The Day War Ended

34 Capítulo XXXIV — The impossible


Soluço

Um dos motivos para que eu fique imerso no universo dos videogames e livros de ficção cientifica é que os mesmos pode me levar a lugares da qual eu nunca imaginei e pode afastar, mesmo que temporariamente, os problemas diários ou pensamentos incômodos que eu podia ter. Eles são uma porta para o desconhecido e não é preciso usar drogas ou fugir de casa para ter a sensação do novo, eles já deixam tal sensação disposta.

Mas em algum momento tudo pode deixar de ser confortável e o que é oferecido ruir aos poucos, e nesse momento é quando tenho não apenas os meus problemas que vão ser um agravante, mas como o dos outros, não que o problema de Rapunzel fosse algo não tão importante ou menos sério, mas pensar que algo de ruim pode acontecer a alguém próximo, mostra o quão pequeno o mundo é, pode não parecer, mas é.

Pensei bem no que Merida tinha me pedido, tentei criar coragem ou paciência para indagar ao meu pai coisas em relação a minha mãe ou até mesmo a rivalidade dele com o pai da DunBroch, tenho a impressão de que ambos assuntos tem uma ligação estranha, seria um contexto fora de um livro e previsível, não teria um plot twist, o que era decepcionante.

De noite, arrumei meus jogos e consoles num canto e levei alguns para o meu quarto, preparando o cenário e escondendo os jogos antes que meu pai me fizesse ficar sem apenas por perguntar coisas do passado. Acabou que Stoick chegou apenas bem de tarde em casa e no tempo em que ele demorou eu já quase tinha ligado para pedir uma pizza.

— Pai, precisamos conversa — Falei, adentrando a sala, empurrando Banguela para o lado para que meu pai não se sentisse estressado com a presença do felino, pois mesmo aceitando o gato, ambos nem conviviam direito em casa.

— E pensar que eu não viveria para ouvir tal frase — Stoick resmungou, deixando a porta de casa aberta e por quase Banguela escapou — Valk, pode entrar.

O nome causou estranheza, mas só de ver uma mulher entrar em casa que arregalei o olhar de surpresa, a figura feminina era bastante familiar, como se já a tivesse visto em algum lugar, mas não sabia de onde.

De longos cabelos trançados e acastanhados, os olhos dela se assemelhavam aos meus, verdes claros e com uma face cansada. Franzia o cenho quando a mesma ficou paralisada ao me ver e cruzei os braços encarando meu pai quando a tal Valk cobria a boca e continha lágrimas.

— Eu posso estar sendo insensível, mas o que está acontecendo aqui ou vai acontecer? — Indaguei, tomando Banguela em meus braços e estranhando que o gato também não se afastou, parecia hipnotizado com o clima ali.

— Filho, acho que precisamos conversar.

— Interessante a forma em que as coisas realmente ficaram sérias... — Murmurei — Tão sérias para você ter que repetir o que eu falei.

— Até nisso vocês são iguais... — A mulher Valk se pronunciou pela primeira vez, não contendo lágrimas nos olhos — Eu perdi tanto da vida de vocês...

— Melhor eu levar o Banguela para o quarto enquanto vocês dois conversam a sós — Falei, nem virando-me direito para ouvir uma tosse de protesto de Stoick — O que é?

— Soluço, é sério... — Suspirei — O que você queria falar comigo? — Incentivou, andando até a sala e levando Valk com ele.

Sem escolha entrei no cômodo e deixei Banguela no chão, o tendo escalando meu corpo e se acomodando em meu ombro, ouvindo uma risada fraca de Valk e indagando quantas reações a mesma teria com aquele olhar.

— Eu queria falar sobre minha mãe, saber o que aconteceu com ela quando eu ainda nem tinha capacidade de guardar memórias da mesma — Falei e notei que ambos adultos tinham ficado tensos — Não deveria falar desse assunto com Valk por perto, não é? — Perguntei, temeroso.

— Pelo contrário, acho uma chance ótima de entender sua mãe, pois é justamente dela que vamos falar, com ou sem a presença de Valk — Estranhei o nervosismo de meu pai, mas ignorei e acenei para que o mesmo continuasse — Alguma vez eu já lhe contei o que aconteceu com sua mãe?

— Apenas contou que ela partiu mundo a fora, sem mais e sem menos — Contei indiferente, vendo a feição de dor e amargura na face de Valk — Está tudo bem, senhora Valk? — Perguntei e a mesma acenou em concordância.

— Não sei como contar isso a você, mas... A Valk... Ela é sua mãe, Soluço... — Piscava o olhar, incrédulo e processando como um computador antigo as informações que tinha acabado de ouvir.

Justo quando eu precisa falar da minha mãe só porque Astrid contou e Merida insistiu, não sabia se aquele era o pior plot twist que tinha acontecido até hoje, mas espera.... O pior plot twist foi quando eu descobrir que por graças à glória do martelo de Thor que Merida e Jack não eram namorados.

