Notas iniciais
OLÁ PESSOAL! Aqui está, voltamos ao Dead Test, AGORA COM AÇÃO, reviravolta e mais perguntas, eu gosto. Desculpe a demora, as férias acabou cmg, quem trabalha em loja entende kk mas estamos aqui! Não esqueçam, o Dead Test está aí!

Capítulo 7

O garotinho era como uma versão minha criança, o mesmo cabelo encaracolado e cheio, a mesma expressão corporal, aparentava ter pelo menos 11 anos, veio a mim, me perguntando se eu era o tal Arthur, fiquei surpreso de ver que ele sabia os gestos que apenas eu e Isabelle sabíamos.

"Quem é você?", Eu pergunto, esperando que ele não entenda os gestos especiais.

"Eu sou João".

"Ele é meu amigo", Isabelle disse, soltando um 'Arthur' ao final.

"Amigo? Você ensinou pra ele nossos gestos?"

"Não foi ela quem ensinou", o garotinho respondeu.

— Por que não fala? – eu pergunto enquanto vou entrando na casa, Em Casa.

"Ele não pode", Isabelle responde, "Ele... Não fala".

"Mudo, eu sou mudo".

Eu o olho, parecia verdadeiro, não havia pesar no olhar e nem angústia, ele provavelmente nasceu assim. Coitado.

"A Tia Vic disse que ele poderia dividir a nossa casa, já que ele estava morando na escola", explica Isabelle, " Hoje ela veio e me disse para me juntar com as outras crianças, eu não entendi de início mas ela usou a mesma linguagem de libras que as minhas antigas professoras".

Eu me deito no sofá enquanto ela explica, João da a volta e se joga na poltrona enquanto Isabelle se senta sobre meus pés.

"Eu e ele brincamos de pega-pega, mas eu ganhava sempre! Eu avisei que eu era boa".

"Você é ótima", digo, "Já comeram?"

"A gente come na escola sempre... Mas eu aceito comer mais", João era quieto, pela mudez e por comportamento, ao contrário de Isabelle que era bastante elétrica.

"Vamos comer!"


***


João era bem prestativo, me ajudava enquanto eu cortava os legumes e tentava preparar molhos com os tomates que tínhamos. Estava muito feliz por ver manteiga. Ele e Isabelle sorriam um para o outro enquanto conversavam animadamente usando as mãos. Faziam gestos tão rápidos que eu mal conseguia acompanhar.

Estava orgulhoso de ela ter feito um amigo tão rápido, e tão parecido com ela, os dois eram animados e se entendiam em seus problemas.

Jantamos legumes, verduras e um pouco de arroz. Eles comiam e faziam caretas um para o outro. Me espreguiçei enquanto observava a cena. Tudo estava indo de ótimo a excelente, e eu não me importaria de viver assim para sempre.

Quando ouço um estalo no prato de Isabelle, percebo que ela não o ouviu. Ela havia retirado o aparelho de audição. Me levanto e vou até a sala, o procuro, mas não acho. Começo a me preocupar.

"Isabelle!", Volto à cozinha, onde os dois já haviam terminado e estavam brincando com uma colher, "Onde está o--", Aponto para o ouvido, sinalizando o aparelho.

"A Tia Vic disse que eu não preciso usar ele o tempo todo", respondeu ela, como se não houvesse problema algum.

"Aquilo foi um presente, você precisa dele pra ouvir, lembra?"

"Eu gosto de ouvir, mas cansa, minha cabeça tava doendo, Arthur", ela desvia o olhar, "E também a Tia Vic disse que eu poderia pegar amanhã quando eu chegar".

"Tia Vic disse a ela para não usar o tempo todo, pode acabar machucando", João se pronunciou.

"Tá, okay, entendo, amanhã eu converso com essa Tia Vic", eu suspiro, essa mulher parecia ser a responsável pelas crianças, afinal, estariam todas seguindo cegamente o que ela diz? "Agora vão tomar banho, está tarde".


***


Uma dor lancinante atacava meus pés, Anna estava ao meu lado, estava toda suja com uma parte do cabelo raspado e o rosto levemente queimado. Assustadoramente machucada no braço esquerdo. Eu levava alguém em meu colo, um corpo pequeno, uma criança.

Era um dia claro e o sol brilhava entre as espessas árvores da floresta, andávamos como se não houvesse um rumo, os meus pés estavam me matando, e eu me sentia desnutrido. O corpo era apenas um borrão preto em minha visão. Infelizmente eu não aguentei e cai.

— Por quê? – lamentou Anna. – Ele era só uma criança...

Eu tentava falar, gritar, mas nada saia. Anna lamentava e chorava, sua voz abafada. Ela sentou-se ao meu lado e tentou me fazer levantar, mas ambos estávamos exaustos.

