The Death Blow
4 Capítulo 4 - A beira da morte
Notas iniciais
Sai do porão totalmente assustada. Levei comigo uma das caixas de Katherine, mais tarde iria ver o que mais tinha lá.
Peguei meu celular e tentei ligar para minha mãe, mas ela não atendeu. Liguei de novo, e ela não atendeu. Na terceira tentativa, deu como desligado ou fora de área.
Não perdi mais tempo, me arrumei e fui ao hospital. A recepcionista me encarou e depois disse:
-- Poderia lhe ajudar?
Fiz que sim com a cabeça e pedi o número do quarto de Joseph. Assim que ela me deu o número, fui apressadamente até o quarto. Entrei cuidadosamente e pude ver meu padrasto em coma e minha mãe chorando desesperadamente.
E eu já esperava isso. Ela chorava por tudo. Lembro-me da primeira vez que dormi fora de casa. Foi na casa da minha prima. Mesmo assim, ela não sossegou até eu voltar para casa. Também tiveram outras vezes -- milhares de vezes --, como na primeira vez que andei de bicicleta e ralei meu joelho. Ela não ficou quieta e chorou mais do que eu. Até fez Joseph sair do trabalho.
Ela sempre foi uma pessoa muito exagerada e sempre chorou por motivos idiotas. Até chorava mais do que a pessoa que se machucou ou passou pelo problema. Realmente, era a pessoa mais exagerada do mundo.
-- Claire? -- Ela disse me abraçando.
-- Ele está bem? -- Eu tentava segurar as lágrimas.
-- Ainda está em coma, como você já deve ter percebido.
-- Você não me falou o que houve...
-- O carro capotou.
-- Quando ele vai ficar bem?
-- Não sei, mas espero que seja em breve. -- Ela deu uma pausa, suspirou e depois continuou. -- Os médicos disseram que foi grave...
Não me contive ao receber essa notícia e comecei a chorar. Acho que minha mãe até estranhou. Nunca fui de chorar, sempre fui uma pessoa fria.
Passou um tempo e meu celular começou a tocar. Quando vi, era meu pai. Droga, odiava quando ele me ligava. Ele sempre me dava notícias horriveis. Atendi o telefone e ele já foi falando todo animado:
-- Querida, estou na sua cidade. Queria saber aonde você mora para te buscar. Tenho uma surpresa para você, tenho certeza que gostará dessa vez.
Expliquei que estava no hospital e ele marcou de ir me buscar lá e me mandou ficar esperando lá fora.
-- Para onde vai? -- Perguntou minha mãe. Eu já estava abrindo a porta do quarto.
-- Meu pai está aqui. Ele quer me buscar para me dar uma surpresa.
-- Se divirta.
-- Sabe que eu não vou.
Ela sabia o quanto eu o odiava, mas mesmo assim tentava me fazer amá-lo, já que era meu pai.
Fiquei um bom tempo esperando lá fora, até que finalmente ele chegou. Fingi um sorriso e entrei no carro.
-- Vamos para a sorveteria. -- Falou ele todo animado.
Eu permaneci calada. E ele, pela primeira vez, não puxou assunto.
Ao chegarmos na soverteria, ele tornou falar comigo:
-- Ah, estou tão feliz de estar aqui com você. Eu me lembro de quando a gente ia nas sorveterias em Nova York. Você sempre pedia sorvete de flocos...
Eu fiquei furiosa. Ele tinha até esquecido dos momentos que passamos juntos. Não pude acreditar nisso.
-- Era de morango...
-- Ah, acho que confundi com a Carly.
-- Quem é?
-- Essa é a surpresa. Vou me casar com a Carly. -- Disse ele me levando até uma mesa com três desconhecidos. Bom, um deles não me era estranho. -- Esses são sua madrasta e seus meio-irmãos: Maddie e James.
Claro! James. Tinha que ser, não é? Tinha que ser o drogado, o violento, o bêbado.
Encarei ele e ele me encarou de volta.
