The Day War Ended
10 Capítulo X — Don't let me down
Merida
Ter que aturar o pesadelo do Jack não é fácil, dar conselhos a Rapunzel é um desafio e tentar manter a amizade com Soluço é como um passeio ao tártaro... É tão “simples”, uma maravilha, me sinto em um filme do Tim Burton.
A semana passou tão rápido que eu dou graças a Odin por ter terminado essa tortura chamada escola. Primeiras duas aulas a coisa mais tediosa, intervalo a mesma coisa, faltava andar para lá e cá de um prédio 'pra outro.
— Mas e ai? Como foi o jogo? — Soluço tinha se sentado ao meu lado na cantina, fiquei no lado mais isolado que pude, mas essa coisa metida da Noruega parece me adorar, principalmente com perguntas assim.
— Você me adora e me persegue a onde quer que eu vá, Soluço... Foi legal, toda vez que aparecia um runner e eu tinha que matar, ficava imaginando você no lugar deles quando os finalizava com dor e agonia — Ele me olhou incrédulo e engoliu em seco. — E sabe o que eu falava antes de mata-los? — Sussurrei tentando fazer suspense.
— N-Não, o quê? — Ele perguntou.
— “Shiu porquinho, quietinho porco.” — Ele pareceu assustado e eu ri da cara dele. — Não que você seja musculoso e tal para ser chamado de porco, mas é porque “eles” no jogo pareciam um. — Ele suspirou de alivio e eu ri mais ainda.
— Nunca mais, Merida, fale assim. Pensei até como você ficava jogando... — Ele riu nervoso e logo ele parou ficando serio. — Merida, tem uma pessoa que quer conversar contigo...
— Ah é? Quem? — Olhei para ele também tentando ficar seria, mas a cara dele assustado é impagável.
— Uma pessoa nova, ela se chama Astrid... — Ele falou e pareceu manter a cautela da minha reação.
— O que ela quer? — Falei tentando deixar a voz mais amigável possível, mas parece que não adiantou em nada.
— Conversar, Merida, conversar. — Ele tentou soar amigável, mas parecia nervoso.
Primeiro ela beija ele, segundo fica feliz em me conhecer e terceiro ela que falar comigo. O.k, o que ela quer? Nem venham falar, “Ah Merida, ela só quer conversar, nada demais.” Quando vocês passarem pelo que eu passei vão saber a sensação de raiva que acabei de ter, é terrível.
Dei um longo suspiro e levantei deixando Soluço de lado, mas nem adiantou já que ele começou a me seguir. Na escola tem a área aberta e debaixo de uma árvore estava “ela”. Astrid. Quando ela notou minha presença ela deu um sorriso “amigável” e veio em minha direção. Soluço tinha sussurrado algo em meu ouvido e sai deixando-me apenas com ela ali.
— Mas e ai? O que você tem pra falar comigo? — Falei sem expressão, cruzando os braços e o sorriso dela se desmanchou, constrangida.
— Olha... Eu vou direto ao ponto. — Ela respirou fundo. — Eu não sabia que você era namorada do Soluço e que gosta muito dele e...
— Espera! Parou ai mesmo da Noruega! Ele não é meu namorado! — Eu agitei as mãos meio que nervosa e vermelha. — Não somos namorados! — Meus olhos deveria estar tão arregalados de surpresa que só de ver a face confusa dela, um pensamento escrito "danger" soou na minha cabeça.
— Não? — Ela ficou confusa. — Mas eu pensei que... A deixa quieto, bem você gosta dele e eu queria saber se você pode me falar por que se desvia tanto de mim? Mal nos conhecemos e nos falamos... — Indagou nervosa, apertando as mãos — Olha, sinto mesmo pelo que você viu, eu e o Soluço namorávamos antes dele vir para cá e quando eu vi ele, não pude resistir... Só não quero que você sinta tipo, raiva ou rancor...
— Eu não tenho raiva de ti, Astrid– O.k mentirosa número um, Merida. Mentiroso em segundo lugar do ano Jack.
— Então, podemos ser amigas? — Ele estendeu a mão e eu a apertei.
— Amigas. Mas não banque a melosa no belo exemplo de amiga americana. Isso é ridículo. — Ela riu um pouco e eu fingi uma cara de brava, mas eu fiquei meio zangada com a risada dela.
— Eu também detesto esse tipo de garota Merida. Acho que vamos nós dar bem. — Concordei com ela, é assunto que não vai acabar.
