The Demigod Search Squad (d.s.s)
11 É Hora de Acordar
Capítulo 11 – É Hora de Acordar
– Calma Annabeth. Vamos encontrá-lo. – Hazel tentou consolá-la.
Annabeth caminhava em círculos no centro da sala. Se ficasse lá por muito mais tempo faria um buraco no chão de tanto andar. Sua determinação ainda conseguia prender as lagrimas em seus olhos, mas não aguentaria por muito mais tempo. Não agora, que o desespero começava a atormentá-la.
Mais uma vez sentiu aquilo que jurou nunca mais sentir. Mais uma vez, sofria pela perde de Percy, quem sumira novamente. Já havia mais de vinte e quatro horas que o grupo se separou à procura da semideusa, quem também não fora encontrada...
–Isso não pode estar acontecendo. Não de novo... – ela murmurava tentando fazer a mente funcionar. Era filha de Atena. Precisava encontrar uma medida inteligente para encontrá-lo. “Da ultima vez que o perdi, levei meses para encontrá-lo”, pensava sem controle. “E se dessa vez ele tiver ido de verdade?”. “Se concentre, Annabeth. Foco...”
–Ele deve ter encontrado a semideusa. –Frank falou. – É a única justificativa.
–Isso ou foi atacado por um monstro... –Leo parou de falar quando viu o olhar fulminante que Annabeth lhe lançou. –Desculpe... Falei sem pensar.
–Temos que ser objetivos, aqui. – Ela não entendia como Jason conseguia manter a calma. – Ele deve estar aqui em Newport, em algum lugar. Frank tem razão. Na certa encontrou a garota e algo saiu do controle...
– Eu juro por todos os deuses do olimpo... Se ela tiver feito alguma coisa com o meu namorado... –Annabeth começava a questionar de que lado essa garota estava. Até agora, só causara problema, e nem se encontrara com eles. ainda.
– Percy é um semideus poderoso, Annabeth. Duvido que uma garota qualquer iria conseguir lhe fazer algum mal. Deve ter uma explicação lógica para isso...
Alguma explicação lógica... Ela tentava perceber algo que lhe escapava, mas não conseguia entender. O que poderia ter lhe acontecido?
Ben, quem antes não estava na sala, chegou perto deles. Tinha uma reação urgente e segurava o celular numa das mãos...
–Acabei de falar com Ana. Uma amiga dela, Mya, disse ter visto a garota correndo na direção norte, no dia da festa...
Annabeth não entendia como aquilo era relevente.
–Direção norte? Isso não é amplo demais para ficar empolgado?
Ben deixou escapar um sorriso.
–Não entendem... Não sei como não pensei nisso antes. Essa garota provavelmente não é daqui. Não deve ter onde ficar e... Existem três casas desabitadas nas proximidades de onde ela foi.
Uma centelha de esperança se acendeu nos olhos cinzentos da loira. Aquilo fazia sentido. Ela sabia o que era estar foragida. Quando tinha sete anos e fugia com Thalia e Luke, sempre se abrigavam em locais isolados. Não era muito, mas era um ponto de partida.
– Ben, me mostre onde ficam essas casas. Leo, já está mais do que na hora de avisarmos para Quiron o que esta acontecendo aqui. Fale sobre a semideusa e... sobre a ausência de Percy... –falar aquilo fez seu peito pesar. – Eu vou encontrar aquele cabeça de alga... E quando eu o fizer, ele vai se arrepender de ter desaparecido de novo...
Ela se dirigiu até a porta, com Ben à sua cola. Jason, Pipper e Frank a seguiram, mas Hazel ficou com Leo para ajudá-lo a contatar Quiron.
–Ben, – Annabeth começou a dizer quando deixaram a casa. –Nos passe os endereços das casas. Disse que são três, certo? Vamos nos separar para encontrá-lo mais rápido.
