The Day War Ended

9 Capítulo IX — Sing me to sleep


Astrid

Eu conheço Soluço desde que ele começou a frequentar a mesma escola que eu estudava, aquela época ele era tão magrelo (e ainda é até hoje) e eu tão carrancuda e de mal com a vida. Porque meus pais viviam brigando e a raiva deles às vezes caia sobre mim, isso me deixava deprimida, mas eu não mostrava isso, muito pelo contrario. Eu agia com ignorância, ironia e fiquei bruta, eu não era violenta com ninguém, mas eu apenas me isolava de todos. Até ele chegar, “Soluço”.

Nome estranho né? Não lhe culpo, eu mesma poderia ter tirado sarro com ele por causa disso que nem todos da minha escola, só que teve um dia que bateram nele por pura diversão e eu não tinha gostado e eu simplesmente fiz o que? Dei uma surra nos garotos fazendo com que eles saíssem correndo para a saia da mamãe, literalmente.

Depois daquele dia nenhum garoto zuou ele pelo nome. Ele tinha gostado de mim e eu também gostei dele, viramos melhores amigos depois daquilo até que se foi passando os anos e aquela relação colocada em outro sentido, começamos a namorar. Imagine, uma menina amarga como eu namorando um menino doce, gentil e que faz de tudo para que meus problemas em casa sejam um nada. Ele me deixava feliz.

Mas no ano em que íamos para o segundo ano do colegial, ele deve que se mudar e terminou comigo. Eu fiquei triste claro, perdi o único incentivo de me fazer feliz. As coisas tinham piorado em casa, meu pai começou a beber e minha mãe não falava com mais ninguém.

Minhas esperanças de ter dias felizes tinham ido por água a baixo, mas ai minha tia, irmã da minha mãe conversou com ela a meu respeito, falando que se eu ficasse mais tempo lá não seria legal, que eu seria afetada de um jeito particularmente seria bem ruim. Minha tia se chamava Liran Lacroix, ela tinha um relacionamento bom com minha mãe e se preocupava com ela desde que tinha se casado.

Até que então meus pais decidiram, deixaram-me viajar e morar com minha tia e eu íamos estudar na escola da qual ela era diretora. Vantagem número um: Eu não ia me ferrar mesmo que desse um murro na cara de alguma patricinha. Sim, as patricinhas não vão com minha cara e qualquer uma adora fazer uma piada sobre mim.

Eu não tenho muito que falar sabe, eu só sei que minha tia morar em um apartamento enorme, tenho um quarto só para mim e adivinha só, ele estava só ali para ser decorado por mim.

— Posso te ajudar se quiser, querida. — Liran entrou no meu quarto parecendo uma empregada, carregando em suas duas mãos latas pra pintar as paredes e eram as minhas cores favoritas.

— Eu ia pedir sua ajuda mesmo... — Dei uma risada pegando os jornais que tinham na cozinha e voltei para o quarto.

Cobrimos tudo, empurramos a cama para um lado e cobrimos o criado-mudo. Pegamos os pinceis e eu aproveitei e coloquei uma musica para passar o tempo, Asleep do The Smith.

Parecíamos duas crianças em dias de chuva, fazendo com que pequenas gotas d’ tinta caíssem sobre os nossos rostos e sujassem nossas roupas.

— Essa música descreve você tão bem sabia, queridinha? — Ela fez um sinal de pausa e se sentou em uma das latas de tinta.

— Como assim, tia? — Me sentei no chão rindo um pouco.

— “Não se sinta mal por mim”. Foi assim que eu a vi quando tinha ido visitar sua mãe. — Notei o assunto dá qual ela chegou e comecei a lembrar de tudo, eu queria apenas seguir em frente. — Não fique assim Astrid, eu quero apenas o seu bem e garanto que aqui você não passara as mesmas coisas que passou lá na sua casa antes. — Ela veio até mim, se ajoelhando e tocando meus cabelos, me puxando para um abraço apertado e eu chorei em seu peito.

No resto que as semanas se seguiam eu gostava cada vez mais de ficar por ali, ela às vezes me levava para sair para lugares esplendidos, me levava a clubes para cavalgarmos e foi lá que eu vi uma figura familiar, uma menina que Soluço já tinha falado para mim. Merida.

“Ela tem cabelos fogo muito cacheados e seu rosto é redondo; tem olhos azuis e é teimosa, se vocês duas se conhecessem iam ser melhores amigas”. A descrição que ele tinha feito no passado ainda podia ser levada em conta nos dias de hoje. A garota dos cabelos fogo frequentava aquele clube com frequência porque pelo que podia se ver, ela cavalgava sem os equipamentos de segurança.

Alguns caras corriam feitos loucos atrás dela por causa disso e chegava a ser engraçado. Eu nunca cheguei a falar com ela, seria estranho falar com uma garota que Soluço tinha me falado. Mas se aquela garota chamada Merida estava ali, Soluço com certeza também estaria.

