The Darkest Worlds - Livro I - Sangue & Ódio
8 Capítulo 8 - Ira
Notas iniciais
O Herobrine olhou-a com choque.
– Você?! – ele exclamou, admirado.
– Sim, eu. – Ela riu, se aproximando do Herobrine, segurando um machado de 1,70 metros, com cabo de couro e uma lâmina de um só gume, com uma minúscula parte, no lado oposto do da lâmina, que se assemelhava á um martelo, além de um prego de aço um pouco acima dessa parte de martelo. As tatuagens do pentagrama de Lúcifer brilhavam em um tom vermelho sangue bastante vívido nos antebraços dela. As íris dela mudavam lentamente de cor, passando do castanho ao âmbar, do âmbar ao vermelho, do vermelho para o castanho... – Você acha que eu ia ficar de fora dessa?
– Não... Mas não achava que você ia se aliar á Red. Pelo menos, não á esta altura do campeonato, comigo na jogada. – falou o Herobrine, olhando-a.
– Ah, mas é EXATAMENTE por isso que entrei no jogo ativamente. – ronronou Mary. – Eu trabalhava de espiã para Red fazia anos e anos, e sempre lhe dei informações sobre o que acontecia. Mesmo na Nether Core Prision, eu conseguia me comunicar com ele. Foi assim que consegui fazer com que o Suicide Mouse localizasse a prisão. Foi sempre assim, mas apenas serviços leves. Eu jamais me ousaria me opor á você se o próprio Red não tivesse certeza absoluta que conseguiríamos algo de você... Compreenda, você é uma área particularmente perigosa de se mexer. Sempre irritamos a Mente Mestre, o Deus Supremo da Loucura, o Slendy, o Firebrand, e, antes, Gold. Mas um ataque direto á você seria algo fadado ao fracasso. Red queria se aliar á você, mas quando viu que você recusaria, ele passou á tentar deixá-lo, no mínimo, neutro á nossa causa. Mas, hoje, quando você decidiu se aliar ao grupinho de amigos, resolvi que já era hora de... – Ela sacou um revólver S&W 500, e ela retirou balas de prata do cinto cheio de munições, e começou á carregar o revólver. Ao carregá-lo, ela girou o tambor do revólver, ainda conversando: — Acabar com você. Red me mandou, achando que finalmente era um perigo você estar vivo. Então, desculpe, ex-chefinho, mas devo te alertar que vai morrer.
– Mais balas de prata... – grunhiu o Lobisomem, frustrado.
– Espere aí. – interrompeu o Jeff, e Mary olhou-o. – Então porque nos ajudou?
– Para ganhar a confiança do Herobrine, tolinhos. – disse Mary com um sorriso sádico. O chefe da gangue parecia aterrorizado. Ele apontou a Desert Eagle na nuca de Mary, mas, sem sequer olhar, a Mary simplesmente mirou na cabeça dele de costas e disparou, rompendo o olho esquerdo do homem. A bala saiu pela parte de trás da cabeça dele, e o homem morreu instantaneamente.
– Ah, sim, onde estávamos? – perguntou Mary, vagamente interessada.
– Sobre a parte de ganhar a minha confiança... – disse o Herobrine calmamente, mas com os olhos faiscando. Enquanto conversavam, o Jack adiantou-se até a Jane e a levantou, passando um braço dela por cima dos ombros dele. Ele olhou-a, preocupado. A pele morena da forma humana dela empalideceu pela perda de sangue, além de que ela nem conseguia ficar de pé.
– Ah, sim. – disse Mary, satisfeita. – Enfim, para encurtar a história, resolvi que eu mesma deveria acabar com você, por isso, e por causa de seu amiguinho lobisomem, fiz essas balas aqui. São feitas de prata e são benzidas, além de consagradas. Sério, isso arde muito e queima quando eu toco, mas não é nada comparado o que você ou o que o Lobisomem vai sentir...
– Meu pior pesadelo. – disse o Lobisomem, olhando para o revólver. – Mas não vou recuar só porque esse clarinete tá apontado na minha direção.