Agora eu posso falar com toda a certeza, como eu já disse antes eu sou meio bipolar. Não é apenas Jack que pode cabular aula, Astrid cabulou a aula também para podermos nos conhecer mais, falar e colocar nossas opiniões à frente. Na quinta aula minha sala ficou de aula vaga e fomos para o pátio. Procurando um lugar para podermos conversar mais eu avistei Rapunzel sentada longe de todos e ela parecia... Chorar. Deuses, o que aconteceu? Cutuquei Astrid pelo braço e ela me seguiu.
— Punzie, o que aconteceu? — Me ajoelhei diante dela e ergui o seu rosto, os olhos dela estavam praticamente vermelhos e havia uma marca roxa em seu rosto. Só sei de uma coisa, a raiva preencheu meu ser antes mesmo de eu saber o que tinha rolado.
— N-Nada, não é nada. — A voz dela saiu tremula e vazia, cobrindo o rosto com o cabelo.
— Deixe-me ver isso, loira. — Astrid se sentou ao lado dela descobrindo o rosto e a marca. — Quem te bateu? Foi sua mãe não foi? — Punzie negou. — Vamos loira, ninguém da um tapa assim, 'tá na cara que foi sua mãe, é a marca de mão de uma mulher adulta — Contou, séria e fiquei em choque — Tem até uma marca de unha aqui e ela deve ter segurado seu rosto com força querendo sua atenção.
Olhei surpresa para Astrid e Rapunzel pareceu sentir a mesma coisa, como ela sabia explicar alguma coisa desse jeito?
— Não me olhe assim... — Seu rosto corou e negou com a cabeça — Eu já... Isso já aconteceu comigo também, sei bem quando ocorrem com alguém que eu conheço.
— Mas eu não conheço você... – Punzie secou as lágrimas e esfregou o rosto.
— Então muito prazer, sou Astrid e sua protetora de agora em diante. — As duas ia se levantar e eu as ajudei. Não era só eu que ia ter uma boa amizade.
Pois é, imagine como foi o resto do dia. Jack e Soluço quando viram Rapunzel quase tiveram um troço, Jack quis matar logo o desgraçado e até ficou vermelho de raiva e Soluço ficou com o olhar tão sombrio que me assustou, mas ele substituiu essa cara por surpresa. Ter me visto rindo um pouco com as meninas o deixou confuso assim como o Jack.
Na volta para casa perguntei se as meninas queriam passar a noite na minha casa, Rapunzel ficou meio relutante, mas acabou aceitando assim como a Norueguesa — Peguei a mania desse apelido — só pensei pela Punzie. Se ela se machucar mais, eu... Eu vou me sentir tão culpada. Por que a mãe dela faria isso?
Quando as duas chegaram eu tive de forçar um sorriso a minha mãe e Punzie colaborou fazendo uma cara de pidão e eu posso te falar, Astrid só não rolou no chão de tanto rir porque a coisa era séria.
— Isso tá virando moda, Merida — Minha mãe nos recebeu bem, o olhar franzido para mim e ficando mais desconfiada com o meu sorriso — Rapunzel minha querida, o que é isso em seu rosto? — Ah, não.
— Nada senhora, DunBroch, é que... — Ela esta gaguejando e tropeçando nas palavras, apenas acho que a desculpa não vai ser convincente e não consegui pensar em nenhuma desculpa 'pra isso.
— É que umas meninas mexeram com a loira e teve uma briga entre elas, eu e Merida ajudamos a Rapunzel. — Olhamos surpresas para Astrid que mantinha uma bela atuação tendo o rosto sério com a mentira — Protegemos aqueles que são amigos.
— Pois é, mandamos elas para correrem! — Dei um sorriso nervoso.
— Tudo bem, mas sua mãe sabe disso Rapunzel? — Minha mãe é advogada, se ela souber do que houve... Não consigo imaginar do que ela seria capaz, a tolerância dela em maior parte dos casos com a vitima de violência era zero, mas não sabíamos o que fazer, denunciar ou saber mais?
— Sim... Ela sabe e não gostou disso... — Ela abaixou a cabeça envergonhada, coitada da Punzie... Ela não é e mentir.
— Está bem... Pode subir e fazer a "festa", mais tarde vou subir levando uma pomada para essa coisa roxa em seu rosto, Rapunzel. — Apenas concordamos e subimos correndo as escadas. — E sem correr!
