The Day War Ended
33 Capítulo XXXIII — Worst nightmare
Rapunzel
Gothel recuou. Claro que ela recuaria, quem não? Mas era isso que eu temia, eram as atitudes que ela tomava ali que eu tinha imaginado, e eram as mesmas que eu temia.
Parecia um pesadelo e, pelo visto ele não teria um fim, mas eu queria a conclusão dele, sair lucida ou parecer.
Minhas mãos tremiam e entre Merida e Gothel, minha postura séria ainda atraia uma feição pouco descontraída de minha mãe, mesmo que o nervosismo e as atitudes dela mostrassem sua esquiva para não continuar.
E então ela falou. E o pesadelo mal tinha começado. Lágrimas tímidas teciam meu rosto enquanto pouco do que eu já sabia era dito pela própria boca de Gothel.
Agora tudo fazia sentido, desde as reações estranhas que ela tinha quando eu mencionava alguém da qual ela não tinha conhecimento ou recordava até o meu gosto por arte. Isso a fazia lembrar aquele da qual ela acha que o traiu, da pessoa que ela tinha uma paixão e mesmo me tendo não foi o suficiente.
Era o olhar reprovador que lançava a cada pintura minha, o desgosto ao ver que eu me afastava dela com meus amigos e que poderia sair mais de casa. Cada carinho que eu recebia quando pequena, se era abraço ou o menor gesto... Tudo uma farsa.
Ela espalhava meu pai biologico em mim, achando que eu era sua filha. Mentindo para mim e para si mesma.
E estava tudo naquele baú, nas cartas e cartas trocadas entre quem ela envolveu, nas histórias que a ex-diretora contou para Astrid. E pensar que ela envolveu mais gente nisso, ameaçando a mãe do Soluço, separando a tia da Astrid e Pitchnner, pois o mesmo antes era amigo dela e era por causa de Gothel e de mim ele não gostava da minha presença por causa do passado, quando Gothel poderia incrimina-lo comigo e com seus atos.
— Então foi você esse tempo todo? Não era eu que errava... Era você – Olhava incrédula para a mulher a minha frente, que um dia eu chamei de mãe – Esse tempo todo...
— Não vamos nos precipitar Rapunzel. Venha cá e iremos conversar a sós... – Falou cautelosa e erguendo a mão para que a seguisse, mas seu olhar era nervoso e cheio de raiva para Merida.
— Ela não vai a lugar algum com você! – A ruiva falou ríspida, mas o seu tom sério fez até com que me sentisse mais nervosa – Sua bruxa!
— Sou a mãe dela! Ela virá comigo e você não vai bancar a heroína! – Gritou e com força agarrou meu pulso, arrastando-me para longe de Merida – Saia de minha casa!
— Solta! Me larga...! – Apertava meu pulso com mais firmeza e Merida entrou no meio, puxando-me para longe de Gothel ou pelo menos tentando – Não!
Por alguns segundos sua mão se soltou, mas voltou a se focar em outro ponto que foi o meu cabelo, enrolando e segurando-o firmemente. Parecia que ela queria arrancar minha cabeça, mas não iria me entregar ou me deixa ir.
— Não vão tirar o que é meu! Nunca mais!
— Ela não é sua, solta ela! – Gritou em resposta e eu me via em um começo de cabo de guerra.
Pense, você tem que sair daqui... O cabelo, ela não vai soltar... Rápido... Facas... Na bancada! Mesmo com a dor na cabeça e com os gritos de fundo, sentia minha respiração pesar e se tornar mais ofegante e eu respondia aos gritos para que aquilo acabasse. Ela mentiu para mim e queria que eu a perdoasse? Ela acha que pode apagar o que aconteceu aqui?
Tateei a mesa em busca de algo para parar aquilo tudo. Arrastava e derrubava as coisas e era complicado me concentrar enquanto ficava de um lado para o outro, uma louca e uma ruiva invocada.
Senti algo quente entre minha mão e peguei o objeto que causou o ferimento. Rapidamente afastei Merida com força, fazendo-a cair no chão. Segurei o meu cabelo e puxei o que dava para distrair a possessão de Gothel sobre eles e segurando o pouco que deu cortei o meu cabelo. O cabelo que eu tanto gostava de deixar crescer e os fazia parecer como de uma princesa, agora estavam curtos.
— O que você fez?! – Gritou em fúria, seus olhos arregalados de raiva, acabei deixando a faca cair e peguei rapidamente uma frigideira
— Nem ouse se aproximar de mim... – Apontei a frigideira para ela, com as mãos tremulas e ambas segurando com força o cabo.
— Eu salvei você... Minha menininha... Perdi várias... – Engasgou, mas ainda havia raiva nela.
— Eu não sou sua menina... Você me roubou, roubou-me de minha verdadeira família... – Senti minhas lágrimas descendo o rosto, quente e sem sinal de que iriam parar.
— Você tem que acreditar em mim, você é tudo o que eu tenho! – Chorava e grunhia de raiva.
— Rapunzel? Se afaste dela... Eu vou ligar para a policia... Não tire os olhos dela e nem pense em baixar a guarda! – Alertou e podia ouvir o barulho do celular discando.
— Apenas... Por quê? Qual o motivo disso tudo? – Falava com dificuldade, o aperto em meu coração era tamanho.
Agarrada aos fios cortados e chorando, Gothel murmurava coisas da qual eu não entendia. Parecia que ela se tornara inofensiva, mas como antes, não era o que podia se aparentar.