– Claro que não! – exclamou Mary, indignada. – E nem eu seria tonta o suficiente para enfrentar todos vocês só com o Gold ao meu lado. Mesmo com esta belezinha de revólver aqui, eu estaria morta se os enfrentasse abertamente. Então eu trouxe amigos até aqui.
Em seguida, das sombras, outros dois seres se formaram. Mas quando eles saíram das sombras, um deles se revelou como Wendigo, o outro se revelou como um homem de cabelos ruivos um pouco bagunçados, barba pequena ruiva também, olhos de íris douradas, corpo másculo, alto, bronzeado e um meio sorriso na cara. Ele se vestia com uma camisa regata branca, calças jeans e tênis brancos. Porém, o homem tinha um olhar duro, como se alguém que participa ativamente do mundo do crime.
– Jersey Devil. – disse o Herobrine, nem tão surpreso. – Eu sabia que o Wendigo iria atrás da Mary, e que você iria atrás do Wendigo.
– Chegando com essa linha de raciocínio, é verdade. – disse Jersey, sorrindo. Ele portava uma metralhadora RPD. Wendigo empunhava uma escopeta Maverick 88. Mary colocou o machado de pé no chão e apoiou-se preguiçosamente neste, enquanto retirava uma submetralhadora MP5K de dentro da jaqueta de pano negro, guardando o revólver em seguida. – Afinal, somos amigos bem unidos... E jamais abandonaríamos uns aos outros. – Jersey ainda sorria. – Eu pensei em recusar esse convite de eu juntar á Red, mas os benefícios foram maiores do que as perdas... E cá estou eu, com a oportunidade de comer carne fresca, matar gente e se aliar com meus velhos amigos.
– Bem, chega de papo. – disse Mary, destravando a MP5K. – Vamos resolver isso logo.
O Herobrine conseguiu reagir á tempo, quando o Wendigo engatilhou a Maverick. O disparo dela passou por cima do ombro dele, deixando uma corrente de ar quente passar por cima do Herobrine. O disparo da Maverick atingiu uma lata de lixo, provocando uma chuva de faíscas e derrubando a lata de lixo, e espalhando seu conteúdo pelo solo.
O Lobisomem saltou, silencioso como a noite e veloz como uma sombra. Ele voou na direção de Gold, mas Gold o viu, e, infelizmente, a Mary o vira também. A Mary trocou a MP5K pelo revólver rapidamente. Ambos miraram no Lobisomem e dispararam. O disparo da Stakeout explodiu o peitoral do Lobisomem em sangue e carne destruída, e o disparo do revólver da Mary alojou-se perigosamente perto de uma veia. O sangue jorrava da ferida junto com a fumaça fervente. O Lobisomem caiu no chão, imóvel.
O Herobrine fez um muro de pedra romper o solo á frente dele e se colocar á frente dele, para ele se proteger. Porém, a Mary riu desdenhosamente e apontou uma mão para o pequeno muro de pedra. Um jato de sangue fervente foi jogado na pedra á partir da mão dela, e ao atingi-la, derreteu-a em um líquido fervente e pastoso. Lava.
O Herobrine arquejou de dor quando a lava fervente atingiu-lhe as pernas, fazendo-o pular para trás enquanto as chamas lhe devoravam a carne, mas, antes que qualquer pessoa pudesse fazer algo, a Mary trocou o revólver pela MP5K e o grupo dela começou á disparar.
O tiro da Stakeout esburacou o braço esquerdo do Herobrine, enquanto o tiro da Maverick abria-lhe um ferimento no peitoral. A MP5K da Mary esburacava a carne do Herobrine, e a RPD finalizava o serviço, atingindo quase todas as partes do corpo do Herobrine com sua rajada de tiros rápidos e mortais.
O Herobrine ficou parado por um tempo, enquanto o sangue esguichava de cada buraco que era aberto em sua carne, e então, lentamente, caiu de costas, sem vida. Agora, era apenas um corpo agredido e ensanguentado, pontilhado de buracos. O sangue escorria das feridas e da boca, em um filete de sangue.
