The Day Before

1 As palavras que o deixavam partir.


Notas iniciais
Primeira fanfic aqui )o)~
Bom, recomendo ler a fanfic ouvindo alguma música do grupo k-indie Nell. Em especial essa:
http://www.youtube.com/watch?v=a6AzbOupbxk
Aproveite~

Era mais um daqueles dias quentes de primavera na capital. O verde das pequenas folhas das árvores na avenida principal da cidade estava mais vibrante, o Sol brilhava tímidamente por trás das brancas e fofas nuvens que decoravam o céu.

Mas as pessoas não estavam tão alegres.

Elas nunca estão, na verdade. Sempre correndo de um lado para o outro, com suas roupas formais e rostos sérios; fazendo barulhos irritantes com seus carros e cada vez mais odiando o motorista do carro à sua frente.

A sociedade parece perdida... E realmente está.

Sorriu levemente ao receber uma mensagem vinda de seu amigo, abriu o texto e leu distraído.

"Quer tomar um chá? Pode sair agora?" dizia a mensagem digital. Pensou um pouco, talvez pudesse terminar tudo no dia seguinte, por sorte não era muita coisa e por ter o cargo que tem, poderia fazer o que quisesse.

"Claro. Me passe o endereço, chegarei em breve." respondeu alegre. Pelo telefone em sua mesa chamou sua secretária, que chegou em sua sala prontamente, com sua pequena agenda sendo segurada fortemente pelos seus braços. Tudo o que DaeHyun disse foi algo como "Vou sair agora, não sei se volto até o final do dia. Deixe tudo em minha mesa." e saiu.

Recebeu outra mensagem do amigo informando o local, olhou atentamente para a tela do celular e quando viu que seria na casa do mais novo, relaxou já sabendo que não voltaria para a empresa naquele dia. Trocou o paletó azul escuro por uma jaqueta leve que tinha em seu grande carro esporte.

Trafegou calmamente pelas ruas até a casa de YoungJae. Não demorou muito para chegar naquela rua que conhecia tão bem, por causa de seu amigo. Conheceu YoungJae aos quinze anos quando esse se mudou para a cidade de DaeHyun e se matriculou em sua escola. E mesmo depois de anos não perderam o contato, iam à mesma faculdade -fazendo cursos diferentes, mas ainda sim...

Se pegou pensando nisso depois de tocar a campainha, ouvindo um "Entre, está aberta" baixo de dentro da casa. Assim que abriu a porta sentiu aquele cheiro característico do melhor amigo, flores. Plantas no geral sempre foram a paixão do loiro, o que justificava tantos vasos espalhados pela casa.

-Você chegou rápido- Comentou colocando o bule de água sob o fogo para aquecê-lo. YoungJae sorria, até mesmo fazendo chá ele sorria, sempre sereno.

Mas YoungJae era como a primavera na capital.

-Vim correndo quando li a palavra "chá"- DaeHyun riu, cutucando a cintura do amigo, fazendo-o rir junto. Os dois ainda sorriam enquanto seguiam até a sala, onde uma mesa aconchegante estava posta; a madeira não era coberta por um pano, tampouco haviam talheres ou pratos, somente um fino vaso de flores e um caderno acompanhado de um lápis.

DaeHyun andou surpreso até uma câmera filmadora encaixada sob um tripé próximo à mesa. Estranhou, obviamente, um vez que sabe que o amigo não tinha essas coisas muito tecnológicas. Olhou o mais baixo com curiosidade, esse caminhou silenciosamente até estar atrás da câmera.

Posicionou o aparelho para filmar onde ele mesmo se sentaria e sorriu para DaeHyun, apertando o botão "play"

-Só finja que não está ai. -Apertou o ombro do amigo, sentando-se em seguida em sua cadeira de sempre, já que era um costume dos dois tomar chá um de frente para o outro. Abriu o caderno e respirou pesado ao ver DaeHyun se sentar à sua frente. -Espere mais um pouco, a água ferve rápido... Eu só preciso escrever isso, sim? -Sorriu para o mais velho que retribuiu.