De repente, ouço um estalar de galhos ao longe, um som que me faz levantar instintivamente.

— Eu queria que tivessem aproveitado mais – uma voz masculina ecoava por entre as árvores.

Um click, uma explosão, PAM, e ouço um tiro, sinto a bala me alcançando como um raio, atingindo-me no ombro.

— O Dead Test acabou, droga! – Anna exclamou, com a voz trêmula.


***


Eu acordo suado, ensopado. Ainda está escuro quando eu levanto da cama e percebo que Isabelle estava babando em meu ombro, essa visão me deixa um pouco menos tenso.

Levanto e lavo meu rosto no banheiro. O que diabos era Dead Test? Eu to ficando paranóico? Queria descansar, mas por ter dormido algumas horas na grama do lago eu me sinto completamente acordado. Eu deveria deixar a cabeça descansar um pouco. Volto ao meu quarto e vejo Isabelle abraçando meu travesseiro enquanto dorme, ela parece estar descansando depois de um longo dia de brincadeiras, finalmente. Eu a cubro delicadamente e beijo seu rosto. Olho de relance para o relógio, 4:50 da manhã, faltam algumas horas para que eu acordasse Isabelle e seguisse para meu trabalho. Vou ao quarto de João e o vejo dormindo também, menos estabanado que Isabelle, mas bem. Ele pode ser calmo, mas era uma criança, então eu o tratarei como meu pequeno irmão.

Eu os deixo dormindo e desço, talvez eu precise de um pouco de ar fresco, então pego uma maçã e visto uma roupa leve e um moletom com capuz.


***

O cheiro de umidade no ar dominava minhas narinas, era o cheiro de névoa que me acompanha faz mais de uma semana. Era um clima agradável, mas quando esfriava era quase insuportável sem um bom agasalho, bem, agora eu tinha um bom agasalho, então apenas respirei fundo e andei, aproveitando o frescor no ar. Eu me sentia tendo uma vida de luxo, imaginava o quanto de dinheiro e esforço deveria ter sido investido em cada rua deste condomínio. Tudo tinha cara de novo, luxuoso e caro. Muitas pessoas moraram aqui, agora provavelmente bem mais que antes, mas mesmo assim era bem cuidado na medida do possível.

Meus olhos registram vultos, meus ouvidos escutam sussurros quase imperceptíveis. Eu não sabia o que era, e achei que tinha sido só coisa dá minha cabeça, comecei a andar mais rápido.

Andei tanto que, quando percebi, estava já perto da escola, quando foi que eu perdi a noção da hora?

Uma forte dor de cabeça me atacou subitamente, levei as mãos ao rosto e me ajoelhei, era como se meus olhos tivessem querendo saltar das órbitas, era terrível. Meu cérebro se sacudia dentro do meu crânio, e quando eu olhei para a direção da Escola, não enxergava nada.

"Dead Test", essas duas palavras invadiram meus pensamentos como um mantra. Dead Test... Dead Test! Eu senti uma vontade imensa de gritar, sentia como se estivessem mexendo na minha cabeça com uma furadeira.

Nada daquilo fazia sentido, afinal, ontem eu estava bem.

— Se segura, amigão, eles estão apenas começando – Ouvi a voz de Igor ao fundo, uma rajada de calor esquentou minhas têmporas, outra maior me jogou como um boneco de pano na direção de um poste.


***

Quando acordei, estava deitado na cama, como se toda aquela caminhada por Prestesburgo fosse apenas um sonho, é, tinha realmente muita cara de ter sido um sonho: uma dor de cabeça repentina, palavras que eu não entendia, a sensação de ter sido atingido por um carro, cenas em que eu corria por uma floresta com Anna ao meu lado, sem Isabelle, isso nunca aconteceu. Eu nunca havia saido do lado de minha irmã desde o início de tudo, me imaginar sem ela já tinha se tornado quase impossível. Entretanto, parecia real demais para ignorar.

Olhei para o lado, esperando vê-la dormindo como a criança hiperativa que ela era. Senti um calafrio percorrendo toda minha espinha. Agarrei as fronhas da cama, ela estava vazia, apenas eu estava lá.

Os fracos raios solares da manhã alcançaram meu rosto e iluminaram o quarto, um quarto desconhecido. Meu coração estava acelerado, comecei a hiperventilar, minhas mãos soavam frio e meu corpo ficou pronto para correr o mais rápido que eu consigo. Levantei, estava com a mesma roupa que vestia em meu "sonho".

Poucas tinham sido as vezes em que eu não sabia onde estava, ou onde Isabelle estava. Eu sempre me esforcei pra tomar conta dela, e meu pai também. Agora, porém, nada parecia fazer sentido.

Eu balancei a cabeça um pouco, meu coração estava acelerado demais para conter os passos. Até que ouvi alguém bater à porta.

