The Daruma Doll
1 Único
Notas iniciais
Ele não gostava de apenas algumas coisas na vida. A maioria delas estava relacionada a como as pessoas reagiam à herdeira e como a herdeira reagia às pessoas a sua volta. Ou deixava as pessoas lhe tratarem.
E algumas pessoas tratavam a herdeira muito mal, apesar de sua posição dentro do clã mais importante de Konoha.
Neji odiava pessoas que não sabiam seus lugares.
No entanto, havia algo que ele não sabia como lidar.
Pessoas e suas crenças… Na verdade, era sobre crentes. E Hinata, sua prima, era uma crente.
Kami, ele realmente não sabia como lidar com isso.
Hinata, sua amável e doce prima era uma crente. Ele, por outro lado, sempre fora cético. Sendo o guardião da herdeira, o guardião dela, era um luxo que ele não poderia se dar.
Tinha que sempre estar em guarda, alerta a todo tempo e ciente de seus arredores. Mesmo que ela fosse uma kunoichi que tinha se provado capaz inúmeras vezes, ainda era seu dever zelar por sua segurança e Neji iria pro inferno caso não cumprisse seu papel com perfeição.
O fato de Hinata ser uma crente significava que ela confiava nas pessoas muito facilmente e, às vezes, elas representavam uma ameaça que a herdeira nem sempre estaria disposta a reconhecer porque acreditava que todos eram tão bons quanto ela.
Ele podia ver isso agora enquanto andavam juntos pela feira livre. Pessoas usavam a bondade dela para fazê-la comprar coisas inúteis porque, de acordo com eles, trariam boa sorte e Hinata era uma fraca para tais objetos.
Neji mal podia carregar qualquer outra coisa em seus braços. De plantas, flores, doces, bebidas e até animais empalhados, ela decidira comprar tudo que as pessoas diziam fazer bem.
Até agora, ele havia aprendido que havia coisas para facilitar a gravidez — havia algumas pessoas que acreditavam que eles realmente eram um casal; Hinata havia corado lindamente, exceto que a forma como ela costumava chamá-lo, os fazia parecer pervertidos —, para alcançar boa saúde, ganhar mais dinheiro e simplesmente se sentir relaxado e feliz ou, ainda, ter uma boa noite de sono.
Neji estava surpreso por ela ter aceitado rapidamente o amuleto relacionado aos pesadelos. Imaginava que tipo de sonhos visitavam a herdeira recentemente. Ela teria visto sua sobrancelha se arquear levemente se a quantidade de coisas que carregava não estivesse escondendo sua face de qualquer escrutínio.
Quando alcançaram um dos últimos estandes, percebeu ter errado feio ao decidir acompanhá-la.
Bem… Não que a opção restante parecesse boa...
Era ou vir com Hinata para a feira de rua, ou treinar Hanabi pelo resto do dia. E mesmo que gostasse de lutar com sua prima mais nova, e ela era uma lutadora capaz, ela havia se tornado uma adolescente astuta e intrometida.
E pensar que havia descoberto sobre eles.
Descoberto sobre a relação deles. Melhor: sobre a relação secreta deles que não era mais tão secreta.
De primeira, Hinata se sentira corajosa. Atrevida. Eles poderiam contar ao pai dela sobre eles, sobre a sua relação. Não era errado. Na verdade, era bem comum ter pessoas de clãs grandes e importantes se casando de forma a proteger e continuar a kekkei genkai.
O que Hinata não percebia é que havia algo diferente em sua situação: eles eram de diferentes setores dentro do clã Hyuuga. Os anciões da casa principal prefeririam morrer a ter alguém como ele, um plebeu da casa secundária, casando com a herdeira.
Era melhor vê-la casada com alguém totalmente diferente e perder o Byakugan a ter Neji lidando com as políticas do clã.
Não importava que ele fosse um jounin antes de todo mundo em sua classe e um habilidoso membro da ANBU com tenros dezessete anos. Ele ainda era um membro da casa secundária e sempre seria.
Aquele conto de fadas estava fadado a fracassar.