— 'Tá... Não era isso que eu esperava — Balancei a cabeça em negação — Minha mãe largou eu e meu pai quando eu tinha nascido... — Falei fracamente, nem reconhecendo minha voz.

— Era isso que eu temia... — Valk falou e olhei com a visão embasada para a mesma — Eu sinto muito....

— Como se suas desculpas servissem de alguma coisa! — Levantei e senti o as garras de Banguela se prenderem mais na minha blusa, saindo da sala e ouvindo Stoick e Valk me chamando, mas ignorando ambos.

Batendo a porta com força, colocava Banguela no chão e deixando com que o mesmo miasse e viesse atrás de mim até a cama, fitando a parede e tendo mil e um indagações do porque aquela mulher ter aparecido depois de anos, isso é se a mesma já não conversava com o meu pai sem eu ao menos saber. Não adiantaria de muita coisa pensar em algo assim, mas me negava a ocupar a cabeça com outra coisa, talvez nas palavras de Astrid me avisando que poderia saber de algo ou de Merida me alertando para procurar saber algo por ela, mas ambas nem se focavam em meus pensamentos por causa da batida constante vinda da porta.

Antes que pudesse responder algo a mesma foi aberta e novamente a tal Valk apareceu, mostrando um olhar inchado e o um rosto abatido por algo e por instantes senti um peso no coração por ter gritado aquilo, mas não iria retirar o que tinha dito, não depois do estrago que já tinha feito.

— O seu quarto me lembra muito o meu quando tinha a sua idade — Sua voz era fraca, rouca e tropeçava em suas próprias palavras ao se direcionar para mim — Pôster de bandas na parede, um nintendo 64 no meio do quarto e rodado de fitas que precisavam ser assopradas — Mesmo no escuro ela reconheceu meus consoles no chão, os fitando e logo depois a mim — É incrível como seu pai ainda tem coragem de passar esse costume que era meu para você.

— Ele esteve aqui para deixar esse costume — Fiz entre aspas com a última palavra, suspirando e acendendo a luz e iluminando o quarto, iluminando nós dois, vendo o rosto dela ser dominado pela tristeza — Onde esteve? Por que... — Tentava formular uma pergunta ou algo que não me fizesse levantar frustrado com toda a minha situação.

— Sabe... — Começou a mesma, levantando seu olhar e se aproximando de mim, sentando-se ao meu lado numa distancia considerável — É uma história complicada e longa, mais longa do que o meu zeramento que tive com Ocarina of Time — Falou e a encarei quase descrendo com suas palavras, não sobre a história ser longa, mas por causa de um simples jogo de nintendo.

— Você só pode estar de brincadeira com a minha pessoa... — Não sabia como estava minha cara quando falei tais palavras, mas a mesma deu uma pequena risada e um susto em seguida ao ter Banguela ao seu lado, da qual a analisava com atenção — Esse é o meu gato — Valk acariciava o mesmo e novamente a indagação do porque estava relaxando a presença dela mesmo depois de anos surgiu na minha cabeça.

— Não, os jogos da minha época era difíceis, diferente desses da qual vocês mais novos são acostumados.

— O que eu não estou acostumado é a sua presença depois de anos, o que faz aqui? Não me responda colocando a história de algum jogo no meio — Adiantei logo para que a mesma não enrolasse antes de meu pai aparecer, podendo ocasionar com que a conversa não se seguisse com as devidas explicações.

— Se eu lhe contar, poderá me perdoar por não ter estado contigo? — Indagou, temerosa e franzia o cenho com tal pergunta.

— Eu fiquei sem a presença de uma figura materna desde que me lembre, é difícil perdoar alguém que não era presente na minha vida nem por histórias — Argumentei, vendo o olhar cabisbaixo da mesma — Mas eu não preciso perdoa-la por nada, pois no final das contas, você ainda será minha mãe, mesmo que eu não a conheça por inteiro como deveria — A cada palavra que era dita, lágrimas caiam sobre seu rosto e mesmo não tendo tempo de processar, a distancia entre nós se foi e me notei cercado por um abraço — Falei algo de errado? — Indaguei temeroso.

— Você me chamou de mãe... — Falou e tive de rir um pouco com isso, a sentindo me apertar um pouco mais entre seus braços e não tive outra opção a não ser abraça-la, mesmo que a sensação fosse ruim e que uma parte de mim se teimava em faze-la — Vou explicar tudo... Só quero que realmente me de uma chance, uma chance de... De começar tudo do zero — Pedia e se afastava, segurando meus ombros.

— Pode começar agora — Falei e a mesma pareceu confusa — É melhor fazer algo agora do que deixar para depois — Expliquei e a mesma concordou receosa.

