Notas iniciais
Eu deveria estar escrevendo o casamento de Kelly em Carta Para Você, mas essa ideia pipocou do nada na minha cabeça e quem disse que eu conseguia escrever outra coisa? Ah, linha temporal da história é a 8ª temporada e como a história é minha, uma certa diretora está viva!! Espero que se divirtam! Boa leitura!

Ziva David estava cansada de andar em círculos ao lado de DiNozzo. Ela já tinha deixado todas as pistas que uma mulher pode dar para ele. Tinha flertado com ele quando mal o conhecia, tinha se aberto com ele, e, por Deus, tinha até feito uma missão disfarçada com ele, onde ela literalmente jogou o vestido no chão e fingiu dormir com ele, mas o palhaço do DiNozzo não entendeu os sinais.

Ele não entendeu e a cada dia que passava Ziva se via mais e mais furiosa.

Ela queria Tony para ela e ao mesmo tempo queria matá-lo por não vê-la como ela o via.

Querendo dar um basta nos sentimentos que nutria pelo parceiro de trabalho, ela resolveu se cadastrar em um aplicativo de namoro. E ela pretendia manter segredo sobre isso, tanto que comprou um celular só para que pudesse usá-lo sem ter que ficar respondendo as milhares de perguntas de cada um dentro do NCIS.

Celular novo, aplicativo devidamente instalado, hora de fazer o perfil.

Colocaria ou não a foto? Ela não sabia... e se alguém a visse usando essa coisa? O que iriam pensar? Que a Ninja do Mossad pode matar alguém com um cartão de crédito, mas é incapaz de conseguir um namorado?

Foi quando ela percebeu uma particularidade do aplicativo.

Nada de fotos, o primeiro encontro era às cegas.

De início ela temeu, já que milhares de malucos poderiam se passar por outra pessoa e quando fosse o dia do encontro (se é que ela iria achar alguém por quem se interessasse) poderiam fazer mil e uma coisas... pois ela via o que esse tipo de pessoa fazia todos os dias.

— Ha! Só se vive uma vez e eu sei me cuidar! – Pensou.

Acabou de preencher suas preferências, seus gostos e até deu uma ou duas referências pessoais (disse claramente que era estrangeira morando nos EUA) e esperou.

Acontece que paciência e Ziva David em uma mesma frase não é lá uma combinação mútua, mas sim excludente. E Ziva não quis esperar, resolveu por bisbilhotar os demais perfis...

Leu um, dois, três, quatro.... vinte... no trigésimo ela percebeu o porquê de não achar ninguém interessante, porque ela comparava cada perfil de homem que ela lia com aquele que se sentava na sua frente todos os dias.

Suspirando frustrada, ela fez uma promessa a si mesma, se nos próximos dez ela não encontrasse ninguém que a atraísse, ela desistiria, apagaria o aplicativo e tentaria a sorte com DiNozzo. Nem que para isso ela tivesse que sequestrá-lo, amarrá-lo em uma cadeira e dar uma aula de quase uma hora sobre os sentimentos que ela tinha por ele e porque os dois tinham que burlar a regra 12.

Nove perfis e nada de significativo, mas o décimo.

Ah o Décimo!!

Foram necessários quarenta perfis para que ela o encontrasse.

E ele era perfeito.

Contrariando seus receios, ela mandou uma mensagem, não sabia muito o que dizer, apenas disse:

— oi... pode conversar... achei seu perfil interessante.

Assim que mandou quis deletar a mensagem... o que era aquilo?! Um testamento de que ela era carente?

Mas para sua surpresa, ele respondeu na hora.

— oi... claro. Estou sem sono!

Que sorte a dela!

E ela começou a conversar coisas bobas, rindo de alguma piada que ele escrevia ou até mesmo de quando ela pedia ajuda para acertar uma determinada expressão idiomática.

Quando Ziva percebeu, já era quase três da manhã e ela se despediu, dizendo que tinha que se levantar cedo.

Os dois se despediram, prometendo conversar mais no dia seguinte.

— à noite... trabalho o dia todo. — Ela pediu.

— ha! Eu também. Te vejo por aí, Minha Pequena Confusa com a Língua Inglesa.

Ziva desligou o celular sorrindo... havia esperança então!

No trabalho, ela passou a enxergar Tony como um mero parceiro, alguém em quem ela confiava, podia contar um ou outro problema, mas já não tinha toda aquela atração assim. É claro que Tony era lindo e tinha aquele sorriso que ainda a fazia ficar sem ar, porém, quando ela o comparava com o Senhor 40, ela recuperava o ar e abria um sorriso.

