The Day War Ended

25 Capítulo XXV — Serious and important matters


Soluço

Todo sábado eu tinha certo ritual para manter minha mente ocupada, além de lições de casa que concluía no mesmo dia, mas desta vez não gostaria de recordar de coisas que não seriam de utilidade, então aperfeiçoava mais os detalhes dos meus desenhos que juntavam pó. Não fazia aquilo como algo que tinha muito orgulho ou que levaria como estilo de vida, mas como um hobbie, um meio de distração.

Eu tinha uma pasta cheia com desenhos que fiz há tempos atrás, mas nenhum que merecesse destaque ou aplausos, na verdade, quem nunca gostaria de receber uma salva de palmas por ter feito algo com esforço e ainda por cima receber elogios do mesmo? Todo mundo eu acho.

O que eu estava falando mesmo? A sim, eu sempre ocupo minha mente em fins de semana, quando não estou conversando com a Rapunzel e ouvindo os resmungos da mesma ou quando não é ela sempre é o Jack, aquele albino trapaceiro e egocêntrico... Para falar a verdade, o que esta acontecendo? Eu estou em casa em plena tarde de sábado e o meu celular não teve nenhuma mensagem ou muito menos uma ligação desesperada de uma loira hiperativa. Estou desconfiado de que aconteceu alguma coisa, só não sei concluir se é boa ou ruim.

Dei de ombros, caso aconteça alguma coisa eu estarei atento aos sinais de desespero alheio.

Alguém batia na porta de casa e parecia com pressa de ser atendido, parecia mais é que queria derruba-la desta maneira...! Desci as escadas e me direcionei a porta, recebendo em casa ninguém menos do que Astrid, a ultima pessoa que eu esperaria ver agora.

— O que você fica fazendo em casa em pleno sábado? Espere, não responda... – Acenou para que eu ficasse quieto – Jogando não é?

— E quem disse que eu fico como um viciado sem vida em frente a uma tela de computador? – Cruzei os braços, franzindo a testa ao fazer a pergunta a ela – Aconteceu alguma coisa? Espera um minuto... Como conseguiu o endereço da minha casa? – Olhei incrédulo para mesma.

Será que ela tinha mudado desde que nos separamos e virou uma stalker? Não, isto não é do feito dela. Por que estou pensando numa coisa tão absurda como esta?

— Tenho meus contados e fontes – Empurrando-me para o lado, ela adentrou a casa.

Agindo como se conhecesse o local há mais tempo que seus olhos o percorriam, segui-a até a sala e sentava ao seu lado, sua expressão era entediada e a cada segundo que se passava eu não mencionava nada, pois parecia que ela queria dialogar algo comigo, mas não parecia preparada para o mesmo.

— O que você sente em relação à Merida?

Que tipo de pergunta era aquela? Fitava-a desconfiado com o que tinha perguntado, buscando algum traço de que ela estava tramando alguma, como fazia e quando éramos pequenos, só que não havia nada, ela estava seria e seu olhar parecia como o do Frost naquele momento, gélido.

— Acho que não entendi...

— Entendeu muito bem Soluço, agora se você não vai responder, então vamos fazer algo agradável – O meu conceito de agradável é muito diferente de todos que eu conheço Astrid – E não vamos fazer algo do que você gosta e sim do que você detesta.

Rolei os olhos com esta possível afirmação dela, parecia à ordem de uma ditadora.

— O que eu detesto nem você sabe – Dei um sorriso vitorioso, mas vi um sorriso crescer na face da mesma – O que você esta aprontando?

— Nada de importante, mas você não dá importância mesmo não é? – Sorriu irônica, dando uma risada.

Fiquei um pouco atônito com as poucas palavras que ela falou e refleti com elas. Nos poucos anos de convivência que passei com Astrid, poderia considerar que mesmo não passando tanto tempo comigo, sabia bem dos meus temores e de minhas fraquezas por poucas coisas. E isso já é um perigo, quando ela quer algo a seu favor, não mede chances e usa a carta em sua manga.

— Mas voltando, por que invadiu minha casa?

Pousei meu olhar sobre ela, mas parecia que a mesma não sabia responder, pois fecha e abria a boca repetidas vezes e nenhuma palavra saía.

— Preciso de alguém para passar o tempo e como você é o único disponível – Deu de ombros – Aproveitei e conseguiu com esforço para saber onde você morava.

— Foi a Merida não foi? Mal chegou e começou a falar nela – Rolei os olhos, sempre sendo a stalker.

— Na verdade, não foi ela, mas o que faz você pensar que foi? – Arqueou o cenho, com a voz desconfiada.

Droga...! Agora foi o gênio aqui que mencionou a ruiva, mas eu não presto mesmo viu!

