The Day War Ended

24 Capítulo XXIV — Enjoy without moderation


Rapunzel

O fim de semana tinha chegado devagar, mas pacífica. E o que deixava estranhar o clima em casa. O silencio reinava a cada canto que eu pisava e o frio fazia-me pensar se eu estava no pior inverno da década.

Mas isso era a menor das minhas preocupações. Não é que eu esteja mal em uma matéria, pelo contrario, estou bem em todas e no momento não tem nenhum problemas novo em relação a grande confusão entre meus amigos, se bem que mesmo eu mantendo distância deles, é como se eu não aguentasse ficar sem eles por perto. Não sei se foi por azar ou sorte, mas conhecê-los mudou um pouco o meu ponto de vista.

— E agora? – Olhava para a tela vazia e com o pincel em mãos – Eu poderia fazer o básico, mas eu não quero jogar mais uma tela fora... – Mordi o lábio inferior em sinal de frustração.

Em cima de uma cadeira próxima a tela, tinha uma carta com alguns desenhos do lado. Ontem eu os recebi do Soluço, e os olhava com afeição. Era a coisa mais fofa que eu tinha recebido, isso até ver que junto vinha uma carta entre os desenhos. Afinal, quem manda cartas nos dias de hoje são as pessoas do estilo romântico ou desconhecido fazendo alguma travessura. Perguntei para o Soluço de quem era a carta e ele respondeu que era do Jack, que ele ficou sabendo do meu bloqueio e quis dar uma ajuda ao estilo dele.

Só depois de ver o conteúdo da carta eu tinha um sorriso bobo no rosto, tinham duas folhas completas com a letra um pouco legível, havia algumas fotos de um garoto do cabelo escuro e olhos do mesmo tom, algumas delas acompanhadas com uma garotinha mais nova. Eram lindas e causavam certa estranheza, pois aquele não parecia nem um pouco o Jack.

Contava dos momentos da infância dele e de como ele era antes de conhecer a mim e o que mais causou um susto foi o relato que ele tinha caído no lago, quase morrendo de hipotermia. Mas como ele sobreviveu e se recuperou aos poucos, ele tinha adquirido a aparência da qual eu conhecia hoje, cabelos esbranquiçados dos olhos azuis.

Parecia até um conto vindo dele.

No final da carta tinha um recado, que era para eu comparecer em frente a minha casa, arrumada e pronta para sair. Isso é estranho vindo dele. Mas ignorei esse tipo de pensamento quando vi o dia e a hora que era para eu estar fazendo isso, o que me deu um susto, pois era para dali a meia hora!

Arregalei os olhos e deixei a bagunça do meu material de tinta de lado, coloquei-me a vasculhar minhas roupas como uma doida. Como ele pode me entregar à carta – se bem que nem foi ele que a entregou – e exigir que eu estivesse pronta a plenas três da tarde? Só sendo o folgado do Frost.

No básico, coloquei uma blusa de alça bege com um casaco roxo e uma calça jeans. Prendendo meu cabelo em um complicado rabo-de-cavalo e deixando neutra a maquiagem, sem exageros, pois eu vou dar uma saída apenas.

Mas o que ele queria? O que ele está aprontando? Nem nos falamos direito... Depois daquela confusão toda, é claro que eu fiquei sem jeito, mas... Não era para tanto.

Sai de casa e dei uma ultima olhada vendo se não tinha nada fora do lugar, logo, fechei a porta e fiquei em frente de casa esperando o garoto dos cabelos esbranquiçados chegar. Minhas mãos soavam de ansiedade e mesmo esperando em poucos minutos, o nervoso tomava conta.

— Se ele mesmo pede ou ordena que eu esteja arrumada, o mínimo que ele deveria fazer era estar em frente a minha casa com a cavalaria dele – Bufei impaciente, quase roendo a unha da mão direita.

Resolvi que era melhor ficar quieta ou pelo menos tentar, sentei-me na calçada e olhava para a rua, o movimento que não tinha por ali fazia com que ficasse atenta a qualquer pessoa chegando.

O barulho de rodas de skate tomou meus ouvidos e voltei minha atenção para o barulho. Com uma jaqueta azul e a calça jeans mais esfarrapada, aquele era a pessoa da mensagem. Jack Overland Frost.

— Como vai a minha flor? – Sorriu abertamente, parando a minha frente e formando uma sombra sobre mim.

— Está atrasado – Ditei e levantando, fiz a minha cara mais feia para ele que ele soube-se o quanto eu estava brava.

— Calma... Eu só demorei um pouco, uns cinco minutos pelo menos – Dava de ombros, típico dele e seu senso de tempo.

— Quinze minutos, Frost. Seu senso de tempo me comove... – Sorri cinicamente e rolei os olhos – Mas o que você queria? Vai me levar para algum lugar da cidade?

