The Daughter of Darkness
5 Aula de Arco e Flecha
Com muito sacrifício consegui escapar de Agatha, acho que ela cismou em me tornar uma grande espadachim. Estava caminhando lentamente quando cheguei no riacho que havia no acampamento, meus pés doíam de tanto treinar com aquela espada pesada, que por sinal ainda estava presa à minha cintura juntamente com uma pequena adaga prateada. Depois de uma hora e meia treinando com Agatha que me dava uma surra toda vez que "treinávamos", eu estava exausta depois daquela sessão massante de "esquiva, abaixa, esquiva, gira pro lado, ataca... " Assim que me aproximei do riacho avistei uma árvore de tronco rígido marrom vivo, fiz um pequeno alvo e atirei a adaga, acertando em cheio o centro do alvo.
– Bela pontaria! — exclamou uma voz masculina às minhas costas, fazendo com que eu me virasse rapidamente.
– Heitor! Você quase me mata de susto garoto!- disse com raiva.
– Me desculpe, não quis te assustar.. Fugindo da Ágatha? — disse curioso.
– Porque acha isso? — perguntei andando ate a árvore e retirando a adaga fincada do tronco.
– Foi apenas uma pergunta, mas vejo que realmente esta. — concluiu.
– Ela cismou em me ensinar esgrima mas sabe.. — exclamei olhando para baixo envergonhada. — Não me dou bem com espadas. — ele se aproximou.
– Entendo. Espadas também não são o meu forte, confesso que sou péssimo. — afirmou sorrindo
– Não foi isso que vi ontem no caça bandeira. Você não parecia ser leigo em usar uma espada quando quase me decapitou. — brinquei.
– Me desculpe por aquilo. Eu sou um pouco competitivo, mas convenhamos, sou muito bom.
– Não, você é convencido, é diferente. — Heitor sorriu. — Você tem uma auto suficiência muito irritante sabia.
– É o meu ego que me mantem vivo.
– Então cuidado Heitor, é muito fácil pro seu ego me irritar.
– Mas devo te parabenizar, pois você tem uma excelente pontaria. — acrescentou, mudando de assunto.
– Não é para tanto. — exclamei com um sorriso torto. — Foi sorte. Sorte de principiante eu diria. — disse meio sem jeito.
Era incrível como Heitor mexia comigo, havia horas em que ele me despertava uma fúria incontrolável, por se achar o maioral, já em outras me deixava fascinada. Gabriel havia comentado que ele era um conquistador e que não se importava em partir o coração das garotas do acampamento, eu não duvidaria, pois metade das garotas do chalé 10 viravam o rosto quando ele as cumprimentava, exceto por Susana, que só faltava se jogar em cima dele.
Agatha vivia me falando pra não cair na conversa dele, deixei bem claro que não me deixaria seduzir por ele, Agatha não acreditou nem um pouco, até riu da minha cara. Com certeza Heitor herdara o ego de seu pai, ouvi pelo acampamento que os filhos de Apolo, na maioria das vezes são muito seguros de si, e justamente por serem assim, acabam se frustrando fácil, mas são apenas boatos.
Heitor parecia querer interagir comigo, não sei porque, mas ele parecia bem determinado a se tornar meu amigo, o que não alegrou muito Agatha, que parecia ter um ódio mortal do garoto.
– Já tentou arco e flechas? — perguntou se aproximando de mim.
– Não, tenho medo de matar alguém. — brinquei.
– Que isso.. — disse Heitor soltando um breve riso. — É moleza!- afirmou. — Bom.. pontaria que é essencial você tem. Vem comigo! — disse me puxando pelo braço.
Chegamos ao campo de treinamento com arco, os garotos e garotas do chalé de Hermes estavam saindo logo atrás de Quíron que se dirigia para a Casa Grande enquanto os campistas voltavam ao chalé. Heitor estava com um lindo arco com uma fita azul, juntamente com uma bolsa cheia de flechas de penas azuis em suas costas, que eu não havia percebido que estavam ali. Ele tirou uma flecha da bolsa e me entregou junto com o arco, ele me mostrou como que segurava e como colocava a flecha. Sim, me senti uma completa idiota por não saber disso.
– É como andar de bicicleta. — exclamou. — Você deve mirar e soltar.
– Fácil pra você falar, já que herdou o talento de seu pai. — disse fazendo cara de ironia.
– Certamente Apolo é o melhor arqueiro que ja existiu. Mas creio que nem todos os nossos talentos nos tenhamos herdado de nossos pais.
– Que seja. — exclamei emburrada.
Quando me ajeitei para mirar e soltar a flecha, Heitor se aproximou de mim fazendo com que eu sentisse um frio na barriga. Ele pegou em minha cintura me alinhando com o arco e em seguida pegou em meu queixo delicadamente e colocando uma das mãos em minhas costas, arrumando minha postura.
Lancei a primeira flecha que por pouco não acertou a cabeça de um campista, e então senti Heitor por uma das mãos em minha cintura e a outra segurando meu braço, nossos corpos estavam tão próximos que eu sentia o calor que vinha de seu corpo, sentia um frio na barriga e minhas pernas estavam bambeando, nossos rostos estavam muito perto e nossas bocas tão próximas, Heitor passou braço pelas minhas costas me prendendo e se aproximou lentamente para me beijar quando..
– Ai está você! — gritou Agatha de longe fazendo com que eu saltasse para longe de Heitor.
– Atrapalho algo? — perguntou ironicamente.
– Claro que atrapalha! — exclamou Heitor indignado.
– Heitor só estava me ensinado arco e flechas. — expliquei.
– Ela tem mais afinidade com o arco e com as flechas do que com espadas. — disse provocando.
– Certamente Helena não precisa da sua ajuda panaca reluzente, entendo muito mais de armas e de batalhas do que você, com o tempo ela pega o jeito da espada. — exclamou Ágatha exaltada.
– Ei! Eu ainda estou aqui o.k.?! — disse alto quase gritando enquanto os dois se encaravam como dois touros. — E eu não preciso de babá. — me deis as costas aos dois e marchei para o chalé 13.
Entrei no chalé e praticamente lacrei a porta, percebi que ainda estava com o arco e as flechas de Heitor, coloquei ao lado da minha cama e me deitei olhando para o teto. E então lembrei do dia que teve a captura de bandeira, em que Heitor e eu estávamos lutando vorazmente, eu tentando pegar a bandeira e Heitor me atacando para proteger a mesma, lembrei de quando ele e eu caímos, ele por cima de mim e quase nos beijamos, foi a primeira vez em que vi seus olhos verdes tão de perto, que senti o calor do seu corpo.
– Não. — repeti à mim mesma.
Coloquei a cabeça debaixo do travesseiro e fiquei la o resto do dia, estava sem fome, então não fui ate o pavilhão do refeitório, e também porque não queria ver Heitor e Agatha, eles tinham me irritado muito! Fiquei deitada ate escurecer apenas colocando meus pensamentos no lugar.
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