Notas iniciais
welll, eu escrevi bem na inspiração kkk, ta certo que agora pode ficar um pouco maçante, mas como recompensa a minha demora eu coloquei um pequeno gostinho da historia no inicio do capitulo APENAS AGUARDEM O DEAD TEST, AMIGOS LEITORES.

Capítulo 5

Eu corria pela floresta, estava escuro e eu estava assustado. Anna está do meu lado, segurando minha mão enquanto corremos, ela está linda. Do outro lado está Igor, ou, alguma coisa que se parecia com ele. Nós subíamos pequenos morros, e descíamos outros quase rolando terra abaixo. Estávamos cansados e alguma coisa nos pressionava.

De repente, no topo de uma subida grande estava um baú, e nós ficamos animados, ali estava nosso tesouro. Anna saca a sua submetralhadora e atira em alguém que estava atrás de mim, o homem grita quando as balas são cravejadas em seu corpo. Enquanto isso, eu corro empunhando um facão morro acima, Igor se esconde em algum lugar que não consigo ver, Anna tenta me alcançar, mas cai quando vê uma bala em seu tornozelo.

Eu queria socorrê-la, mas a vontade de pegar o baú era maior por algum motivo. Meu corpo me pressionava a conseguir o tesouro de qualquer forma. De qualquer forma. Alguém pula em cima de mim quase me fazendo rolar. Ele me ataca com tudo que tem, e eu desvio de cada golpe, tentando ainda segurar minha arma.

Ele estava machucado de lutas anteriores, assim como eu. Não consigo me desviar de um de seus socos, o que me faz quase perder a consciência.

— Desculpe garoto – ele disse, me deixando tonto no chão.

Ele se levantou e correu até o baú, abriu seus trincos e quase chorou quando viu o que havia lá dentro, mas não por muito tempo.

Quando dei por mim, golpeei o pescoço dele com o facão, o enterrando na metade do pescoço, cortando suas artérias e parando em sua traqueia. Puxei o facão com um grito, enquanto ele colocava a mão no pescoço sem esboçar nenhum sentimento. Ele caiu de lado, e enquanto o sangue esguichava, ele chorava de dor e horror.

Eu chutei seu corpo e peguei o conteúdo do baú, Anna estava mancando mas conseguiu chegar até mim, e por algum motivo, não me importava com a segurança de Igor. As seringas, duas delas, o conteúdo do tesouro, nós as injetamos nas veias e sorrimos um para o outro.

Vencemos.

***

Eu acordo num pulo, transpirava e estava ofegante. Foi um sonho, só um sonho ruim, mesmo assim, pensar em mim matando alguém daquela forma não era uma boa visão, mas Isabelle estava comigo agora, me acalmando com sua presença.

Ela estava deitada por cima da minha barriga, apoiando sua cabeça na minha cintura, e babava de boca aberta, eu sorrio, ela estava tendo uma ótima e confortante noite, e não parecia estar tendo pesadelos. Talvez ela queira acordar bem também.

Eu me levanto lentamente, para não a acordar e a deixo no quarto. Vou ao banheiro e me olho no espelho.

Magro, cabelos castanhos e que ultrapassavam meus olhos, sardas e um pouco baixinho, quem não soubesse que eu tenho 22 anos nunca acreditaria só de me olhar. Meus olhos claros estavam vermelhos, e meu corpo estava um pouco dolorido. Percebo que nunca havia dormido tanto na vida.

Faço a higiene matinal pela primeira vez em séculos, e desço para a cozinha. Procuro nos armários qualquer coisa que sirva de café da manhã, acho frutas vermelhas, só, mas eu não quero ser exigente com a minha sorte, se fosse em uma situação normal eu teria que caçar meus próprios alimentos. Corto pedaços de maçã desajeitadamente para mim e Isabelle, e deixo na mesa da cozinha.

Então ouço a campainha tocar.

Pego um pedaço de maçã e vou comendo até a porta da frente, onde está Anna. Algumas memórias do sonho vêm à tona, mas tento esquecer.