— Quando a mesma ficava entediada, assim como você, vinha me perturbar e atrapalhar minhas jogatinas no computador – Falava fracamente, envergonhado.

Quem diria que eu iria confessar isso para alguém, principalmente para a ultima pessoa que eu pensaria seria a Astrid, mas ela é a pessoa mais confiável que eu já tive em uma amizade e não, o Jack não conta... Aquele ser me dedura até para a Rapunzel, confiar nele é pedir para aquela loira fazer um interrogatório.

— Que romântico, conte-me mais sobre as brigas do casal – Ironizou, rindo da minha careta em seguida.

— Você me comove com sua falta de sensibilidade.

— Eu sei, eu sou demais. Só que agora iremos sair, então vá e pegue o seu casaco que vamos almoçar fora — Ordenou, levantando e indo em direção à cozinha – Nem pense em fugir pela janela!

Claro Astrid, vou pular pela janela e quebrar o braço, alias quem pularia da droga do segundo andar? Eu não faria uma loucura dessas, senhorita sabe tudo! Espere, por que eu estou a obedecendo?

— Desculpe invadir sua privacidade, mas eu fiquei curiosa para saber se o seu quarto é a mesma coisa que o anterior – Assustou-me ao ver que ela já estava dentro do cômodo, e só avisou quando eu estava tirando a porcaria da blusa... – Por que está vermelho, hein Soluço? Você é magrelo, não tem nada ai que eu não tenha olhado.

Pisquei incrédulo com as suas palavras, como ela ousa falar aquilo? Apresei-me em colocar a blusa e pegar um casaco qualquer e segui para fora do quarto puxando Astrid pelo braço. Já era o suficiente ter a mesma bisbilhotando todas as minhas pastas e prateleiras.

— Para onde vamos? – Fechava a porta, andando pela calçada ao lado dela – Quero saber se você vai ter a ideia maluca de demorar muito, daqui a pouco escurece e você me levou até o fim do mundo! – Ironizei.

— Não se desespere Soluço – Arqueou a sobrancelha, parecia achar graça da reclamação – Vai ser divertido, acho até que vai gostar porque afinal, não desgruda o olho de um monitor.

Bufei impaciente, seguindo-a para onde quer que fosse o caminho que seguíamos.

Parecia até familiar, quando éramos crianças e eu tinha me mudado para a Noruega. O estranho na cidade nova e para o desapontamento de muitos garotos que seriam meus vizinhos, era tão franzino que nem servia para brincar. O que era bom para mim, ficar correndo para cá e pra lá pra que? A única coisa que ganho é um joelho machucado ou cair de cara no chão. Até então eu tinha conhecido a Astrid na escola, a menina mais durona de toda escola e que por incrível que pareça, tinha gostado de minha pessoa.

Não sabia se ficava com medo disso ou orgulhoso por pelo menos não ser tão inútil por aparência. Era naquelas horas que os incentivos da Merida batiam na cabeça e faziam-me seguir em frente. Aquela voz apressada e mandona... Como eu tive saudades dela, mesmo estando longe da mesma.

— Terra para Soluço! Alguém na escuta? – Astrid balança a mão na minha cara, chamando-me a atenção – Chegamos.

— Hein? Mas o que você...? Nossa... Sua ideia genial foi trazer a gente a um parque de diversões? Astrid, você sinceramente perdeu um parafuso quando viajou para cá! – Praticamente gritei na cara dela.

Que ideia ótima, vamos comprar algodão doce e nos agarrar na casa mal assombrada, mas hein? Não!

— Eu vou é para casa! – Ditei, marchando para o caminho de volta, mas fui impedido por um puxão no pulso – Isso doí sabia? – Arqueei o cenho.

— Eu sei, é para doer mesmo – Deu de ombros – Vamos, tenho os ingressos.

— Ei! Espera, eu não concordei em sair de casa para vir para cá! – Puxei meu pulso de volta.

— No momento em que você saiu de casa, concordou em palavras não ditas que viria comigo.

— Eu não falei nada... – Sussurrei para ela.

— Eu sei... – Sorriu cética – Por isso amo o seu impulso e jeito desengonçado – E dando tapinhas em meu ombro, enlaçou seu braço ao meu.

Se ela não tivesse com ingressos para entrar naquele lugar, nem teria dado uma moeda... Não concordei em vir para cá. Mas ela também não informou nada... Resumindo, garotas são complicadas e complexas.

Mesmo sendo em um fim de semana, não havia muitas pessoas ali. Geralmente tinha crianças, mas isto era apenas nas férias de verão. Só quero saber realmente o que essa ser loira quer e ter mencionado a palavra medo...

Arrastando-me para um dos cantos onde se tinham mais atrações, eu olhei temeroso quando aproximávamos mais de uma atração um tanto quanto tediosa para algumas pessoas, mas para mim, a coisa mais tensa que eu poderia passar...