Por alguns minutos tudo o que se ouvia era a respiração dos dois e o som da gafrite se arrastando pela folha branca. Não era incômodo nem estranho, muitas vezes nos últimos anos passaram horas no silêncio.

Foi quase sincronizado, segundos depois do bule apitar alto, YoungJae pingou o ponto final na última linha da folha. O loiro fechou o caderno, empurrando-o até o canto da mesa, se levantou e foi seguido pelo moreno mais alto até a cozinha.

DaeHyun colocou água nas duas xícaras, sentindo o cheiro bom do chá de canela logo em seguida.

-Vai querer biscoitos, né?- YoungJae perguntava já sabendo a resposta. O amigo apenas concordou com a cabeça e riu pelo nariz, mexendo os chás com uma colher cada uma.

O mais novo levou pratos e talheres para a mesa, assim como os biscoitos e outras coisas para passarem a tarde. Logo DaeHyun voltou à sala levando consigo as duas xícaras, uma em cada mão.

Não estranhou ver um pequeno frasco em cima da mesa, já que o amigo tinha a mania nojenta de depois que bebe um pouco de chá, colocar mais água para beber de um líquido mais aguado.

-Pelo jeito a empresa está num tempo bom, pode até sair mais cedo...- YoungJae começou o assunto.

-É, estamos vendendo bem e acabamos de fechar contrato com uma empresa extrangeira. -Deu um gole em seu chá- Ah, esse é mesmo o melhor...

-Eu também acho. -Acompanhou o moreno, provando um pouco daquele líquido quente, forçando os lábios fechados por alguns segundos para saborear mais.

Passaram o fim da tarde ali conversando sobre todas as coisas. Falavam sobre o trabalho de DaeHyun e YoungJae, o último é jornalista e o mais velho, herdou a empresa de carros; falavam sobre os programas de tv e riam sem parar das coisas que qualquer um dos dois dizia.

YoungJae se sentiu bem, seu amigo lhe fazia bem como ninguém mais. É seu melhor amigo, ele sabia como fazê-lo sorrir simplesmente, não do jeito falso com que se acostumou a fazer nos últimos anos.

DaeHyun via por trás da máscara feliz do loiro, ele via toda a agonia e tristeza que moravam nele. Ainda sim achava YoungJae lindo, não só por fora, o que realmente era e todos podiam ver, não era tão alto, loiro e tinha as bochechas rosadas e fofas, era dono de um sorriso incrível; desse mesmo jeito era sua personalidade. É uma pessoa boa e honesta, não seria capaz de machucar uma pessoa sequer.

Só a si próprio.

-Dae... -chamou baixo, quase num murmuro, após um tempo de silêncio. -Eu estou cansado... De tudo.

O mais velho o olhava confuso e com um pouco de medo, Youngjae agora sorria melancólicamente encarando o nada. A luz laranja do Sol de final de tarde batia no rosto do loiro pela janela. DaeHyun tinha muito medo.

-Nada mais é como era antes, tudo é cinza. -respirou fundo bebendo mais chá.- Até esse chá está sem gosto.

YoungJae de vez em quando falava de sua depressão, mas nunca dizia coisa como "estou cansado de tudo".

-Jae...

-Não adianta mais, não me diga para esquecer isso e sorrir mais um vez. -colocou o conteúdo transparente do frasco em sua própria xícara. -Do que importa? Só vai me sufocar mais... -O outro nada dizia, com o cenho franzido em preocupação, queria dizer alguma coisa para o amigo, mas tudo o que tinha na cabeça era "mude as coisas na sua vida", o que não ajudaria muito.

YoungJae riu pelo nariz e bebeu um pouco mais de seu chá.