Tony era só um amigo, por quem ela teve uma paixonite indevida. Já o senhor 40? Ele... ah... ele....

Nem todos os dias era possível conversar com ele, e quando isso acontecia, o humor dela ficava péssimo, ela tinha vontade de estrangular até Ducky.

— me desculpe... é sério... fiquei presa até agora no trabalho... dois dias seguidos. — Ela digitou assim que chegou em casa.

— achei que era só eu quem tinha um crápula como chefe! Fico feliz em saber que você voltou.

Como ela ainda não tinha conhecido alguém assim? Onde ele estava nos últimos cinco anos?

— Isso porque você não conhece o MEU CHEFE!!!

— será que um dia eu vou poder conhecê-lo e dizer para ele pegar leve com você?

— gostaria de ver você tentar... e eu, vou saber quem é a pessoa que te escraviza desse jeito?

— você teria medo dele.... ou pior, ele poderia te escravizar também! — Foi a resposta que recebeu.

Ziva riu pensando no que ela estava falando... se Gibbs descobrisse?? É claro que ela o tinha como um pai... mas às vezes, ele era mais um carrasco do que um chefe, principalmente nos últimos dias...

A conversa com o senhor 40 continuou, e ela fez as contas, os dois já trocavam mensagens há quase três meses...

Parecia que o pensamento dos dois era sincronizado, pois quando ela notou isso, recebeu a seguinte mensagem:

— seria muito cedo para tentar o encontro? Não quero pressionar nada, só estou realmente querendo poder conversar com você te olhando nos olhos.

— e se você não gostar de mim?

Sim, depois de cinco anos mandando sinais e sendo ignorada, a confiança de Ziva estava um pouco falha.

— isso é impossível!! Eu te garanto.

Essa frase animou Ziva.

— bem... se meu chefe não me prender novamente, podemos tentar nessa sexta-feira?

Houve um minuto de pausa e Ziva pensou que tinha ido longe demais.

— nessa sexta está ótimo! Onde?

— Você escolhe. Por mais que já esteja no país há cinco anos, não conheço tantos lugares assim, como eu te disse, trabalho louco.

— já ouviu falar no Valentino’s?

— Comida italiana?

— não só comida italiana, mas o local é ótimo para nos conhecermos.

— Se você está dizendo eu topo. Às 21:00?

— Precisamos de um código. Para que eu te ache...

— Estarei de vermelho e tomando tequila.

— Então, Senhorita Tequila, até às 21:00 de sexta-feira!

Ziva não conseguia acreditar... um nervosismo estranho começou a tomar conta de si e a pior notícia, não tinha ninguém com quem ela poderia dividir os seus medos e a sua alegria!

Mas ela tinha que falar com alguém! E se fosse um psicopata? E se algo acontecesse?

Ela ponderou, andou por seu apartamento indo e vindo, se perguntando internamente quem seria um bom confidente.

Tony? Jamais. Ele riria dela.

McGee? Ele é alguém confiável... mas a chance de Tony escutar qualquer coisa e o interrogar até o ponto que ele fale é alta, sem contar Abby...

Abby? Abby era a sua melhor amiga. As duas tinham demorado a se entender, mas mesmo assim, a feliz gótica sempre torceu para que o romance fictício com Tony desse certo, e com certeza não ficaria feliz em saber que ela andara namorando por aplicativo.

Gibbs? Thank you, next!

Cynthia? Não tinha tanta intimidade assim.

Palmer? Preocupado demais com o casamento com Breena para ter outra preocupação na cabeça, porque ele ficaria preocupado por ela estar indo em um encontro às cegas.

Ducky... é uma excelente opção... apesar de que iria contar uma história de umas quatro horas sobre uma vez que ele foi em um encontro às cegas e acabou descobrindo que a moça era, na verdade, a filha fugida de um Sultão... mas era alguém para se considerar. Mesmo que ele fosse ficar alarmado por ela não saber nada da pessoa com quem iria se encontrar.

Jenny? Bem, as duas eram amigas. Já tinham conversado sobre os homens de suas vidas, tanto que ela sabia alguns detalhes sobre o relacionamento conturbado entre a ruiva e Gibbs, assim como Jenny chegou a saber que ela nutria sentimentos por Tony e a encorajou a falar com o italiano. Jenny era outra que torcia para que ela se acertasse com Tony, porém entenderia se ela quisesse seguir em frente. E quanto ser um encontro às cegas, Jenny só a mandaria levar uma faca.

