The Day War Ended

7 Capítulo VII — Dark flower


Rapunzel

Me lembro das lendas urbanas que Jack contava quando nos conhecemos, ele adorava me deixar aterrorizada para aperta-lo com meus braços. Uma dessas lendas que ele me contou foi do circo do bosque escuro. E essa lenda me deixa aterrorizada até hoje. Alias, ela se baseia em fatos que realmente aconteceram.

No dia em que Jack e Soluço me acompanharam até a minha casa, da janela eu podia ver o rosto mau-humorado da minha mãe, engoli em seco. Ela não gosta que eu fique ao lado dos meus amigos, principalmente do Jack e em particular com o Soluço.

O nome dela é Gothel, ela tem cabelos negros e totalmente encaracolados e seu olhar é muito severo e sua postura é mais ainda. Ela nunca gostou que eu ficasse com meus amigos ou fizesse novas amizades, sempre alertava de que o mundo era perigoso e uma vez, quando eu era bem pequena, ela tentou fazer com que eu estudasse em casa até os 18 anos e logo depois ela ia me colocar numa faculdade que só tivesse garotas.

Agora me diz, não é de se ter medo viver assim? Mas como eu insistia muito com que ela mudasse de ideia, à partir dos onze anos estudei numa escola onde também tinha garotos e foi lá que eu conheci Jack Frost, a coisa mais irritante e brincalhona.

Quando tinha chegado em casa minha mãe nem me olhava e continuava na sala, lendo seu romance policial.

— Por que a demora, querida? — Ela falou com seu tom de voz mais calmo, o que não era muito normal. — Você sabe que não gosto daquele garoto dos cabelos brancos, não é? — Indagou e nervosa, apenas abaixei a cabeça.

Apenas concordei devagar e subia as escadas, indo para o meu quarto e fechando a porta devagar, me sentando na cama. Ela vai me proibir alguma coisa, eu sinto isso, sempre é assim desde que me lembro por gente. Talvez essa seja a forma dela demonstrar que me ama, talvez fosse, mas se me amava, por que me sentia sufocada?

Desmanchei a trança do meu longo cabelo e o deixei solto, e liguei meu pc que se encontrava debaixo do meu travesseiro, digitei a senha — sim eu tenho uma senha no meu pc por causa da minha mãe — e entrei em meus documentos, vendo as antigas imagens de quando eu era pequena e que tinha também Jack, a cada foto eu e ele fazíamos uma careta e parecíamos tão felizes. Mas agora... Somos tão... Adultos ou quase isso, estava chegando a época em que nem vamos nos ver, nem ele ou o Soluço e também Merida. Eu não gosto disso, ter pensamentos deprimentes ou coisas do tipo, pensar no futuro.

Sem querer eu entrei em uma pasta com os meus desenhos escaneados. Contar uma coisa, meu quarto esta rodopiado de desenhos nas paredes, no teto e meu guarda-roupa, então? Cheio de desenhos ainda não terminados.

Meus desenhos eram bem alegres, uns tinham campos floridos com o sol as iluminando de um jeito tão bonito. Outros eram com lanternas flutuantes, indo em direção ao céu noturno e eram esses da qual eu tinha orgulho de desenhar, me traziam tipo um pouco de nostalgia de alguma coisa, mas eu não sei sobre o quê. Nunca durante minha infância passei por isso e chegar a me torturar vasculhando memorias sobre o ocorrido.

Já estava começando a ficar com dor de cabeça e fechei o pc e o colocando de lado, me deitei e liguei o celular, digitando apenas alguns números.

— E ai? Fala minha princesa! — A voz de Jack sempre me mantinha calma.

— Jack eu queria falar algo serio com você sabe... — Me virei de lado na cama e puxando o lençol e me cobrindo.

— Ih ferrou, o que eu fiz? Espera... É sobre os desenhos e as lanternas flutuantes de novo? — Meu silêncio já respondia a ele. — Punzie, já falei que eu não lembro em momento algum de eu ter visto junto com você essas lanternas. — Ele parecia se lamentar por não saber.

— Mesmo assim, nem em um momento mesmo? Em algum evento da escola ou passeio? — Indaguei.

Em nenhum momento. Mas e ai? Como 'tá em casa? Eu vi a cara da sua mãe, ela parecia querer me esquartejar naquele momento, foi assustador e até o Soluço sentiu o mesmo. — Ele deu uma risada forçada.

— 'Tá ok, era só isso que eu queria saber, eu vou fazer mais perguntas 'pra ela quando ela esquecer que vocês me acompanharam até em casa — Contei e ele suspirou do outro lado da ligação.

