The Deceiver
4 Conflitos
Notas iniciais
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“Mineradores demacianos afirmaram a existência de bombas de origem noxianas em uma parte interna da mina onde ocorreu o acidente, os mesmos que ditaram as provas encontraram elas antes do ocorrido. Assim, Noxus até então é considerada culpada da tragédia, a potência negou todas as acusações.
A assinatura dos documentos será realizado pela Liga, no dia x/x, caso Noxus não apresente uma contra-prova não terá mais direito de explorar as minas de Kalamanda, então a cidade será considerada patrimônio de Demacia.’’
Ao ler apenas esse trecho do grande artigo já fez Katarina torcer seu nariz, com uma expressão clara de desgosto e raiva, dobrou a folha e a rasgou com força. Talon a observava sem reagir, já esperava essa reação no momento que a entregou o papel. A mulher levantou de seu sofá e seguiu para o corredor com seus braços cruzados.
— Não era esse o plano! Eles estão loucos?! — resmungava a Lâmina Sinistra dirigindo-se para a saída de sua casa.
Talon a puxou bruscamente pelo braço, assim impedindo-a de seguir, e a encarou com um olhar frio.
— Nós não temos nada a ver com isso, por que está zangada? Isso é problema daqueles velhos agora, não nosso.
A Lâmina Sinistra franziu a testa e continuou encarando o encapuzado, ele estava certo não havia como negar, ele a soltou com calma. Ela cruzou os braços novamente e fazia o caminho de retorno com passos lentos. A Sombra da Lâmina parou de seguir seu caminho quando escutou a mulher chamar seu nome, sem nem sequer olha-lo.
— Noxus vai perder o direito de explorar Kalamanda, você está certo, em partes, que o problema não é nosso, mas de maior parte ele é...
— Vamos torcer para que aqueles velhos gagás saibam o que estão fazendo. — disse Talon.
Darkwill estava tendo um surto de nervos maior que o normal, claro, como não estaria? A sua nação estava prestes a perder o direito de explorar uma riqueza imensurável e o seu pior inimigo iria ter tudo aquilo sob o seu poder. Não havia coisa pior. Era visível a preocupação de Swain sobre o assunto, todos que olhavam para ele tinham o poder de concluir que ele tentava pensar em alguma solução.
— Por que haviam bombas lá, Swain?! Quem botou as bombas lá?! Por que você continua dizendo que não sabe?! Como vão acreditar que as bombas são nossas?! — bufava Darkwill.
É, talvez todos seus pensamentos de salvação eram um lixo.
Novamente o General gritou vários xingamentos para o Mestre da Estratégia, pressionando-o, era como se aquilo fosse um apoio para pensar na solução do problema.
— Não é possível, Swain! Você não consegue pensar em nada para que não percamos tudo isso?! Talvez eu tenha que rever o porquê de você continuar na política de Noxus se você é tão incompetente... — xingava Darkwill.
Com toda a pressão que recebia do General lembrou-se da sua conversa com LeBlanc, deu um riso baixo por ter se lembrado do acontecimento justo naquela hora, com sua cabeça apoiada em sua mão esquerda levou seus olhos até Darkwill, que estava visivelmente irritado, e levantou a mão direita com calma.
— Paciência, General... Vou resolver isso.
O clima de tensão foi dissolvido repentinamente quando um dos guardas abriu a porta sem cerimônia alguma, chamando por Swain, que o perguntou o que ocorria.
— Um garimpeiro demaciano quer relatar uma coisa para você...
Swain pediu para que Darkwill se retirar, e ele o fez, logo convidou o jovem para sentar. O menino hesitou um pouco no início — que demaciano não iria? -, contudo ele precisava fazer isso, sentou-se e respirou fundo.
O Mestre da Estratégia sentou na cadeira com um pouco de dificuldade e se apresentou enquanto se ajeitava. Logo o garoto disse, gaguejando, que seu nome era Tom Garvin.
— Bem, f-fui eu que ativei as b-bombas para explodir a mina... Ao comando do p-príncipe.
Swain parecia chocado com o que o menino dizia, seus olhos estavam arregalados, pigarreou um pouco e pediu para que o menino desse detalhes de como ele o fizera, o que Jarvan IV havia lhe dito, entre outras coisas. Tom contou tudo sem pensar duas vezes, a história era absurda, nem ele acreditaria que seu príncipe faria isso tão pouco a Liga.
Garen chegou proximamente ao meio dia em casa, estava exausto devido a cansativa viagem naquela carroça- às vezes todos os cidadães de Valoran invejavam a tecnologia avançada de Piltover e Zaun, na questão de transporte. Abriu uma das grandes portas da casa e entrou com cuidado, em menos de um minuto Lux apareceu ao seu lado.
— Não acredito que você finalmente chegou, Garen! — dizia a Dama da Luz enquanto abraçava seu irmão. — E aí como tá Kalamanda? Finalmente vai pertencer à Demacia eu suponho, só queria detalhes mesmo de como aconteceram as coisas lá devido ao atentado, e...
Lux foi interrompida pela voz do irmão que disse preocupado:
— Que atentado?!
Eram dois dias de viagem entre Kalamanda e Demacia, e Garen havia partido um dia antes do acontecimento, ele simplesmente havia ficado fora do ar por dois dias e o mundo já estava pegando fogo. Lux ao notar a falta de informação do irmão o entregou um artigo de jornal na qual explicava tudo. O Poder de Demacia chocava-se a cada palavra que lia, pensava como os noxianos poderiam ter armado algo assim.
— Pelo menos haverá justiça, não é mesmo? — brincou Garen tentando esconder sua indignação.