Todos ali presentes estavam boquiabertos, exceto pelo grupo da Mary. Eles sorriam satisfeitos.
A Jane perguntou com frustração:
– Herobrine?!
O Jeff murmurou:
– Puta merda...
O Jack olhou para o Herobrine com anseio, esperando uma reação, mas não veio nenhuma do corpo imóvel. Uma chuva leve começou á cair pelo local, enquanto nuvens negras infestavam o céu. A Mary riu.
– Esse era o “Grande Lorde dos Mortos”... O cara que se opunha á Mente Mestre, o cara que se opunha á Red, mas ele agora só é um pedaço de carniça agredida.
A Jane, o Jeff e o BEN correram até o Herobrine. Após alguns segundos de hesitação, o Jack e o Silver também o fizeram.
A Jane estapeou de leve a face do Herobrine, fazendo-a pender levemente para um lado.
– Ah, não morre não. Se você morrer, nós também vamos morrer, e não quero morrer! – exclamou a Jane. – E de qualquer jeito, temos que matar Red! Não morre não! E não viajamos até a Antártica para nada!
– Se você sobreviver, eu convenço a Jane dar para você! – exclamou o Jeff.
O BEN murmurou:
– Merda...
Mas então, os olhos do Herobrine se abriram. Antes brancos brilhantes, agora eram vermelho sangue. A Jane engasgou e se afastou, espantada. O Jeff exclamou, admirada:
– Foi só eu falar da Jane! Pelo poder da Mente Mestre, todo mundo quer apertar a bunda da Jane...
Então a Jane socou-lhe o rosto.
– Vai se foder, Jeff. – ela disse, corando.
O Jeff começou á rir, e o BEN e o Jack também começaram á rir, sem poderem resistir á aquela estranha dupla.
Porém, um grunhido ameaçador os fez voltar á olhar na direção do Herobrine. Ele se levantara, mesmo esburacado e ensanguentado, e ele abaixou a cabeça, deixando uma sombra cair em seu rosto. Eles empalideceram, exceto pela Mary, que sorriu diabolicamente. A Mary, Wendigo e Gold recarregaram as armas, mas a RPD do Jersey precisaria gastar balas demais para precisar recarregar.
Todos atiravam, sem um momento de descanso ou interrupção. O Herobrine permanecia parado, recebendo balas e mais balas sem sequer se mexer, enquanto esguichos de sangue saíam de sua camisa. O Herobrine sorriu sinistramente enquanto era baleado.
O grupo de Mary parou de sorrir, e encaravam o Herobrine com perplexidade. Ele gargalhava.
Ele gargalhava insanamente, como se nada no mundo o divertisse mais do que isso. O grupo do Jeff o olhava com assombro e uma ponta de temor. E então o Herobrine ergueu a cabeça.
Os olhos dele estavam brancos novamente, mas a maior parte da parte superior do seu corpo estava envolta pelas sombras. O lugar esfriou e pareceu se escurecer ainda mais. As feridas do Herobrine eram agora escondidas pelas sombras, somente distinguíveis pelo cheiro de sangue e pelo líquido roxo que agora escorria no lugar do sangue.
– Only God can save you now. – disse o Herobrine, sorrindo de um modo demente, enquanto sua cabeça pendia levemente para o ombro direito. Somente Deus poderia salvar o grupo da Mary agora.
– MATEM-NO! – gritou Mary. Mas antes que qualquer um pudesse sequer pressionar o gatilho, parte da construção da loja desabou. Jersey gritou quando os escombros caíram por cima dele, o enterrando completamente em quilos e mais quilos de pedra, madeira e tijolo.
