The Darkest Worlds - Livro I - Sangue & Ódio
5 Capítulo 5 - O Lorde dos Mortos.
Notas iniciais
Jeff achava que ia morrer.
O Gancho tinha um braço destroçado, a Jane estava profundamente confusa, o BEN ainda estava fraco, mas ironicamente, era o que estava em melhores condições. Dava para ver que Carlos não iria acordar tão cedo – isto é, se estivesse vivo – e o próprio Jeff estava confuso e enfraquecido. E além do mais, teriam de enfrentar a pessoa mais psicopata que já pisara na face da terra. Até mesmo Cthulhu reconhece isso. Nem ele cometeria a loucura de lutar contra Red.
Red riu. Uma gargalhada demoníaca, que ecoou pelo local.
O Jeff tentou avançar desajeitadamente, mas Red se esquivou facilmente do golpe da faca do Jeff e aplicou uma rasteira nele, fazendo-o cair no solo.
A Jane jogou a pedra na cabeça do Red, que se esquivou agilmente, mas Jane aproveitou o segundo que teve e pegou sua faca do solo, mas Miki rosnou e avançou na Jane.
Uma esfera de chamas formou-se na boca aberta de Miki, e a Jane contou os segundos com calma. Quando a bola de fogo foi disparada, a Jane jogou sua faca com uma precisão mortal.
Em câmera lenta, a Jane viu tudo. A respiração pesada do Lobisomem, que diminuía cada vez mais, os olhares de perplexidade do Gancho e do BEN, os grunhidos do Jeff, os insetos saltando, Red olhando a cena, surpreso.
Então a lâmina da faca se encontrou com a esfera de chamas e a dividiu no meio do ar. A lâmina ferveu, mas não sofreu nenhum dano. A faca fervente atingiu a boca ainda aberta de Miki e atravessou sua garganta, saindo pela nuca. O sangue jorrou das feridas, e Miki rugiu roucamente de dor.
Red ficou aterrorizado.
– MIKI!!! – ele gritou, assustado. Ele correu até Miki e envolveu o pescoço dela com os braços, enquanto ela choramingava de dor. Então ela voltou á olhar a Jane. Os olhos dele tinham se tornado completamente vermelho. Seu cabelo tinha ficado crespo e bagunçado, uma sombra tinha caído sobre seu rosto, só deixando os olhos e os dentes branquíssimos visíveis, em um sorriso tão grande quanto o do Jeff. A Jane recuou, horrorizada. Red sorria, mas o sorriso dele tinha algo de insano. Ele parecia emanar ódio.
Todos conheciam aquela transformação.
Era a forma final de Red.
As sombras sobre aquele lugar pareceram se alargar, puderam ouvir sussurros de almas por todas as partes. Algumas choramingavam, outras incentivavam o grupo do Jeff, outras lamentavam que fossem morrer. A água – em forma de orvalho ou de pequenos córregos – mudou de cor para vermelho-sangue. As folhas das árvores ficaram laranja e elas começaram á cair.
A Jane estava nervosa. Miki se curvou e vomitou sangue junto com a lâmina. Mas depois disso, Miki parecia bem melhor. Na verdade, exceto pelas feridas, ela parecia em excelente estado. Miki rugiu.
Agora, Miki parecia uma draga esqueletal. As chamas envolviam a ponta do arpão que era a sua cauda, e suas garras tinham mais de dez centímetros. Red andava lentamente na direção da Jane.
Porém, uma barreira de tijolos de pedra se interpôs no caminho de Red. Esses tijolos carregavam uma barreira azulada quase transparente. Um campo de força.
Uma magia simples, mas ainda eficaz. Red foi impedido por aquilo, e Jane virou a cabeça para trás, indo descobrir quem foi que conjurara aquilo. Ela sorriu quando viu que BEN parecia se concentrar, murmurando palavras ininteligíveis.
O Jeff se levantou e ele se juntou á eles, mantendo uma distância segura da Jane. Jeff, Jane, BEN estavam armados e preparados para lutar. Sabiam que não tinham a mínima chance, mas morreriam lutando. O Gancho tinha desmaiado por perda de sangue, e o Lobisomem estava, no mínimo, fora de combate. No máximo, morto.
A parede rachou. Uau. Isso foi rápido até mesmo para Red. A parede explodiu nanossegundos depois, elevando uma nuvem de poeira e jogando tijolos para todos os lados.
Red surgiu na nuvem de poeira, com Miki surgindo de pouco á pouco, atrás dele. Isso era atípico de um treinador Pokémon. Normalmente, o Pokémon vai na frente. Mas Red não é um típico treinador Pokémon, aliás, ele não era típico de nada.