A menina deu uma risadinha e concordou com o seu irmão. Logo ela sentou do lado dele, movimentando cuidadosamente os seus dedos pelo cabelo do irmão. Ela e Garen sempre foram muito próximos, e ele sempre foi um irmão protetor, enquanto brincava com seus cabelos pensava em como seria a reação do irmão quando contasse que ela tivera se relacionado com alguém.
Ela no mesmo instante percebeu que aquele não era o momento.
Depois de alguns dias, finalmente, a assinatura do documento iria ocorrer, haviam várias pessoas importantes na política de ambas das nações, como o Rei Jarvan III e seu filho Jarvan IV, entre outros. O local não era digno da assinatura de um documento tão importante, era em uma área aberta ao público, havia sob um palco uma grande mesa revestida em madeira com uma toalha de seda vermelha, na qual o Rei, o príncipe, um dos membros da Liga e o representante da cidade estavam sentados, uma tenda com a bandeira de Kalamanda no meio e cavaleiros demacianos ao lado dos representantes.
Tudo ocorria bem, até o esperado momento da assinatura do documento. Enquanto o Rei de Demacia pegava a sua caneta, Swain subitamente apareceu no meio da multidão, todos os que assistiam à cerimônia não entendiam o que estava ocorrendo — inclusive as grandes personalidades que ali estavam. As pessoas deixaram o Mestre da Estratégia passar, quando ele apareceu ficou frente-a-frente com a mesa, junto a ele estava o jovem Tom Garvin.
Alguns garimpeiros demacianos chocaram-se quando viram o menino ali, não faziam ideia do porquê aquele garoto que tinha um amor gigante por sua nação estar ali, junto com uma das personalidades de Noxus mais repudiadas pelos demacianos. Jericho Swain. Alguns gritavam seu nome e anunciavam que já trabalharam com ele.
Swain, com a mão na boca, pigarreou antes de elevar sua voz para discursar:
— Senhores e Senhoras aqui presentes, sinto lhes dizer que toda essa acusação em cima de Noxus, é um golpe! Demacia armou tudo isso para que, nós noxianos, perdêssemos o direito de explorar Kalamanda! Nós não armamos nenhum acidente.
Era perceptível a expressão de desgosto na face do Rei, no príncipe mais ainda — parecia que Jarvan IV iria explodir a qualquer momento sob as acusações do noxiano -, enquanto o que representava Kalamanda tapava seu rosto por não saber como agir o membro da Liga se levantou e olhou para Swain com indiferença.
— O jovem é sua prova disso? — perguntou, Swain assentiu, logo ele fez um gesto para deixar o menino falar — O que tens a dizer?
Jarvan IV, nervoso, cutucava o membro da Liga enquanto dizia coisas como: — Isso é um absurdo! Nós de Demacia somos justos, sempre falamos a verdade!
— Príncipe Jarvan IV, já que esse garoto é um mineiro demaciano, tenho certeza que ele falará a verdade. Pode falar.
O menino respirou fundo e lançou seu olhar para o representante da Liga, com certeza não iria conseguir falar tudo olhando para o seu Rei.
— O acidente foi realmente plano de Demacia! Meu nome é Tom Garvin e fui eu quem detonei as bombas noxianas, todo o esquema das bombas serem encontradas foi planejado. Me mandaram fazer isso por Demacia, mas... Eu não consigo esconder isso! Perdão! — contava Tom
Jarvan IV estava claramente muito mais incomodado do que antes, queria gritar e dizer como aquilo era uma mentira desvairada, contudo percebeu como o assunto era delicado e que o seu silêncio era a melhor de todas as respostas.
— Certo, Sr. Garvin. Mas quem lhe ordenou a detonar as bombas? — perguntou o representante. Sua face expressava indiferença, porém estava realmente sendo convencido com a história, o fato de Demacia sempre ser a “boazinha” das tragédias sempre o deixara desconfiado.
O menino desviou os olhos do representante da Liga para olhar fixamente até o príncipe, todos notaram.
— Eu segui as ordens do Príncipe Jarvan IV.
Após essas palavras a cerimônia virou um completo caos, além de todos estarem chocados com o depoimento, o Exemplo de Demacia levantou subitamente da cadeira e apontou para Garvin, com fúria em seus olhos, o chamava de traidor e como ele ousava dizer aquelas mentiras imundas, finalmente havia explodido.
Logo o representante da Liga gritou pedindo por silêncio e ordem, quando tudo finalmente se acalmou, exceto o príncipe que continuava a dirigir palavras ao pobre garoto que permanecia chocado, continuou a cerimônia. Pegou o papel que estava na frente do Rei e o ergueu.
— Com todo o ocorrido nesse momento não há mais como esse acordo continuar, então marcaremos uma nova assembleia para discutir esse assunto. — após as palavras o representante rasgou o papel em vários pedaços e os deixou cair.
— Você não pode fazer isso! É apenas uma testemunha! — esbravejou o Príncipe.
— Como você mesmo disse, Príncipe. Os demacianos são justos, ou seja, são praticantes de justiça. Ele fez seu papel de demaciano como uma pessoa justa nos contando sobre a fraude.
Guardas noxianos levavam Garvin para uma carruagem, enquanto Swain observava calmamente a discussão entre o demaciano e o representante enquanto fazia carinho em Beatrice. Após alguns minutos foi embora enquanto o caos novamente retornava a aquele local.
Era uma noite escura em Noxus, as ruas estavam precariamente iluminadas pelos postes e todas as casas estavam fechadas. LeBlanc estava sentada em uma cadeira de costas para a porta que dava acesso à sua sala. O som da maçaneta torcendo não a fez olhar, ela apenas continuou sentada, estática. Um homem alto e esguio, pálido, de longos cabelos brancos com olhos vermelhos entrou na sala, Vladimir era seu nome.
— Ora, ora, vemos que a Falsa está aqui...
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