— Vamos logo, Arthur, já deve ter acordado – Era Thiago, entrou dentro do quarto com uma pressa que eu não imaginava que um homem como ele poderia ter. Ele parecia ansioso, eufórico, talvez até um pouco alcoolizado.

— Thiago... O que aconteceu? Onde eu estou? Cadê a Isabelle?

— Uma pergunta de cada vez, meu rapaz – Ele fez uma pausa, pareceu que estava pegando fôlego – Foi uma declaração de guerra, isso que aconteceu.

— Como é?

— A Escola explodiu – eu não tive certeza se ele estava brincando ou não – Felizmente, apenas você e outras duas pessoas estavam por perto quando aconteceu.

Eu estava tentando processar tudo, aquela onda de calor, eu sendo jogado pelo ar — Mas nem ao menos ouvi uma explosão —, levei a mão à cabeça, isso está estranho demais.

— Uma dessas pessoas faleceu agora pouco – eu engoli seco – o que, na verdade é bom, porque diminui a lista de suspeitos em um terço.

— Espera – demorou um tempo pra minha ficha cair – Você não acha que eu tenho algo a ver com isso, acha?

— Sente-se, meu rapaz, e me conte tudo o que aconteceu – ele se tornou severo subitamente, num nível que fez minhas pernas falharem e por um momento eu o olhei sem entender, não parecíamos mais os amigos que éramos ontem – Vamos, sente-se! – ele puxou um revólver da cintura, era o que bastava para que eu perdesse o equilíbrio e caísse sentado no chão.

O cano da arma olhava diretamente em meus olhos.

— T-Thiago – Gaguejei.

— Senhor Thiago.

— Eu não sei de nada, eu juro! – lágrimas brotaram no meu rosto sem eu perceber.

— É claro, claro que não, meu rapaz – ele começou a guardar a arma – Você só estava andando, só andando não é mesmo?

— Sim! Com certeza! – falei, rapidamente – No meio do caminho, vi alguns vultos, mas estava tão distraído que não prestei atenção...

— Claro, meus homens não testemunharam contra você também – disse com um tom de sarcasmo – Eles, na verdade, estão só com ciúmes de como eu venho te tratando por conta de seu pai.

— Testemunharam contra mim? – eu fiquei verdadeiramente ofendido – Mas eu não fiz nada! Eu senti uma baita dor de cabeça e quando começou a passar a explosão me deixou inconsciente!

— Isso é tudo?

— Sim!

Eu considerei dizer que ouvira a voz de Igor logo antes da explosão, mas meu estado não me permitia acusar ninguém, e quem diabos havia testemunhado contra mim?

Thiago me olhou, com um sorriso no rosto.

— Convincente.

Passou a mão no meu cabelo e saiu. Respirei fundo. Me sentia um idiota, um idiota ingênuo. Não sabia se ele havia acreditado em mim, mas não havia diferença, agora eu já não me sentia tão seguro quanto me sentia ontem, mesmo assim, viver aqui ainda era o melhor para Isabelle.

Isabelle... O aparelho auditivo estava na escola! Ele foi destruído? Precisava sair daqui.

Senti algo escorrendo na lateral direita dá minha cabeça, e só agora percebi que estava com uma bandagem leve enrolada nela. Coloquei a mão e senti uma dorzinha, ela se molhou. Era sangue. Comecei a ficar ofegante.

Sai por aquela porta, a frente, um corredor estreito, eu estava na enfermaria? Se não me engano, era bem perto da escola. Não havia ninguém por perto, eu não esperava ver também vários médicos e enfermeiros, porém não ver ninguém era um pouco desesperador. Havia pontos na minha cabeça, poucos, indicando que o corte não era profundo. Eu precisava de uma gaze urgentemente, porque sentir o sangue na minha cabeça era desesperador, entrei numa sala aleatória, e parecia um consultório, alguns instrumentos médicos estavam jogados, provavelmente não eram esterilizados, mas davam conta. Achei alguns panos cortados em formas geométricas, troquei com os sujos de sangue que eu tinha, molhei o ferimento antes, limpei o sangue escorrido.

Tudo isso aconteceu bem rápido, me recompus e tracei um objetivo. Foda-se o trabalho, foda-se Thiago, o mais importante era falar com a tal Tia Vic e recuperar o aparelho auditivo de Isabelle.

Não vou deixar um acidente nos jogar naquela vida de novo!

Notas finais
Obrigado, a todos vocês que não esqueceram dá minha história, aos que comentam, aos que recomendam, aos que me incitam a continuar! A terminar essa história! Muito obrigado a cada visualizador, cada pessoa que indicou minha história, e a você, caro amigo que está lendo essa notinha de rodapé O DEAD TEST VOLTOU!