– Não, Annabeth. – Jason falou. –Não vamos nos separar mais. Não sabemos o que aconteceu com Percy, mas seja o que for, juntos teremos mais chances de resgatá-lo...
Ela não gostou da imposição do garoto, mas não tinham tempo para discutir. Os cinco entraram no carro dos semideuses e seguiram rumo à primeira casa.
...
Percy estava na sala de recreação, em Fresh Start. Jogava uma bola de frescobol para cima e para baixo desanimado. Desde que descobrira que sua vida havia sido uma mentira contada por ele mesmo, não gostava mais da sensação de estar acordado. Na verdade, nem da estar dormindo. Tinha noites sem sonhos, emendando um dia ao outro, sempre dentro daquela realidade monótona... Se ao menos conseguisse sonhar com Annabeth... Ele começava a ter medo que aos poucos a imagem da garota fosse desaparecendo de sua mente. Não importava se ele havia a inventado. Preferia continuar louco do que perdê-la.
Luke se sentou ao seu lado. Olhou por cima dos ombros e falou baixinho?
– Já sabe como colocaremos o plano em ação?
Percy franziu a testa.
–Que plano?
–O de escaparmos daqui... –o loiro parecia bem animado e excessivamente confiante.
Percy se esquecera de que prometera isso ao novo amigo (antigo inimigo).
–Ah... Não vamos, Luke. –por um momento, o garoto mais velho pareceu não acreditar. Depois seu sorriso se transformou numa decepção penosa.
– O que? Do que está falando? Disse que iríamos fugir juntos...
“Mas isso havia sido antes de eu descobrir a verdade...”, Percy pensou em dizer.
– Luke, precisa parar de escutar as idiotices que eu falo... Escuta, tem que parar de acreditar nessas besteiras de monstros e semideuses. Eu não sabia do que estava falando...
A expressão no rosto dele se fechava cada vez mais. O garoto simplesmente se recusava a acreditar naquilo. Percy se perguntou se ele também era assim quando ainda estava preso nos seus próprios sonhos. “Você se tornou agressivo, vendo monstros e conspirações em todos os lugares. Por que não aceita?”, falara o Dr. Spector.
–Não... Não esta soando como você... O que te fizeram?
–Luke... Não me fizeram nada. Eu apenas comecei a enxergar a minha realidade. Está na hora de fazer o mesmo. –O próprio Percy começava a perder a paciência. Mesmo sem quere, descontava em Luke as próprias frustrações de como era perceber que vivera numa mentira.
– Não. Você é um semideus...
–Eu sou um louco, Luke. Assim como você, por acreditar no que digo... – Lagrimas se formavam nos olhos dos dois. Percy respirou fundo, observando a reprovação do jovem agora perturbado. –Está na hora de acordar...
Percy levantou e deixou o adolescente decepcionado sentado sozinho. Ele precisaria de um tempo para aceitar aquilo. Mesmo que não tivesse de fato acontecido, as suas fantasias se tornaram parte das vidas, tanto de Percy como de Luke. Não era fácil se desapegar assim.
Enquanto caminhava, Percy viu uma jovem parada, encarando-o. Ela parecia precisar de ajuda, no final do corredor. Sua expressão era triste e confusa. Talvez a vida de todos ali fosse assim.
Ele começou a se aproximar na direção da jovem de roupas pretas e ela fez o mesmo, andando em sua direção. A garota aumentava o ritmo, cada vez mais urgente. Quando estavam na metade do caminho de se alcançarem, ela simplesmente sumiu. Despareceu em pleno ar...
Percy ficou parado sem entender. Mais confusão e frustração tomaram conta dele. O que diabos acontecera?
–Percy... –disse alguém. Ele se virou e viu o diretor do hospital ali, ao seu lado. –Está se sentindo bem?
“Não, acabei de ver uma jovem de cabelos negros desaparecer em pleno ar.”
–Sim. – não queria que o achassem mais maluco ainda. Já estava quase conseguindo ser liberado. Não iria estragar isso... –Senhor... Donavan, não é?
