em direção a sua escrivaninha, acendeu uma vela e colocou em cima da mesa para facilitar sua visão, procurou papel e tinta para poder escrever o que desejava. Sentia-se cansado, porém não estava com sono, a todo momento seu sonho vinha a sua mente, fazendo-o perder a concentração no que estava escrevendo. Aquele tinha sido um dia agitado para Thranduil, as palavras ditas na reunião que teve com o concelho ainda ecoavam em seus ouvidos, faziam sua cabeça doer.

Ele os tinha convocado para acabar logo de vez com os boatos que rondavam o castelo. Sabia que não seria uma tarefa fácil, mas estava preparado para conseguir livrar Tauriel, assim ele esperava ao menos. Quando entrou na sala de reuniões todos já estavam em seus lugares, os cinco lords do conselho, assim como os quatro capitães, embora eles não tivessem poder de decidir nada, estranhamente os cinco lords fizeram questão de tê-los ali também.

– Convoquei-os aqui hoje para tratarmos de um assunto que parece estar muito em alta dentro das paredes deste castelo. – Todos permaneciam sérios, já sabiam do que se tratava. – A nossa capitã Tauriel, vejo que há muitos rumores sobre ela, e tenho certeza que poderemos resolver mais facilmente se me disserem suas opiniões. – Ele esperou pacientemente algum deles se pronunciar, olhavam uns para os outros até que fora Elendil quem falou primeiro.

– Temo meu senhor, que a capitã se encontra em uma situação ruim, primeiramente soubemos da fuga dela assim que os anões fugiram de nossas celas, o que me parece algo suspeito também. – Elendil era um elfo arrogante, tinha cabelos louros como a maioria dos presentes ali, porém não tão brancos como os do próprio rei. Ele não gostava de Tauriel por ela ter sido nomeada capitã, sendo que nem ao menos pertencia a uma das famílias principais do reino, então já era de se esperar essa reação vinda dele. – Ela não estava com seu povo, quando mais precisávamos dela na guerra, e é claro, como a maioria daqui presente sabe, ela em pessoa o ameaçou de morte, além é claro de sua constante falta de indisciplina em cumprir ordens. – Quando ele terminou de falar muitos da mesa concordavam com ele em silêncio, isso seria mais difícil do que ele imaginava.

– Sim lord Elendil, de fato. Tauriel tem sido muito desobediente em todos esses anos, creio que parte da culpa de sua indisciplina seja minha, já que que permiti muitos de seus atos. Entretanto, tratar tais atos como traição, me parece uma pena alta demais para impormos a ela. – Afinal a vida de Tauriel estava sendo discutida ali, ela poderia ser condenada por qualquer coisa, menos por traição.

– E quais foram os motivos para ela ter feito o que fez? – Outro lord perguntara, Thranduil ficou tenso, a lembrança da fuga de Tauriel ainda era um assunto que o incomodava, e muito.

– Dizem que foi algo envolvendo os anões. – Fora Daeron que responder entes do rei pensar em algo para dizer, o olhar de Thranduil caiu sobre o capitão, assim como todos os outros. – Na verdade um deles, o mais novo, pelo que soube era parente de Thorin, herdeiro do trono de Erebor. – Thranduil sentiu-se queimar de raiva por dentro, queria arrancar a cabeça daquele elfo intrometido, colocar o assunto de Kili em pauta apenas dificultaria para ele provar sua inocência, Daeron olhou para ele, e o sorriso que o capitão tinha logo se desfizera e abaixou a cabeça.

– Qual era o interesse dela no anão então? – Lord Calion perguntou, Thranduil sabia que ele não iria ser um problema, Calion fora o mentor de Tauriel durante muito tempo depois que ele próprio confiou ao lord essa tarefa, sendo desa forma, ele não concordaria com a sentença de morte para ela.

– Romântico pelo que parece. – Debochou Elendil, arrancado risadas curtas dos outros lords assim como de Daeron.

– Então, quer dizer que ela fugiu de nosso reino para ir atrás do anão, não cumpriu com seu dever para com nosso povo e ainda ameaçou de morte o seu rei. – Era Lady Arien que falava, sua voz estridente irritava Thranduil. – Deve ter sido ela que os libertou também e os ajudou a fugir. Traição seria uma sentença pequena para essa escória. – A loira falou de nariz empinado, Elendil e Daeron concordaram com ela.

– Lady Arien, já fora esclarecido que a fuga dos anões foi provocada por um outro membro da companhia de Thorin, talvez devesse prestar mais atenção em nossas reuniões antes de falar alguma bobagem. – Ele respondeu sorrindo falsamente para a elfa, que corou dos pés à cabeça com a resposta dele. – E Tauriel foi atrás dos anões por minhas ordens. – Todos da mesa se surpreenderam com o que o rei falara. Elendil olhou para Daeron disfarçadamente, entretanto o rei percebeu seus olhares, isso era no mínimo suspeito. – Sim, a mandei em uma missão sigilosa, para infiltrar-se no grupo dos anões e entrar em Erebor, caso falhássemos em recuperar o colar de Nauglamir ela seria nossa segunda opção. — Ele sentiu-se mal por mentir tão descaradamente, mas não havia opção.