Sombras romperam o solo á partir do lugar em que o Herobrine pisava, e as sombras tomavam formato de caudas e ferrões de escorpiões, que iam sem cessar atrás de suas vítimas. Gold evocou uma cimitarra dourada e a empunhou com a mão esquerda. Ele posicionou a direita á frente do corpo, e um halo de luz dourada recaiu-se sobre ele. Uma barreira transparente se formou entre o grupo da Mary e os ferrões negros, que se dissiparam em vapor quando se chocaram com a barreira.
Pequenas galhadas de alce cresceram das laterais da cabeça de Wendigo, e suas unhas ficaram afiadas e um pouco maiores, além de enegrecidas. Wendigo aumentou um pouco de tamanho e ganhou músculos maiores, além de pelos que se espalhavam pelos antebraços, peitoral e rosto. A íris do olho dele, agora âmbar, crescia e começava á tomar mais espaço no rosto dele. Seus braços se alongavam, e seu nariz começava á assumir traços de um focinho.
A pele de Gold se embranqueceu. Os olhos dele ficaram negros, com pupilas e íris vermelhas. O colete dourado dele brilhou com uma aura sinistra, e ele adquiriu um halo de luz dourada.
O Herobrine riu sadicamente e ele olhou de lado para o poste de ferro fincado na calçada de concreto. Ele agarrou o poste com as duas mãos e, após um pequeno esforço, o retirou do chão, o empunhando como ambas as mãos.
Gold avançou, com a cimitarra dourada brilhando com chamas ardentes. O Herobrine golpeou horizontalmente com o poste, num movimento semelhante aos que os batedores de baseball costumam usar com o taco.
Ao ser atingido, Gold saiu voando e atingiu as costas numa parede, quebrando-a. O Herobrine jogou o poste em Wendigo. O poste foi rodando em direção de Wendigo, como uma imensa hélice. Wendigo se jogou no chão e o poste saiu por cima de sua cabeça e destruiu a casa atrás dele, levantando uma nuvem de poeira.
O Wendigo se levantou, mas o Herobrine avançou nele e agarrou seu pescoço, posicionando a outra mão nas costas de Wendigo. O Wendigo sufocou um grito de alarme, e o Herobrine o ergueu acima do solo e desceu as costas dele com força no chão de concreto. A área de impacto se quebrou e o concreto se ergueu nas bordas do corpo de Wendigo quando as costas dele bateram no chão com força assombrosa.
O Herobrine ergueu a mão esquerda, e nela, se solidificou a picareta de diamante. O Jeff olhou, confuso, onde a picareta tinha caído antes. Ela tinha desaparecido. O Jeff deu de ombros e continuou observando a luta, mas então notou que Mary trocara a MP5K pelo revólver e mirara calmamente nas costas do Herobrine. O Jeff alarmou Jack:
– Olha a Mary!
O Jack assentiu e deixou a Jane nos cuidados de Silver, e mergulhou na direção da Mary. Estavam distantes demais para o salto de o Jack alcançar Mary, porém, ele se desfez em sombras no meio do ar, só com a cabeça visível na frente da cauda de vapor negro que antes era o seu corpo. A cabeça dele agora estava envolta por um capuz, e ele tinha a velha máscara lhe encobrindo o rosto.
Da trilha de vapor, dois braços negros com luvas negras surgiram, bem próximos da cabeça. As duas mãos seguraram os braços da Mary, e um deles ergueu o cano do revólver quando Mary ia pressionar o gatilho. O disparo errou o alvo pretendido e cruzou o ar acima deles.
– MALDITO! – gritou Mary, atingindo a lateral da cabeça de Jack com a coronha do revólver. Jack se formou completamente, de volta á sua forma verdadeira. Mary xingou e guardou o revólver. Ela segurou o machado e pisou com força no peitoral do Jack, impedindo-o de sair do lugar. A Mary ergueu o machado acima dele, mas quando este foi descido, duas lâminas pararam o machado.
BEN e Jeff tinham disposto as lâminas da espada e da faca deles em forma de “X”, cruzando-as e protegendo Jack. O choque do machado fez os dois tremerem, mas se mantiveram firmes.
