The Day War Ended
30 Capítulo XXX — Like Van Gogh
Soluço
Uma das coisa da qual eu não gosto é ter que mentir, a segunda é quase a mesma coisa que seria esconder alguma coisa, algum assunto. E é exatamente isso que eu estou fazendo em relação a Punzie e talvez a Rida, e Astrid não ajudava nessa questão de deixar o assunto escondido.
Como por exemplo, quando ela iniciava a conversa, deixava entrelinhas algo da nossa conversa do fim de semana. Rida apenas olhava desconfiada e Rapunzel ficava mais confusa do que aparentava.
Só depois de uma pequena guerra para ver o que elas fariam, que era ou jogar algum game ou ver filme, e claro que Merida e Astrid "batalharam" para poder ter o direito de ligar o nintendo wii e mexerem na sala e na televisão como se fosse delas. Não irei reclamar porque eu amo minha vida e quero minha dignidade inteira.
O legal é que jogar contra garotas é interessante, passou até a ideia de deixar Rapunzel ganhar ou da Merida ter dois pontos a mais, só que não seria legal se elas notassem e ganhassem. A parte não tão legal disso tudo é que não só o controle poderia ter acertado a televisão como Astrid pisou no rabo do Banguela enquanto levantava do sofá na sua vez de jogar.
Resumindo todo o que aconteceu em uma só palavra: desastre.
Só quando meu pai chegou em casa e já estava ficando tarde foi que o desespero bateu. O olhar ameaçador e frio dele sobre Merida não era um dos mais agradáveis e eu não deixei que perguntasse algo do que estava acontecendo, simplesmente falei que elas deveriam ir, ou eu arcaria com broncas dos pais delas, a mãe da Rapunzel principalmente. Depois de acompanha-las até o lado de fora e ver elas sumirem pela esquina, voltei para dentro arrumar a pequena bagunça e deixar Banguela de lado, miando e parecendo procurar alguma das garotas.
Quando terminei, meu pai estava na sala, zapeando os canais e me chamou quando eu tentava ir em silêncio para o meu quarto.
— Aquela por acaso era a Astrid? — Indagou meio que desconfiado e franzi o cenho — Se eu lembro, ela era sua namorada que morava na Noruega, não é? — Perguntou.
— Se eu responder que sim, o assunto pode morrer por aqui? — Indaguei receoso, na certeza ele vai falar sobre três garotas terem ficado comigo em casa.
— Os pais delas deixaram elas passarem a tarde aqui? — Perguntou descrente, esperando uma resposta.
— Não sei... Acho que elas perguntaram para eles antes de vir para cá — Dei de ombros e peguei Banguela no colo, indo em direção a escada e ir ao meu quarto, mas parei no caminho e voltei a me virar para meu pai — Se eu fizer uma pergunta, não finja que ela é banal. Por que você parece ter uma rivalidade com o pai da Merida? Digo... A família dela é normal
— Por que a pergunta? — Indagava, cruzando os braços e fazendo uma feição séria.
— Só quero entender... Ela é minha amiga, pai. Minha melhor amiga — Enfatizei a última palavra e segurei firmemente Banguela, tentando buscar confiança — E quando eu era pequeno, você torcia o rosto quando nós dois brincávamos juntos, mas como somos meio crescidos agora, eu só quero um explicação.
— É um assunto delicado, filho. Você não entenderia — Suspirou cansado, sentando na poltrona da sala e massageando a têmpora.
— Então me faça entender — Supliquei — Tem algo relacionado com a mamãe?
Eu sabia que esse era um assunto delicado, até demais. Mas se isso envolvia a rivalidade entre meu pai e o da Merida e se tivesse como o meio disso minha mãe, eu precisava saber. Eu ainda era muito novo quando ela se foi, nem tendo memórias dela ou até mesmo uma fotografia guardada num álbum.
— Sua mãe é de longe o motivo dessa bagunça toda... — Resmungou nervoso — Vá para o seu quarto... E não toque mais nesse assunto... Por favor, Soluço.
Dei uma última olhada para ele e suspirei, dando-me por vencido e derrotado no assunto. Subindo as escadas e entrando no meu quarto, deixei Banguela sobre a cama e abri a gaveta do criado-mudo, tirando de lá uma caixa com algumas cartas dentro.
Talvez isso seja o que eu tenho de mais próximo da minha mãe que são os desenhos dela e sua escrita de "médica", de tão estranha e quase ilegível que é.
Terminei o dia estudando um pouco e jogando online algum mmorpg para distrair o pensamento sobre meus pais. Eu só queria saber o que tinha acontecido no passado.
