The Day War Ended

3 Capítulo III — Strong personality


Rapunzel

Merida andava estranha ultimamente e isso me dava um aperto no coração, ela sempre estava com o olhar distante sempre que eu passava pela sala dela quando ia ao banheiro, o professor reclamava com ela por não estar prestando a atenção na matéria. Aquela não era a Merida que eu conhecia, aquela garota feliz e risonha, não. De jeito nenhum era ela.

Quando tinha chegado na sexta feira todos começaram a arrumar seus materiais para irem embora, eu já tinha arrumado tudo e sai da sala escondida do professor, é eu sei que não é uma atitude minha, mas ela é minha amiga e vale a pena esse risco. O sinal tinha tocado quando eu estava no fim do corredor e vi todos saindo, conversando animadamente entre si, e cadê os cabelos indomáveis? Avistei Jack e corri até ele perguntando sobre Merida.

— Você não soube? Ela foi embora cedo hoje. — Ele me respondeu com duvida. — Ela não te avisou?

Respondei negativamente com a cabeça. Ela vai embora e nem me envia uma mensagem, caramba! Sai da escola deixando Jack para trás e ignorando ele me chamando ao longe. Bem a casa dela não era longe, bem apenas três quadras da escola e já estava um pouco tarde, logo iria escurecer.

Pequei meu celular e mandei uma mensagem para a minha mãe, avisando que ia para a casa de uma amiga e que só voltava bem de noite e por incrível que fosse, ela acabou concordando. Talvez ela soubesse quem era e fosse confirmar com a mãe de Merida de minha presença em sua casa.

Guardando o celular, tomei um leve susto com um carro do novo modelo fusca para ao meu lado, me deixando um apreensiva e me fazendo andar apressada para longe do carro, não precisava ser um gênio pra saber que aquilo não era nem um pouco legal.

Qual foi minha surpresa ao ver o homem que chamou meu nome aparecer na janela do carro e sorrir um tanto envergonhado com a minha presa para ficar longe do automóvel, era o professor de educação física, Eugene.

— Quer uma carona, Rapunzel? Não se assuste, ok? É que só é perigoso você andar por ai... — Ele falou tranquilo e com cautela achando que eu poderia dar gritos de horrores e sim, eu poderia.

— Claro, por que não, não é? — Dei de ombros e respirando fundo, andando até o carro e abrindo a porta assim que ele destravou.

— Pra onde? — Perguntou assim que coloquei o cinto de segurança e ajeitei a mochila no colo.

— Bem... Não tem a fábrica de madeira? — Contei e ele franziu o cenho levemente — Aquela que fica perto da divisa da cidade e um tanto longe, quase dois quarteirões da capela — Expliquei e ele suavizou sua expressão, parecendo entender — Então minha amiga mora ali perto. — Falei meio tímida.

— Nossa, um caminho bem longe... — Comentou com humor, ligando o carro e seguindo caminho.

— O quê? Falei algo de errado? — Estranhei, eu não disse nada de errado, ou disse?

— Não, é só que... Se você fosse até lá a essa hora ia ser mesmo perigoso e eu moro ali perto também. — Ele olhou para mim com um sorriso.

— Que bom. — Ri sem graça.

No meio do caminho fomos puxado assunto, foi até empolgante a companhia dele, cá um segredo que fiquemos entre nós, eu sempre tinha no ano passado, aqueles suspiros apaixonados pelo professor Eugene. Jack sempre parecia que ia ter um treco e sempre perguntava para mim o que eu via nele. É hoje em dia eu me faço a mesma pergunta. . .

Quando estávamos perto da casa dela, eu foi mostrando a rua da qual ele devia pega, quando chegamos ao meu destino, me despedi dele e entrei no terreno da casa, o quintal da família dela era enorme e tinha mais ao lado uma casa da árvore, andei até a porta e bati de leve, logo veio alguém abrir a porta.

— Olá, senhora DunBroch, a Merida está? — Que pergunta, claro que ele deve estar, me repreendi mentalmente enquanto minha face deveria estar tão neutra quanto deve estar.

— Claro, ela está no quarto dela, não está se sentido bem hoje. E sem querer ser chata, sua mãe sabe que veio até aqui? — Ela acenou com que eu entrasse e fechou a porta.

— Claro, avisei antes de vir e consegui uma carona para cá — Contei e ela concordou, uma expressão suave em sua face — Espero não ser um incomodo, logo minha mãe ira ligar perguntando se já estou aqui...

— Ah sim claro, não é incomodo nenhum, Rapunzel — Ela sorriu e retribui o sorriso — Pode ir, alias... Depois passarei no quarto 'pra levar algo para vocês duas comerem.

