The Day War Ended
18 Capítulo XVIII — The enemy of my enemy is my ally
Merida
O caos tinha reinado naquele corredor quando eu e Jack chegamos. Parecia uma festa de rua improvisada e com um toque de armação, mas eu nem pensei que algo iria dar errado.
Só de ter chegado ao lado de Rapunzel e do Soluço eu podia deixar minha felicidade transbordar e ficar no mínimo aliviada por não ter chegado atrasada à aula. E por motivo não aparente por parte do albino, ele fez algo que eu podia perguntar a ele também.
No momento felicidade eu abracei a Punzie e a Soluço, e quando me virei para fazer o mesmo com Jack eis que eu faço algo que eu nem acreditaria se visse a mim mesma. Eu beijo Jack. Não como um ato de paixão ou de favor para afastar alguém, apenas o beijo.
Quando me afastei, Soluço deu uma tossida forçada e Punzie sorria um pouco constrangida. Também, com o que acabou de acontecer, acho que eu devia ter pensado melhor.
Mas não durou muito a brincadeira e o plano terminado bem feito. Todos os que tinham feito uma baderna ficaram quietos e se afastavam do meio do corredor, deixando apenas três pessoas a vista.
O possível novo diretor Pitch, o professor de Arte Bunnymund e a diretora e tia da Astrid, Liran.
O máximo que deu para notar foi que a diretora saiu correndo dali depois que Pitch falou apenas algumas palavras. E o que assustou um pouco e me fez refletir foi o que o professor Mund falou. Que ambos já se conheciam, e se esse magrelo e pálido Pitch deixava o professor com um sotaque australiano e com raiva, então as coisas não estão nada boas.
— Que a diversão comece. – Deu um sorriso estranho e veio até nós, seus passos faziam pensar que tinha apenas ele ali com a gente, mas tinham mais alunos ali, fora de suas salas.
— Acho que está na hora da gente evaporar... – Jack falou sussurrando quase cantando em desespero.
— Cala essa maldita boca...! – Sussurrei de volta, dando alguns passos para trás e puxando os dois seres ao meu lado.
— Aonde pensam que vão? – Perguntou o novo diretor com tom de voz autoritário.
— Pra bem longe de você se possível... – Jack sussurrou, olhei para a cara dele o advertindo. Com a mandíbula travada e com o olhar para o outro lado do corredor.
— Eu mal consegui meu cargo direito, mas tenho certeza de quando o tiver oficialmente, vamos ter uma conversinha na direção. – Aquele olhar congelante e como se não bastasse, o tom de sua voz era de arrepiar, como Rapunzel e Astrid haviam falado.
Então ele se virou para os outros alunos, parecia que todos tiveram a mesma reação afinal.
— O que estão fazendo aqui? Vão para as suas salas, se perderem nota vão se dar muito mal e eu não vou ter dó de deixar alguém reprovar até a velhice! – E andou pelo corredor, senti um arrepio na espinha e uma pontada de dor de cabeça.
Estávamos ferrados e isso era apenas o começo.
Apenas três dias e a escola estava normal por aparências, mas tinha algo diferente. O clima estava mais pesado e até as cores que tinham pareciam que eram acompanhadas por um tom de cinza. Era tão estranho. Ninguém falou nada depois do que aconteceu, não reclamou ou falou mal dele, mas dava para notar que ele fazia alguma coisa, cada vez mais eu via alguém entrar naquela direção.
Pois é o cara está distribuindo suspenções para todos... Agora a situação é tensa.
— Merida? Você viaja mais na lua do que eu! – Olhei ao meu lado, Jack tinha um sorriso irônico.
Era a ultima aula do dia, as manhas estavam frias e com o passar do tempo chegava uma brisa gelada e poucos raios de sol se mostravam. A minha sala e a do albino tinha ficado junta de aula vaga, não tinha nenhum meio de passar o tempo na sala de informática e mexer no computador.
— Desculpe senhor desocupado! Eu só estava pensando, o que deu em você para fazer aquilo na sala do diretor? – Falei cruzando os braços.
— Só me deu vontade. – Deu de ombros. – Mas falando a verdade, aquilo é um aviso. Ele não pode bancar o tirano conosco por causa do que ele passou na droga da faculdade e no colegial.
— Mas foi exagero e... Ele o que? Faculdade? Mas como você...?
— Professor de Arte. Bunnymund. Não lembra quando ele pareceu jurar vingança? Então!
— Você é um louco e um gênio... – Olhei para ele impressionada, nem eu conseguiria raciocinar direito com aquele clima pesado.
— E você me adora, agora vamos ruiva. – Deu um beijo no meu rosto e me puxou pelo braço. Arrastando-me pelo pátio em direção a mesa onde estávamos costumados a ficar.
Nesse pouco período de tempo, eu e Jack tínhamos nos aproximado como era antigamente. Meu amigo rebelde agora com um toque de responsabilidade, isso tudo apenas para não desapontar a loira, Rapunzel. A garota que ele tenta animar desde quando tudo começou.
— Faltam apenas cinco minutos para o sinal tocar, por que você esta indo em direção inversa do portão de saída do inferno? – Impedi sua passagem pelo corredor e ele arqueou a sobrancelha.