– E onde está o colar afinal? – Arien perguntou confusa com a história.

– Com todos os imprevistos que tivemos em relação aos orcs a nossa missão principal teve que ficar em segunda opção, porém os anões concordarem em dar-nos o colar de bom grado, como forma de agradecimento por nossa contribuição na batalha. Eles virão para cá em dois ou três dias. – Ele explicou pacientemente.

– Então no fim tudo se resolveu, não gosto dos anões particularmente, mas prefiro nossos reinos em paz do que envolvidos numa rixa. – Falou Calion, Thranduil concordou com ele.

– Então como explica a ameaça dela para com o senhor? – Daeron perguntou educadamente, mas Thranduil sabia que os títulos ali eram mera formalidade, Daeron sabia que alguma coisa, Thranduil teria que tomar cuidado com o elfo.

– Meros conflitos internos, devo admitir que Tauriel realmente não tem uma facilidade em cumprir ordens, e ela mais do que ninguém não era a favor de ir contra os anões. A capitã tem um coração puro, muito mais do que todos aqui, ela também não queria uma guerra entre nós. – Era difícil para ele ter que mentir sobre as atitudes de Tauriel, principalmente por assim como rei, ter que mentir para seu povo e para seu concelho, membros que confiavam nas atitudes do rei fielmente mesmo que Thranduil não gostasse da maioria, eles ainda assim estavam do seu lado, porém o rei sentia-se ainda mais incomodo por ter que encobrir o pequeno romance que Tauriel teve com o anão, ele odiava aquilo mais que tudo. Daeron sorriu em resposta para o rei e Thranduil ficou impassível.

– É curioso meu rei, há alguns dias atrás o senhor odiava os anões tanto quanto nós. – Ele falou com cinismo e sugestivamente. – E agora o senhor defende Tauriel com tanta certeza, fico imaginando o que ela fez para o fazer mudar de ideia tão facilmente. – A sala ficou em silêncio, por um momento.

– Sim, se eu não o conhecesse a tantos séculos, meu senhor, diria que seu afeto para com Tauriel há segundas intenções, nunca o vi deixar qualquer ato de indisciplina menor do que este que a capitã cometeu passar sem nenhuma punição. – Elendil concordou com Daeron, dando ênfase a insinuação que o capitão começara. O rosto de Thranduil era impassível e seus olhos perigosos. Uma risada ecoou no silêncio da sala, vinda do rei.

– Tenho que admitir, os dois fizeram do meu dia algo melhor, em nossa próxima comemoração deixarei ambos entreterem os convidados. – Ele falou ainda sorrindo, a respiração de todos na sala voltou e relaxaram, o sorriso maldoso de Daeron murchou na mesma hora.

– Isso é tão ridículo. – Lady Arien ria da mesma forma que Thranduil. – Nosso rei algo estar envolvido com uma mera capitã, uma elfa sem nenhum tipo de linhagem descente. Uma coitada sem ninguém, aliás o rei foi muito bondoso em tê-la aceitado em nosso castelo. – Thranduil nunca estivera tão próximo de perder a cabeça e fazer aquela elfa engolir as suas palavras. – Se fosse por mim ela ainda estaria na corja de onde ela veio, se ao menos a pobrezinha fosse bonita, mas nem isso. – Ninguém ali concordava com o discurso da lady, não por gostarem de Tauriel, mas por detestarem a futilidade de Arien. – Não é mesmo meu rei?

– É claro. – Sentiu-se enjoado consigo mesmo por ter concordado com as palavras dela, mas não podia ir contra ou defender muito Tauriel nesse momento pois isso apenas daria mais força para as insinuações de Daeron e Elendil. – Contudo, é claro que ela terá uma punição adequada conforme suas ações, apenas não podemos ser precipitados, não queremos que injustiças aconteçam aqui.

– Sendo assim, o que sugere meu senhor? — Perguntou Cam, que estava atento a toda conversa.

– Que o cargo de capitã seja renovado até segunda ordem, assim como prisão domiciliar e prestação de qualquer serviço interno no castelo. – As reações na mesa foram diversas, Daeron bufou com discordância, Arien negou com a cabeça, Cam e Ireth não esboçaram reações. Finwe parecia temeroso e Calion parecia concordar, o quinto lord Tauron permanecia sério.

– Isso é inadmissível! – Elendil levantou-se do lugar e bateu com força na mesa. Todos ficarem em silêncio mais uma vez.