— E aí, bela adormecida? – ela diz quando eu abro a porta – Sabia que já são mais de 10 horas da manhã? – eu a olho um pouco alheio, ainda estava um pouco cansado.

— Tá, e daí?

— E daí? Você tá cheio de marra, hein? Agora que tomou banho e comeu tá pronto pra enfrentar o mundo de novo? – ela entrou em casa, bem, não era minha casa, mas era como se fosse, então me senti um pouco incomodado – O que tem aqui pra nos alimentarmos?

Ela mal terminou a pergunta e andou para a cozinha, eu fui atrás.

— Cadê o Igor?

— O velho tem mais o que fazer da vida, te acordar para que nós fôssemos ver o chefe é tarefa para pessoas de baixo escalão como eu – ela olhou para mim e deu uma piscadela – Ah! Eu adoro maçã!

— Pode comer, eu acho – eu digo – Vocês têm uma fonte sólida de comida, estão todas quase frescas, isso é muito bom.

— Elas todas vêm das plantações para lá da cidade – ela olha em outra direção, como se estivesse me mostrando a plantação daqui – Tivemos sorte que essa cidade já plantava várias macieiras e outras coisas antes de tudo acontecer, recuperar as plantações foi fácil – ela volta a me olhar – A gente tem muito o que agradecer ao seu pai.

— Como todo mundo aqui o conhece?

— Não sei direito, eu cheguei aqui só depois de um tempo, mas pelo tempo que estou aqui eu ouvi, seu pai trabalhou com o governo daqui durante anos, ajudando a crescer as plantações de um tanto de cidadezinha – era verdade que quando eu era criança ele havia passado anos no interior de São Paulo a trabalho, era parte desse trabalho que nos mantinha na capital – Ouço falar por aí, que se não fosse por ele, não seria nada fácil achar comida, e essa comunidade poderia não existir.

Eu estava tentando digerir aquela informação enquanto Anna me olhava.

— Você fica mais bonito sujo, sabia? – ela disse, dando uma risada.

Pego um dos pedaços e como, ignorando as provocações dela, quando olho para a sala, Isabelle estava bocejando, descendo as escadas. Talvez ela riria se tivesse ouvido alguém me provocando daquele jeito.

"Irmão! Bom dia!", Ela me abraçou. Eu olhei um pouco constrangido para Anna que apenas desviou o olhar.

"Preparei um café da manhã para você, aliás, Anna veio aqui te visitar, vocês se deram bem ontem não foi?", Ela acenou que sim.

— Vocês tão falando bem ou mal de mim aí? – ela perguntou depois de ver eu apontando para ela.

— Ela gosta de você.

Isabelle abriu um sorriso grande e também abraçou Anna, ela parecia aliviada, eu também estava, afinal era revigorante ver que ela ainda agia como uma criança mesmo depois de tudo isso.

Ela comia em silêncio as maçãs.

— O chefe tem que ver vocês, lembra? – Anna disse, depois de alguns momentos – Melhor não deixar ele esperando.

Ela parecia revirar os olhos toda vez que falava dele.

— Parece que vocês não se dão bem, não é?

— Longa história.

Eu prefiro não me aprofundar, já que sou novo na cidade. Quando Isabelle termina de comer, eu e ela subimos para trocar nossa roupa por uma mais apresentável. Eu ajudo Isabelle a escovar o dente, ela, de início, estranha, mas logo pega o jeito.

Quando ela termina, eu a pego no colo e ela ri. Eu também.

Está tão fácil de nós sorrirmos.