Mesmo que Neji não acreditasse mais que o destino controlava a tudo — Naruto havia mostrado o quão errado ele estava e por isso era grato —, ele não era tolo o suficiente para acreditar que eles pudessem ir contra tal destino em particular.
Era inútil lutar contra. O quanto antes percebessem, melhor para eles — especialmente para ela.
“Neji-nii-san?” Sua voz doce o tirou de seus pensamentos. Ela tinha uma expressão confusa. “Você está bem?”
Ele balançou a cabeça positivamente, sem se preocupar em dar uma resposta concreta.
Às vezes odiava isso.
Odiava como ela o chamava de nii-san em público e como eles sempre tinham que se segurar e ter breves momentos de felicidade enquanto outros, como Temari e Shikamaru, podiam gritar para o mundo seu amor — não que Neji fosse fazer algo do tipo, demonstrações públicas de afeto nunca combinaram com ele. Era um amante silencioso, mais disposto a ficar quieto e demonstrar seus sentimentos de forma física ao invés de usar palavras.
Palavras eram tão inúteis quanto uma tempestade em um dia quente. Depois que o solo secasse, permaneceria quente, se não ficasse mais quente.
Era a mesma coisa com palavras. Depois que eram ditas, seriam provavelmente esquecidas. E palavras que não podiam ser provadas em atos eram apenas enganosas. Mais como uma arma para ferir aqueles que mais amamos.
Neji não machucaria Hinata de novo.
Porque ele já havia a machucado tantas vezes e por motivos tão tolos.
Ele nunca diria as palavras.
Olhando para cima, percebeu que era quase noite e apesar do fato de estar prestes a esquecer como era ter o sangue fluindo em seus braços livremente, ele gostara da feira e da falação desnecessária e feliz de Hinata mais do que deveria.
“Por favor, não me diga que você vai comprar mais um desses souvenires, Hinata-sama,” ele a repreendeu quando ela abriu a pequena carteira de pano e puxou algumas moedas.
“Mas isso é tão...” Olhou para o vendedor ancião e de volta para a pequena coisa... O que era aquilo mesmo? Tanto faz, era apenas sem graça e...
“Feio?”
“Calminha aí, meu jovem…” O ancião balançou a cabeça. “É um amuleto bem poderoso, eu não brincaria assim se fosse você.”
Ótimo, porque você certamente não é, oyaji.
“Poderia me dar quatro deles, por favor?” Hinata pediu, contando em seus dedos as pessoas para quem daria a boneca feia — amuleto, deveria se lembrar.
“Quatro?” Neji perguntou, curioso para saber onde carregaria mais quatro daquilo.
“Sim... Um para o meu pai e Hanabi, um para mim e outro, é claro, para você, Neji-nii-san,” respondeu ela com gentileza ao pagar o vendedor e carregar a sacola ela mesma.
Eu?
Ela realmente esperava que ele se interessasse por tal besteira?
Ele ficou tão espantado que não percebeu que ela caminhava a sua frente, de volta à Mansão Hyuuga.
“Vamos?”
Ele apenas balançou a cabeça positivamente.
“Mal posso esperar para sentarmos na varanda e fazermos os nossos pedidos.”
Neji engoliu em seco.
Oh, Kami… não havia dúvidas. Ela realmente esperava que ele, o cético, se engajasse com tais disparates. Que perda de tempo.
#
Sentado no jardim, perto da varanda onde Hinata pediu para se encontrar com ele, Neji flexionou os braços de novo. Parecia que o sangue não voltaria a bombear em certos lugares, mas, apesar disso, ele se sentia contente.
Se Hinata estava feliz, então ele também estava. Não havia como ficar infeliz quando ela parecia tão feliz no caminho de volta e falando de forma feliz e agindo de forma feliz.
Era realmente bom.
Tê-la falando tão livremente com ele. A proximidade que eles construíram após o Exame Chuunin era mais do que bem-vinda. Quem diria que tomar uma surra de Naruto o faria ver o quão errado ele estivera o tempo todo sobre Hinata.