Logo depois do telefonema, o que para mim parecia ter demorado bastante, pois a passagem de tempo ali era agonizante com tudo o que eu acabara de presenciar. Não era possível, a instantes, horas atrás ela era minha mãe... Agora tudo ficou tão óbvio, mas eu não consigo deixa de sentir que é apenas um pesadelo, apenas um dos mais realistas que eu já tive.
Merida tinha ficado ao meu lado quando as pessoas da qual ela ligou tinham chegado. A sirene da policia tocava a porta de casa e forçadamente, Gothel teve que deixar de lado o cabelo cortado e quando notou que estava sendo arrastada para dento da viatura, começava a se debater violentamente. Como se não bastasse, gritava meu nome pedindo ajuda.
O que a levou a fazer tal coisa?
— Rapunzel? – Olhei para a pessoa, deixando os pensamentos confusos que rondavam minha cabeça.
Merida olhava preocupada e parecia recuar em falar algo, mas eu não me importava em ouvir nada agora, queria apenas desabar... Sentia-me traída com a pessoa que eu mais considerava.
— ... Seu cabelo. Está curto – Passou a mão em minha cabeça – Eu sinto muito... Vai ficar tudo bem agora.
— Por que você acha isso?
— Você tem outras pessoas que se importam com você, vamos saber o porquê disso em breve...
— Rida?
— O que foi?
— Obrigado — Falei antes de começar a chora e sentir os braços de Merida me acalmando.
Quando a mãe dela pareceu chegar para busca-la, acho que ela não gostou de ver meu rosto inchado ou o policial tentando barra-la.
Mesmo insistindo que não precisavam se preocupar, acabei cedendo e por alguns dias eu ficaria na casa dos Dunbroch.
— Você vai ficar no quarto de hospedes, mas caso os meus filhos lhe perturbem, sabe que pode dedura-los — Elinor explicou, virando-se para mim e tentando sorrir acolhedora — Eu realmente queria fazer algo por você, Rapunzel. Mas por enquanto eu só tenho sua guarda por ter meu cargo como advogada. Até sabermos o que sua mã— , digo, Gothel fez, não posso fazer mais nada, mas saiba — Apoiava sua mão em meu ombro — Saiba que você é muito amada por seus amigos e como mãe, eu não deixarei que algo lhe aconteça.
— Obrigado, parece que eu nunca vou conseguir retribuir... Mas algum dia eu ainda pagarei... — Falei e a mesma me cortou, silenciando-me.
— Você não deve nada, você e Merida sendo tão amigas, me faz sentir que eu tenho o direito de protege-la, mesmo eu não tendo esse direito — Falou — Se não se sentir confortável, pode me chamar no meu escritório, vou deixa você sozinha, por enquanto — Terminou e retribui o abraço que a senhora Elinor me deu, segurando a vontade de chorar.
Só quando pude entrar no cômodo, o chão parecia ter caído. Lágrimas e lágrimas caíram e me aproximei como podia da cama, pois meu corpo pesava e tentava ao máximo não aprofundar minha dor, tentando não deixar que tudo que ouvi na infância me abalasse e que a verdade não chocasse contra a mesma.
Não notei o momento em que a porta do quarto foi aberta ou quando três pares de braços me envolveram, senti um cansado dominar e deixa-lo me envolver por completo até cair no sono.
Mesmo acordando no dia seguinte e insistindo em pelo menos levantar, três pirralhos faziam graça, quase me impedindo de sair da cama e deixando um sorriso em meu rosto, pulando na cama ou contando algo divertido que tinham aprendido.
Quando pude levantar e ser seguida com pelo menos um dos três, os outros deixaram o quarto anuncism que estavam acordados com berros, acabei por sorrir um pouco e abrir uma porta do armário da qual parecia ter um espelho, mostrando como eu realmente estava.
Foi inevitável passar a mão pelo cabelo curto e não sentir uma lágrima cair, ou outras virem em conjunto. Realmente, parecia que aquilo não iria acabar tão fácil e o que aconteceu já tinha uma marca.
O pequeno restante logo se juntou aos seus irmãos e assim fiquei só no quarto, podendo me organizar e trocar de roupa para escola, mas não adiantou muito, pois ao chegar na cozinha, foi falado que eu poderia faltar.
— Nem pensar, você não vai passar da segunda aula — Merida argumentou enquanto falava de boca cheia.
— Não se preocupe, Rapunzel — Elinor entrou na cozinha, terminando de beberica seu café — Pode recuperar a matéria depois, mas seu estado não e o mais apropriado para prestar atenção na aula.
— Eu ainda tenho as minhas coisas... E trabalhos para terminar — Argumentei.
— Eu lhe ajudo ou o Soluço também pode dar um ajudinha — Merida, falou — Escola não é um momento para você se preocupar agora, vai por mim, temos quase os mesmos professores e não vai ser um problema.
— Se quiser, podemos buscar sua coisas depois que eu levar os meninos para escola — A mãe da Merida falou.
— Na verdade, eu queria pedir um favor... — Falei nervosa — Não gostaria de voltar para pegar minhas coisas, mas o que eu for pedir precisa de autorização de um adulto — Morda o lábio inferior.
— Que legal, quando eu voltar vou querer saber o que é — Falou, Merida — Até mais! — Falou, saindo da cozinha com sua mochila, beijando a mãe e dando um leve abraço em mim.
— Venha, os meninos devem estar no carro — Elinor falou e eu a acompanhei — Meninos, se comportem!
Só depois que deixamos os trigêmeos na escola, a mãe de Merida abordou o meu favor e meio nervosa eu falei, eu já tinha pensado nisso quando vi meu reflexo no espelho de manhã e não pensei que faria algo do tipo, mas quando uma pessoa tem o cabelo cortado, é porque algo de diferente aconteceu em sua vida.
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