– Saiam já daí! – exclamou Mary, irritada. Não foi exatamente um pedido, pois em seguida, ela abriu a boca, e de lá, um vapor vermelho saiu de sua boca e atingiu o rosto do Jeff e do BEN, os fazendo sufocar ao aspirar aquele ar e sentiram uma ardência e uma sensação de acidez em suas garganta e narinas. Sangue em forma de vapor.
Em seguida, a Mary chutou o peitoral do Jeff, o jogando ao solo, sentado, e ela desceu o machado na cabeça do BEN. Se ele não fosse esperto, estaria morto. Ele rolou quando o machado cortou o concreto que estava antes como se fosse manteiga. O BEN mergulhou no tórax da Mary e a derrubou no chão, enquanto ela o xingava aos gritos.
Então eles escutaram o som de sirenes. Sirenes da polícia. Provavelmente o povo tinha escutado a casa cair e o tiroteio. As sirenes estavam razoavelmente distantes, mas próximas o suficiente para serem ouvidas.
– O TEMPO ACABOU! – berrou Mary. – VAMOS EMBORA!
Dos escombros, uma imensa trave de madeira foi levantada, e de lá, saiu Jersey. Só que ele agora tinha pele com uma textura de couro, pelos castanhos lhe cobria o corpo, além de dois chifres negros bifurcados que saíam das laterais de sua cabeça. Ele agora tinha quase dois metros de altura, músculos destacados, olhos completamente amarelos exceto pelas pupilas negras. A boca dele era curvada e longa como um focinho de cavalo. O nariz dele fora substituído por um focinho, e no queixo dele, ele trazia duas presas curvas, curtas e afiadas. Ele tinha garras negras pequenas, asas coriáceas bem grandes e uma carne marrom.
Sua voz soou demoniacamente ampliada quando ele perguntou:
– Os humanos vão chegar?
– Sim. E não estou com vontade de explodir uns carrinhos da polícia. Mentira, eu estou sim. – ela riu. – Mas Red ordenou um serviço discreto, mas esse filho da mãe não nos deixou finalizar o serviço... Então, temos de sair.
O BEN ergueu a espada e exclamou:
– Você não vai sair daqui!
Ele baixou a espada, visando decepar o braço da Mary com o golpe, mas ela dobrou o braço e deixou uma massa de vidro se expandir deste. Um escudo.
O vidro se partiu em cacos quando foi atingido, mas teve um efeito interessante: A espada do BEN ricocheteou e atingiu o próprio ombro. Ele exclamou, mais surpreso do que ferido.
Jersey olhou para o grupo do Herobrine com desprezo e assoprou uma baforada de gás esbranquiçado. Em seguida, ele correu até a parede de uma casa, e no momento em que ia se chocar nesta, ele atravessou a parede, sumindo dali.
A Mary se abaixou rapidamente e tocou um caco de vidro que estava no chão. Rapidamente, seu corpo foi absorvido pelo caco de vidro, e logo já não tinha mais nenhum resquício da Bloody Mary, exceto pelos cartuchos de munição descartados e os pedaços de vidro. O Wendigo desapareceu em um redemoinho de sombras. O Gold explodiu em um clarão de luz que cegou e causou tontura em todos os outros ali presentes.
Quando conseguiram abrir os olhos, eles ouviram as sirenes da polícia, muito mais próximas agora. Porém, o gás que Jersey expelira deixara-os com dor de cabeça e lentos para reagir. Veneno.
O Herobrine não teve uma reação tão negativa quanto os outros, devido á sua transformação. Ele correu – embora tropeçasse por vezes – até o Jeff e a Jane. Ele disse para o Silver:
– Siga minha aura, leve a Jane.
Em seguida, ele olhou para o restante do grupo e disse:
– Para os que saibam teleportar, levem o Lobisomem. Sigam a minha aura!