— Melhor que isso loira – Com a reação diferente, deixou aquele ar alegre e ficou mais quieto – Eu soube de uma coisa nova e pensei que se eu te levasse até lá para conhecer... Mas acho que você deve saber.

— Você poderia parar de enrolação e contar o que quer? – Perguntei com paciência até ver que ele não iria revelar – Tudo bem então, voltarei voltar para casa. Tenho que terminar meus desenhos e lições de casa.

— Espera! – Segurava meu braço, mesmo eu não tendo dado um passo sequer – Mais uma coisa. O Soluço te deu aquela carta?

Arqueei a sobrancelha e concordei momentaneamente com a cabeça. Desconfiava do que ele poderia estar planejando.

— Então, confie em mim, só peço que não brigue comigo durante o nosso passeio – Falava cautelosamente, como se eu fosse mordê-lo.

— Eu não sou um bicho Jack. Não vou brigar com você nem nada – Dava de ombros, voltei a virar para ele, vendo novamente seu sorriso em seu rosto.

— Obrigado pelo voto de confiança, sua carruagem senhorita – Num tom de voz exageradamente besta, olhei para a tal “carruagem” que por acaso era o seu skate.

— Eu não vou subir nisso, preciso andar todo dia a pé de casa para a escola – Arqueei a sobrancelha reprovando aquela ideia dele.

— Isso não é uma bomba caseira Punz, irei segura-la e assim você não cairá e nem torcera o tornozelo – Oferecia sua mão e com receio olhava desconfiada para ele.

Dando por fim, aceitei a mão dele e coloquei-me por cima do skate. Tremia por cima do mesmo e perguntava a todo o momento se foi uma boa escolha aceitar ficar ali. Parecia que minhas reações fazia Jack rir, mas eu não consegui ver o motivo de ficar rindo. Mas estamos falando de Jack Frost, então... Tudo para ele é motivo de poder ficar rindo.

{...}

Tínhamos seguido até o centro da cidade e de lá eu insisti para que ele me deixa-se sair do skate, que por azar não adiantou em nada e ele teimou em me deixar ali e ficar me guiando até a perto do shopping.

Estávamos parados em frente ao shopping e eu lembro apenas dele ter pedido, quase mandando em mensagem que era para eu estar arrumada para ele poder me mostrar ao, que pelas palavras dele eu iria gostar, e muito. Só não pensei que esse lugar fosse o shopping! Agora eu posso me arrepender de ficado com pena de não estarmos nos falando, pois eu tinha esquecido o quanto ele pode ser imprevisível e teimoso!

— Pela sua cara você não gostou muito não é? – Ele falou ao meu lado e eu apenas encarei o rosto dele com a feição séria.

— Podia ter me avisado que iríamos até aqui... – Suspirei impaciente.

— É, mas eu pensei que você fosse adivinhar o do porque temos vindo até aqui, então não queria arriscar – Deu de ombros e eu apenas o fitei, desconfiada – Vamos lá, Rapunzel. Alguma vez eu fiz alguma coisa para você que deu motivos para ter toda essa desconfiança?

— Quer em ordem alfabética ou cronológica? – Cruzei os braços.

— Por favor... Você é teimosa demais...

— Agradeça a Merida, Jack.

— Confie em mim dessa vez, não estou armando nenhuma brincadeira – Implorou e eu apenas suspirei cansada.

Entramos nos shopping e eu pude olhar as várias lojas abertas e a poucas pessoas andando por ali. O movimento era pouco por ser um pouco cedo.

— Venha, o que eu quero lhe mostrar está no outro andar! – Segui me puxando pelo braço, seguíamos para o próximo andar.

Corríamos entre as pessoas, era guiada quase que sem rumo pelo albino e tinha certeza que ele tinha feito com que nos perdêssemos de nosso destino.

— Tem certeza que sabe onde estamos indo? – Soltei minha mão da dele, fiz rapidamente a pergunta de quando ele tinha juntado sua mão a minha.

— Estamos quase Punz... – Olhava para os lados tentando achar a tão loja ou lugar que insistia manter em segredo.

Revirei os olhos impacientemente, se ele não achasse logo, seguiria caminho sem ele por aqueles corredores.

De repente, senti suas mãos gélidas sobre meus olhos. Ele finalmente tinha achado o lugar que queria me mostrar. Estava ate demorando, tínhamos dado voltas por aquele andar.

— Não vai ser uma dar melhores surpresas que eu já tentei fazer para você, mas eu espero que goste – Falou com sinceridade em sua voz e seguia guiando novamente para frente, um caminho desconhecido do que tínhamos seguido.

Com os olhos descobertos, pude voltar a ver. A visão apenas da prateleira vez a surpresa valer a penas e toda a correria para poder reclamar ser deixada de lado.

Não era uma loja como alguma que eu já vira, em suas prateleiras na vitrine tinha potinhos de diversas corres, suas embalagens com diversos idiomas.