-- Como você pôde achar que eu iria me importar com sua vidinha patética? Olha, eu não estou interessada em sua vida e nunca estive. Você acha que pode desaparecer da minha vida por dez anos e depois voltar e achar que eu vou me importar com suas novidades? Por favor, me poupe. Nem sei porque vim aqui nessa merda de sorveteria. Quer saber uma coisa? Eu te odeio.
Sai de lá com minha cabeça quente ainda. Eu estava com muita raiva mesmo. Lembrei então de quando eu tinha seis anos. Ele dizia que nunca iria me deixar, que me amava e prometeu que não casaria com outra mulher. Prometeu que minha mãe era a única mulher da vida dele. Mas um mês depois ele não estava mais lá, e mal lembrava do meu nome.
Senti uma mãe me tocar, e me virei já preparada para falar isso para ele, mas ela o... James.
-- Por que me seguiu?
Ele riu maliciosamente.
-- Oh, Claire... Você realmente se acha a dona da razão, não é?
-- Não quero falar com um idiota.
-- Vamos lá, Claire. Não seja má.
Encarei ele novamente. Ele segurou meus braços com força e tentou me beijar. Eu gritei, e finalmente alguém veio... Era o Mike.
Droga, era o Mike. Sempre que eu precisava ele aparecia... Por que isso?
Ele deu um murro no James e me levou até seu carro. Sem nenhuma palavra, me levou até minha casa. Eu estava meio que em choque ainda, por isso não falei nada com ele. Mas quando cheguei em casa, agradeci:
-- Obrigada Mike. Estou te devendo.
-- Não foi nada. -- Ele sorriu novamente.
Entrei em casa e me joguei no sofá. Realmente estava cansada com toda essa situação.
Peguei a caixa com as coisas de Katherine. Abri um dos diários e caiu uma imagem.
Entrei em pânico com a foto. Era a Katherine morta no porão. Ela estava coberta de sangue e parecia ter levado várias pancadas. Fiquei morrendo de medo.
Eu precisava de uma distração, então fui para a casa de Olívia. Toquei a campainha, mas não havia ninguém lá. Estranhei. Ela sempre estava aonde eu estava.
Quando estava voltando para casa, vi Mike se aproximando. Sorri timidamente e ele retribuiu com um belo sorriso.
-- Olívia saiu de casa antes de eu te ajudar. Ela me pediu para te falar algo muito estranho. -- Disse ele.
-- E o que era?
-- Não fique em casa sozinha essa noite. -- Ele riu.
Eu também ri, mas no fundo sabia que não deveria mesmo ficar sozinha em casa.
Abri a porta e o convidei para entrar. Ele aceitou.
-- Quer alguma coisa? -- Perguntei.
-- Não, obrigado.
Ficamos sentados no sofá, um olhando para o outro. Ele tinha um sorriso lindo no rosto, e eu tinha um sorriso feio e sem graça.
-- Você tem um belo sorriso... -- Disse ele.
-- Obrigada. -- Falei com vergonha. -- Você também.
Ok, ele era fofo, mas eu não gostava dele... Talvez um pouquinho...
-- Bom, eu tenho que ir. Vou no cemitério, tenho que colocar algumas flores no caixão da minha avó.
-- Eu posso ir com você? -- Eu queria muito sair daquela casa. Ela me dava arrepios.
-- Tudo bem... Você realmente se interessa em mortos, não é?
-- O quê? -- Me assustei.
-- A caixa pertence a Katherine Moore...
Ele riu.
-- Não... É que eu vou tirar daqui da casa...
Fomos ao cemitério. Chegamos lá e ele foi colocar as flores no caixão de sua avó. Eu fui me afastando, até não saber mais aonde estava.
Em um momento eu estava procurando Mike, no outro estava presa dentro de algum local apertado até demais. Eu só sei que acordei com a cabeça doendo muito e estava dentro de algo. Quando me dei conta era um caixão. Me enterraram viva.
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