***

O caminho até a mansão no fim da rua era curto, Anna parecia um pouco incomodada então foi na frente, enquanto nós a seguimos. Isabelle andava saltitante pela rua bem asfaltada e bonita, talvez a mais bonita que eu e ela vimos em muito tempo. Pouca gente estava na rua agora, Anna explicou que as crianças iam para um tipo de creche de manhã, enquanto a tarde ajudavam os adultos nas tarefas e podiam brincar a noite, ou vice-versa. Bem, não era uma rotina pesada, eu adoraria saber que Isabelle estava brincando com outras crianças, mesmo que eu fosse sentir também um pouco de ciúmes. Ela também explicou que todos maiores de 15 anos administram uma tarefa mais pesada, por exemplo, cozinhar para as pessoas que trabalham na creche ou para as pessoas que estão nas fazendas ou nos laboratórios. Eles me pareciam bem organizados.

Anna disse que estavam trabalhando numa cura, nesses laboratórios, mas disse isso com a voz carregada.

Alguns homens montavam uma leve guarda na frente da grande casa, parecia ser a mais luxuosa dentre as luxuosas casas daquele condomínio. Anna disse que todos dividem a casa com alguém, e cedo ou tarde alguma outra pessoa iria morar com ele e Isabelle, ela disse que morava junto de outras três garotas, mas não as descreveu tão animadamente assim, apenas as resumiu em duas cozinheiras e uma fazendeira. Quando perguntei o que ela fazia, ela desconversou.

Os guardas abriram passagem para nós, eles pareciam estar mal-humorados, dei um bom dia e entrei.

— Bem, como eu não posso entrar aí, agora é por sua conta, senhor Arthur Delevigne – ela disse em tom irônico, eu respondo com um sorriso sarcástico, seguro a mão de Isabelle e adentro o casarão.

A casa era bem grande, um lustre apagado no centro do salão, uma escada grande e entradas e saídas de todos os lados, eu mal tive tempo de prestar atenção nos detalhes, porque ouço a voz suave de um homem vestido apenas de roupão sentado no sofá no centro do salão.

Ele tinha a barba por fazer, e o seu roupão era azul. Seu cabelo era curto e um pouco grisalho, ele aparentava ter uns 50 anos ou mais.

— Arthur! – ele gritou como se eu fosse um velho conhecido dele.

— Senhor... É...

— Thiago – ele completou – Thiago Prestes, sou eu, meu filho.

O nome dele não me era estranho.

— O que? Não me reconhece?

— Ah, senhor...

— Por favor, só Thiago já está bom – ele se levantou, com um copo de vinho na mão e veio até mim. Ele estava vestido com uma cueca por baixo do roupão, Isabelle se escondeu atrás de mim, mas eu sinalizei que estava tudo bem – Fico triste por não me reconhecer.

— Me desculpe senho-- Não, Thiago.

— Eu entendo, sabe, faz anos, muito tempo, muito antes disso tudo acontecer – ele olhava para cima – Desde quando seu pai e você moravam aqui, você era um pestinha, tinha só 5 anos.

— Você me conhece desde tão novo?

— Sim! Quando tudo aconteceu, eu sabia que seu pai tentaria vir para cá, só não esperava que fosse demorar tanto – eu assinto, desviando o olhar para baixo quando ele me olha nos olhos – Entendo, estar só vocês aqui hoje significa que ele – ele fez uma pausa, pareceu por um momento completamente desapontado – Bem, não há porquê se preocupar, criança. Eu cuidarei de vocês, é uma dívida com seu pai.

Eu olho para ele, seu sorriso era receptivo, mas seu rosto era duro, não sei por quantas coisas ele já passou, mas todos sofremos muito desde que tudo isso começou. Ele abre os braços e me abraça, e eu sinto compaixão vindo dele.

— Vocês deveriam estar desesperados – ele diz, depois de se afastar um pouco de mim – Seu pai lhe contou que estava vindo? Você sabia como nos achar?

Parando para pensar, nosso pai nunca disse o porquê de estarmos viajando naquela direção, eu sempre sugeria irmos para a praia, ou talvez até para Minas Gerais, o calor de lá certamente já deve ter matado todos os possíveis mortos-vivos depois de todo esse tempo.

Eu apenas aceno que não com a cabeça.

— Então você chegou aqui por acaso? – ele perguntou, enquanto nos convidava a sentar em seu grande sofá, Isabelle apenas me acompanhava, observando tudo. Quando eu sentei, ela se sentou ao meu lado.