O Jack e o BEN assentiram. O Herobrine fechou os olhos e se concentrou, apertando com força o antebraço do Jeff, que grunhiu em protesto. Em seguida, ambos se desfizeram em traços rápidos. O Jack e o BEN seguraram o Lobisomem, que estava caído no chão gemendo, e se teletransportaram em sombras. O Silver abraçou de lado a cintura da Jane e um raio de luz pálida caiu sobre ele e a Jane, e ambos se dissiparam junto ao raio de luz.
Quando a polícia chegou, já não estavam mais lá.
(...)
Barulhenta, com sons de grilos e mariposas cantando, corujas piando e o sibilar de cobras, além do som de animais noturnos na água e na terra.
Porém, na beira de uma água pantanosa, os escondendo do luar com gigantescas árvores, um grupo de gente abalada se materializou do nada.
O Jeff, Jane, Herobrine, BEN, Silver, Lobisomem e Jack Sem-Olho apareceram arfando. O Herobrine havia se destransformado, e estava com seus olhos brancos e cintilantes, mas ele tinha uma expressão de cansaço. Com grandes poderes, vinham grandes fadigas.
O que parecia estar menos abalado fisicamente era o Silver, mas ele fora mais afetado psicologicamente pela traição de Gold e pela aparição da Bloody Mary.
Após uns minutos de quase silêncio da parte deles, interrompido apenas pelos gemidos de dor do Lobisomem e dos arquejos de cada um, o Jack perguntou, cansado:
– Onde... Nós estamos?
O Herobrine fechou os olhos e se concentrou, mas o esforço pareceu fazê-lo se cansar ainda mais.
– Floresta... Amazônica. – ele disse, arfando.
O Lobisomem ergueu a cabeça, reconhecendo o nome. Ele tentou falar algo, mas só conseguiu produzir sons sem sentido e tossir sangue. O Jeff disse:
– Eu acho que é melhor alguém cuidar desse cara...
– Eu. – disse Jack. – Apesar de devorar órgãos, eu consigo fazer cirurgias. Não é á toa que sou um médico-soldado para o Zalgo.
Nada aconteceu, devido à permissão do Zalgo de ter seu nome dito. A permissão duraria até que ele dissesse, cara á cara com eles, que não era mais permitido.
– E eu. – disse o Herobrine com o olhar duro, embora cansado. – Eu consigo fazer poções... Posso ajudar nisso.
O BEN disse:
– OK, mas se ele morrer, a culpa vai ser de vocês dois.
– Aceito o risco. – disse o Jack.
O Jack sacou uma adaga de lâmina curva e serrilhada, e o Herobrine fechou os olhos e se concentrou. Suor brotou da sua testa, e ele pareceu ao ponto de desmaiar quando um frasco de poção rosa com uma aura roxa e azulada apareceu na mão dele.
– Se... Eu... Fizer... Isso... – Ele ofegava enquanto falava. – De novo... Eu... Desmaio.
Ele entregou a poção para Jack, e em seguida, caiu sentado no chão, ofegando.
O Jack pegou a poção pacientemente e se debruçou sobre o Lobisomem. Então olhou para a poção brilhante, que jogava uma luz rósea em seu rosto.
– Regeneração... – murmurou. – E no maior nível... Não é de se espantar que o Herobrine tenha quase desmaiado.
Ninguém mais entendeu, mas o Herobrine assentiu fracamente, enquanto lutava para sequer se colocar de pé.
O Jack olhou para todos e perguntou:
– Alguém tem alguma coisa para anestesiar o Lobisomem? Pois a coisa vai ser feia...
– Eu tenho! – exclamou o BEN. Todos se viraram na direção dele. Nas mãos dele, ele tinha uma pedra.
O Jack franziu a testa.
– O que você quer fazer com isso...
Mas foi interrompido quando o BEN jogou a pedra, e, certeira, atingiu a cabeça do Lobisomem. Ele desmaiou com o impacto.
Apesar de a pedra ter a possibilidade de causar um traumatismo craniano no Lobisomem, o Jeff, Jack, Silver, Jane e o Herobrine se puseram á rir.
Então o Jack disse:
– Certo... Vamos resolver isso logo...