Quando as aulas tinham começado eu ainda ficava no apartamento e esperava a minha querida diretora terminar meus dados da matricula e acertava os meus horários. Quando ela realmente acertou tudo eu pude ir, correção eu entrei na escola em pleno primeiro dia de aula quando só faltavam outras três aulas para ir embora, mas eu não me importei muito.

Eu cheguei na hora do intervalo e pude ver os olhos verdes da qual eu amava ver, era ele. Soluço. Corri até ele, me jogando em seus braços e depositei um beijo em sua boca. Agarrando seu pescoço e ele me pegou pela cintura.

— O que faz aqui, Astrid? Pensei que estivesse na Noruega... — Ele me deu mais um abraço caloroso.

— A diretora é minha tia, ela me trouxe para morar com ela. Isso é por ter me deixado. — Dei um soco no ombro dele. – E isso... — O puxei para um selinho. — É por todo o resto.

— Não devia me beija assim, Astrid... e se eu hipoteticamente tivesse uma namorada e ela me visse beijando você? E espera... A diretora? Sua tia... ?

— Desculpa... Eu não pensei nessa hipótese e sim ela é. — Cruzei os braços. — Algum problema?

— Não nenhum, é só que se eu me meter em problemas com meus amigos você... A você sabe. — Ele falou sem jeito.

— Não deduro os outros por graça, me meto em confusões também sabia? — Meu sorriso deixou com que ele ficasse mais sem graça ainda.

— Bem eu tenho que ir, eu vou falar com um dos meus amigos e já volto. — Ele sai pelo corredor e começou a falar com um menino de cabelos brancos e logo depois eles foram para o pátio.

Eu tinha decidido ir também, ver como eram as coisas e conhecer alguém por ali. Até que eu vi a mesma garota dos cabelos fogo, ela estudava na mesma escola que Soluço. Pelo menos eu poderia fazer amizade com ela. Andei em direção onde ela estava sentada.

— E ai? Posso sentar contigo? – Apontei o lugar ao lado dela.

— Claro, não vejo porque não deixar. – Eu sei que pode parecer besteira, mas a voz dela pareceu meio que... Irônica?

Sentei-me ao lado dela e eu fiquei meio que sem graça, não sabia o que falar.

— Então... Eu sou Astrid. Sou nova na escola sabe...? —Tentei iniciar a conversa, ignorando o clima estranho.

— É nova e está beijando os garotos da escola? — Eu olhei para ela com duvida, do que ela...? Ah, eu já entendi.

— Ah você deve ter me visto beijando meu namorado, ou ex né? É o—.

— Soluço, é, eu sei. Ele é meu melhor amigo. — Ela me interrompeu e fiquei meio surpresa, minha duvidas sobre ela ser a menina que Soluço tinha me falado foram se confirmando.

— Você por acaso é Merida Dubroch? Cara a amiga de infância dele. É um prazer finalmente conhecê-la. – Eu sorri apertando a mão dela.

— Legal, ele nunca falou de você para mim... — Ela pareceu manter um pouco de ironia

— Nós conhecemos quando ele foi para a Noruega. Onde eu morava. — Meu sorriso ainda se mantinha.

— Pois é, eu tenho de ir. — Ela se levantou apressadamente. — Eu tenho de encontrar um amigo sabe... ?

Ela sumiu de vista e eu pensei se ela estava bem, mal falei com ela e puf, ela fui embora. Dei de ombros, ela não devia estar muito a fim de falar comigo mesmo. Comecei a andar pelo pátio até que começou uma guerra de comida. O.k isso é divertido, mas eu não vou querer me meter no meio.

Passou-se uma semana desde o ocorrido e eu tinha conseguido o número do celular do Soluço, queria falar com ele, saber apenas de uma coisa. A Merida, a garota que eu tinha conversado, ela não aparecia na escola direito e quando eu a via, ela caminhava entre os alunos, sumindo entre eles. “Será que eu fiz algo errado?”.

Ele me falou que ambos tiveram uma conversa e ela não saiu como esperado e ainda me falou que estava começando a gostar da Merida e que ela gostava dele. Ai eu já notei logo o que eu tinha visto, ela viu o beijo e não tinha gostado nada e pelo que eu saiba as esquivas dela são por minha culpa. É Astrid, você vai ter uma longa conversa com a Ruivinha.

Notas finais
Edit.: No começo da fic, pensei em colocar a Astrid para ser meio que a inimiga e separar o Soluço e a Merida, pra causa intriga mesmo, mas chegando a fazer esse capítulo... Refleti que é idiota colocar uma garota como vilã de outra apenas pra ter o garoto que ela gosta, chega a ser bem Regina George, o que me fez achar idiota essa linha de enredo.