Jeff atacou. Sua lâmina dançou no ar e abriu um corte no ombro direito de Red. A Jane teve de admitir a agilidade de Jeff. Nem mesmo o Lobisomem atacaria com tanta velocidade, e isso pareceu pegar Red um pouco de surpresa, mas ele riu casualmente da ferida. Em seguida, as chamas saíram da boca de Miki, indo em direção do Jeff. Jeff rolou, mas foi chamuscado na lateral do corpo. Quando o Jeff se levantou, recebeu um jato de sangue fervente na cabeça. O jato saíra da palma da mão de Red, que estava estendida. O sorriso demente de Red pareceu se ampliar quando Jeff caiu, arquejando de dor. No seu momento de distração, a Jane avançou. Mas a distração do Red não distraíra Miki, que recebeu a Jane com uma onda de chamas, que a engoliu por completo e a jogou no chão, com diversas bolhas e queimaduras na pele branca, antes imaculada. A Jane soltou um grito de dor enquanto era consumida pelas chamas. Restava BEN.
O Red pendeu a cabeça levemente para o lado, apreciando cada momento em que o BEN se desesperava cada vez mais ao ver o Jeff tentando se levantar, cheio de queimaduras no rosto, e a Jane sendo consumida pelas chamas. Sombras se ergueram como tentáculos por trás de Red, como se fossem cobras, e avançaram em BEN.
Antes que BEN pudesse fazer algo para se defender, um imenso espelho abriu uma fenda no chão e emergiu, bloqueando os tentáculos sombrios, que foram repelidos de volta para Red. Red, surpreso, conseguiu bloquear o ataque á tempo com um muro de sombras que se formara á sua frente. Quando o muro se dissipou, ele viu uma pessoa no reflexo do espelho...
– Mary... – disse Red, agradavelmente surpreso.
A figura esguia de Mary andava por dentro do espelho, chegando cada vez mais perto. Então ela saiu do espelho ainda caminhando, como se o espelho fosse apenas uma porta transparente. Na mão direita dela, ela empunhava uma submetralhadora MP5K.
– Olá, Red. Como você vai? – perguntou Mary ironicamente, dando um sorriso cético.
– Vou bem, obrigado. Mas acho que não vai ser seu caso, quando eu tiver empalado você á uma lança. – ele sorriu sadicamente, com sua imensa aura de ódio podendo ser pressentida ao longe.
– Ah, meu querido, quem vai ser empalado aqui, vai ser você. – ela sorriu de um modo psicopata, e então apontou a submetralhadora em Red. – Sabe, Red, não é nada pessoal. Deixe essas pessoas vivas comigo, aí, quem sabe, vou te deixar vivo?
Red riu.
– Você está seguindo ordens de quem, docinho? – perguntou maliciosamente. – Você nunca ousaria se opor á mim dessa forma, a não ser que estivesse muito segura de si ou que seguisse ordens...
Red não a assustava. Mary debochou:
– Eu tô seguindo ordens, sim. Qual é o problema? Tá com medinho do meu chefe? Ou é de mim?
O sorriso de Red vacilou e sua voz ganhou um tom de irritação:
– Medo de você? Não me faça rir... E quem é a porra do seu chefe? O Chuck Norris?!
– Não, meu querido, não... – ela disse, sorrindo malignamente. – Apenas Lorde Herobrine, o meu querido chefinho.
Todos soltaram arquejos de surpresa, até mesmo a Jane, que conseguira apagar o fogo, arquejara de surpresa. Ninguém tinha sequer coragem de falar o nome dele, quanto mais usá-lo dessa forma. Além do mais, ela foi contratada pelo Lorde dos Mortos! Para entender a sensação, a pessoa teria que ser convidada para uma reunião do Zalgo e do Cthulhu. É uma honra sem tamanho.
Red, no entanto, pareceu achar engraçado. Ele riu, mas não pôde deixar de conter o tom de nervosismo.
– Ah, o Lordezinho? Posso matá-lo facilmente, jovem. Nem imagina como... – Os olhos de Red chamejaram, como se desafiasse á alguém se opor á ele. – Afinal, ele é apenas um fracassado, idiota, imbecil e sentimental...
– O quê mais? – perguntou uma voz grave atrás dele. A voz de duas pessoas falando ao mesmo tempo.
Red congelou. Ele se virou, junto com Miki. Porém, o lugar de onde viera à voz, estava vazio, sem ninguém.
Red riu, mais nervosamente do que antes.
– Ele não tem nem coragem de me enfrentar no mano-a-mano! – ele exclamou, parecendo falar isso mais para si mesmo do que em desafio.