O homem que tinha a cara de seu pai imaginário sorriu com simpatia.
–Não vai me chamar de Posseidon, dessa vez?
Percy deu um sorriso amarelo.
–Me desculpe. Não estava pensando com muita clareza antes...
Donavan pareceu aprovar o comentário.
– Vejo que Edward estava certo. Você está mesmo melhor. Estará em casa com a sua mãe em breve... Mas mesmo assim, admito que gosto do fato de ter me associado ao seu pai, Percy. Sinto que não consegui te dar a devida atenção, mas quero que saiba que torço para a sua completa recuperação. É um garoto especial...
Um homem poderoso, que gostava dele, mas não lhe dedicava muito tempo... Agora ele entendia por que o associava ao pai ausente.
–Obrigado... – falou.
O diretor afagou seus cabelos brincando e se afastou. Percy tornou a olhar para onde a jovem estivera, mas não havia mais nada ali...
...
Annabeth nem tentava mascarar a decepção. A primeira casa havia sido um fracasso completo. Arrobaram a porta e invadiram a propriedade, mas estava tão vazia quanto o seu peito angustiado. Percy não estivera ali. Agora restavam apenas mais duas chances, das três. Se não o encontrasse, não sabia o que faria... Mas não pensaria nisso. Não até perder as esperanças.
Seguiam agora para o próximo endereço, que Ben falou que não era muito distante. As arvores passavam velozes e as faixas da rua se perdiam em baixo do carro, sendo deixadas para trás. Finalmente Jason estacionou o veículo e todos os cinco saíram.
Mais uma porta foi arrombada. A casa era bem pequena comparada ao padrão da região. Tinha um andar e poucos cômodos, mas parecia ser aconchegante. O grupo entrou e a vasculhou, mas para o seu desespero, esta também estava vazia.
Annabeth não se segurou e começou a chorar. Pipper lhe abraçou firme, impedindo que ela caísse no chão de fraqueza.
–Onde ele está? – ela murmurava.
– Ainda temos mais uma chance, Annabeth. Vai ver, ele vai esta bem na próxima casa... – ela usava charmspeak para acalmá-la, mas não estava funcionando muito bem. Talvez pelo estado muito descontrolado da própria Annabeth, talvez porque Pipper também não estava muito tranquila. Mas ela sabia que a garota atinha razão. Se entregar ali não ajudaria em nada. Precisavam continuar.
Ela enxugou as lagrimas com as mangas e se recompôs com incrível velocidade. Não era hora para desespero. O namorado só sumira há um dia. Já aguentara muito mais sem saber onde ele estava.
–Vamos sair daqui.
Jason, Frank, Pipper, Ben e ela deixaram a casa, rumo ao carro. Já estavam quase entrando no veículo quando viram algo que fez todos perderem o fôlego. Um imenso touro branco encarava-os, fumaça saindo preiodicamente de suas narinas. Era maior que o próprio carro e parava numa posição ameaçadora.
–Não se mecham... – Jason falou levando a mão ao bolso lentamente.
Annabeth respirava devagar, observando o incrível perigo à sua frente. Se sentia estúpida por não ter previsto isso antes. Contando todo o grupo, mais Ben e a semideusa perdida, somavam nove semideuses em Newport. Era claro que uma hora ou outra algum monstro seria atraído para devorá-los. E a criatura da vez era nada menos que o Touro de Creta, derrotado apenas por Hercules, presente de Posseidon para o rei Minos e pai do terrível Minotauro.
O bicho relinchava bravamente, arrastando a pata dianteira para trás de forma ameaçadora. Em fim, sem o menor aviso, ele disparou na direção dos cinco. Por sorte, todos pensaram rápido o suficiente para desviarem do animal mortal, que passou direto e destruiu a casa que estiveram ha alguns segundos atrás como se fosse um castelinho de areia.
