The Deadly Secret
2 Ameaça e salvação
Notas iniciais
Aquela história não poderia estar menos estranha, pelo menos para a garota que acompanhava os três federais com uma tremenda interrogação quase aparecendo em sua testa. Deixava ambas as mãos afundadas nos bolsos da calça pois havia convidado os rapazes para um café, enquanto isso ela responderia aquelas perguntas rotineiras. A casa dela não ficava muito longe e a mesma abriu a porta para que eles passassem, fechando-a atrás de si. Isobel respirou fundo enquanto deixava a mochila sobre uma poltrona.
– Esperem... Eu nem vi o distintivo de vocês. – Ela disse, se recordando de que não havia sequer pedido identificação, mas logo que ela o lembrou, o mais alto e o mais baixo apresentaram o distintivo, diferente do que usava um sobretudo, pois esse apresentou o mesmo de cabeça para baixo. — Agente, o seu está... de cabeça para baixo. — Castiel franziu o cenho ligeiramente, antes de ajeitar o distintivo. — Sentem-se, por favor. – A morena indicou para o sofá confortável que havia naquela sala e partiu para a cozinha, para que pegasse café para eles.
Após se sentar, Dean olhou para Sam, que parecia pensativo por algum instante enquanto Castiel começava a dizer:
– Acho que assustei Isobel.
– Cass, você acha? Já eu tenho certeza. – Dean disse, enquanto dava uma risada abafada e logo recebia uma cutucada de Sam, pois a morena já voltava com uma bandeja, com quatro xícaras dispostas na mesma, essas que estavam cheias de café forte e doce ao mesmo tempo.
– Então, Isobel... – Disse Sam, após pegar uma das xícaras de café educadamente, e ao mesmo tempo Castiel observava, pois não estava acostumado a tomar café e não queria desapontar a humana. — Você tem visto coisas diferentes em seu bairro? Comportamentos estranhos, ruídos estranhos...
– Na verdade... sim. — Ela começou, sentada na poltrona à frente do sofá onde eles estavam. — Meus vizinhos já não saíam de casa, e diziam que estavam sendo vigiados, embora ninguém soubesse se isso era realmente verdade. Eles falavam que havia algo nesse bairro que colocava todos em risco, e eu nunca soube ao certo o significado disso, mas após todos esses acontecimentos, eu acho que de alguma forma eles estavam certos.
– Bom, você não presenciou nada estranho? – Dean disse, fitando os olhos ocre da garota.
– Além do seu amigo dizer coisas sobre missão e paraíso? Acho que não. — Após concluir, ela mesmo deixou uma risada escapar. Logo os federais se ergueram, deixando as xícaras na bandeja. As perguntas já haviam sido concluídas e possivelmente eles notariam que ela era apenas uma cidadã como qualquer outra ali, e que nada sabia, é claro. O mais alto deixou um cartão consigo, para que ligasse caso alguma coisa acontecesse ou caso ela se lembrasse de algo, e ao fechar a porta, ela quase pode ouvir o agente Lewis dizer entre sussurros um pouco mais altos "Ela está em perigo."
Os Winchesters caminhavam pela rua rumo à casa, enquanto sugeriam que aquele caso devia ser mais um caso de algum anjo maluco matando pessoas pelo bel prazer, mas Castiel insistia em dizer que a causa daquele acontecimento era por conta de Isobel, pois ela era importante e crucial, inclusive que naquele momento muitos anjos e demônios se sacrificariam para encontrá-la e fazer uso da mesma, embora ela não soubesse exatamente a sua importância para planos maiores, planos esses que interfeririam em diversas coisas, mas agora não era o momento certo para que o anjo explanasse isso para os irmãos que tentavam descobrir se era realmente um anjo que havia assassinado aquele casal.
A cena do crime já estava vazia, pois apenas uns policiais e peritos se encontravam ali. Não havia sinais de que houve uma luta, apenas um lustre e lâmpadas quebradas. O casal havia sido encontrado no chão, próximo ao sofá e logo Castiel anunciou, reparando tudo naquela casa — porém, como de praxe, o anjo não disse isso muito baixo, o que fez com que alguns lançasse olhares estranhos para o trio:
– Foi um anjo. — Era esse o veredito que esperavam para que pudessem agir, mas o mais complicado naquele instante era encontrá-lo, pois poderia estar longe ou perto, já que o anjo assassino estava conseguindo se camuflar muito bem, porém, logo um telefone tocou e era o de Sam — ou um dos.
– Agente, me ajude, por favor. – A voz de Isobel estava embargada e um tom de choro era notório. Sua respiração estava descompassada e isso fez com que a atenção de todos se voltassem para Sam atendendo o telefone, já que ele assumiu uma expressão preocupada enquanto a ouvia. — Tem um homem aqui, em minha casa. E-ele... ele praticamente surgiu do nada. Eu estou escondida no meu closet, me ajude.