— Inaugurou há uns dias atrás... Eu pensei que você soube-se, porque você usa a arte como um meio de se expressar – Olhei para ele e voltei o olhar para a vitrine novamente.

— Eu... Eu não trouxe dinheiro. Por que raios você me trouxe para cá e eu não trago um pouco de dinheiro? — Sorri para ele, mas fazia um bico.

— Bem, digamos que você pode me agradecer. E não, você não estará me devendo – Estendia sua carteira e devolvia seu sorriso – E não tem apenas tintas caso é o que você esteja pensando.

Não contive uma risada e o puxei para loja adentro. Não iria gastar o dinheiro dele, fiz apenas uma coisa momentânea, mas parecia que ele leva as coisas a sério quando não se deve. Tinham retratos com guache, os mais variáveis quites de pintura.

— Aproveite sem moderação, não é uma das melhores surpresas como eu disse, mas... – Não o deixei terminar de falar e o puxei para um abraço.

— É lindo, muito obrigado! – O apertava com o abraço, sorrindo como uma boba – Vem, quero ver aquela tinta ali, são de conchinhas. As mais difíceis de achar!

Eu simplesmente olhava para tudo admirada, fazia anotações mentais do como eu gastaria meu dinheiro no próximo mês, mas em partes coisas desta lista foram excluídas no momento em que Jack tinha uma cestinha com potes de tinta que eu ficava observando e comparando com outra ao lado.

Insisti até que ele volta-se a colocar tudo no lugar e que deixa-se os pinceis em seus devidos cantos da loja. Mas como sempre, foi em vão e a teimosia dele sai ganhando, de novo!

O moço do balcão sorria para nos, mas não fazia nenhum comentário sobre. Quando tínhamos terminado de pagar – lê-se Jack comprar coisas para mim como se devesse a vida para fazer tal coisa, andamos novamente pelo shopping e conversávamos normalmente, às vezes Jack recuava ao tentar fazer uma pergunta, pensando que eu o respondesse de forma agressiva. Na verdade isso já estava me cansando... O que eu fiz de errado para ele agir assim?

— Ok... Vamos para um pouco – Parei no meio do corredor a sua frente, fazendo-o franzi a testa – O que eu fiz para você estar assim Frost? De uma coisa eu sei é que você nunca é cauteloso...

— Eu pensei que você tivesse brava comigo... – Arqueou a sobrancelha.

— E você fez esse agrado todo – Estendi a sacola com os “agrados” – Só pra me comprar?

— Eu nunca compraria você, só estou tentando lhe ajudar com o seu quadro – Deixei minha boca aberta, como ele sabia que eu estava fazendo uma pintura?

— Quem contou isso para você? Merida? Soluço? — Falei cada nome e ele negou todos com a cabeça.

— Não importa, mas eu queria que você notasse que eu estou aqui para ajudar, que não é apenas a Merida ou o Soluço ali... – Deu de ombros e eu suspirei agora ele vai ficar depressivo.

— Jack? Olhe para mim – Ergueu o rosto, olhando-me com aqueles olhos azuis – Obrigado, e no final eu que devo desculpas a você, por te sido birrenta e ter deixado um pouco do lado sentimental falar mais alto. E alias, você já invadiu minha casa pedindo perdão e confessou que estava com ciúmes – Sorri marota.

— E você também estava com ciúmes, e tem que admitir isso loira – Falou convencido.

— Dá no mesmo, mas você não tinha completado algumas palavras enquanto conversamos no meu quarto naquele dia – Cruzei os braços em frente ao peito, queria morrer de vergonha ao lembrar daquilo, mas ao ver a reação do mesmo com essa lembrança é impagável.

— Que seja, vamos... – Desviou o seu olhar do meu e andou sem rumo, o que foi um erro, pois esbarrou em uma pessoa e quase caindo no chão.

— Sinto muito meu rapaz...

A mulher de cabelos escuros olhava preocupada para Jack, era até estranho, não o fato dela se desculpar sendo que a culpa era dele e sim pela razão dela ser familiar para mim. Eu pensei que iria perder um parafuso ao olhar para a mesma, mas assim que ela devolveu o olhar, senti algo estranho, uma alegria ao vê-los. Tinham a mesma cor que os meus olhos e um sorriso que lembrava o meu em fotografias.

— Não, eu é que devo desculpas... Não prestei atenção por onde andava – Jack falou, quebrando minha linha de pensamentos.

— Mesmo assim... Eu devia ter prestado mais atenção. Com licença – E se foi, deixando um leve desconforto em mim.

— Você viu aquilo? Ela era quase idêntica a você! – Segui seu olhar, olhava assustada para ele, pois eu pensei que apenas eu tinha notado o qual familiar àquela moça era.

— Eu sei... E isso não parece ser uma das maluquices que eu já disse, mas... Eu acho que já vi em algum lugar...

— Talvez por ela ser igual a você... – Indagou.

— Não... Era diferente e aquele olhar preocupado... Eu já a vi antes...