Duas semanas se passaram, as duas mais estranhas de minha vida, eu batalhei com aqueles campistas, tive aula de artes e mitologia grega, canoagem e caça a bandeira, meio diferente do que estava acostumada, era um caça em que tínhamos de derrotar um time ao outro, como em uma guerra.

Dia vinte e nove de março. A noite corrida, como sempre, estava tudo..... escuro, como sempre, eu tentava imaginar como estaria a vida fora do Acampamento, se meu irmão estava me procurando, se minha tia estava em desespero. Acho que não, ela me odiava, ela gostaria mesmo é que eu sumisse do planeta, virasse um foguete e fosse para lua.

Eu encarava a lua como se ela fosse tudo o que eu tinha, a propósito, ela estava muito bonita naquela noite, estava cheia, viam-se as crateras, as estrelas? Mais bonitas ainda, eu as contava:

– Cinto e vinte e três, cento e vinte quatro, cento e vinte e cinto – falava em voz baixa.

Inesperadamente Elijah apareceu do meu lado, sorrindo como sempre e expressando um “Oi” sonolento, que já era de costume.

– Oi, o que faz aqui? – Ele indagou logo após minha reação.

– Só estou contando as estrelas, como sempre faço, elas estão lindas essa noite – Respondi, sorrindo.

Eu o queria por perto, mas não queria me aproximar de ninguém dali, tinha a impressão que eles me largariam a deriva do mar agitado, como meu pai fez, como Jane fez.

– Sim estão lindas, assim como a lua, as crateras dela estão aparentes.

Só assenti e olhei para baixo, ele estava sorrindo, os cabelos desalinhados como sempre, percebi que ele carregava um ursinho de pelúcia também, era engraçado, o pijama dele era azul e ele usava pantufas. Segurei o riso por minutos, até que soltei uma risada tímida, não estava acostumada com aquilo, todos falando comigo e me chamando para passeios. Ele olhou para mim com um ar de dúvida e sorri, após indagou:

– Algo errado?

– Não! – segurei o riso novamente.

– Ótimo, não gostaria de pagar de palhaço na frente de uma novata – Ele deitou e colocou as mãos atrás da cabeça.

– Pagar de palhaço? Mas você é um palhaço – Voltei a olhar as estrelas e ligá-las com os dedos, para contornar as constelações.

– Sou?...... Não, não sou, você que é uma palhaça, vejo até seu nariz vermelho.

– Não, impossível, sou bonita demais para ter um nariz vermelho.

– Concordo com isso.

Olhei para ele, os olhos haviam se fechado, ele estava caindo no sono, bocejei e cutuquei as costelas do garoto.

– Ei, cantadas não valem – Sorri.

– Valem sim, como acha que conquisto as garotas? Dormindo que não é. – Ele bocejou e abraçou o ursinho de pelúcia.

– Então tudo bem, mas não sou tão fácil assim para aceitar qualquer cantada, tente me surpreender.

E nesse instante ele já estava dormindo, eu não podia me apaixonar por ele, só faziam algumas semanas que eu tinha chegado aquele lugar, não podia. Tirei esse pensamento da minha cabeça e fui dormir, entrei no chalé onze e me joguei na cama, dormi como um anjo.

Meia noite, acordei desesperada, sonhei com algo muito estranho, um pesadelo de primeira mão, monstros me atacavam, a neve pairava sobre minha cabeça e tudo estava transparente, um berro grosso cortou o silêncio e então eu acordei, suava frio, a cama estava ensopada e meu pijama estava como se eu estivesse caído no lago, gritei desesperada, Elijah apareceu do meu lado e me abraçou. Eu me acalmei.

Tremendo como um indivíduo com mal de Parkinson, ele olhou bem nos meus e sussurrou:

– Vai ficar tudo bem, foi só um sonho, um sonho ruim – Sorriu enquanto me abraçava.

Os braços dele estavam quentes e seus cabelos bagunçado, olhei para o lado, no relógio de parede eram quatro e oito da manhã, ele tina acordado para me visitar e eu o recebi com um grito.

Algum tempo depois, assim que retomei minha sanidade, assenti e sorri pra ele, então ele me puxou da cama e me levou a praia. Chegamos lá e ele perguntou:

– Você já voou?

–Não.

– Então vai agora.

Ele me pegou pela cintura e me levantou, saímos voando, toquei o mar com as pontas dos dedos do pé e sorri, era uma sensação tão boa, voar era incrível, foi ali que decidi que o meu maior deseja era voar, simplesmente ter asas e poder ser livre por ai, eu queria tocar os pés na água qualquer vez que quisesse.

Pousamos meia hora depois, e então ele sorri e indagou:

– Gostou? – Ele sorriu timidamente e olhou para baixo.

– Amei! – Sorri e o abracei.

Nosso abraço não foi apenas um abraço, ele se transformou em um beijo. Depois que separamos ele novamente indagou:

– Lia... – ele corou – Quer.... ahn.... namorar comigo? – Ele sorriu.

– Sim – assenti.

Três semanas depois Elijah sumiu, não mais o vi por meses.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.