– Devo lembrar-lhe lord Elendil. – Ele olhou para Daeron, também se dirigia a ele enquanto falava. – Que apesar de estarem aqui, vocês são apenas membros do conselho, eu sou seu rei e eu darei a última palavra. – Sua voz saia afiada e seu olhar era duro. – E não tolerarei mais sua insolência. – O lord concordou e voltou-se a sentar em seu lugar, de cabeça baixa.- Parece que não é apenas a “corja” que está indisciplinada no meu castelo. – Thranduil comentou rindo sarcasticamente, aumentando a tensão do grupo.

– Conhecendo Tauriel como conheço, tenho certeza que será pior do que a morte se tirarem a sua liberdade. Creio ser a punição devida. – Calion falou.

– Proponho uma votação. – Disse Arien. Thranduil assentiu para ela, mesmo que contra sua vontade. – Quem deseja condená-la culpada de traição? – Daeron e Elendil assim como ela levantaram a mão no mesmo instante, Tauron fez o mesmo, seguidos de um relutante Finwe, sabia que de seus capitães ele era o mais covarde e não iria se apor a Daeron.

– Não devemos decidir sobre a vida de alguém assim, tão rapidamente. – Ireth se pronunciava pela primeira vez. – Conhecemos Tauriel a muito tempo e não concordo em condená-la a morte pelo que ela fez, sabemos que ela não faz as melhores escolhas muitas vezes, mas ainda assim ela é uma de nós, não é nossa inimiga...

Thranduil nunca se lembrara de uma reunião tão tensa como aquela, ficara para ele dar a última palavra sobre o assunto, o problema era o fato de serem cinco votos contra quatro, muito embora o voto dos capitães não valesse, mas ajudava a impor a decisão. Ele pedira três dias para dar a sua decisão final sobre o assunto, declarar traição nem passava pela cabeça dele, porém ele também não poderia ajudar muito Tauriel com a sugestão que dera, ou correria o risco de haver uma rebelião entre os lords do conselho. Banimento talvez fosse algo que eles aceitariam com mais facilidade, porém, ficar longe de Tauriel não era o que ele queria e tinha certeza que ela também não concordaria com isso. E tudo piorava com o fato de saber que Smaug estava a caminho, ele não tinha certeza se o dragão apareceria novamente, mas depois daquele sonho todas suas dúvidas estavam sanadas, ele apenas esperava que Tauriel estivesse a salva depois de tudo terminasse, era o seu único desejo.

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Tauriel acordou lentamente, ainda com os olhos fechados procurava Thranduil pela cama, não o encontrou. Abriu os olhos e não o viu, deitou-se na cama e olhou ao redor, ele estava sentando na sua escrivaninha, do outro lado do cômodo, a luz fraca da vela era a única iluminação que tinha o quarto, muito embora a luz só cobrisse onde Thranduil estava. Levantou-se da cama, enrolou-se na coberta como se fosse uma capa, estava certa que fizera algum barulho, mesmo que não muito alto, mas ele não virou-se para olha-la, parecia estar bastante concentrado no que estava fazendo. Parou atrás dele, chegando suavemente para ele não se assustar, o abraçou por trás cobrindo ele com a própria coberta. Ela sentiu ele enrijecer-se quando o tocou, mas o rei não a afastou.

– O que está fazendo? – Ela perguntou em seu ouvido.

– Trabalho, nada importante. – Ele pegou a folha que estava escrevendo em suas mãos e dobrou com cuidado, guardando-a em uma das gavetas, Tauriel mal teve tempo de ler o conteúdo do papel. – E já terminei de qualquer forma. – A ruiva esperou pensando que ele desenrolasse o assunto, mas não aconteceu.

– Parece cansando. – A elfa comentou enquanto ficava de frente para ele, encostada na escrivaninha. – Há algo errado? – Ela estava preocupada, por um momento poderia jurar que notara algo diferente do habitual nos olhos de seu rei.

– Não, estou bem. – Ele disse sério demais, o que apenas fez com que Tauriel desconfiasse que algo realmente o perturbava, mas não conseguia imaginar o que era, conversara com ele antes, ela sabia que a reunião tinha sido difícil, mas, pelo que ele dissera a ela tudo daria certo, ele só tinha que convencer um pouco mais os membros do conselho, não parecia ser tão ruim.

– Então...mudou de ideia quanto a ficarmos juntos, meu senhor? – Ela perguntou sorrindo com o canto dos lábios como ele costumava fazer, mas sentia uma certa insegurança, talvez ter vindo ao quarto dele naquela noite sem ele a ter convidado não tenha sido uma boa ideia, talvez estivessem indo rápido demais. Ele revirou os olhos com impaciência e a puxou para sentar em seu colo.

– Nunca. Estou em paz com você. – Ele encostou sua cabeça no peito dela, e fechou os olhos enquanto sentia ela brincar com o cabelo de trás de sua nuca, vez ou outra as unhas dela roçavam em sua pele, era um carinho que o fazia relaxar, o fazia esquecer um pouco de todos seus problemas. – Apenas perdi o sono, nada com o que tenha que se preocupar. – Ela assentiu para ele em silêncio.