Concordei e ela logo saiu do hall da casa assim como eu que andei até as escadas e subi, andando até o final do corredor e batendo levemente na porta, entrando no quarto de Merida assim que ela permitiu minha entrada e gritando que poderia entrar.

Estranhei apenas a luz do abajur iluminar o quarto, franzi levemente o cenho e deixei minha mochila em um canto afastado, cruzando os braços e encarando Merida que parecia ter se deitado rapidamente para não ter de falar com alguém, cobrindo-se parcialmente assim que pareceu notar minha presença ou que era eu ali.

— Valente? Sou eu, Punzie... — Falei me aproximando da cama com uma risadinha.

Ela pareceu se mexer nervosamente na cama e logo se sentou, me olhando com um meio sorriso forçado.

— Me falaram que você não estava bem, vim ver como você estava. — Me sentei no meio da cama cruzando as pernas.

— Eu 'to quase bem... — Ela olhou de relance para o lado e franzi o cenho, duvidando de suas palavras e ela bufou. — 'Tá, não 'tô legal, satisfeita? — Sorri com malicia e ela resmungou algo que não pude ouvir. — Eu não queria ele me enchendo o saco toda hora... Nem mesmo Jack com o que ele viu.

— Ele? Ele quem garota indomável? — Falei fingindo estar desconfiada, ainda mais quando ela menciona o Jack.

Ela bufou e logo começou contar a historia do que tinha acontecido na escola. Agora estava explicado o porque daquela guerra de comida... O mais engraçado foi a Merida falando do Soluço, como se ele fosse a decepção em pessoal, fosse o próprio

— O filho do "inimigo" do meu pai... — Fez aspas com os dedos e rapidamente, levantei para poder acender a luz do quarto e volta para a cama, me jogando e ficando ao seu lado — Meu cabelo! — Resmungou e dei uma risada, levantando o tronco para ela puxar o cabelo ruivo.

— Me recordo de quando você me contou de quando eram amigos no jardim de infância e que viviam brigando e fazendo as pazes toda hora. — Dei uma risada e ela sorriu de relance.

— Éramos tão pequenos... — Sorria nostálgica — Já contei quando ele parecia ruivo como eu, mas que seu ruivo era mais escuro? — Indagou e sorri com ela

— É estranho imagina-lo ruivo quando do nosso quarteto você é o cabelo de fogo — Comentei com humor.

E isso foi o suficiente para que Merida contasse a infância com Soluço e eu, como boa ouvinte, imaginava tudo da qual ela narrava e detalhava, prestando até mesmo atenção quando ela sorria ou murchava o sorriso.

— Volta aqui, Soluço! — Merida andava de um lado pro outro correndo atrás de um menino magrelo dos cabelos castanhos escuros, beirando ao ruivo.

— Você vai me bater se eu parar! — Ele subia nas escadinhas do escorregador e logo descia, sorria e corria de Merida como se sua pele dependesse disso e dependia.

— Não vou te bater, vou te dar uns cascudos isso sim! — Merida respondeu a altura e tentou pega-lo na descida do escorrega, mas no tropeço conseguiu perde-lo e esse ficou ainda mais longe de si.

— Eu não disse? — Riu, arfando e parando, levantando a mão quando Merida já estava perto o suficiente par lhe dar um beliscão — Tempo... Tempo que eu cansei... — Ele arfava.

Logo Merida ficou ao lado dele, também cansada e respirando fundo. Mas ela não deu o devido descanso para ele, nem cinco segundos e ela se jogo em cima dele, quase o esmagando tanto por conta da surpresa quanto pelo peso dela.

— Me dá o meu boné! — Era esse o ponto, o tempo todo ele tinha tomado o boné da sorte dela e como Soluço sabia, a provocava o tomando quando tinha o tempo do recreio.

— Nunca! Ele tem um dragão e é só por isso que você o quer! — Até que ele inverteu a posição de ambos e quem esmagava alguém era ele, mesmo sendo magrelo, ele era mais pesado.

Muitos dos coleguinhas da sala deles chamaram a professora para parar com a briga. Os dois tiveram que passar o resto do tempo que era para se passar no parquinho da escola na sala de aula.

— A culpa é sua! — Ele tinha a cara vermelha de raiva sentado ao lado dela.

Até que ele parou para notar que ela estava chorando, com os braços cruzados e a cabeça deitada. Ele sentiu um aperto no coração e logo se levantou ficando ao lado dela.

— Não chore, Merida... Eu não gosto de te ver chorar. A voz dele saiu fraca.

— Por minha culpa estamos aqui Soluço, m-me desculpe...