— Serio que você vai me impedir? Tenho que ver uma coisa... E você vem comigo. – Pousou a mão em meu ombro e me empurrou um pouco para o lado, abaixando-a e segurando meu braço.
— O que é?
— Um aluno foi chamado para ir à direção na ultima aula, quero ouvir o que aquele cara pálido tem a falar. – Falou secamente.
Andamos até o final do corredor e seguimos até o outro prédio, tivemos que dar desculpas idiotas a professores eventuais e éramos seguidos com olhares desconfiados.
Só de avistar a sala, vimos a sombra do diretor aparecer, congelei só de pensar o que aconteceria se ele visse nós aqui perambulando pelo segundo prédio.
— Nervosa ruiva? – Sussurrou e vi seu olhar desafiador para a porta.
— Não me chame de ruiva, é Merida. – Tentei prestar mais atenção no que podia se ouvir da sala.
Apenas deu para ouvir pequenas frases como “deveria ser o exemplo da sala” ou “não irei tolerar esse tipo de comportamento vindo de você rapaz”
— O que você acha? – Sussurrei.
— Ele deve estar tentando impor regras bem idiotas. – Falou por fim.
A porta da sala abriu e nos escondemos em outro corredor, os passos do aluno vinham e nossa direção e por pura babaquice eu peguei o braço do ser. Ele deu um grito de susto e Jack ajudou trazendo-o para perto.
— Mas que merda é essa? Ficaram loucos? – Olhei surpresa para a pessoa. Uma garota.
— Alice! Mas o que você...? Como você...? – Jack falou confuso, olhando-a de cima a baixo.
Alice, a maluca da escola. A loira que deixa qualquer um confuso, mas não deixa de receber algum elogio por causa dos seus olhos azuis cristalinos.
— O que você tá fazendo aqui? – Arqueei a sobrancelha e ela cruzou os braços impaciente.
— O diretor tinha me chamado só porque eu fiz uma coisa que desagradou ele... Não posso fazer nada se ele não entende arte. – Deu de ombros.
— Quero ver esse desenho depois. – O albino deu uma risada, mas parou ao ouvir o barulho da porta se abrindo, acho que aquilo significava cair o fora dali.
Corremos do segundo prédio o mais rápido possível e Alice não parava de falar alguma coisa bem viajada, sempre Alice, sempre maluquices. Chegamos ao portão quando o sinal tocou, anunciando a todos que todo aquele inferno tinha acabado. O cansaço exigiu que parássemos ali mesmo no portão.
— Rapunzel tinha pedido uma das minhas latas de spray, só não sabia o porquê. – Alice parou ao nosso lado, mostrando que nem tinha uma gota de suor.
— Ela o quê? – Falei olhando para a loira.
— Ela deixou uma lata de spray com você, não é Frost? – Jack apenas concordou. – Ela pediu uma para mim, caso alguém suspeitasse que ela não a tivesse.
Olhei assustada para o albino e ele fez o mesmo. Ela tinha se prevenido, para que ele nem desconfiasse que fosse ela. Ela sabia que ele poderia ir pedir explicações à loira...
— Ela falou com você? – Jack falou com a voz rouca.
— Sim, ela não queria que você soubesse disso, porque senão, não teria feito aquilo na sala do diretor. – Ela falou serena e deu um sorriso confortante.
— Ela é idiota? – Se sentou no chão, olhando para mim pedindo uma resposta.
— Não, ela não é. Apenas confia em você, Frost. Confia mais do que qualquer coisa.
— Você tem que falar com a loira, Jack... Ela não anda distante de você? — Tossi forçadamente, chamando a a tenção dele.
— Mas como eu vou fazer isso? Depois daquele beijo que você me deu é meio impossível sabia? — Ele levantou e gaguejou.
— Então me desculpe donzela! Não sabia que isso ia atingir seus sentimentos... — Dei de ombros com a voz elevada como a dele.
— Pode crer que não só foi você que atingiu lá no fundo Rida. Eu preciso perguntar algumas coisas para a Rapunzel. — Começou a se afastar e Alice segui ao seu lado, deixando apenas eu ali.
— A que ponto chegamos...
Caminhei devagar até chegar em casa, não queria pensar em nada relacionado aquela bagunça geral na escola. Os brinquedos dos meus irmãos estavam espalhados pelo quintal e só de tentar abrir a porta estava difícil.
— Cheguei mãe...! — Joguei a mochila em qualquer canto do corredor e tirei o tênis.
— Merida? Que bom que chegou... Temos uma visita inesperada sabe...? — Ela saiu da cozinha e veio em minha direção, com o avental e um sorriso fraco.
— O que aconteceu? — Olhei assustada. — Mãe você não é de cozinhar... E que visita é essa?
— Madge está me ajudando... O rival do seu pai, Stoick. Ele está aqui...
— Mãe, eles são rivais e trabalham na mesma empresa... — Cruzei os braços esperando uma resposta.
— Eu sei... Mas dessa vez o clima não está bom... Você pode pelo menos ajudar um pouco, seu amigo Soluço também está com o pai... — Ela terminou de falar e voltou a cozinha.
Olhei atônica para a porta que ia para a sala, olhei pelo canto vendo o magrelo do Soluço e meu pai e o dele se encarando, como se fossem se matar.
O dia vai ser longo....
Fale com o autor