Então era isso que ela quis dizer com em relação aos medos, por saber sobre eles... Mas com que diabos ela sabe disso? É claro, eu devo ter mencionado e pior, nem recordar quando.

— Por acaso estaria pensando em levar a gente para aquilo? – Engoli em seco, temendo saber a resposta.

— O que? Aquilo? – Pontou para a roda gigante – Claro, assim pensaremos com mais clareza com a conversa que tenho a tratar contigo – Sorriu, mas deixando um olhar maroto.

— Astrid, podíamos ir a uma lanchonete, não acha? Ou a uma livraria... Mas um parque de diversões? Sério? – Tentei soar irritado, juro, mas acabou não dando certo e eis que ela me segura.

— Você tá com medo? O nerd e geek do Soluço, filho de Stoick, o imenso e assustador, esta com medo? De uma roda gigante? – Pausava cada pergunta, claro que aquilo nem parecia uma pergunta e sim a afirmação – Acho que se um meteoro cair aqui e agora, ainda não vou acreditar no que eu ouvi, pois você sempre mostrava – pelo menos para mim que não tinha medo que lhe intimida-se.

— É Astrid, estou com medo, as chances de aquela cabine idiota cair ou dar algo como um filme de suspense é enorme! – Falei exasperado.

— Exageros a parte tá Solucinho – Deu tapinhas em meu ombro, voltando a me puxar – O que eu quero falar não é em relação a Merida e muito menos sobre as coisas da escola, mesmo eu querendo muito ajuda para lidar com minha tia... É sobre sua mãe.

A ultima frase pareceu ecoar como um estampido e arregalei os olhos no ato de puxar o pulso de Astrid com força, querendo ver se aquilo era uma brincadeira de má graça, mesmo ela não fazendo isso com um assunto tão sério.

— Não vou explicar agora, apenas venha Soluço.

Contra minha vontade e querendo saber mais sobre o tal assunto, dirigimos para entrar em alguma cabine da roda gigante, realmente, aquele lugar não era bom para uma conversa daquele tipo.

Dava para ver, mesmo de uma altura pequena, o céu adquirir um tom alaranjado. Logo iria escurecer e nem tínhamos trocado uma palavra.

— Olha... Não fique bravo comigo, mas eu vim como uma coruja, quase como uma xereta na historia toda – Astrid iniciou a conversa, quebrando o silencio.

— O que tem em relação em minha mãe...? Não enrole – Nunca pensei que veria cara dela ficar chateada como de agora.

— Sua mãe sumiu desde que você nasceu não é? – Perguntou cautelosa e eu apenas assenti, tinha contado isso a ela quando éramos pequenos, não pensei que ela fosse recordar.

— Ela na verdade não sumiu, meu pai falou que ela fugiu.

— Mas ele não sabe o motivo, não é mesmo? – Perguntou cautelosa.

— Não... – Arqueei a sobrancelha – Astrid, falei para não enrolar e...

— Minha tia falou que conhecia a sua mãe, muito antes dela ter fugido – Falou por fim – E pelo visto, o pai da Merida também a conhecia.

— Claro que eles se conheciam, o pai dela tem rixa com o meu pai — Dei de ombros, lembrar das brigas mais idiotas é constrangedor ao extremo.

— E se eu conte-se que antes não era assim? — Falou com seriedade, chamando minha atenção.

— Como assim?

— Espera, não vai me dizer que você não pensou nisso? Que eles podiam ser amigos? — Indagou com a testa franzida.

— Claro, vou pensar na possibilidade de ambos terem sido amigos, mas.. Ah não, seria uma pena se essa ideia fosse absurdamente estranha e impossível! — Ironizei, com um sorriso sarcástico.

— Acho que você é impossível... — Lamentou — Mas voltando, a toda poderosa diretora mencionou algumas coisas interessantes que seriam uteis não apenas para Rapunzel, mas como para você e a ruiva temperada.

— Virou cupido? — Perguntei.

— Não, se fosse cupido, você e a ruiva estariam em guerra agora, Jack e Rapunzel teriam fugido e eu seria madrinha de casamento da minha tia com o professor Bunnymund — Ironizou.

— Casamento? A diretora vai casar com aquele ranzinza? — Perguntei descrente.

— Os dois se amam, mas vai demorar já que a professora ao estilo fada parece ser a namorada dele, mas voltando ao assunto...

— Sério?

— Não idiota, de onde você achou que os dois iriam ter algo? — Arqueou a sobrancelha — Só achei que você fosse se interessar no assunto, por isso arrastei você até aqui.

— É tão peculiar que eu poderia ter me jogado até... — Ri sem graça.

— Quer que eu jogue você? — Ameaçou, levantando do lugar e balançando a cabine, dando-me calafrios.

