The Demigod Search Squad (d.s.s)
14 A Filha Do Pesadelo
Notas iniciais
Capítulo 14 – A Filha do Pesadelo
Leo não sabia exatamente como proceder naquela situação. Acabara de chegar à Newport, portanto não conhecia ninguém praticamente. Sabia que seus amigos estavam hospedados na casa de Ben, o mais recém descoberto semideus do grupo, mas quem era aquela mulher que os encarava? Talvez fosse a mãe dele. Ela disse que a casa era dela e estava atrás de seu filho, então...
– Se refere à Ben? – ele perguntou ainda hesitante. Hazel sentava ao seu lado no sofá, tão constrangida quanto ele. Leo estava realmente tentado a sair da casa sem dar qualquer explicação, mas isso não seria muito justo com a mãe de seu anfitrião.
– Sim. – disse a mulher chegando mais perto deles. –É claro que me refiro à Ben? Onde é que ele está?
–Está procurando nosso amigo Percy... –jogou Hazel. Leo olhou para ela lhe fazendo o sinal de calar a boca, mas ela o ignorou. – Ele já sabe que é um semideus como nós e estava esperando você chegar para terem uma conversa, mas as coisas saíram do controle...
–Hazel! –Leo apertou a mão dela para a garota se controlar. –Está louca?
–Ai, Leo. Isso dói. –ela se desvencilhou de sua pegada. –E não. Não estou louca. Não ouviu o que Ben nos contou? Essa é a mãe dele, quem com certeza sabe das origens de seu filho...
A mulher estava com a boca aberta, tentando processar o que escutara ali. Depois, sua expressão de surpresa se transformou em um triste olhar de vergonha.
–Imaginei que esse dia iria chegar... –ela falou baixinho. – Preciso falar com o meu filho. Sabe onde ele está?
–Não. – disse Hazel direta. – Olha, Sra. Sharp, normalmente não jogaria essa informação em você dessa forma, mas estamos no meio de uma crise aqui. Nosso amigo desapareceu e Ben esta nos ajudando à encontrá-lo.
–Está tudo bem com meu filho? –perguntou a mulher determinada.
– Imagino que sim. – disse a jovem semideusa. –Mas não podemos ficar aqui esperando. Precisamos nos juntar à busca de qualquer forma... Pode ficar nos esperando aqui?
A mulher pareceu insultada com aquela ideia.
–De forma alguma. Eu preciso me explicar para Ben. Não vou deixá-lo por ai sem ao menos vê-lo...
– É muito perigoso. –Leo falou. – Isso é assunto de semideuses. Quando tudo estiver de volta ao normal pode explicar o que quiser, mas por enquanto é melhor a senhora ficar aqui. É mais seguro...
Foi uma incrível ironia ele falar aquilo exatamente naquela hora. Assim que a palavra “seguro” saiu de sua boca, o telhado da casa tremeu e se partiu em pedaços. Tijolos e terra caíram do alto com um estrondo, não os acertando por pouco. A poeira tomou conta do lugar, agora bem iluminado pela luz do sol que entrava pela cratera no teto.
Com horror, Leo viu que o causador do buraco ainda estava ali, alargando a passagem e quebrando as telhas da casa. Era um enorme pássaro, uma águia aparentemente, cavando o caminho até sua caça.
A Sra. Sharp tossia e cobria a boca com as mãos em pavor completo. Não havia como saber exatamente o que ela enxergava devido à existência da névoa, camada mística que distorce a realidade aos olhos dos mortais, mas com certeza não era algo agradável. A menos que ela tivesse medo de coisas agradáveis...
– Se abrigue! –gritou Hazel para a mulher. –É a nós que ele quer. Vamos atraí-lo para longe...
A jornalista levou um tempo para sair do estado de choque e obedecer à Hazel. Ela correu pela sala empoeirada e sumiu no meio da neblina de terra.
–Vamos sair daqui. –disse Hazel. – Com sorte esse bicho vai atrás d´agente...