No outro lado da linha, Isobel estava encolhida em um espaço do seu closet enquanto ouvia o som de alguém subindo as escadas vagarosamente, mas ela não sabia que para o anjo aquele jogo era divertido. Ele poderia ter simplesmente surgido e pego ela, mas deixá-la com medo era algo que o agradava. Aquele medo humano, cru, puro, sendo emitido como se fosse radioativo lhe agradava. A Matthieu tinha um corte no lábio superior por conta de ter sido lançada com força contra o chão, e ela não compreendia essa parte. Com apenas um aceno de mão o homem a jogou com toda a força, como se de alguma forma telecinese fosse possível. Como em um sonho, tudo havia se tornado fantasioso demais para ser real e naquela situação era entendível que a mesma tentasse se beliscar para que acordasse.
Castiel foi o primeiro a se teletransportar para a casa de Isobel pois sua missão era protegê-la naquele instante, não poderia fracassar, ela não poderia ser morta e muito menos poderia continuar a correr risco de vida. Logo atrás dele, os Winchesters corriam rumo a casa de Isobel, ambos já com as mãos em suas armas, para que pudessem usá-las assim que necessário. Nessa altura, Castiel já havia encontrado o outro anjo, e o olhando da base da escada, disse:
– Não é necessário que faça isso, Zaniel. – A voz grave do outro anjo pode ser ouvida, fazendo com que a atenção de Zaniel fosse totalmente voltada para ele. Arqueando as sobrancelhas após ter sua atenção chamada, o mesmo cerrou o punho, mostrando a sua lâmina angelical. O receptáculo de Zaniel tinha cabelos negros curtos, olhos esverdeados porém ainda assim cinzentos e o seu corpo não era tão atlético, embora fosse ideal, e pelas suas feições retorcidas em expressões de decepção e algum ódio que ninguém entendia, Castiel tirou as conclusões de que ele não estava ali em missão de paz, nem com seu próprio irmão.
– Castiel, você não entende! Ela, Isobel Matthieu, é uma ameaça à nossa existência, ela pode trazer a ruína. – Enquanto falava, ele descia as escadas para que pudesse ficar mais perto do moreno de olhos azuis, e naquele movimento, Sam e Dean apareceram na porta.
– Zaniel, você sabe que ela também pode trazer a salvação que os humanos e nós esperamos, não sejamos estúpidos. – Após dizer isso, Castiel direcionou os olhos para a lâmina que reluzia, deixando a sua à postos também. — Não tem que ser assim, Zaniel. Minha missão é protegê-la e você sabe que eu farei isso.
– Cass! — Dean disse, apontando a arma para o outro anjo. — E você, esquisitão, deixe-a em paz.
– NÃO! – Os olhos cinzentos do anjo pareciam tempestades, e ao falar aquilo, a sua voz soou como um trovão. Em uma fração de segundos, o anjo pulou em cima de Castiel, desferindo-lhe um soco na face. Não demorou muito para que Castiel o acertasse de volta, mas o que ele não esperava era que o outro apontasse a lança para si e em um movimento rápido tentasse acertá-lo de maneira fatal. Desviar dos socos era quase uma tarefa complicada, e Isobel já surgia na porta do quarto, amedrontada com acena que acontecia em sua sala. Seu vaso de plantas estava no chão, enquanto Castiel encostava o homem que havia lhe ferido na parede e apontava a lâmina em seu peito. Quando a mulher viu a lança transpassar o coração do homem e aquela luz forte demais ser emanada, ela cobriu os olhos pois lágrimas escorriam por suas bochechas. Dean correu para que pudesse ajudá-la e Cass logo se justificou:
– Foi necessário. Ele ia matar ela.
Nada mais foi dito. Aquele dia ficaria marcado para sempre, pois a partir dali a vida de Isobel mudaria completamente, e o que aquele anjo fez consigo era apenas uma amostra do que poderia acontecer, caso as coisas ficassem mais graves. Para que eles explicassem o que havia acontecido demorou um tempo, pois ela não conseguia engolir, já que o seu ceticismo entrava em jogo.
– Você é um... o que? – Ela disse, franzindo o cenho depois daquela bagunça ter sido arrumada.
– Anjo. E o meu dever é proteger você até que seu destino seja concretizado.
– Qual destino? – Isobel já sentia uma dor no estômago, típica de quando ela sentia uma dose de nervosismo maior do que o normal.
– Não posso contar, mas você é ameaça e salvação ao mesmo tempo, não posso falar mais do que isso. Dean e Sam cuidarão de você enquanto estou fora, planejando os nossos próximos passos nessa missão que será extensa. – Dean e Sam se entreolharam naquele momento, sem poder acreditar que seriam babá de profecia em breve.
– Os caçadores?
– A sua única esperança. – E daquela forma, Castiel desapareceu como em um piscar de olhos, deixando os três se entreolhando na sala. Tudo estava soando um tanto desagradável para Dean e Sam, que mal sabiam o que fazer e mal sabiam qual a missão de Isobel, porém, a garota não se importava com o tamanho de fantasia depois do acontecido, o importante era continuar viva.
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