— Punzie, não faça isso... Você não sabe o que ela pode te responder... —Me advertiu e neguei com a cabeça.

— Eu tenho que tentar. — Minha voz saiu fraca no ultimo momento.

— Eu sei que não vai adiantar insistir, mas primeiro descansa, vai? Pensa primeiro no que você vai fazer, 'tá ok?

— Uhrum, eu vou pensar... 'Tchau, Jack. — Desliguei o celular e me levantei da cama e saindo do quarto fui em direção a sala.

Gothel ainda se encontrava lá, lendo o seu livro e nem parecia me notar, nem parecia com raiva ou séria quando eu fazia qualquer coisa que ela desaprovava, mesmo que não soubesse o motivo.

— Aconteceu alguma coisa, querida? — Levei um susto quando ela falou, quebrando o silêncio.

— Eu queria saber de uma coisa, mamãe. — Falei com cautela e ela fechou seu livro, o colocando na mesinha ao seu lado.

— Pois bem, meu amor, me diga. — Ela falou, se virando para poder me olhar melhor.

— Mãe, alguma vez você me levou para ver lanternas flutuantes? — Perguntei e ela franziu o cenho, confusa.

— Lanternas? Do que você está falando? — Indagou, confusa e sua face se tornou calma ao suspirar — Você deve estar falando das estrelas, querida — Sorriu fracamente e esse mesmo sorriso me aterrorizou um pouco.

— Não, eu tenho certeza que são lanternas, mamãe. — Elevei mais o meu tom de voz, deixando o nervosismo de lado e vendo-a franzi o cenho, sua expressão se tornando séria.

— Rapunzel, por favor amor, a mamãe não sabe de nada. — Ela sorriu para mim e se levantou do sofá. — Eu gostaria que você sinceramente, parasse de falar nisso. É desagradável. — Falou, torcendo a cara em uma careta.

— Eu sei, mas...

— Chega, Rapunzel! Esqueça disso! — Levei um maior susto ainda e me afastei um pouco da sala. — Vá para seu quarto agora!

Relutante, mas com medo sai da sala e voltei correndo para o meu quarto. Batendo a porta com força, me joguei na cama e fechei os olhos. Jack tinha razão, eu não devia ter perguntado nada. Mas por que ela relutava em me responder algo tão simples?

Alguma coisa batia na janela e eu corri para ver o que era. Jack! Mas o que ele tava fazendo ali?

— Pelo seus olhinhos verdes e inchados, posso deduzir que você novamente não me ouviu, né? — Ele tinha subido a árvore e se mantinha no galho, como se aquilo fosse um esporte.

Abri a janela e deixei ele entrar, ele me olhou com pena e logo me puxou para um abraço, eu apertei ele com força como se dependia daquela calor para calar o meu tormento e duvidas que rondavam minha cabeça.

— Eu só queria algumas respostas, por que ela não me responde? — Engasguei com o choro.

— Shii... Calma, Punzie, vamos descobrir o que você precisa, tá bom? — Ele separou o abraço e colocou suas mãos em meu rosto, me fazendo fita-lo.

— Você devia estar em casa... — Funguei e limpei meus olhos.

— Depois de tanto tempo você não me conhece, né? — O sorriso maroto dele nunca deixava seu rosto.

— Eu acho melhor você ir, se minha mãe descobrir... — Tentei argumentar.

— Por favor, né Punzé? Ela nem vai me notar. Agora vem cá o carinha de sono, eu disse para você descansar e você nada não é? — Ele me puxou em direção a cama e me deitei, enquanto ele apenas de sentou ao meu lado. — Agora eu sei que não vai demorar para você dormir. — Ele deu uma piscadela.

— Se eu dormir, é melhor você ir embora... — Eu o emburrei de leve e ele sorriu.

— Que tal uma canção de ninar? — Ele riu um pouco e sorri fracamente.

Brilhe linda flor

Teu poder venceu

Traz de volta já

O que uma vez foi meu

— Essa canção... Eu cantei ela uma vez para você, não é? — Ele apenas concordou com a cabeça e continuou a cantar. E meus olhos começaram a pesar.

Cura o que se feriu

Salva o que se perdeu

Traz de volta já

O que uma vez foi meu

Uma vez foi meu

Jack tinha se levantado da cama notando que eu já estava quase caindo no sono.

— Até mais, princesa. — Ele veio até mim e depositou um beijo em minha testa. Então eu adormeci.

Notas finais
Edit.: Vou contar 'pra vocês, relacionamento abusivo já é difícil de abordar em fics, agora relacionamento abusivo com familiares é mais difícil ainda, espero que tenha ficado bom...