– Ela sempre tem um brilho diferente quando estamos juntos. – Sua voz o fez despertar, abriu os olhos e ela mostrava sua pulseira para ele, realmente não havia nenhuma cor, apenas um brilho transparente, mas nada muito forte. – Assim você não pode saber o que estou sentindo. – Ela falou em tom de brincadeira, o provocando.

– Eu não preciso mais de uma pulseira para saber de seus sentimentos. – Ele falou num deboche, ela o olhou com repressão. – Seu corpo me diz tudo que eu preciso saber, seu rosto corado quando te olho, sua respiração acelerada quando a toco, seus olhos que não perdem o contado com os meus. – Tudo que ele dissera Tauriel estava fazendo, mesmo sem perceber. – A forma como me olha e bem, nem preciso dizer preciso dizer como se comporta na cama. – Ele sorriu para a expressão surpresa dela.- Enfim, eu sei como te deixo. – O rei falou confiante.

– Como? – Tauriel perguntou com uma das sobrancelhas levantada com um ligeiro tom arrogante.

– Nervosa. – Ele falou simplesmente, esperava que ela perguntasse.

– E o que isso significa? – Ela aproximou-se um pouco rosto dele, olhando de propósito para os lábios do rei.

– Significa que você tem sentimentos muito fortes pelo seu rei, minha senhora. – Ele a beijou apaixonadamente, explorando cada centímetro de seus lábios, como se fosse o primeiro beijo deles, o que não era o caso, com certeza, mas era como ambos sentiam-se. Ele a levantou no colo, levando-a para cama novamente, queria fazê-la esquecer de seu comportamento, não era bom que Tauriel fizesse muitas perguntas, ou ele teria que parar de esquivar-se e responder a verdade e entretê-la dessa forma não parecia uma ideia tão ruim assim na cabeça do rei.

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Perto do meio dia Thranduil já começava a preparar-se para a próxima batalha, porém antes de tudo ele tinha que falar com Lexi, queria a ajuda dela para manter Tauriel fora dessa guerra. Ele a esperava em seu escritório particular, quando a loira chegou lá ele lhe contou tudo que acontecera em seu sonho, tirando a parte de menino, até porque nem mesmo ele entendera essa parte de seu sonho, é claro que ele sabia que provavelmente o garoto seria seu filho com Tauriel, isso estava nitidamente claro, porém esperava que não fosse verdade, uma gravidez em tempos de guerra como os que iriam enfrentar futuramente, não seria nada adequado ou seguro.

– Mas e se for apenas um sonho? Pode não ser nada. – Ela o indagou.

– Sim, pode não ser e é por esse motivo que irei sozinho. – Thranduil sabia que não poderia não ser nada, desde que vira Smaug pela última vez na Cidade do Lago, ele tinha certeza que o dragão retornaria, mais cedo ou mais tarde.

– É claro que não. Eu vou com você obviamente. – A loira falou com convicção.

– Não dessa vez Lexi, além de ser perigoso eu preciso de você aqui no castelo, preciso que fique e segure Tauriel aqui. Creio que desta vez não irei poder protege-la se ambos estivermos no campo de batalha. – Thranduil lembrou-se da última vez que isso acontecera, quase saíra morto do seu último encontro com Smaug e nessa oportunidade ele não poderia distrair-se, ele não poderia errar.

– Não sei porque se dá ao trabalho, sabe que irei com você de uma forma ou de outra. – Ela falou simplesmente. – E não se preocupe com Tauriel, eu tenho um plano, quando ela dar-se por si, já teremos voltado.

– Eu já deveria estar acostumado, você nunca me escuta mesmo. – Ele bufou para ela, e Lexi sorria triunfantemente, ela não ficaria fora disso.

Ao entardecer Thranduil reunira seu exército, ou ao menos o que restará dele para avisar sobre suas preocupações, assim como o que estava para vir. O rei sabia que não poderia pedir muito mais de deus soltados do que já tinha pedido, eles acabaram de sair de uma batalha sangrenta, com muitas baixas e estavam prestes a entrar em outra, muito mais perigosa do que a anterior, sendo assim o rei deixou livre, quem quisesse poderia ficar e proteger o castelo. Foram poucos que desejaram não lutar ao lado de seu rei, pouco mais de meia dúzia, afinal ficar em um campo de batalha com seu rei era considerado uma honra para os elfos e mesmo que fosse certa a morte de vários, eles não se abalavam, ou voltariam vivos ou morreriam lutando, fugir e esconder-se não era uma opção. Ele ordenou que a notícia não fosse espalhada por todo o castelo, especialmente para a capitã Tauriel, dera a desculpa de que ela ainda estava em uma espécie de observação. Thranduil de certa forma até sentira uma satisfação súbita quando Daeron falou com ele pessoalmente, dizendo que ficaria no castelo, assim quando voltasse ele poderia tirá-lo do cargo de capitão, afinal, todos tinham a opção de ficar no castelo, por livre e espontânea vontade, mas não queria dizer que futuramente tal escolha não traria algum tipo de consequência. Sendo assim a tarde inteira o castelo passou por uma agitação discreta, a maioria já sabia que do estava para acontecer, mas ninguém falava sobre isso, os soldados que iam a guerra prepararam suas armas, alguns pensando no pior despediam-se de suas famílias, Thranduil evitou Tauriel de propósito o dia inteiro, apenas esperava que o plano de Lexi funcionasse, não era nada muito complexo, mas Tauriel era esperta, sabia escapar de um lugar muito facilmente quando desejava.