E quem diria que um dia a herdeira tímida e quieta se sentiria confortável com ele. Iria falar com ele e procurá-lo?
Que reviravolta em suas vidas por causa de Naruto.
Neji sorriu.
O garoto prodígio, aquele que poderia ver tudo era o mais cego de todos. E continuara cego por um bom tempo após Hinata se aproximar.
Estava cego para seus sentimentos.
Cego para os sentimentos dela.
Cego pela culpa.
O menino que podia ver tudo, não podia ver nada no fim das contas.
Estava tão distraído que quase não notou os passos leves no piso de madeira. Quase. Seus sentidos eram muito aguçados para não percebê-los. Ele não se virou para encará-la, no entanto. Seus dedos pressionados ao redor do boneco horroroso. Boneco daruma, se ele não estava enganado.
“Neji-nii-san.” Ela se sentou ao seu lado. Uma das serviçais da cozinha a ajudou carregando uma badeja com o chá que ele assumiu ter sido preparado por Hinata — ela sempre os preparava — enquanto sua prima carregava dois pincéis e tinta preta — para o amuleto estúpido, concluiu.
Tão logo os utensílios e a bandeja foram depositados no chão, a serviçal os deixou sozinhos. Em silêncio, Hinata o serviu e o observou olhar para o céu estrelado.
“Obrigado, Hinata-sama.”
“Nós já discutimos sobre os honoríficos, nii-san.”
Olhando para ela de soslaio, ele inalou o vapor quente vindo do chá de matcha e falou, “Eu poderia dizer o mesmo sobre você, Hinata-sama.”
Não precisou olhar para ela para saber que sua face estava corada e ela, inquieta; seus dedos indicadores naquela posição antiga que denotava desconforto. Bebeu o chá e fechou os olhos.
“Desculpe-me… É difícil largar hábitos antigos…”
Silêncio se fez presente entre eles. Um silêncio confortável dessa vez, diferente dos tempos antigos, no qual silêncio sempre significava algo ruim e desconfortável.
“Aqui...” Ela se moveu no zabuton para pegar o pincel e a tinta preta. “Podemos fazer nossos pedidos?”
Neji pausou por um momento.
Então o momento que tanto temera finalmente chegara.
“Hinata-sama…” Não sabia como começar, mas sabia que precisava. “Eu não acho que...”
“Sim?” Seus olhos brilhavam em expectativa ao afundar o pincel na tinta.
Maldição.
Por que ela tinha que ser tão crente?
Por que tinha que ser tão difícil dizer não a ela?
“Oh… Você não sabe como fazer, não é? Você perdeu a explicação?”
Sim. Ele perdera.
Mas não era isso que estava tentando dizer.
Abriu sua boca de novo, mas o sorriso caloroso nos lábios dela o desarmou.
“É bem simples, Neji-n...” Ela parou e franziu as sobrancelhas. “Neji-san.”
Ele balançou a cabeça positivamente, apreciando a mudança.
Encorajada pelo gesto, Hinata continuou, “Você só tem que fazer seu pedido, olhos fechados, é claro, e pintar um dos olhos do boneco daruma.”
E quem, por diabos, fazia pedidos para um boneco? Um boneco feio antes de tudo?
“Quando seu pedido for realizado, você pinta o olho restante. Simples, não é?”
Balançou a cabeça novamente.
“Hinata-sama, olha…” Precisava dizer que era tolo. Um boneco nunca poderia realizar desejos. Era a mesma coisa que fazer um pedido para estrelas cadentes. Uma estrela que estava morta e a bilhões de anos luz.
“Você parece tenso.”
Neji fechou os olhos por um momento.
Ela era sem noção. Tão sem noção. E era exatamente por isso que havia se apaixonado por ela em primeiro lugar. Era gentil e crente, acreditava em perdão quando Neji firmemente acreditava que não havia como perdoar o que ele havia feito.
Pensava na melhor forma de dizer que enquanto ele acreditava ser algo tolo, respeitava suas crenças, por mais loucas que fossem, mas que não queria participar delas.