— Não! — Respondi rapidamente, acenando para que a mesma se senta-se — você quer revirar o passado, mas o que você ganha com isso?

— Sossego, porque não aguento esse suspense todo na escola e muito menos os seus outros amigos com uma nuvem terrível na cabeça, como se fosse desenho animado.

— Tá bom, mas por que esse lugar? — Questionei um pouco tenso, tentei não ser o bicho assustado a conversa inteira e não notar que estamos a metros do chão — Podíamos ter ido a um lugar mais tranquilo sabe?

— Soluço, esse assunto tem relação com a mãe da Rapunzel e o amigo estranho dela que é o novo diretor. Não iria ficar a qualquer canto da cidade falando disso contigo, aquele cara dá arrepios... Parece que o mesmo tem olhos fora da escola...

— É, mas... Roda gigante? — Murmurei.

— Ainda acha que estamos metros do chão não é? — Concordei — Soluço, acabou o tempo, estamos no chão novamente...

— E por que você não disse antes? — Falei com tom de raiva na voz, levantando e vendo que realmente estávamos perto do tão amado chão.

— Vai ver é por eu ter gostado dessa sua cara assustada — E riu com a careta que eu fiz.

— Você é um amor de pessoa — E com pressa sai daquela cabine.

Senti minhas pernas falharem um instante, parecia que elas sim sabiam o que não estávamos em solo, mas o meu cérebro tinha que ter dado asa aquele assunto da Astrid e deixado pontas soltas.

Depois daquilo eu iria conversar com meu pai, não restava duvidas. Mas e se ele não gostasse do rumo do dialogo e fizesse as perguntas? Como eu queria não ser o único agora, a saber, o porquê dessa rixa idiota!

Com os poucos raios de sol, começava a escurecer e eu seguia caminho para longe do parque. Ofereci para acompanhar Astrid até onde a mesma morava, pois, não iria a deixar ir sozinha a essa hora da noite...

A conversa seguia sobre as várias teorias sobre o assunto, dos mais clichês até as mais impossíveis, fazendo-me rir com algumas e recebia um soco como resposta.

Quando estávamos pelo que se parecia uma quadra da casa — lê-se apartamento — ouso um miado de gato e logo um aparece a nossa frente, chiando preparado para se defender.

— Que gracinha! — Isso é o que ela fala quando esse animal pode arranhar a cara dela?

— Realmente, uma gracinha — Ironizei, mas levei um soco dela.

— Não fale assim, olha... — Com um pouco de dificuldade, o pegou no colo — Esta com a cauda ferida... Coitado.

— Desde quando você é tão adorável com animais? — A questionei, com medo da cara que ela fazia aquele gato totalmente preto.

Sério, gatos pretos dão azar. Será que ela ignora um sinal de azar?

— Desde agora e não olhe com essa cara para ele só por ser preto. Ele está ferido e... — O gato cortou a fala dela, mordendo sua mão — Sem uns dentes, ele e quase banguela... Deve estar com fome...

— Claro, adote-o e de leite a ele, já deixo você aqui e vou para casa — Falei dando em retirada, mas sendo puxado pelo pulso — O que é dessa vez?

— Eu não posso cuidar dele... O apartamento é muito pequeno... — Murmurou. A não, ela não vai dar essa ideia — Soluço, você pode tomar conta dele?

— Hein? Ficou maluca? Eu nem sei cuidar de mim e quem dira aqueles peixinhos de primário! — Aquilo era verdade, esse gato não iria durar dois dias lá em casa — E você só o conheceu agora.

— Eu pago as coisas para você cuidar dele... — Mordia o lábio inferior — Por favor Soluço...

— Tá bem... Eu cuido dele, mas ele não vai ficar no meu colo, parece que me detesta — Olhei feio para o bichano, o mesmo chiou concordando o que acabei de falar — Tá vendo?

— Não faz assim... Ele não vai ruim não é? Hein banguela? — Com um cafuné, o mesmo se silenciou e ronronou apreciando tal gesto — Eu tenho mesmo que ir, aqui... — Estendeu o gato, segurei o mesmo com dificuldade já que ele não queria parar quieto — Tenho mesmo que ir, tchau!

E é assim... Ela deixa um gato de rua machucado em meus braços. Esse passeio poderia ter sido melhor e o final do dia também.

Estranhamente, o "banguela" não pestanejou, apenas ficou fitando-me com aqueles olhos verdes.

— Que é? Tá com fome é? Nunca deve ter visto um garoto mais magro que eu... Mas até que você está do mesmo jeito, então reclamar para que né? Só espero que meu pai não se importe com você lá em casa — Seguia caminho por onde vim, recebendo um miado como resposta — Pronto, agora eu falo com animais...!