O rei estava em certa desvantagem com seu exército, dos seus cinco capitães apenas dois iriam, Cam e Ireth, dos lords apenas Calion, ao menos este já vira uma batalha contra dragões na vida, o que era bem diferente de todo seu exército, eles eram experientes e habilidosos, mas não contra dragões. O resto dos lords prefeririam ficar no conforto de suas camas, não se surpreendera, apenas os tolerava porque suas famílias estavam no poder até antes do reinado de seu pai, o conselho do rei era algo muito tradicional e dificilmente havia mudanças em seu meio

O plano para essa batalha era atraí-los para a floresta, porém o mais longe possível do castelo, com as árvores altas Smaug teria um menor campo de visão e seria mais fácil poder ataca-lo sem que ele percebesse de onde o ataque viria, é claro que também havia um preço alto a se pagar, apesar das árvores serem um ponto forte, elas também eram um ponto fraco, afinal o seu nível de combustão era muito alto. De qualquer forma era a melhor opção de rei, Cam e Ireth concordaram, se Smaug os atacassem em campo aberto, onde não haveria lugar para eles se esconderem das chamas, seria um massacre. Thranduil agora se encontrava num dos salões mais inferiores da estrutura, o mesmo que usaram na última batalha, seus soldados pareciam estar mais nervosos do que o normal e não era para menos, de qualquer maneira a ordem máxima era que todos que estivessem lá apenas distraíssem o dragão, para que Thranduil conseguisse chegar perto o suficiente dele, afinal apesar de terem armas élficas, elas não eram o bastante fortes para perfurar o couro duro de Smaug, a espada que Lexi trouxera para ele era uma das poucas armas da Terra Média que ainda restaram que poderia derrotar essas criaturas. Uma movimentação repentina dentro do salão fez com que o rei parasse de discutir alguns detalhes finais com Cam e fosse até a saída do salão, que dava para a floresta. No meio da aglomeração de elfos que se formara na entrada, Thranduil viu o motivo, dois guardas tinham acabado de voltar da patrulha que ele mandara para vasculhar o perímetro ao redor do castelo. Num grupo de dez que ele mandara, apenas dois voltaram, isso era preocupante, um deles parecia estar desmaiado e o outro estava ofegante com alguns cortes ao redor de seu corpo.

– Você, o que aconteceu? – Todos deram passagem ao rei quando perceberam que era ele, ninguém ousara ficar muito perto dele.

– Orcs meu senhor, vindos do Sul. – O elfo falava com dificuldade. – De Dol Guldur. Não eram muitos, não mais que duas dezenas, pareciam ser um grupo de batedores. – Provavelmente os enviaram para saber se estavam prevenidos ou não, o rei imaginava que alguns orcs tinham sobrevividos da batalha anterior, mas não esperava que todos se reunissem para um ataque só, com certeza alguém de fora estava os coordenando, mas quem? De qualquer ele não poderia se demorar muito mais ali, quando os orcs notarem que eles interceptaram o grupo, logo o resto deles viria também e como Thranduil queria levar guerra para longe do castelo, os elfos teria que ser os primeiros a saírem. Chegara a hora.

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Tauriel sentia-se extremamente entediada o dia todo, Thranduil na noite passada havia falado a ela que uma das condições que decidiram na reunião é que ela ficaria destituída de seu cargo de capitã até segunda ordem assim como também não poderia colocar a cabeça para fora do castelo, até que não se importaria de ter que passar uma temporada dentro do castelo se caso ela tivesse uma boa companhia para passar o tempo, Legolas já tinha partido há dois dias, Thranduil não dera sinal de vida o dia todo, nem mesmo Lexi ela vira no castelo, então ficou praticamente o dia todo deitada em uma parte do jardim do castelo, tecnicamente ainda era dentro dos limites do castelo então lá ela poderia ficar, ficara aproveitando o sol, que no inverno parecia ser ainda melhor, ao mesmo tempo em que o ar estava gelado, a luz do sol a esquentava, é claro que aquela tarde teria sido melhor se estivesse com Thranduil e se não tivesse um guarda a vigiando em todo lugar que ela fosse. Quando o sol começara a esfriar ela decidiu voltar para dentro do castelo, estranhamente ela percebeu que a maioria dos elfos a olhavam diferente, por onde ela passava era como se a evitassem, quando ela se aproximava a conversa sessava, com certeza algo estava acontecendo e por algum motivo ninguém queria que ela soubesse o que era, achou difícil ser porque ela estava sendo acusada de uma hipotética traição, que até mesmo o rei tinha desmentido, não, era outra coisa. Talvez tenha sido por esse motivo que Thranduil mal aparecera hoje, não estava nem ao menos nos lugares que ela costumava encontra-lo, sala do trono, nada, escritório, nada e nem na sala de reuniões. Tauriel sentiu-se um pouco traída por ele, por que ele estaria escondendo algo dela agora? Quando ela imaginou que estavam tão bem. Mas ela não iria deixar que ele escondesse qualquer coisa que fosse dela, ela iria tirar essa história a limpo, precisava apenas encontra-lo, em algum lugar do castelo ele estaria.