-Jae, por favor... -as palavras simplesmente não saiam de sua boca- Não faça isso... Por favor! -DaeHyun falou alto.

-Eu não aguento mais. Eu te peço, por favor... Não com...plique as coisas. -respondeu com dificuldade.

Estava zonzo, tendo dificuldade para falar; seus olhos começavam a rolar e se fechar, mas o loiro lutava contra. DaeHyun sabia que aquilo não era água em seu chá.

-Mas... s-sabia que... eu... estou feliz... -piscou mais alguma vezes forçando os olhos abertos, mas tombou sua cabeça para trás. Já de olhos fechados.

DaeHyun não se mexeu, ficou ali, olhando para seu melhor amigo à sua frente. A mente de YoungJae finalmente havia entrado em colapso, mas o moreno não acreditava que ele realmente havia feito aquilo.

Pelos dias seguintes não foi trabalhar, ficou de luto em casa, em sua cama por dias. Agora não haveriam mais tardes agradáveis de chá e café perto da janela na casa do mais novo; as belas flores de sua casa morreriam se despedindo do velhor amigo

Era daquela tarde que se lembrava no enterro de YoungJae, enquanto o padre dizia palavras em memória do amigo. Ouvia os soluços dos parentes do garoto, mas a raiva de si mesmo era tão grande que não lhe permitiu chorar ali.

Naquele dia, quando recebeu a mensagem de YougJae e chegou à sua casa, já o encontrou morto em sua cadeira de sempre. Com uma aconchegante mesa posta, a madeira não era coberta por um pano, haviam duas xícaras na mesa, uma vazia que era de YoungJae e uma cheia à sua frente, onde DaeHyun deveria ter passado a tarde. No canto da mesa um caderno com um bilhete de despedida do loiro, e a maldia câmera estava lá também, virada para o, agora morto, amigo.

DaeHyun se atreveu a ver a gravação. Nela, YoungJae falava as mesmas coisas, fazia exatamente as mesmas coisas que o moreno "presenciou". Mas ele estava sozinho, falando com si próprio, gravando seu último dia.

Era como se DaeHyun vivesse aquele momento.

O mais velho sentiu o coração apertar e as lágrimas voltaram. Seu amigo, o melhor que já teve, se foi e ele não pode fazer nada, somente imaginava que passaram o dia anterior juntos.

As coisas na casa do menino continuavam iguais. A mesa posta e as flores estavam escuras, alguma pétalas já caidas. DaeHyun tocou a mesa de madeira com a ponta dos dedos. Sorriu sinceso.

Yoo YoungJae estava feliz agora.


No começo foi muito difícil

Não pude admitir então foi doloroso

Mas depois de aceitar,

Agora é apenas muito triste.

Na verdade, é assim...

Qual é a utilidade

De segurar algo que está se desfazendo?

Apenas o coração vai se machucar mais.

Mas então eu me pergunto

Qual é o sentido de viver assim?

No começo eu te odiei muito

Eu chorei muito também

Mas depois de ficar assim por um tempo,

Pensei,

O que afinal eu estava fazendo?

Na verdade, é assim...

Qual é a utilidade

De segurar algo que está se desfazendo?

Mas então eu me pergunto

Qual é o sentido de viver assim?

Às vezes me pergunto se paramos na mesma lembrança.

Às vezes me pergunto se o tempo parou pra você também.

E quanto a separação?

É suportável?

Estar preparado amenizou a dor?

E quanto ao amor?

Acontece novamente?

Na verdade eu sou assim...

Só estou com medo.

Isso é tudo que posso dizer.

Pensando muito sobre isso sozinho,

As palavras que o deixavam partir.

Isso é tudo que posso dizer

Elas nunca serão capazes de te alcançar,

As palvras que o deixam partir.








Notas finais
E ai? Ficou boa? Me digam a verdade, pois tenho outras fanfics guardadas pra talvez, se vocês gostaram, postá-las.
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!