— Pode parecer bobo... Mas é que quando tive você... A minha situação e a de Stoick era difícil, não tínhamos muita coisa, mas nós nunca nos arrependemos de tê-lo — Pausou e acenei para que ela prosseguisse — Conhece a Gothel? — Perguntou e concordei com a cabeça — Ela era um encanto quando nos conhecemos na faculdade, sempre animada e manipuladora a seu modo, mas eu notava um detalhe que ela não conseguia disfarçar com muita esperteza.

Ouvir a história de Gothel era um fato estranho, até hoje sentia que algo aconteceria com Rapunzel e mesmo assim, minha mãe aparecera e contava sobre ela, deixando que minha preocupação sobre Punzie crescesse.

— Ela era muito invejosa — Franzia o cenho — Parecia disfarçar isso com o jeito competitivo que tinha, chegando a parecer outra pessoa, mas eu ignorava isso na época e me arrependo de tê-lo feito.

— Eu sabia que ela era alguém ruim ou amarga com a vida, só não imaginava que ela era assim — Comentei.

— Temo que ela ainda seja assim — Falou — Meu erro foi ter ficado no lugar errado na hora errada.

— Como assim? — Indaguei.

— Acabei ouvindo o limite da loucura e inveja de Gothel — Suspirou cansada — Ela era apaixonada por um cara que fazia curso na área de economia, um tal de Philip. Acabei ouvindo num dia como ela não era apaixonada por ele e sim obcecada e pelo que eu ouvi naquele dia poderia ter evitado muitas coisas hoje como eu não ter estado ao seu lado e ao de seu pai.

— Estou temendo ser o que estou pensando ser o que você vai falar — Falei meio surpreso, nunca cheguei a conclusão de que Gothel fosse uma mulher assim.

— Ela era melhor amiga de um cara Pitchnner e o mesmo namorava uma ruiva, uma tal de Liran. Naquele dia em que acabei ouvindo a conversa dele com Gothel, a mesma pareceu ameaça-lo a fazer algo e se caso ele não o fizesse, iria fazer algo que deixaria uma marca terrível na namorada.

— Ela acabou notando que você ouviu, não é?

— É, ela me notou só depois de declarar como tinha perdido o juízo.... — Balançou a cabeça — Ela queria que de alguma maneira, Pitchnner conseguisse a filha de Philip já que o mesmo recusou as investidas de Gothel.

— Então o cara era casado e ela tentou algo do mesmo jeito? — Franzia o cenho.

— É difícil de acreditar, não é? Não é só porque algo não aconteça com você que ela não existe — Comentou, olhando para mim — Quando ela me viu ouvindo tal coisa, era o dia do jogo de futebol americano e seu pai e Fergus jogavam naquela noite.

Tá, aquilo eu não esperava ouvir.

— Então é por isso que o pai e o pai da Rida se odeiam, por causa da Gothel... — Suspirei.

— É por causa de algo que ela jurou não fazer e o fez, ela sabia que eu não ficaria quieta e me ameaçou, mas ameaçou você e seu pai para falar a verdade... Iria contar para Stoick que eu tinha um caso com Fergus e que tomaria você de mim e que nunca o traria de volta e do jeito que ela tomaria a filha de Philip, não duvidei de sua palavras.... — Calou-se.

— E você preferiu fugir...

— Eu não tive escolha... — Sussurrou.

— Papai teria dado um jeito, ele nunca acreditaria no que Gothel falaria! — Falei, levantando na cama e andando de um lado para o outro.

— Não queria arriscar perder o que eu tinha, isso incluiria você... — Falou — Você era tão pequeno... Não queria perde-lo...

Engoli em seco, voltando a sentar e a puxando para um abraço, vendo Valk começar a chorar e me agarrar com força, parecendo não querer me ver longe dela novamente e por mais estranho que pudesse parecer, não queria que ela fosse embora. Ninguém como Gothel faria minha mãe ficar longe de mim.

Só depois de alguns minutos ela acabou se tranquilizando e depois do que ela me disse, pensei com medo na criança que Gothel poderia ter mandado Pitchnner ter pego e essa criança seria ninguém menos que Rapunzel.

— Soluço? Filho, o que foi? — Voltei a mim quando Valk me chamara.

— Acho que eu conheço muito bem a filha desse Philip... — Sussurrei — Ela é minha melhor amiga, a mais doce que não merecia ouvir ou saber disso.

— Ela deve ser muito especial... Ninguém merece esse tipo de noticia...

— Mas mãe, por que o pai e Fergus se odeiam tanto? — Indaguei, tentando focar em outra coisa, mesmo com vários pensamentos em minha cabeça.

— Eu não sei que tipo de mentira ela contou para ambos, mas foi diferente para cada um e ambos se detestam sem nunca terem conversado direito... Eu irei perguntar isso ainda hoje se Stoick decidir que eu permita ficar ainda aqui...

— Não pergunte esse tipo de coisa, pude ver a poucos minutos que ele parece gostar de você... — Sorri brevemente, levantando e a ajudando a levantar, saindo do quarto com a mesma — Pai, precisamos conversar.

Notas finais
Tá quase na reta final щ(゚Д゚щ)