Neji abriu a boca, pronto para dizer o que achava — quando ficara tão receoso de dizer o que achava para ela, dentre todas as pessoas? Sempre fizera isso, independente das reações que poderia arrancar — quando ela falou por ele, “Você não acredita.”
Procurou por algum traço de ressentimento em seus olhos bonitos — olhos que espelhavam os dele — mas só encontrou curiosidade — a curiosidade que ele odiara por anos após a morte de seu pai e que viera a amar sempre que ela queria lhe perguntar algo após seus breves interlúdios.
“Por quê?”
“Por quê?” ele perguntou de volta. Não sabia a razão. Era simplesmente tolo. Não havia outra forma de dizer isso. Não havia como um boneco, um boneco da sorte, conceder o que quer que desejasse.
Talvez fosse porque o que ele desejava nenhum ser superior poderia lhe dar. E todas as outras coisas poderia conseguir sozinho.
Permaneceu quieto, procurando formas de lhe dizer isso, mas falhou miseravelmente. Não era realmente um homem de muitas palavras.
“Eu entendo, Neji-san...” Seu suspiro soava... aliviado? o que o fez olhar para ela confuso, mesmo que sua face permanecesse estoica. “Eu nunca poderia forçá-lo a fazer algo que você não acredita...”
Então ele se tocou…
Era só mais das características de Hinata. Ela só estava sendo a compreensiva e preocupada Hinata. Era uma característica que o irritava e maravilhava. Como ela podia se preocupar e colocar o bem-estar dos outros acima do dela própria?
Até pensou em concordar e ceder, mas não daria certo. Não seria ele e Hinata saberia.
E ficaria chateada.
E Neji jurou que faria tudo em seu poder para nunca mais chateá-la.
“Eu posso pegar de volta se você não quiser...”
“Não.” Pressionou os dedos ao redor do boneco feio.
“Bem... Se um dia você mudar de ideia...” Ela deixou o resto da frase no ar, seus olhos brilhando com esperança.
“Eu não vou.”
Sua resposta presunçosa a fez corar loucamente e enterrar o nariz de volta no chá, o vapor quente cobrindo parte de suas bochechas cor-de-rosa.
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Ele se despediu quando Hinata terminou de pintar o olho do boneco horroroso. Não deixou escapar, mas bem no fundo estava morrendo de curiosidade para saber qual era seu desejo.
Sim, o membro da ANBU — o prodígio, tinha que se lembrar disso —, Neji, estava bem ciente de que curiosidade não era uma característica que deveria cultivar. Curiosidade matara o gato afinal de contas.
Ao invés de perguntar, ele a deixara ir embora e decidira voltar para onde pertencia. Seu quarto na casa secundária estava localizado numa área privada, longe de todos. Diria que era um lugar estratégico. Longe de todos os membros da casa secundária, mas perto o suficiente do quarto da herdeira. Se a necessidade de protegê-la surgisse...
Neji removeu seu kosode, caminhando até a pequena escrivaninha em seu quarto com a parte de cima de seu corpo despida. Ali, sobre a mesa de madeira, colocara o boneco Daruma. Olhou para ele e pensou novamente o quanto era feio até as palavras de Hinata repassarem em sua mente.
Bem... Se um dia você mudar de ideia...
Apesar de sua resposta, sabia que ela gostaria caso ele acreditasse em tais coisas. Ele poderia até tentar, mas Neji havia visto muito na vida — mesmo para sua tenra idade — para comprar tais histórias fantasiosas.
Olhou por cima do ombro e notou a escuridão e quietude do quarto. Abriu a primeira gaveta da escrivaninha e retirou alguns papéis, a tinta e um pincel para praticar um pouco de shodō antes de ir para cama, mas parou ao ouvir passos suaves no piso de madeira.
A sombra de um sorriso delineou sua boca ao caminhar para a origem do som e surpreender o intruso ao pressionar seus lábios contra os dela num beijo lento ainda que profundo.
“Neji…”
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Eram altas horas da madrugada quando eles finalmente se afastaram e deitaram no futon, recuperando suas respirações. Ele não era muito falante após fazerem amor, mas a herdeira parecia gostar de falar mais do que deveria ser apropriado para o bem de ambos.