O passar de duas semanas foi até que normal, não toquei no assunto em relação a minha mãe ou a rivalidade entre meu pai e o da Rida, Rapunzel e Jack tinham se aproximado, mesmo sendo estranho Jack bancando o protetor e acompanhando Punzie até em casa e reclamando no dia seguinte os puxões de orelha da mãe.
Heather parecia sempre aprontar alguma coisa, conversava com Astrid ou brigava, mas também ficava próxima de Jack, o que é bem estranho...
Essa era a semana de provas, ou seja, não estou totalmente ferrado ou em problemas. Acordar era bem fácil, o difícil é levantar. Não, não é porque estou com preguiça, é que tem um gato na minha cara...!
— Banguela... — Rosnei e empurrei para um lado bem longe — Folgado... — Resmunguei e levantei da cama.
Deixei toda a bagunça de lado e decidir lavar a cara, ter uma bola de pelo em mim não é lá agradável mesmo. Desci para cozinha não tão acordado e preparei um café, porque viver de cafeína é essencial, pelo menos para mim.
A companhia tocou e andei pela casa até a porta, só de passar pela sala deu para notar que meu pai já tinha saído para o trabalho. Abri a porta sem nem perguntar quem era e eis que eu volto a fecha-la, por causa do meu atual visual.
— Ei! Soluço! Isso é jeito de tratar uma amiga? — A voz da revoltada de Punzie se fez presente e eu olhei assustado para os lados.
— Se você entrar, vai ter que cobrir o rosto, 'tá tudo uma bagunça! — Choraminguei, deixando a porta aberta e correndo da cozinha para a lavanderia e pegando alguma calça. É nojento? Claro que é, mas eu preciso de algo "formal" além de um blusão e uma samba-canção.
— Eu acabei vendo você, bobo. Eu sei que você esta vestido — Respondeu um pouco mais alto e eu voltei e abri a porta para ela — Sua cara esta péssima, bem amassada para falar a verdade.
— Obrigado, sua sinceridade é comovente — Fiz uma careta e impedi Banguela de sair de casa, o pegando no colo — Aconteceu alguma coisa? Você veio me esperar para ir a escola?
— Sim, aconteceu e é quase isso — Sorriu sem graça — Não entendo, por que você não gosta do Banguela? — Falou enquanto acariciava o mesmo.
— Não é que eu não goste, é que só não conseguimos nos dar bem — Dei de ombros.
— O único que faz você perder a paciência é o Jack, mas pelo visto ele tem um concorrente digno. Mas voltando ao assunto de eu vir cedo para cá — Falou, entrando e fechei a porta, colocando Banguela no chão e a seguindo para a cozinha.— Eu trouxe um esboço da pintura que estou fazendo... E eu queria saber sua opinião... Era para ser uma surpresa, mas eu não conseguia entrar num consenso próprio.
Sentei e fiquei apoiado sobre a bancada, esperando que ela tirasse algo da mochila e peguei a pasta que ela estendeu, a abrindo e vendo que alguns papéis estavam bem coloridos, outros manchados com carvão.
Um deles reconheci como uma cópia de um dos desenhos de dragão da qual eu tinha deixado com Punzie, mas a cor aquarela no estilo Van Gogh deixava os meus rascunhos no chinelo, literalmente. Não havia um tipo de cor com as sua variantes e sim várias outras cores com seus destaques, mas sem ser um exagero de criança.
— Se você não fizer faculdade de artes plásticas, não sei o que mais vai fazer da vida... — Murmurei, admirado.
— Ficou ruim? — Perguntou receosa e levantei o olhar para ela, uma careta de quem não estava satisfeita com algo.
— Ruim? Ficou lindo, ficou tão... Tão Rapunzel, tão você, Punzie — Falei entusiasmado e ela sorriu timidamente — E você só veio aqui para mostrar o desenho... Você sempre desenhou bem, Punzie. Não sei o que sua mãe pretende com o pedido de pintar algo, mas ela deveria se orgulhar da filha criativa que tem.
— Pare com isso, não queira me ver roxa... — Riu sem graça e olhou para um outro canto, ri descrente com o que ela falou e segurei seu queixo, a fazendo com seus olhos verdes me fitar — Fico feliz que tenha gostado, isso significa que eu não sou tão ruim no que faço.
— Você é ótima, e vai deixar essa timidez assustadora de lado e me deixar com que eu me arrume para irmos a escola — Declarei, fazendo-a rir e corri para o quarto, mas parei no meio da escada — Cuide do Banguela, ou o mime como sempre faz com o cara pálida.
— Faça isso você, folgado — Gritou e eu ri.
O mesmo apelido que eu achei o Banguela naquela manhã.
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