–Você tem uma estranha definição de sorte, Hazel. –gritou Leo. Para ele, ser perseguido pelo o que parecia ser Ethon, a terrível águia que, dia após dia, comia o fígado do titã Prometeu e esperava-o se regenerar para depois repetir a tortura, não era exatamente sorte. Na verdade, era meio que o oposto disso.
– Corra! –gritou a garota.
A fera já conseguira destruir metade do telhado, abrindo espaço o suficiente para sua entrada. Leo não conseguiu ver direito, mas pelo som que fazia, Ethon entrava na sala, derrubando tudo o que encontrava pela frente e perseguindo-os com assassina determinação.
Os dois semideuses deixaram o local às pressas, escutando a porta da entrada atrás deles ser arrombada pelo monstro faminto por fígados...
...
Annabeth mal podia acreditar que Percy estava bem. Graças aos deuses conseguira encontrar o namorado sumido. Estava agora sentada à mesa da cozinha, na casa abandonada que a semideusa ocupara. Percy e ela ainda se recompunham do longo sono que tiveram.
– Filha de quem? – Percy perguntou com aquele jeito dele, subindo uma das sobrancelhas pensativo.
–Ícelo... – falou Annabeth. –Ela disse que é a filha de Ícelo, um dos quatro filhos de Hipnos chamados Oneiros, responsável pelos pesadelos... Estou correta?
A garota assentiu. A jovem era inquestionavelmente forte. Lutava para manter o controle mesmo que numa situação impossível como aquela. O olhar determinado, fingindo confiança, lembrava Annabeth da mesma expressão nos olhos de Thalia, anos atrás. Tinha o mesmo jeito de demonstrar controle sobre tudo, mesmo que no fundo soubesse ser uma ilusão... Além disso, era jovem. Aparentava ter uns 13 anos, mais ou menos.
–Isso explica algumas coisas. –disse Percy. Annabeth não entendeu o comentário. –É por isso que eu estava... sonhando com aquilo?
A garota fez que sim.
–Me desculpe por aquilo. Não foi minha intenção. Vi você entrar aqui com a espada em punho, gritando feito um lunático ai...
–Espere ai... Pelos deuses, podem me explicar do que estão falando?
...
Percy parou para respirar. Deu mais um gole da água e começou a falar:
– Eu... não estava simplesmente inconsciente, Annabeth... – falou enquanto a namorada o examinava atentamente. – Fiquei preso no meu subconsciente, num estranho... pesadelo... – ele se voltou para a garota. –É isso o que pode fazer, não é? Como filha de Ícelo, consegue fazer as pessoas mergulharem em pesadelos e perderem a consciência....
A garota assentiu.
–Sim, mas não sei exatamente como controlar. As vezes acabo apagando alguém sem querer...
– Como fez com Sam. – disse Annabeth
–Quem? – Jennifer franziu a testa.
– O garoto da festa. – Percy explicou.
–Ah... – ela fez como se buscasse na memória algo que acontecera muito tempo atrás. –Sim. Exatamente. Isso acontece as vezes, mas... – ela se conteve.
–O que? –Percy quis saber. A hesitação que ela tinha naquela conversa o incomodava um pouco. Agora que eles estavam envolvidos, queria saber de tudo, mas ela parecia não confiar completamente neles. – Qual o problema?
– É que... Com você foi diferente, Percy Jackson.
–Percy. – ele falou com simpatia, mas ansiedade. –Pode me chamar de Percy, e o que quer dizer com “comigo foi diferente”?
Ela se ajeitou na cadeira.
– Eu já tinha provocado pesadelos em pessoas antes, mas normalmente não dura tanto e nunca, nunca, consegui entrar no de alguém.
– Então... – Annabeth tentava acompanhar a conversa. – Você entrou na mente de Percy?
Ouvir a namorada falar daquela forma foi estranho. Ele corou, se sentindo como se tivesse feito algo errado. “Você deixa uma desconhecida entrar em sua mente e não sua própria namorada?”.
– Eh... Sim. –Jennifer falou. – Mas não da forma que pode estar pensando. Não tive acesso aos pensamentos dele nem nada do tipo. Nada concreto, quer dizer. Eram apenas fragmentos e demorei de entender o que acontecera. Num minuto estava aqui, no outro, perdida num oceano de confusão. Ouvia vozes e via imagens sem contexto. Tudo o que pude compreender claramente era o seu nome...