— Sim, quando nosso pai estava morrendo, ele nos implorou para seguirmos naquela direção – eu disse em voz baixa, por respeito – Seguimos durante meses, mas nunca entendemos o motivo.

— Seu pai foi um herói, meus pêsames.

— Não se preocupe, isso vai fazer praticamente 1 ano – olho para minha irmã – Infelizmente, aconteceu apenas alguns dias depois do aniversário dela.

Ele piscou o olho brevemente, como se tivesse acabado de perceber a presença dela ali.

— Não me lembro dela, quantos anos ela tem? – ele olha para ela sorridente, tentando ser simpático.

— Se nem eu me lembro de ter morado aqui, imagino que faça muito tempo, ela é 10 anos mais nova do que eu, tem hoje 12 anos, vai fazer 13 em 2 meses.

— Admiro pessoas que conseguem manter datas na cabeça, sabia? – ele diz – Ela é tão caladinha, o que houve, meu bem?

A mesma dúvida de sempre, eu explico para ele a mesma história sobre ela ser surda.

— Ah, entendo, é uma pena... – ele me parece triste, mas logo substitui o rosto de tristeza por um de alegria plena – Eu tive uma ótima ideia!

Eu e Isabelle ficamos assustados com a súbita mudança de humor dele.

— Temos um pequeno hospital aqui no condomínio, sabia? – eu apenas aceno que sim, sem entender – Normalmente, pessoas surdas não são completamente surdas, eu não sou médico, não entendo do assunto, mas pelo que sei, há uma possibilidade dela poder ouvir.

Ele se levanta e sobe as escadas, deixando-nos sem entender nada. Volta alguns minutos depois, vestido com uma roupa casual, porém totalmente limpa.

— Vamos!

***

Eu o acompanho ainda confuso, mas com um sentimento apertando meu estômago, Isabelle parece preocupada comigo, mas consegue perceber minha felicidade emanando.

Enquanto nós passávamos pelas ruas de Prestesburgo, algumas pessoas nos olhavam feio, outras apenas nos ignoravam, mas eu sabia que isso era pela presença do patrão da cidade ao meu lado. Isso, de certo modo, me incomodava. Antes que eu percebesse, chegamos a uma pequena clínica.

Como Thiago estava conosco, nem se preocuparam de perguntar o que ele fazia ali, apenas entramos no pequeno prédio. Algumas pessoas trabalhavam ali, ele disse que eram algumas pessoas encarregadas da distribuição de remédios para os cidadãos doentes.

Ele entrou em uma das salas, passando sem nem ao menos falar com ninguém que trabalhava ali, enquanto eu dava bom dia e Isabelle apenas sorria com seu jeito de criança.

— Arthur! – ouço sua voz vindo de um dos consultórios – Venha aqui, meu rapaz, e traga sua irmãzinha.

Eu vou até ele e o vejo segurando algo semelhante a um fone de ouvido.

— Um dos vários idosos que moravam aqui era surdo, bem, esse era o aparelho que ele usava para regular as ondas sonoras – ele dizia termos médicos que provavelmente nem mesmo ele sabia ao certo, mas finalizou com: – Provavelmente, com isso, ela consiga ouvir a sua voz.

Eu balanço a cabeça por descrença, isso é... Isso é verdade? Olho para Isabelle com lágrimas nos olhos, ela está confusa.

"Isa, meu bem, coloque isso", eu mostro o aparelho a ela, e gesticulo o método para o colocar. Ela parecia mais confusa que nunca quando colocou.

Eu seguro sua mão quando o aparelho está em seus dois ouvidos, sigo as instruções de Thiago e o ligo.

— Isabelle... – falo lentamente, esperando uma resposta.

Ela, ofegante e com lágrimas nos olhos, me responde:

— A-Arthur...

Notas finais
Obg ao Bardo! por sempre comentar meus capitulos ♥ o melhor leitor ♥