Depois de dez minutos agonizante para o Lobisomem, da qual todos passaram o tempo de formas diferentes, o Herobrine cochilava pacificamente em um descanso para cabeça rústico feito de grama. O Jeff e o BEN conversavam e riam. O Jack, Silver e a Jane conversavam com seriedade, o Lobisomem finalmente teve a bala retirada. Em seguida, o Jack o fez beber a poção. Imediatamente, a carne destruída pelo tiro de Stakeout começou á se regenerar numa velocidade assombrosa. O buraco da bala de prata se cicatrizou rapidamente, e as bolhas ao redor dela desapareciam, e a carne passou á adquirir uma cor mais rosada do que o vermelho vivo anterior. Mas ainda assim, as bolhas não desapareceram e o vapor ainda saía da cicatriz, embora em escala reduzida.
Todos estavam mais tranquilos, com a fuga daquele lugar. O Jack perguntou para o Silver e a Jane:
– Vocês acham que é seguro acordar o Herobrine? Quer dizer, por que ele nos trouxe até aqui?
– É melhor deixar o cara dormir, ele precisa de descanso. – disse o Silver, taciturno. – Depois falamos disso com ele.
– Eu concordo com o Silver. – disse a Jane, observando o Herobrine. Ele parecia apenas um humano comum quando estava dormindo. Era inacreditável que, menos de meia hora atrás, ele era um corpo crivado de balas, ou um demônio de sombras. Parecia que aquela transformação dele o curara quase completamente, mas o deixara esgotado. – Mas precisamos saber por que ele nos trouxe aqui.
– E... O que vocês acham dele, até agora? – perguntou Jack, cauteloso. – Ele não me parece ser tão ruim o quanto diziam que ele era. Mas, sei lá, ele não me parece ser alguém muito estável...
– Sempre soube que o cara era perigoso, mas ele é mais útil do que imaginava, e ele parecer ser mais tranquilo. – disse Silver.
A Jane se lembrou da fúria do Herobrine e se sentiu tentada á discordar do Silver, mas então se lembrou que ele parecia muito mais calmo depois de ter saído do próprio castelo.
– Concordo, e ele parece ser um bom membro de equipe. Ele é perigoso, mas...
Ela foi interrompida quando o Herobrine abriu os olhos subitamente. Eles sobressaltaram-se, e o Jack murmurou:
– Será que ele escutou toda a nossa conversa?
Só que o Herobrine disse com a voz seca:
– Perigo. Sinto uma aura próxima.
Ele começou á se levantar, e nesse instante, uma seta em chamas apareceu entre seus pés, disparada por alguém de excelente mira.
Todos ergueram os olhos na direção em que viera o disparo, e só então notara que a floresta se silenciara demais de súbito. Então escutaram o trotar de um cavalo. E entre as árvores, apareceu uma imensa figura portando um grande arco de madeira. O arco estava posicionado em diagonal, de um jeito bastante incomum para um arqueiro.
Da parte inferior do corpo, o ser era um cavalo de pelo marrom-claro, robusto e forte. Mas da parte posterior, ele tinha um tronco musculoso humano, pele avermelhada, fortes braços, mas as semelhanças com o ser humano paravam por aí. A pele avermelhada do ser comprovava isso, além da grotesca cabeça. Os olhos eram duas fendas laterais vermelhas bem estreitas. O lábio superior do ser era puxado para cima, e o lábio inferior era puxado para baixo, revelando a gengiva vermelho-sangue do ser e seus dentes monstruosos e afiados, semelhantes á lâminas de facas.
O ser tinha chifres imensos e curvos, virados para baixo. Os chifres eram encobertos pela mesma pele vermelha do corpo, e diversos caroços e pústulas vermelhas pontuavam o rosto do ser.
O Jack perguntou, atento:
– Quem é você?
O ser demoníaco os olhou, com mais uma flecha com a ponta em chamas retesando a corda do arco. O ser falou com uma voz demoníaca:
– Meu nome é Anhanguera, o Diabo Brasileiro.
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