No quarto elas colocaram suas mochilas num canto e comecei a arrumar o quarto e elas me ajudaram, mesmo não estando tão bagunçado, tirar algumas almofadas do caminho e organizar para ficarmos na cama não fazia mal algum.
— Mas então, Punzie... O assunto que vamos falar aqui pode ser delicado, mas... — Comecei a falar só que ela me cortou.
— O que aconteceu, é isso? Bem... É que eu queria saber de algumas coisas e bem... Eu fiz umas perguntas a minha mãe e ela não tinha gostado. — Pelo tom de voz dela com certeza ela tá pulando parte, muitas. — Só que ontem eu fiz uma pergunta de um jeito diferente e ele começou a criar ideias e colocou certa pessoal no meio...
— E esse alguém é... ? — Astrid perguntou curiosa.
— Jack! Mas é claro! — Soquei a cama só de raiva. Isso fazia sentido, a mãe dela odeia nossos amigos, coloca-los numa conversa é total paranoia, ainda com essa mania de que qualquer um pode fazer mal a Punzie, como se fosse arranca-la dela, chegava a ser doentio.
— É ele mesmo... — Ela ficou cabisbaixa.
Sempre achei a mãe dela estranha, uma coisa rara ou eu nunca vi é outro parente da loira — Droga Astrid! — . A mania da mãe dela não gostar que ela tenha amigos como Jack ou Soluço é terrível! Ela vivia gritando com eles no final do ano passado, falando para eles se afastarem da filha dela, o.k pode ser engraçado a cena, mas agora nessa idade... É tenso demais.
— Mas... Por quê? Meu Odin, dar um tapa por causa de uma pergunta e colocar o Jack no meio! Ai já é sacanagem! — Queria ter usado outras palavras, mas por ética e respeito a Rapunzel, minha boca é um cofre.
— Ela faz isso pelo meu bem, Merida... — Ela tocou meu ombro e massageava meu rosto tentando não mostrar minha cara feia.
— Loira, pode ter certeza de uma coisa, se ela falou nesse Jack e ainda fez isso — Ela apontou para o rosto de Punzie — Ela tá escondendo alguma coisa colocando outra nada haver e ainda fazendo com que você tenha culpa, para que não faça perguntas. — Astrid fui tão tranquilizadora, será que foi isso que o Soluço viu nela? O jeito tranquilo que ela tem?
— Mas... E se você tiver errada? E se...
— Uma coisa eu admito com ela, Punzie, ela tá escondendo alguma coisa e faz ainda por cima com que você não se aproxime do Jack ou de qualquer outro garoto. Alias, mas alguém sabe sobre esse assunto?
— O Eugene, ele conversou comigo na troca de professores e eu falei um pouco do que aconteceu... — Ela ficou sem graça e seu rosto ficou corado. — Ele teve que adivinhar algumas coisas, mas ele jurou que não ia falar nada para ninguém e nem ia mencionar isso na reunião com a minha mãe, ele quer tentar algo sem me prejudicar tanto...
— 'Tá apaixonada! Que lindo, só cuidado para essa coisa de casal não me enjoar. — Astrid, primeira cara do tipo fofa que doí e depois segunda cara, fingir que tá vomitando.
— Eu não estou apaixonada...! — Ela ficou mais vermelha, gaguejando e se denunciando.
— É, sei, aqueles olhares apaixonados que vocês trocam... — Falei, sugestiva e ela abaixou o olhar, constrangida — Sei não, até que eu ficaria com ciumes, até o Jack teria ciúmes. — Eu ri mais ainda quando ela ficou verde de tanta vergonha.
— Ninguém ficaria com ciúmes! Pelo bom Deus, ele é um professor!
— Não loira, quando o Jack ver você lançando esses olhares para o Eugene ai você me fala se ele tem ciumes ou não. — Dei uma piscadela e ri mais ainda.
— Com licença, meninas. — Minha mãe deu leves batidas na porta e entrou no quarto.
Elinor DunBroch, minha mãe e mulher de negócios. A melhor advogada da região ou melhor, do estado. Mesmo ela sendo chata de vez em quando e me forçando a fazer coisas ridículas como "ballet" e mimimi's ao quadrado. Umas das duas únicas coisas que ela me deixa fazer numa boa é usar meu arco e flecha e cavalgar no clube perto de casa. Um desastre quando tenta conversar comigo sobre garotos, eu não gosto desse tipo de assunto, mas de uns tempos pra cá ele não seria uma má ideia.
