The Day War Ended

20 Capítulo XX — I'm not afraid of him


Rapunzel

Acho que todos tem o instinto de proteger de quem gosta, porque afinal, todos tem alguém para proteger. Eu antes disso tudo acontecer tinha apenas a minha mãe, e logo depois chegou a Merida e o Jack, ambos sempre na encrenca e faziam de tudo para chamar a atenção, da mais simples a mais elaborada, e conseguiam e ria no final.

Elsa tinha me acompanhado até metade do caminho para minha casa, eu não queria passar nem pela porta, o clima que saia daquele lugar não era um dos melhores e meu relacionamento e dialogo com minha mãe não melhorava e nem progredia. Também, depois daquela discussão que eu tive com ela e logo depois... Melhor esquecer isso certo?

A irmã casula de Jack sempre fazia alguma pergunta e ficava agarrada aos braços da prima, os olhos dela brilhavam de tanta animação. Eu me lembro de quando Jack era parecido com Emma, à mesma cor dos cabelos e dos olhos.

A prima deles, Elsa, não falava nada. Parecia que ela só dizia algo apenas quando era necessário eu acho. Caladona desse jeito faz pensar que ela não gosta de andar muito com outras pessoas.

— Obrigada por vir comigo Elsa, Emma. – Sorri para as duas, envergonhada.

— Não precisa agradecer, é o mínimo que eu devia ter feito. Depois daquela cena que você viu comigo e o Jack... Espero que não tenha raiva de mim, faço isso com ele sabe? Não era como o de esquino, mas é diferente.

Dando de ombros e eu apenas fiquei mais envergonhada, eu já tinha me esquecido do ocorrido na casa dele, parecem meses, mas foram apenas algumas semanas atrás.

— Você tem manias estranhas... – Emma falou. – Você gosta de coisas que as pessoas olham torto.

— Obrigada Emma, ajudou muito... – Rolou os olhos, ironizando o que acabou de falar.

— Você e o Jack são parecidos em apenas uma coisa, a ironia! E você Rapunzel? É parecia em que com o Jack?

Essa era uma resposta complicada, no que éramos parecidos?

— Temos bom humor, eu acho... – Falei pensativa.

— Só se for o humor negro isso sim! – Elsa completou, rindo um pouco.

— Você também tem esse tipo de humor! Não fale assim dele Elsa! – Deu um empurrão na prima, fazendo-a se mover um pouco para o lado.

— Bem meninas... Eu acho que eu deveria seguir daqui sozinha. Mas obrigada, de verdade. – Comecei a andar, me distanciando de ambas.

— Já pedi para não agradecer! – Elsa bufou e eu ri com isso.

— Mas... Já? Então tá, até mais Rapunzel! – Emma acenou já distante.

Tive apenas que atravessar para perdê-las de vista, ao chegar e abrir a porta de casa e vi minha mãe parada no fim do corredor, conversando com um homem. Meu Deus... Era o professor de Ed. Física e de Arte do segundo ano. Aster Bunnymund...

— Rapunzel, você conhece esse homem? – O olhar penetrante dela congelou até a minha alma, conhecia aquele tom de voz dela. Estava muito zangada, e algo estava errado.

— Ele é o meu professor...

— Ah sim, claro. Ele veio falar com Pitch e já está de saída, poderia acompanha-lo? – Perguntou.

Concordei levemente e andei novamente até a porta, andando com ele até ficar em frente de casa.

— Esse cara é complicado... – Suspirou pesadamente e olhou para mim, parecia refletir se falava ou não a opinião sobre o dente de tubarão. – Mas você deve ter notado como ele é irritante e metido a manipulador não é?

Sorria irônico e com um tom brincalhão, não pude deixar de rir um pouco. Para um cara mais velho, até que ele tem ar juvenil, gosto disso até.

— Ele só faz isso para provocar mesmo, ele deve ter tido uma vida em amargurada para ser frio como é agora... – Franzia o rosto e virei para olhar o pouco movimento da rua.

— Provocar? Ele quer é meu punho quebrando metade dos dentes que tem.

— Desde quando você o conhece professor? – Virei para olha-lo novamente e ele tinha o semblante serio em seu rosto.

— Não me chame assim, apenas dentro da escola. Parece que eu estou trabalhando mesmo fora daquela miniatura de prisão. – Fechou os olhos e suspirou. – Você vai me perturbar até eu falar, não é?