Não demorou muito, e ela o achou em um dos corredores, próximo ao quarto dele, estava acompanhado de Lexi, quando ambos a viram pararam de falar no mesmo instante, mais sútil impossível a ruiva pensou, ela também parou no lugar, no meio do corredor de frente a eles, cruzou os braços e esperou em silêncio.

Lexi olhou para Thranduil e acenou com a cabeça para ele, o elfo concordou e ela passou por Tauriel, lançando lhe um pequeno sorriso antes de deixá-los sozinhos no corredor deserto.

– Irá me dizer o que está acontecendo? Ou terei que ameaçar alguém nesse castelo para me dizer? – A ruiva perguntou ameaçadoramente para ele. Em resposta ele apenas sorriu para ela, aquele sorriso que a fazia estremecer e o qual o deixava muito mais bonito, se é que isso era possível, mas não dessa vez, ela se manteve forte, Tauriel não era do tipo que se deixava derreter por ele, ao menos não nessas situações. A ruiva já conhecia o suficiente do rei passa saber que isso era apenas uma distração para desviar-se de algo. Ele andou até ela, e ofereceu seu braço.

– Me acompanha? – Thranduil perguntou com o mesmo sorriso nos lábios. Ela mesmo relutante aceitou. Andaram até o quarto dele, estranhamente não encontraram nenhum guarda no caminho, se ele percebeu a expressão confusa dela, não comentou sobre.

Quando entraram no quarto, assim que Thranduil fechou a porta Tauriel começou e falar, exigindo explicações da parte dele. O rei não respondera nada de imediato, ele começara a arrumar-se, colocando suas habituais vestes cinzas com a capa vermelho bordo que lhe dava um contraste elegante, fora apenas quando ele pegara sua armadura que a ruiva, que apenas o acompanhava com o olhar, estremeceu.

– Por favor Thranduil, me diga o que está acontecendo. – Ela pediu, sua voz saia falha.

– Você sabia que esse dia chegaria, eu falei que Smaug ainda estaria vivo – Ele não virou-se para falar com ela, sua voz era séria, até mesmo desconfortável.

– Eu vou com você. – Lágrimas já enchiam seus olhos, uma onda de pânico sugira, ela foi até ele colocando a mão em seu ombro, mas ele fugiu de seu toque e virou-se para finalmente encará-la.

– É claro que não vai, eu não te quero lá. – Ele disse com uma leve irritação, Tauriel surpreendeu-se com a repentina falta de tato dele, mas não deixou-se abalar.

– Você não pode me deixar aqui, sem notícias, eu irei lutar ao seu lado. Não pode me impedir. – Ela tentava soar confiante, mas as lágrimas que desciam insistentemente de seus olhos doloridos não a deixavam realizar essa tarefa descentemente. Ele suspirou profundamente e aproximou-se dela. Passando os longos dedos pela bochecha da elfa.

– Não quero que chore, eu irei voltar para você. – Apesar de suas palavras, isso não fez com que a ruiva se acalmasse, o rosto de seu rei era doloroso e angustiado. – Mas se eu não voltar, quero que saiba que sempre estarei com você. Antuvan melmenya tyenna tennoio Tauriel. [Meu amor será sempre seu.]

Ela ficou em choque com suas palavras, sem reação, então ele realmente estava esperando não voltar? Ele não esperou que ela saísse do choque e a puxou para um beijo breve, duro, mas extremamente intenso. O desespero tomou conta de seu ser, aquilo era uma despedida, e ela não poderia suportar perde-lo, logo agora. A elfa estava desnorteada e mal ouvira quando a porta atrás de si se abrira lentamente. No mesmo instante em que seus lábios eram esmagados pelos dele, ele já se afastava em seus olhos azuis havia apenas aflição e tristeza.

– Me perdoe. – Ela não teve tempo de questioná-lo, sentiu uma forte dor na parte de trás da nuca, logo tudo era escuridão, esperou o baque de seu corpo ao chão, mas ele nunca chegou.