Então aconteceu uma coisa inesperada. Mary soltou um berro e diversas lanças de vidro se ergueram no solo, como uma rudimentar cela, ao redor de Red e Miki. Red exclamou, surpreso:
– Mas que merda é essa?!
Mary gritou:
– TODOS, CORRAM PARA O ESPELHO! VAMOS, VAMOS!
Todos se apressaram desajeitadamente. O Jeff ergueu o corpo ferido do Lobisomem do solo. O cara os ajudara, apesar de ter ferido o Gancho. Então o Jeff achava que ele merecia pelo menos ficar vivo. BEN convocou três estátuas de pedra. Elas escavaram a terra e se ergueram do solo, prontas para obedecer às ordens de BEN. Elas carregaram o corpo do Gancho até o espelho. Todo mundo atravessava o espelho como se fosse água, e Mary os apressava com a voz impaciente:
– VAMOS LOGO! ESTAMOS PERDENDO TEMPO!
Em seguida, ela mesma entrou pelo espelho. No momento seguinte, Red fragmentou as lanças de vidro com uma poderosa explosão de luz e calor, e ao olhar para os lados, viu que o espelho afundara de volta para a terra, e então ele soltou um grito de fúria pura. Um grito que ecoou nas montanhas e nas florestas naquele dia.
A sensação de viajar pelo espelho era estranha para quase todos, exceto Mary. Era como se as pessoas estivessem andando em gelo, mas todo o resto era vácuo, um nada irrespirável. Porém, eles não precisavam respirar naquela estranha dimensão. Parecia que a dimensão alterava tudo. Eles simplesmente andaram, seguindo Mary.
Mary chegou em outro espelho, que levava á sala do trono do Lorde dos Mortos. Todos – exceto a Mary – pararam imediatamente, ansiosos. Nenhum deles tinha visto o Herobrine de verdade. Só tinham ouvido falar que ele era horrível, além das coisas que já fez. A única coisa boa que já escutaram sobre ele é que ele criara uma prisão de máxima segurança, chamada de Nether Core Prision. O único jeito de fugir de lá era se alguém libertasse a pessoa usando a Chave Mestra. O lugar era indestrutível, praticamente inalcançável, o lugar mais seguro do universo. Já fora a prisão de Red, de Sonic Exe e de Tails Doll. De todos da lista, somente Tails Doll continua por lá. Sonic fugiu de modos desconhecidos, e Red foi libertado por Suicide Mouse, também procurado. Os dois fizeram uma parceria, para o mundo conhecer o verdadeiro sofrimento. E estavam conseguindo. O Slender era o segundo no comando por lá, atrás somente do próprio Herobrine. Nem mesmo o Zalgo estava em tal posição hierárquica por lá. O irônico era que o Slender Man era rival acirrado do Lorde dos Mortos, mas os dois concordavam em certas coisas á respeito dos Primórdios. E uma delas era que os dois eram os mais aptos para dirigirem a prisão.
Dava para contar quem já vira o Herobrine em pessoa: Slender Man, Zalgo, Cthulhu, Bloody Mary, Wendigo, Jersey Devil, Anhanguera, Sonic Exe, Tails Doll e Red.
Então prosseguiram, atravessando o portal do espelho e eles deram de cara com aquela imensa sala do trono. Eles estavam em cima de um imenso tapete vermelho que levava á um trono, e sentado neste, estava um homem de pele morena e manto negro, com calças sociais negras e sapatos sociais negros. Dava para ver que o homem era razoavelmente alto, e que era bastante musculoso, mas seu rosto estava oculto pelas sombras. Aos pés do seu trono, duas mulheres seminuas lhe acariciavam as pernas, as mãos, os braços e por perto de sua virilha, murmurando palavras provocantes, convidando-o ao prazer. Mas o homem sequer mexia um músculo. Ele se mantinha imóvel, estoico, sem dizer nada. Mas ao contrário do Slender Man, que irradiava uma aura de quietude, de atração, de poder silencioso, o Herobrine emanava uma aura de ódio, de poder puro, de imponência. Todos ali presentes desejavam apenas se encolher e começar á choramingar pelas mães. Aí Jeff se lembrou que tinha matado a própria mãe, BEN se lembrou que NÃO tinha mãe, a Jane se lembrou – com ódio – que o Jeff matara sua mãe, e Mary se lembrou que sua mãe já tinha morrido fazia séculos.