— Não tudo bem, somos bobos mesmo. — Era engraçado, antes ela estava se moendo de raiva dele por ter pego algo que ela gostou muito, e agora ela chorava, e pedia desculpas. — Toma. — Ele tirou do bolso uma coisa dobrada de um jeito engraçado, um boné azul escuro com um dragão preto na frente.

Ela levantou a cabeça enxugando um lado do rosto molhado em lágrimas. Ele não deu nas mão dela o boné, ele colocou em sua cabeça e o ajeitou. Ela deu espaço para ele poder se sentar na mesma cadeira que ela.

Silencio, isso era uma coisa chata para duas crianças, mas para esses dois era uma coisa da qual eles nem davam importância. Ele olhava para o rosto dela limpou delicadamente o seu rosto.

— Sabe, Soluço, você é meu melhor amigo.

— Você é a minha também, Merida.

— Sabe, eu te amo, mas não como os adultos... Mais do que amigos — Ele olhou surpreso para ela, a amiga dele falar aquilo? Mas fazia sentido, ele sentia a mesma coisa — De melhores amigos

— Tsundere... — Ele falou se lembrando que um tio dele era de outro país da qual ele não se recordava.

— Como? — Ela riu — É mais uma daquelas palavras estrangeiras esquisitas? — Perguntou e Soluço concordou, rindo.

— Tsundere é uma pessoa que é bem agressiva e depois do nada, fica amigável — Contou e Merida concordou, ms o cenho franzido.

— Vou aceitar isso como um elogio... Nerd. — Ela riu um pouco mais.

— Eu não sou nerd, apenas sei das coisas, valente. — Ele não pode deixar de rir um pouco também.

Só terminando de contar aquele momento que ela tinha uma clara careta no rosto.

— Provavelmente ele nem deve se lembrar disso... — Merida olhou para a coberta tristemente.

— Claro que ele se lembra, vocês dois são amigos de longa data, ele tem o direito de se lembrar! — Falei autoritária.

Me levantei da cama dela e acendi a luz do quarto, ela tampou os olhos rapidamente como se isso tivesse os queimado. Olhei para o quarto dela agora iluminado, parecia que a bagunça do Jack tinha se mudado para cá!

— Ah não! Me poupe de suas broncas!

— Nem à pau! Você devia deixar... Tudo em ordem... — Falei pausadamente olhando para o relógio dela, marcava nove horas!

— O que aconteceu?! — Ela olhou para o relógio também. — Ah... Ah hora, sabe eu não acredito nisso que eu vou falar, mas... Quer passar a noite aqui?

— O que eu ganho em troca? — Cruzei os braços, a encarando.

— Meu quarto brilhando...? — Ela bufou se levantando e vindo até mim, estendendo a mão.

Estendi a minha apertando-a e fazendo um acordo. Logo ela saiu do quarto e foi falar com a mãe dela e eu liguei para a minha mãe. Demorei uma meia hora a convencendo para eu poder dormir na casa da Merida, não tô de brincadeira, esse foi o tempo que eu demorei para convencê-la.

Merida tinha subido uns minutos depois, falando que a mãe dela tinha deixado ela passar a noite ali. No final, eu acabei ajudando-a a arrumar o quarto e logo arrumamos um colchão extra para eu dormir, ela me deu algumas roupas e eu me troquei.

— Mas então, você não acredita. Jack tinha me defendido. Bem não me defendido, mas me protegendo do Soluço. — Ela estava jogada na cama de barriga para cima.

— Mas pra quê? Soluço nunca ia... Ah entendi... Mas Merida, ex-namorada? Aqui?

— É eu também achei estranho... Por que ela esta aqui com ele se os dois não estão... Você sabe. — Ela olhou vidrada em mm esperando uma resposta.

— Hum... Se ajoelhando aos pés dele quem sabe. — Dei de ombros me sentando no colchão.

— As mina piram nele é isso que você quer dizer? — Engasguei a saliva, "As mina"?

— Não foi isso que eu quis dizer! Francamente Merida! — Ela começou a rir por eu ter me irritado, alias não tem nem graça.

— Merida venha pegar os biscoitos para você e sua amiga! — A mãe dela gritou lá de baixo e ela se levantou, me levantei junto e fui com ela.

E a noite foi assim, ela me irritando rindo de mim, mas eu não podia deixar de rir também, ela é minha melhor amiga.

Notas finais
Edit.: o título desse capítulo era "yandere e tsundere", mas como eu tô mudando tudo agora, incluído títulos, tô tirando as partes bregas que são frutos das minhas fumações de banana. Ah! E sem o flashback também!