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Sentiu a cama macia através de seu corpo, o cheiro de Thranduil era forte naquele lugar, onde quer que ela estivesse. As lembranças dos acontecimentos anteriores logo penetraram sua mente, como um flash, ela abriu os olhos e levantou-se abruptamente. Sentou na cama, olhando ao redor, ainda estava no quarto do rei, porém a julgar pela escuridão que tomava o lugar, já havia anoitecido, e Thranduil já deveria estar na batalha. Ela não esperou, saiu da cama num pulo e já estava em frente a porta de saída do quarto, agarrou a maçaneta da porta, girando com toda força, mas a porta não se mexera, ele a deixou trancada.

Gritou até seus pulmões perderem o ar e sua voz sumir, ninguém a escutava e se escutavam ninguém vinha ao seu alcance, deu alguns passos para trás, tomando distância e chocou-se contra a porta, mas nada, apenas conseguira causar um forte estrondo. Seu ombro doeu com a batida, mas ela não se importou, socou a porta até seus braços não terem mais forças. Estava cansada, as lágrimas cegavam seus olhos, encostou a testa na porta de madeira, estava gelada, isso a reconfortou um pouco, acalmava seu corpo em quente.

“Por favor, por favor...não me deixe.”

Aquela porta não iria abrir, era inútil gastar suas forças ali, correu até a varanda, talvez pudesse descer por ela de alguma forma, sabia que era alta, mas poderia tentar. Quando abriu as grossas cortinas que davam acesso para o lado de fora, ela paralisou.

Sua garganta fechou no mesmo instante, uma dor terrível esmagava seu peito. Parte da floresta estava em chamas, porém muito longe do castelo, o brilho do fogo dava contraste a escuridão da noite, ela não conseguia ver o céu, não conseguia ver algum sinal de Smaug, não sabia se era porque estavam muito longe ou porque seus olhos embaçados atrapalhavam sua visão, provavelmente a última opção. Ela voltou para dentro do quarto, não podia olhar para fora, ela tinha que se acalmar, tinha que ter esperança mesmo que fosse pequena.

O tempo se arrastava, parecia nunca passar, toda aquela incerteza doía e sua espera assim como seus pensamentos a torturavam constantemente. Ela sabia que pensamentos ruins apenas atraiam coisas ruins, e ela não poderia deixar o desespero a consumir, ela pegou-se então imaginando tudo que viveram e todo o futuro que tinham pela frente, quem sabe até mesmo filhos, se assim Legolas assumisse o trono, Thranduil estaria livre para poder ficar com ela sem restrições, ela pensou em como seria um filho deles, talvez uma cópia fiel de Thranduil, olhos azuis como os do pai, cabelos longos e platinados, e uma mistura da personalidade impetuosa de Tauriel e a calculista de Thranduil, ela sorriu levemente com o pensamento, ambos teriam muito trabalho.

Não sabia quanto tempo havia se passado até que ouviu a porta do quarto destrancar-se, levantou-se rapidamente da cama onde havia sentado, olhou com ansiedade para a porta, por ela longos cabelos loiros passaram, Tauriel sentiu tão rapidamente sua felicidade desaparecer quanto aparecer. Era Lexi. A luz do corredor iluminava o quarto escuro, a loira estava com muitos cortes, um maior localizado na cabeça, perto da testa onde o sangue escorria. Sua pele branca estava bastante suja de cinzas e seus olhos molhados pelas lágrimas. Ela aproximou-se de Tauriel com cautela.

– Não...por favor, diga que não...- A ruiva não conseguia terminar a frase, seus joelhos caíram ao chão, mas não se importou com a dor, agora, nada mais importava. Ele se fora. Lexi se ajoelhou ao lado dela, abraçando-a, ela e Tauriel não eram tão próximas, mas ainda assim apenas aceitou o consolo dela, assim como ela perdera um amor, Lexi tinha perdido um irmão. Chorou e chorou, não se importou em estar sendo fraca em frente a alguém, chorou até suas lágrimas se esgotarem.

– O que... o que aconteceu? – A ruiva perguntou num sussurro depois de alguns minutos onde o único som audível do quarto eram o de seus soluços.

– Eu não sei exatamente, foi tudo muito rápido. – Lexi enxugou as próprias lágrimas de seu rosto, sua voz exalava exaustão. – Eu não vi quando aconteceu na verdade, tudo era um caos. – Seus olhos eram sombrios, como se estivesse revivendo toda a cena em sua mente. – Houve um estrondo muito alto quando Smaug caiu, levou muitos de nós com ele e então...uma agitação, todos gritando, dizendo que tinha mvisto Thranduil cair também e logo em seguida, encontramos seu corpo. – Outra lágrima solitária escorreu pelos olhos castanhos de Lexi, Tauriel não queria mais ouvir, não importava como tinha acontecido na verdade. – Ele está aqui, mas acho melhor...