O homem saiu das sombras do trono, deixando as mulheres lá, o olhando desejosamente, e as pessoas tiveram uma reação diferente. A Jane arquejou, admirada com o “aspecto” (Lê-se beleza) dele. O Jeff arqueou uma sobrancelha, esperando algo desumano. O BEN pareceu confuso, como se ele apostasse numa corrida que achasse que era de cavalos, mas na verdade era de gente. Mary pareceu radiante, pois sabia que, com aquilo, era garantido que Wendigo se salvasse.
– Vejo que estão em uma má situação... – disse o Herobrine, com os olhos brancos clareando tudo á frente deles. — ... E que estão morrendo de frio. Acho melhor vestirem suas roupas de frio, pois o lugar aqui é cruel.
Todos – exceto a Mary, pois ela estava de casaco – estavam morrendo de frio. Mesmo o corpo semimorto do Lobisomem estava trêmulo.
O Herobrine andou até o Gancho, examinando o ferimento dele. Ele perguntou em voz baixa:
– Obra do Lobisomem?
A Jane e o Jeff assentiram, perplexos. Então o Herobrine disse, só para irritá-los:
– É muito fofo ver vocês dois concordando ao mesmo tempo.
A Jane e o Jeff se entreolharam de cara feia, mas a Jane chutou a canela dele, e o Jeff caiu de joelhos, gemendo. O Herobrine nem lhes deu atenção. Ele segurou o antebraço do Gancho e falou suavemente:
– Isso vai doer. E muito.
Ele empurrou brutalmente o antebraço do Gancho no braço dele. Mesmo quase morto, o Gancho não pôde evitar um gemido de dor. O osso triturado foi encaixado no osso sadio com sucesso.
– Agora vou cuidar do resto. – disse o Herobrine. Ele olhou para o Jeff e um guarda zumbi e disse: — Carreguem esse cara e me sigam.
Eles assentiram, então o Herobrine olhou para uma máquina que patrulhava o local. Parecia um golem de dois metros feito de ferro. Um golem é um ser que tem quase feições e formas humanas, mas são grandes, fortes, brutais, imbecis e agem puramente no instinto. Mas aquela máquina tinha inteligência artificial de ponta, e ele tratava bem todos os guardas, mas tratava os estranhos com certa desconfiança.
O Herobrine disse-lhe:
– Pegue esse cara com ferimentos ferventes e siga-me também.
O Herobrine começou á andar até a porta do salão principal, e todos o seguiram. Sem nem mesmo tocar a porta, o Herobrine jogou os braços para os lados, como se abrisse uma porta com brutalidade. A porta do salão abriu-se rapidamente. O Jeff arqueou as sobrancelhas, surpreso, mas continuou seguindo o Herobrine.
Atrás deles, o salão estava em silêncio. Então a Jane concluiu:
– Bem que eu soube que gente bonita é perigosa.
– Por isso que sou perigoso. – disse BEN, sorrindo.
– E por isso sou a mulher mais perigosa do mundo. – disse Mary, com um meio sorriso sádico.
– Você é uma exceção á essa regra. – disse Jane num tom zombateiro.
A Mary riu, então disse:
– Você também é, queridinha.
Enquanto isso, numa sala feita com quartzo, com macas confortáveis e várias estantes de obsidiana e quartzo, onde eram sustentados livros e mais livros, além de suportes para fabricação de poções, caldeirões, baús, remédios, ataduras, faixas e vários tipos de comida.
O Herobrine estava fabricando em uma poção em um dos suportes de poções, que jogava uma leve fumaça cinzenta no ar, enquanto o Lobisomem estava deitado em uma maca, e o Gancho em outra.
Apesar de o Gancho estar pálido pela perda de sangue, com o braço aberto e mal podendo se mover, estava bem melhor do que o Lobisomem. Ele tinha voltado á forma humana, mas estava tendo convulsões, além de estar pálido, com várias bolhas e calombos ao redor dos buracos de bala de prata, de onde fumaça se desprendia. A carne ao redor dos ferimentos se torcia e fervia, e ainda, as queimaduras dele pareciam piores do que antes, com uma crosta negra sobre as partes queimadas, e alguns ossos dele estavam quebrados por causa do impacto da bola de fogo.