— Ou é isso ou é uma versão mais chata do Jack. – Cruzei os braços, olhei em direção a janela de casa e vi que a cortina acabara de fechar. – Mas você poderia falar um pouco mais depressa? Minha mãe não deve estar gostando nada da nossa conversa prolongada...

— Desde o colegial, entramos na mesma faculdade também. Era um excluído ele, na verdade... Ele mesmo se deixava levar e ficava pelos cantos. – Acompanhou meu olhar para a janela e continuou. – Sua mãe o conhecia, mas acho que isso foi em antes de eu saber ou os ter visto pela escola...

— Foi de grande ajuda essa informação... – Murmurei. – Mas então, por que estava na minha casa?

— Pitchner tem como segundo endereço de emergência a sua casa, até entranhei esse fato, mas precisava saber qual era a dele...

— A dele...? – Arqueei a sobrancelha. O que ele quis dizer? – Deixa pra lá, a gente se vê...

— Até mais Rapunzel. – Andou até o pequeno carro e sumiu de vista da rua.

Entrei em casa pensando no que ele havia me dito, minha mãe já tinha me contado que ambos eram amigos e eu não sabia ao certo se isso se encaixava no que eu tinha acabado de saber. Se ele se isolava, como poderia mesmo ter minha mãe como amiga? Ele era no mínimo, um pouco mais novo do que ela.

Mesmo ele vindo bastante aqui em casa, eu sei pouco dele. Assusta só de pensar que um cara que não tinha ninguém ao seu lado na escola e dá calafrios mesmo sendo por aparência um adulto responsável vir aqui com um sorriso malicioso em seu rosto.

— Querida? Mamãe tem um pedido para você! Pode vir aqui na sala um instante?

Engoli em seco e andei até a sala, onde mamãe encontrava-se sentada no sofá, com uma taça de vinho em mãos. Parecia uma dama de outro século e com esse tom de vermelho em sua blusa apenas confirmava a aparência.

— Sim mamãe? – Sentei-me ao seu lado, olhando para a lareira.

— Eu estava pensando... Você é uma garota muito talentosa e seria muito bom algo que provasse isso, para que qualquer visita veja o quanto minha filha tem talento. Sei que seu quarto já é uma prova, mas não quero ninguém lá bisbilhotando.

— E você gostaria que eu pintasse algum lugar da sala? Mamãe, você detesta quando eu faço algo relacionado à tinta. – Enfatizei a palavra “detesta” porque realmente é verdade.

Quando eu faço algo com tinta, tenho que avisa-la muito antes para ela poder sair de casa e ficar o resto do dia para não sentir o cheiro de tinta.

— Mas eu adoro quando eu vejo como você fez tudo com tanto carinho e criatividade. É lindo! – Aproximou-se mais e colocou a taça na mesinha, segurando logo em seguida minhas mãos. – Pode demorar o quanto quiser e se não o fizer, mamãe não ficará brava.

— Irei fazer um desenho especial para você mamãe. Garanto que ira gostar! – Deixei meu sorriso espalhar-se pelo meu rosto e a abracei fortemente.

— Eu sei que vai Rapunzel, eu sei... – Retribuiu, dando uma leve risada e sorrindo.

— Agora eu tenho que fazer a minha lição de casa... – Afastei-me e sai da sala, acenando para ela antes de seguir pelo corredor.

Ao abrir a porta do meu quarto e ficar em frente ao meu computador, dei uma olhada em alguns desenhos que eu tinha salvado e tentava escolher entre eles para ficar na sala, mas optei por fazer algo diferente, mas eu precisava de inspiração e no momento era isso eu não tinha.

Eu precisava de algo pra me distrair, mas eu precisava esperar pelo menos um domingo ou o sábado para isso, mas ainda estamos na quarta feira... Vai demorar, mas como mamãe disse, posso demorar o quanto quiser.

Mas eu tinha que pensar bem em uma coisa, e se Pitch contou que suspeita de mim a minha mãe? E se for por ter essa suspeita ela querer apenas confirmar? Se eu pintar para ela... Não... Aquilo tinha a ver com a latinha de spray e não com aquarelas ou tinta guache. Ela sabe pelo menos o jeito que eu faço arte, mas não pode confirmar que fui eu sem os dentes de tubarão ao seu lado.

Mamãe pode ter ele ao seu lado e até confiar sua vida a ele e talvez ele retribua isso e sem medo algum de levantar suspeitas, eu posso ter mais desavenças com minha mãe do que conversar como teve hoje e ele pode desandar tudo o que ainda me resta com a minha nica família, mas eu não tenho medo dele.