Tauriel não deixou que ela terminasse a frase, quando soube que ele estava no castelo levantou-se o mais rápido de que pode, correndo pelos corredores, tudo passava em sua mente, a dor que a corroía era tão intensa quanto o amor que ela sentira por ele, era tão injusto que eles fossem separados agora que finalmente tinham encontrado a paz dentro de seus corações. Era injusto Thranduil tê-la deixado fora disso, para protegê-la, mas será que ele ao menos não teria pensando em como ela se sentiria se o perdesse? Ela teria preferido morrer ao seu lado do que viver sem ele. O futuro agora parecia tão frio e vazio, sem nenhuma expectativa de felicidade, não aguentaria viver uma eternidade daquela forma. Quando chegou ao hall de entrada havia uma multidão de elfos agrupados passou por cada um deles, tirando todos do seu caminho, não se importando com os protestos que alguns davam a ela. Olhou ao redor, alguns estavam em choque com o acontecido, outros choravam demais e outros assim como os soldados apenas carregava o semblante triste.

No momento em que chegou em frente a todos, ela parou. O corpo de Thranduil estava deitado numa maca improvisada, conseguira notar um ferimento bastante profundo perto do peito, seus braços estavam inteiramente queimados, seus cabelos sempre lisos e brilhantes agora encontravam-se desgrenhados e queimados nas pontas, diminuindo assim um pouco de seu comprimento. Ele já não usava mais algumas partes de sua armadura, e suas vezes estavam um pouco rasgadas, a capa vermelha era a que estava menos abatida, ela o cobria da cintura para baixo. Ela não chegou nem um centímetro mais perto, ou sentia que a qualquer momento ela iria debruçar-se em seu corpo sem vida e pedir para que ele voltasse para ela, gritar até seus gritos ecoarem por todo o castelo, dizer que ele prometera ficar com ela, prometera não deixá-la e prometeu que sempre estaria ao seu lado, mesmo em frente a todos ali presentes. Mas de nada adiantaria, apenas seria pior, e isso não o faria voltar para ela. Como queria que fosse tudo apenas um sonho e ele a acordasse com o mesmo sorriso que ele dava a sempre que estava irritada com ele.

Não derramou mais nenhuma lágrima enquanto ela prestava seu luto como todos ali, sabia que ao mínimo descuido poderia ser seu fim, mesmo que ela não estivesse assim tão preocupada com sua vida, mas de qualquer forma não era o que ele iria querer dela, ela não iria desperdiçar sua vida depois de Thranduil ter dado a sua para protege-la, assim como para proteger todo o reino. Ela saiu de lá não conseguia mais suportar vê-lo daquela forma.

Voltou para o quarto dele, Lexi não estava mais lá, fechou a porta, queria ficar sozinha e aproveitar a última presença que sentia dele naquele quarto, o cheiro dele passou por ela como um vento forte, como um último e impiedoso golpe, se fechasse os olhos poderia imaginá-lo em sua frente, era como se estivessem tão longe, mas tão perto ao mesmo tempo. Ela culpou-se por não ter cedido a ele antes, ter tido mais tempo, tempo era tudo que ela queria. Era impossível não sentir-se arrependida por todas as vezes que sentiu raiva dele ou quando fora contra suas vontades ou das vezes que ela o pegou olhando-a de forma diferente e simplesmente deixou passar, sem fazer nada a respeito. Em todos esses séculos que passaram juntos, só agora terem completado-se de uma forma tão plena, era tão severo perder essa conexão dessa maneira.

O mundo parecia ter pedido a graça, perdido todas suas cores, sentou-se na cama que compartilhara com ele a pouco menos de um dia, ela tinha noção que sofrer dessa forma seria sua ruína, mas não poderia despedir-se dele tão facilmente, essa era sua última noite para poder fazer isso, ficar ali relembrando quantas vezes fosse possível de como ele a fazia sentir. Era uma lembrança cruel, quando suas mãos exploravam seu corpo, a forma como ficavam em silencio, apenas apreciando a companhia um do outro, não precisavam de palavras, os comentários maliciosos dele que a deixavam tímida, até mesmo todas as discussões que já tiveram, a forma como ele a olhava, diferentemente de todos, fazia com que ela se sentisse viva, como se pudesse fazer tudo, ser tudo, se caso ele estivesse ao seu lado. Ela tinha certeza que nunca se sentira dessa forma, o desespero e angústia que sentiu quando ele foi atacado por Smaug na primeira vez na Cidade do Lago, a dor de perder Kili ou a tristeza que sentiu quando soube que Legolas iria embora, nada disso chegou perto. Ela sentia-se vazia, quebrada por dentro e por fora. Não sabia como tinha chegado a esse ponto, ou quando ele tinha se tornado uma parte tão importante em sua vida, tão importante que viver sem ele havia se tornado insuportável, tão importante que agora, amá-lo tornou-se tão tortuoso quanto ter que ficar longe dele, ela poderia ter aceitado o fato de ficarem longe se ao menos soubesse que ele estaria bem. Ao menos tudo que a confortava naquele momento é que tudo que passaram, desde o momento em seus olhares encontraram-se pela primeira vez até seu último beijo, tudo fora real, e nada, nem mesmo a sua morte poderiam tirar isso dela.