O dia estava extremamente complicado, minha melhor amiga, tinha acabado de sair minha vida, parece clichê e é, mas Jane tinha acabara de me deixar sozinha em um manicômi... Internato.

Minha tia me mandou para o “Internato Lady Nesfinn” porque eu explodi o guarda roupas dela, mas veja só, ela me acusava todos os dias da vida insignificante dela, de ser o problema, não tenho culpa de ter sido gerada, não tenho culpa que minha mãe me deixou na porta da casa em que eu morava, e não tenho culpa de meu pai ter morrido em um acidente catastrófico. Ela colocava toda a culpa de meu pai ter morrido em mim, ela dizia que eu atraia problemas, não poucos, muitos problemas, que era uma ameaça para a linda e perfeita família que ela construiu.

Assim que explodi o guarda roupas á dois anos atrás ela me fez estudar naquele lugar, as únicas coisas que me faziam continuar lá, era a Jane e o Francis, mas Francis havia se mudado faziam alguns meses, e a Jane sumira naquela manhã.

Acordei e vi que na cama ao lado não tinha ninguém, e não havia nenhum vestígio das coisas da minha amiga, entrei em desespero, sai correndo para o banheiro do corredor 6, o corredor para as garotas mais problemáticas. A escola era dividida em doze corredores, sendo os seis primeiros com dormitórios femininos e os outros seis eram dormitórios masculinos, cada um morava em um corredor de acordo com o comportamento, o primeiro era para os mais comportados e o último para os menos e eu não era um das alunas mais exemplares, eu sempre me metia em confusão, explodia algum vaso sanitário (ou o corredor inteiro), mas não tinha culpa, eu tinha que lutar para sobreviver, tinha que distanciar os monstros ou eu morreria, discutia com professores, porque eles sempre estavam errados, bem eu era a aluna que todos não queriam ter na sala de aula. Assim que descobri que ela me deixara a devirá de um manicômio, eu corri para o banheiro, me tranquei e comecei a chorar, não aguentaria monstros me atacando sem a Jane por perto, então ouvi algo, Sarah Belabroff, a garota exemplar de vestidinho rosa, estava dando uma voltinha no meu corredor, ela e suas amiguinhas de maquiagem igual estavam passeando, ouvi as risadinhas e um comentário ofensivo, algo do tipo: “olha a garota das botas remendadas”. No dia em que as vi pela última vez eu estava com meus coturnos remendados com fita isolante, abri a porta do boxe o mais rápido que pude, a encarei frente a frente, os olhos vermelhos, logo ela soltou um riso agudo e disse:

– Acha que pode me vencer, se você encostar um dos seus dedos imundos com esmalto descascado, você será expulsa de outro colégio e acho que a titia não irá gostar de ter a sobrinha problemática de volta – e jogou o cabelo pra trás como sempre fazia.

Meus olhos encheram-se de lágrimas, e ouviu mais risos agudos, eu não queria voltar para a casa de minha tia, lá era o pior lugar do mundo, então para não arrumar confusão e ser expulsa novamente, deixei que fizessem o que queriam, Sarah e suas amiguinhas me trancaram em um banheiro, e amarram-me com um pano, assim eu perderia alguns minutos de aula tentando tirar os panos, afinal era fácil, só cerrar um pouco os punhos e o pano estourava, mas deixei que fizessem o que queriam. Dentro daquele banheiro, com os pulsos amarrados, eu tive uma ótima ideia, a melhor da minha vida, fugir, perdi duas aulas fazendo um plano para fugir, afinal não tinha nada mais que me importava ali, Francis tinha ido embora e a Jane sumira.

Assim que sai do banheiro o que demorou no máximo um minuto, fui até o dormitório arrumei algumas roupas em uma mochila, coloquei minha faca que ganhei do meu pai antes de ele morrer, coloquei-a dentro do coturno como sempre fazia, e fui até a sala de aula, logo o professor de iniciação ao desenho geométrico me olhou torto e indagou:

– Senhoria Jane, qual o motivo do atraso?

– Eu estou passando mal senhor, e eu tenho certeza que vou – e fingi estar vomitando, coloquei a mão suja de mingau na boca e deixe que o mesmo caísse. Isso me fez passar algumas horas na enfermaria e o que me levou a um dia de folga.

Assim que bateu o sinal para que os alunos fossem para o segundo andar, eu vi o corredor vazio, os monitores sempre nos levavam para o segundo andar, peguei minhas coisas e corri, joguei a mochila para o lado de fora do muro, logo depois, com a faca cortei um pedaço de corda de uma das balanças, bati minha faca no muro, até formar um V, fiz um nó amarrando a faca em uma ponta da corda e joguei a corda no muro, encaixando-a em um dos suportes para cerca elétrica, me apoiei na corda e escalei o muro, eu sabia que assim que pulasse sirenes iriam tocar e a policia de Miami inteira estaria atrás de mim, mas sai de lá mesmo sabendo das consequências, pulei o muro, peguei a mochila e sai correndo, logo ouvi sirenes vindo em minha direção, corri o máximo que pude, mas acabei dando de cara com algo comum, mas inesperado, uma harpia, mas não boa, uma do mal, e ela veio voando em minha direção e me atacou com todas as forças, eu lutei com as forças que me restavam, ela me atingiu na cabeça, com suas garras o que me deixou uma cicatriz na nuca, mas eu acabei golpeando-a na cabeça, tirando sua vitalidade, ou melhor dizendo, decaptando-a e a venci, mas acabei desmaiando.

Acordei dois dias depois de ter fugido, com uma tiara de flores na cabeça e uma menina verde, com cabelos lilás e olhos prateados, olhando profundamente em meus olhos, não achei estranho, afinal já tinha visto meninos com pernas de bodes na minha escola, loque que acordei, ela abriu um grande sorriso e me entregou um papel, peguei o papel e abri, era um mapa, a estrada que teria que seguir estava marcada em vermelho, sorri para ela e com sua voz mansa ela respondeu ao meu olhar com palavras:

– Siga esse mapa e chegara ao seu destino, você será bem recebida lá, o seu sátiro virou flor e agora você segue sozinha.

Assenti rapidamente e comecei minha jornada de lutas até chegar ao tal “Acampamento Meio-Sangue” não sabia o porquê desse nome, porque de estar lá, e só subi uma colina, bem alta, logo que cheguei, uma multidão de pessoas vieram me receber, uma outra garota verde, mas com o cabelo rosa e os olhos violeta pulou em minhas costas e me deu as devidas boas vindas.

Foi assim que percebi que eu, Lia Jane, a menina das mechas azuis, a baixinha do corredor 6, tinha realmente um lugar para chamar de lar.