–Annabeth, – Jason gritou. – Vá atrás de Percy. Nós cuidamos do touro. – Ela assentiu
–Cuidem de Ben. – a garota correu para longe da visão do monstro enquanto os outros entravam no carro. Assim que Jason deu a partida no veículo, o monstruoso animal começou a persegui-los.
...
Percy estava de volta ao seu “quarto”, sentado na cama, os pés descalços balançando periodicamente como se tentassem fazer o tempo passar mais rápido. Era agonizante não ter planos para mais tarde. Quer dizer... Ali ate tinha uma agenda: Tomar algum remédio que o fazia se sentir como se estivesse prestes a esquecer o próprio nome, ir para a sala de recreação e se “divertir”, voltar para o quarto e esperar o próximo dia chegar. As melhores horas eram quando ele conversava com Dr. Spector. O homem começava a lhe cativar. Percy realmente sentia que o medico se preocupava com ele. Mas a sensação de que ele não devia estar ali era terrivelmente agonizante...
– Sr. Jackson? – chamou o homem chamado Wilson. Tinha a voz grossa e rude, bem coerente com seu comportamento.
– Ah... Você fala... – Percy tentou brincar, mas o homem retribuiu com um olhar quase mortal.
–O Dr. Spector quer falar com você... – disse ele. – Agora.
Percy tocou os pés no chão frio e o seguiu. Poderia fazer algum comentário para brincar com o jeito de robô do sujeito, mas não se sentia muito bem para isso. Lembrava-se de ser alguém mais alegre, animado, mas agora não sabia mais o que era real e o que não era. Talvez o seu jeito de ser também fosse apenas outro sonho.
Quando chegou à sala, não havia ninguém no local.
–Achei que ele estava me aguardando... – falou Percy.
–Ele chegará em breve. Espere aqui...
O homem fechou a porta e Percy nem quis saber se ele estava ou não trancado ali. O lugar era bem aconchegante, agora que o observava direito. Quadros alegres e porta-retratos enfeitavam as paredes e prateleiras. Havia uma foto de uma mulher jovem abraçada ao Dr. Spector. Os dois pareciam bem felizes. Talvez fosse a filha dele. Na sala do medico havia uma janela aberta, porém ficava há uns vinte metros do chão, o que frustrava qualquer tentativa de fuga. Além disso, correr dali não o ajudaria em nada, apenas o colocaria em confusão. Para onde iria de qualquer jeito? Sua mãe o traria de volta e o acampamento meio sangue não existia.
– Saia daqui... – sussurrou uma voz às suas costas. Ele percebeu que, entre ele e a janela, estava a garota de cabelos negros longos e vestes pretas quem vira mais cedo.
–O que?... Quem... Quem é você?
–Não interessa... Quem é você?
–O que? – a garota parecia perturbada. –Percy Jackson...
– Eu sei o seu nome... –ela olhou para a janela aberta por um momento. –Estou ficando sem tempo... Você precisa sair daqui...
Percy escutou o som dos passos do Dr. Spector do outro lado da porta.
– Como eu faço isso? – perguntou vendo a urgência nos olhos dela. A garota não o respondeu. Apenas deu alguns passos para trás, se aproximando da beirada...
– Me siga. – disse a jovem se deixando cair pela janela. Percy tentou alcançá-la, mas já era tarde. A garota caiu como uma boneca de chumbo rumo a sua própria morte e aterrissou no chão com um estrondo mudo.
A porta da sala se abriu e o Dr. Spector apareceu.
– Percy... O que está fazendo? – o homem estava surpreso, analisando assustado o que o garoto de dezessete anos fazia tão perto da janela aberta...
...
Annabeth foi para a terceira e ultima casa à pé. Enquanto seus amigos fugiam do Touro de Creta, ela corria na direção do possível paradeiro de seu namorado. Quando chegou na casa, a porta estava entreaberta e logo na entrada, estava o corpo caído de Percy Jackson...
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