Ducky e Jenny estavam na lista. Se ela conseguisse um tempinho perto de um dos dois, ela contaria a versão resumida.

Ziva só foi conseguir um tempo para respirar na sexta à tarde. Quando Gibbs saiu bradando que ia para a pausa do café depois de sair batendo a porta do escritório da Diretora, ela pensou que era uma boa hora para ir conversar com Ducky, já que Jenny estaria subindo pelas paredes de ódio, acontece que Tony, que estava agindo estranho a semana inteira, correu para o elevador interno e desceu... ela pode ver que ele tinha ido até a autópsia. Das duas opções, só tinha sobrado Jenny.

Assim, Ziva subiu as escadas e parou na frente da mesa de Cynthia, pedindo alguma dica sobre o humor da Diretora.

— Se você está aqui à mando do Agente Gibbs, melhor não entrar. Mas se for uma visita social...

— É social... é quase um favor.

— Vou anunciá-la. – E Cynthia pegou o telefone e ligou para a Diretora. – Está te esperando.

Ziva respirou fundo e abriu a porta. Vasculhou o ambiente e testou o humor da ocupante. Algo estava errado, mas não tinha a ver a com o trabalho.

— Hora ruim? – Perguntou.

Jenny tirou os óculos de leitura e olhou para Ziva.

— Desde que não seja sobre o Agente Gibbs.

— Não é... – Ziva estava nervosa. – É um favor pessoal.

— Então diga, em que posso te ajudar, Ziva?

— Eu vou direto ao ponto porque a história é longa, mas você já conhece um pedaço. Cansei de esperar por Tony e resolvi procurar um namorado online. Achei. O Senhor 40...

— Ele tem 40 anos?! Não é velho para você?

— Não... Senhor 40, porque foi o 40º perfil que vi.

— Ah, sim... continue.

— Então... eu venho conversando com o Senhor 40 há três meses. É um aplicativo de namoro às cegas, eu não sei o nome dele, não sei o seu rosto, só sei que...

— Que você se apaixonou pela conversa dele.

— Exatamente!! – Ziva deu um pulo da cadeira! – Ele me entende de uma maneira que ninguém jamais me entendeu... assim, marcamos um encontro.

— Quando?

— Hoje à noite...

— E você está me contando para ter alguém que possa te dar a ligação de socorro caso ele seja um mala pessoalmente ou você tenha certeza de que ele é louco?

— Sim, Jenny! Você pode fazer isso? É só me ligar às 22:30. Se eu não atender, venha me socorrer, se eu atender, teremos que ter uma palavra para você saber se tudo está bem ou não....

— Só dizer que é engano.

— Engano?

— Sim, você me diz que é engano, eu sei que tudo está bem. Se algo estiver ruim, diga que é trabalho.

— Ótimo!! Isso mesmo!! – Ziva disse animada. – Você não me acha louca por fazer isso, acha? – Perguntou da porta, pois seu celular tocava.

— Não, Ziva, não acho. Boa sorte e leve a sua faca.

— Regra 09!!

— Não me lembre dele!

Ziva deu um sorriso complacente na direção da Diretora e depois desceu apressada a escada. Gibbs estava em um péssimo humor, e, pela primeira vez ela não se importou.

Ziva estava feliz e esperava que tudo desse certo nesta noite.

Às 19:00 Gibbs liberou a equipe para ir para casa. Ziva pegou suas coisas e saiu correndo até o elevador, quando este chegou, ela notou que Tony estava tão nervoso quanto ela.

— Tenha um ótimo final de semana, Tony. – Ela disse, agora aliviada pois poderia ficar em paz, mesmo que DiNozzo teria um encontro com alguém.

Assim que chegou em casa, correu para o banheiro, já tinha deixado o vestido e os sapatos previamente separados, sabendo que poderia ficar até tarde no Estaleiro.

Tomou um banho, se maquiou sem exagero, mas precisou se recompor umas duas vezes antes de borrar o esfumaçado do olho. Depois de pronta, colocou o celular na bolsa, se olhou no espelho e rezando internamente para que não estivesse cometendo um erro, saiu do seu apartamento.

Chegou no Valentino’s com alguns minutos de folga, o local estava bem tranquilo, com mesas vazias e poucas pessoas no bar.

Ziva olhou em volta e escolheu um assento que não era no centro do local, mas de onde ela tinha uma excelente vista da porta. Pediu sua tequila e esperou.