— Então deixe-me ver isso. — Ela se aproximou e se sentou na cama e Punzie ao seu lado, passando levemente a mão no rosto dela. — O que as meninas que 'te bateram queria?
— Elas... Bem elas...
— Elas estavam com inveja dela por causa do professor Eugene. — Falei o mais rápido que pude tentando ajudar.
— O professor? Ele não é um tanto velho para você Rapunzel e para essas meninas? — Ela lançou um olhar meio duvidoso para ela.
— É, e eu sou, mas elas não ligaram... Elas acham que ele poderia ficar com elas mesmo sendo alunas... — Punzie estendeu a mentira.
— Então isso deve ter sido na escola eu imagino... — Ela passava a pomada no rosto dela.
— Não, foi um pouco distante da escola, emboscaram ela na rua e o resto você sabe... — Astrid completou a mentira.
— E vocês falaram com a diretora eu imagino... — Ela lançou um olhar de advertência para mim, como se eu fosse a responsável pela Rapunzel ter se machucado.
— Eu falei com ela, bem é que ela é minha tia. — O.k... Qualquer dias desses se Jack aprontar alguma e a Astrid tiver por perto, ele vai estar perdidinho da vida.
— Isso é bom, ter uma amiga com ligações a direção é uma ótima arma contra qualquer engraçadinho. — Minha mãe terminou de passar a pomada e se levantou da cama, indo em direção a porta e saindo do quarto.
— Mas então, esse negócio de você ser a filha da diretora...
— Ela é minha tia, Merida. E assim como eu disse ao Soluço "Eu me meto em confusões também". — Ela riu um pouco sem graça.
— Você era a menina que tinha beijado o Soluço? Então é por isso que... Di immortales, agora eu me toquei, você sempre estava por perto e é por isso que Merida se mantinha longe do Jack e Soluço. — Rapunzel é tão boba as vezes, mas não a culpo, ela só soube disso agora.
— Estou começando a achar que você necessita ficar no acampamento meio-sangue — Astrid brincou e Punzie resmungou.
— Eu não necessito, meu vicio não é tão ruim assim... — Ela começou a mexer no cabelo.
— Que vicio? — Astrid sentou ao lado dela e eu apenas me direcionei a mochila de Punzie.
— Esse vicio! — Joguei o livro "Percy Jackson e os Olimpianos" na cama.
— Você gosta...? Legal, uma... Semideusa. Pai ou mãe olimpiana?
— Apolo e tenho a benção de Atena. — Ela falou cheia de orgulho.
— Eu tenho minhas duvidas de Apolo ser seu pai, seria mais provável Poseidon ser o seu pai. — Rolei os olhos indo ate elas e ficando no meio das duas.
— Por quê? — Não falei? Lerdeza seu nome é Rapunzel e Percy Jackson.
— Bem, isso é pra ser mais uma festa do pijama então vocês estão com suas roupas ai né? — Elas negaram e suspirei, teria que dar algumas de minhas roupas, isso se a cintura delas fossem largas como a minha. — Então vamos nos trocar, ninguém dorme de jeans.
Emburrei as duas da cama e elas foram em direção a mochila e indo para o banheiro. Cinco minutos depois elas voltaram já arrumadas. Passamos a metade da noite conversando e quando o assunto começou a faltar, liguei a caixa de som e coloquei uma música era do Chris Brown — Beautiful people.
Fiquei cantando pelo quarto e Punzie me seguiu cantando, cantar com uma escova de cabelo e girar na parte do refrão é tão eu. Astrid foi a única que ficou vendo tudo sem falar nada e rindo muito para falar a verdade. Umas mistura perfeita, amigas em uma festa do pijama, musica alta e a não ter que ser julgada. Porque eu sou rodeada de pessoas bonitas, não pela aparência e sim pelo carácter delas, pelos seus defeitos e seus erros e é isso que as fazem perfeitas.
Não demorou muito para que minha mãe viesse até o quarto pegasse a caixa de som e saísse bufando dali, meu pai tinha acabado de chegar e bagunça...? Vish, nem pensar.
Na manhã seguinte meus pais saíram como toda vez e dessa vez levaram os meus irmãos para passar a tarde na casa do amiguinho deles. Uma frase: Liberou geral!
O.k não fizemos muita bagunça, apenas aumentamos o volume da caixa de som novamente e colocamos na mesma música de ontem, não deixaríamos a tempestade abalar o raio de sol que Rapunzel era, isolar uma pessoa da tristeza nunca é a solução, mas parece ser a única escapatória.
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