De primeira, Neji se questionara se alguém os pegaria, mas se ninguém ouvira os gemidos dela — ainda que ela tentasse ser quieta, ele sentia um prazer quase doentio em fazê-la entoar seu nome o mais alto que pudesse — então ninguém a ouviria falar — quase sempre sozinha, porque ele geralmente só iria ouvir, balançar a cabeça e, às vezes, soltar um comentário ácido ou arrogante que a faria rir.
“O que houve?” questionou, removendo alguns fios de seu cabelo cor-de-corvo que grudavam em sua testa suada.
“Nada...” Sorriu timidamente. Logo em seguida, se inclinava para beijar o maxilar forte dele e brincar com seu cabelo longo. “Eu estava apenas...”
E as palavras morreram em sua boca ao suspirar em contentamento.
“Apenas...” perguntou de volta, sono finalmente o tomando por completo.
“Estou feliz...” Bocejou. “Feliz por estar aqui… com você.”
Ao invés de responder, ele a beijou levemente nos lábios e se moveu para o lado para lhe dar mais espaço em seu futon. Ele nunca contaria para ela, mas a repentina confissão fez com que seu coração vibrasse levemente. E Neji pensou que essa era uma distração que não precisava em sua vida, mas que já estava lá e não iria embora.
Na verdade, se isso significasse afastar Hinata — mais cedo do que ele sabia que iria acontecer, porque iria acontecer um dia — ele deixaria tal distração tomar conta dele mais um pouco, totalmente feliz.
“Por favor… Não me deixe dormir muito, Neji-nii-san…”
Não houve resposta dessa vez também e se houvesse, ela não teria ouvido. Seu abraço sobre ela se apertou quando ele, também, adormeceu.
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Era quase dia quando Hinata finalmente abriu os olhos. Neji estava ao seu lado, mesmo que não a abraçasse mais. Apoiando-se em um cotovelo, ela o observou.
Ele dormia pacificamente, seu cabelo de um rico tom castanho caia em sua face e peito nu. Lentamente ela traçou seu dedo sobre a garganta dele, muito distraída para notar o movimento sob seu toque. Ele não despertou, no entanto.
Deixou seus olhos percorrerem o quarto — o lugar onde seus interlúdios noturnos geralmente aconteciam, seu paraíso sagrado e secreto — e se maravilhou diante dos poucos móveis. Ele era um homem prático, sempre fora — o que explicava sua recusa em fazer um pedido para o boneco Daruma.
Não importava.
Hinata o amava da mesma forma. Seu primo cético, teimoso e por vezes radical. E ainda assim um amante doce e carinhoso.
De alguma forma, estava feliz que ele não rendera por causa de suas crenças. Não seria ele. Ela era a crente e ele era seu oposto, o descrente. E ela o amava por isso.
Não o amaria de outra maneira.
Seus olhos pararam, no entanto, em alguns papeis desarranjados e tinta espalhada em sua escrivaninha. Lá, no meio de tudo isso, estava o pequeno amuleto que havia comprado naquela tarde.
Levantou-se com cuidado da cama e caminhou até a mesa.
Seus olhos se arregalaram diante da visão.
O boneco Daruma tinha um dos olhos pintados.
Como?
Quando?
Por quê?
Um grunhido alcançou suas orelhas, fazendo com que ela congelasse no lugar, à espera de um Neji completamente acordado. Mas ele apenas se virou para o outro lado e abraçou o makura.
Um pequeno sorriso tomou conta de seus lábios ao caminhar de volta até ele e plantar um leve beijo em sua testa. Bem acima do selo que ele agora não tinha mais vergonha de exibir.
“Obrigada por me amar.”
Ainda sorrindo, Hinata recolheu suas coisas e deixou o quarto antes que ambas as casas principal e secundária despertassem para o dia.
Parecia que seu desejo se tornara realidade antes do que ela esperava.
Sim. Neji poderia nunca acreditar. Mas bonecos Daruma realmente funcionavam.
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