O relógio bateu 21:00 e seu coração disparou, a qualquer momento o Senhor 40 estaria ali.

Mais uma vez vasculhou o local e ficou surpresa quando viu Tony atravessar as portas do lugar. Ele estava de tirar o fôlego, todo vestido de preto.

Ela se concentrou, era muito azar que o encontro de DiNozzo fosse no mesmo restaurante que o dela.

Tony cumprimentou o maitre e abrindo um sorriso se dirigiu ao bar, ele procurava por alguém. Ziva se perguntou qual daquelas mulheres ali era a garota que sairia com ele hoje.

O sorriso de Tony ficou ainda maior, e era de tirar o fôlego. Ela tentou ignorar a presença dele e procurar por qualquer um que estivesse entrando no local. Só que ninguém mais chegou. E ela resignadamente teve que admitir que seu encontro tinha naufragado.

— Mas olhe só... vestido vermelho, bebendo tequila... é ou não é a Minha Pequena Confusa com a Língua Inglesa. — Tony disse ao se sentar do lado de Ziva.

Ziva congelou, não... não era ele. Ele não era o Senhor 40!

— Zee-vah!! – Ele a chamou, em um tom completamente diferente.

Ela olhou na direção italiano. E tinha algo de diferente nos olhos verdes dele.

— Três meses querendo matar o cara que se senta na sua frente só para descobrir que eu sou esse cara! – Ele disse calmamente. – Bem que você me falou que ele era cego.

Ziva não tinha palavras para o que estava acontecendo.

— Eu fui completamente cego em não notar que era você no outro celular.

— Mas você nunca me notou Tony! – Ela protestou.

— Eu te notei, Ziva. Só que fui medroso demais para dizer algo.

Ziva não acreditou naquilo.

— Medo? — Perguntou.

— Você, sempre confiante de si mesma, sempre sabendo o que dizer para me por no meu lugar... nunca achei que você ia querer a mim...

— Mas Tony... eu... eu te dou dicas desde o primeiro dia...

Tony sorriu para Ziva, um sorriso novo.

— E eu não?

A voz de Ziva sumiu... então os dois... foram dois tolos. Tinham sentimentos um pelo outro desde sempre, mas ficaram com medo...

Não... ela resolveria isso, e seria agora.

Ziva deixou seu drink em cima do balcão, se levantou, Tony acompanhou seus movimentos, deliberadamente olhando-a, mas seus olhos eram cautelosos.

— Eu vou deixar as evasivas para trás. – Ziva disse ao notar que ele temia que ela fosse embora.

E a israelense fez o que ela queria fazer desde o momento em que viu Tony pela primeira vez. Ela pegou o rosto dele em suas mãos, encarou o fundo dos olhos verdes até que ela viu que ele sabia o que ela estava prestes a fazer e o beijou.

Não era o primeiro beijo deles, já que quando os dois se disfarçaram, eles tinham se beijado.

Mas aquele era um beijo diferente. Pois agora ele carregava o significado de cada um dos sentimentos que ela tinha dentro de si. e pelo que ela notou, era o mesmo para Tony.

Infelizmente eles tiveram que interromper o beijo, mas aquele era só o começo.

— Você ainda vai querer jantar comigo, Zee-vah?

— Não me produzi toda por menos, Senhor 40!

Tony pegou Ziva pela mão e a guiou para uma das melhores mesas do local.

Tudo estava perfeito, Ziva se sentia finalmente realizada. Agora ela tinha tudo o que desejara.

A hora passou rápido e em um momento em que ela estava absorta nos olhos de Tony, seu celular tocou, a vontade era deixar tocar, ela não queria estragar o momento. Só que o celular de Tony tocou também.

Os dois suspiraram, lançaram um olhar para o identificador de chamadas e quando atenderam disseram uma única palavra:

— Engano.

Desligaram e retornaram para o mundinho particular deles. Pois ali era muito melhor.

— Bem que você disse que queria conversar comigo olhando nos meus olhos. – Ziva disse, completamente rendida por Tony.

— Normalmente eu acerto sobre essas coisas, mas hoje eu tenho muito mais do que eu mereço.

E esse foi o primeiro encontro de muitos que Ziva e Tony tiveram. Dois anos depois, eles oficializaram a união tendo um certo chefe linha dura como padrinho.

E, como se fosse o cliché de um filme ruim, sim, eles viveram felizes para sempre!

Notas finais
TIVA FOREVER!!!! Obrigada a quem leu!!! Até a próxima oneshot!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!