–Desculpe. Acho que esqueci de arrumar minha mente. É que preferi começar pelo quarto e não tive tempo de continuar... – Percy falou brincando.
A garota não conteve um sorriso.
– Está bem humorado para alguém quem ficou preso num pesadelo por mais de um dia...
–Está brincando? – Percy disse com simplicidade. – Estou apenas feliz por ter saído. Acabou agora. E não sabe como estou contente por descobrir que minha vida não é uma mentira... – ele olhou para a garota loira.
–Do que está falando? – Annabeth perguntou.
Percy lhe explicou o que acontecera em sua mente. Contou-lhe como sonhara que nada que viveram nos últimos anos teria acontecido naquela falsa realidade. Falou do Hospital Psiquiátrico Fresh Start e de como todos lhe convenciam de que estivera louco todo o tempo, destacando o quão real havia sido. Hora nenhum sentira que estava sonhando e ainda se lembrava claramente de todos os detalhes. No entanto, ele omitiu dois importantes detalhes. Não quis mencionar o encontro imaginário com Luke, nem mesmo a existência do Dr. Spector. Aquele ainda era um assunto delicado para falar abertamente.
Quando terminou, Annabeth apenas o ficou olhando, remorso estava presente em seus olhos.
–Deve ter sido horrível... – falou por fim. –Eu acho que ficaria agoniada...
Percy segurou sua mão.
–O pior foi não poder te ver. Aceitaria qualquer coisa, mas não conseguia acreditar que você não existia, Annabeth.
A garota sorriu emocionada.
– Como conseguiu perceber? – ela perguntou.
Percy olhou para Jennifer.
–Além de ouvir uma declaração da minha linda namorada, me dando coragem para fazer o que tinha que ser feito, tive uma ajudinha... Jennifer conseguiu me mostrar a saída.
A jovem de cabelos negros ficou desconcertada.
– Não foi fácil, sabia? Era tanta confusão ali dentro que não conseguia me concentrar o suficiente para te encontrar. Sempre que chegava perto me perdia e acabava novamente no meio do nada.
“No meio do nada... Será que ela está me chamando de cabeça oca?”, pensou, mas conteve as palavras em sua mente (confusa e bagunçada).
– É por isso que ficava desaparecendo... – constatou.
–Sim. Como disse, nunca tinha entrado no pesadelo de outra pessoa. Estava tão perdida quanto você, se não mais... – Percy achava aquilo bem difícil de acreditar, mas, novamente, guardou os pensamentos para si.
–Deve ser terrível não controlar essa sua... habilidade. –Annabeth disse hesitante.
– Está mais para uma maldição. – disse Jennifer. – Há pouco tempo atrás, vivia minha vida de forma normal. Então minha mãe começou a sofrer de terríveis pesadelos. Eles foram aumentando cada vez mais, deixando-a quase completamente louca. Foi quando meu pai apareceu nos meus sonhos e me explicou quem eu era, o que eu era. Disse que eu deveria vir para cá, que haveriam pessoas quem poderiam me ajudar. Me recusei a acreditar no inicio... – ela falava com dificuldade, como se as lembranças a atormentassem. – Mas numa noite vi minha mãe num ataque de sonambulismo, quase pulando da janela do sétimo andar... Aí resolvi aceitar o conselho de Ícelo e vim para cá.
– Jennifer... – Annabeth falava com simpatia. –Acredito que seu pai se referia à nós. Somos um grupo de semideuses do acampamento Meio Sangue, encarregados de encontrar pessoas como você, perdidas e desamparadas e levá-las ao nosso lar. Temos um excelente treinador. Com certeza ele saberá como te ajudar.
A garota assentiu. Parecia que ela finalmente se convencia de que podia confiar neles...
–Mas conversamos disso depois. –Annabeth continuou. –Percy, como se sente?
Percy não entendeu direito.
–Estou bem.
– Ótimo. – disse ela. – Já esperamos tempo demais nessa conversa. Precisamos ajudar o resto do grupo à matar o Touro de Creta.
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