O Herobrine resolvera tratar o Gancho primeiro, seu caso era mais leve e poderia ser curado rapidamente. Ele colocou um frasco com água no suporte principal, então ele remexeu no baú á sua direita, e pegou uns pedaços de planta vermelha, e os jogou dentro do frasco. A água pareceu brilhar um pouco. O fogo ferveu ainda mais do que o normal e a água começou á borbulhar. O Herobrine imediatamente foi para outro suporte e pegou outro frasco e encheu-o de água, usando a água de um caldeirão. Ele pegou outros pedaços de planta e os jogaram dentro do frasco novamente, e o deixou fervendo no outro suporte. Então esperou alguns momentos e ele voltou ao primeiro suporte. A água parecia estranhamente encorpada, e a planta tinha desaparecido. Ele se curvou sobre o baú e pegou, estranhamente, uma grossa lágrima. Não era água, parecia uma pequena sacola, do tamanho de uma grande lágrima, preenchida com água pintada de azul-claro. Ele jogou a lágrima dentro da poção e esperou. A água soltou um vapor esbranquiçado e começou á ficar rosa, e imediatamente o Herobrine rumou para o outro suporte. Ele pegou uma fatia de melancia com pepitas de ouro substituindo as sementes, e ele colocou essa fatia na poção. De início, a fatia parecia grande demais para sequer mudar algo, mas ela lentamente se dissipava, e a poção se avermelhava enquanto soltava um vapor de cheiro agradável. Depois de alguns momentos, o Herobrine voltou ao primeiro suporte. Ele se curvou sobre o baú e pegou um pó dourado que cintilava, com luz própria. Ele jogou o pó lentamente, esfregando seus dedos, e jogando o pó lentamente em cima da poção rosa. Ela começou á adquirir uma aura azul e roxa. O Herobrine fez o mesmo com a outra poção, a vermelha.
O Jeff o observava trabalhar, boquiaberto. Ele fazia as coisas rapidamente e com total certeza. Ele parecia um feiticeiro da idade média, que fabricava remédios e poções com a mesma facilidade. O cheiro conflitante de melancia e de flores impregnava o ar e deixava o Jeff sonolento e tranquilo. O Herobrine pegou a poção rosa e a olhou com cuidado, então a virou cuidadosamente, de modo que somente uma gota caísse sobre seu dedo. A gota era rosa e exalava um cheiro agradável, além de ter um brilho azul e roxo. O Herobrine levou o dedo até a boca e seus lábios tocaram a gota. Ele sorriu e disse:
– Deu certo.
Ele pegou a poção rosa e virou-a na boca do Gancho, fazendo-o beber. Quando o frasco estava vazio, o Herobrine guardou-o num baú, olhando para o Gancho, com expectativa.
Então aconteceu um milagre. Rapidamente, o Gancho ficava cada vez melhor. Seu rosto voltava á adquirir cor, o seu osso voltava ao normal, e a carne regenerava rapidamente. Em exatos vinte e dois segundos, ele estava completamente curado, só um pouco tonto e enfraquecido.
O Gancho fez menção de levantar, mas o Herobrine o deteve e disse:
– Espere aí. Melhor você dormir, eu não irei ajudá-lo.
O Gancho assentiu, agradecido. Então ele caiu no sono.
Quase despreocupadamente, o Herobrine pegou a poção vermelha e despejou-a na boca do Lobisomem. A palidez dele diminuiu um pouco e as feridas pararam de ferver. Então o Herobrine disse, sem cerimônias:
– Vou ter que fazer uma cirurgia para tirar essas balas de prata. Vai ser o único jeito de curá-lo. Agora saia daqui, Jeff, e vá se juntar ao seu grupo, antes que você se junte ao grupo dos mortos.
O Jeff assentiu e foi correndo de volta para a sala do trono.
Chegando lá, viu que o clima por lá estava descontraído, com a Mary conversando com a Jane. Embora Mary ainda causasse certo receio na Jane, elas conversavam animadamente. Mas pelo o que Jeff escutava, a Mary dava respostas, bem, no mínimo, estranhas:
– O que você acha dele? – perguntou a Jane em voz baixa. Mary deu um meio sorriso e perguntou:
– Quem, o Jeff?
– Não, o Lorde...
– Ah, acho ele gostoso. E corajoso. E perigoso. Ou seja, o meu tipo. – ela piscou. – Afinal, eu o conheço faz tempo. E ele não é tão ruim quanto às pessoas dizem... Ele é ainda pior.
A Jane pareceu assustada com a resposta, além de um pouco perturbada.
– Ele não parece ser assim tão perigoso... Ele é até bonitinho. – ela disse, incerta, falando mais para ela mesma do que para Mary.
Mary riu amigavelmente, com certo tom de melancolia. Mesmo que o Jeff não escutasse a conversa, ele achou que aquela risada dela tinha algo de estranho.
– Essa também foi minha primeira impressão. E também achava que ele era fraco. Mas nem demorou muito e ele me derrotou. Mas me deixou viva, só para espalhar a fama dele... Não fiz isso, é claro. Não queria deixar minha segunda derrota pública. O Slender se ocupou de fazer isso.
A Jane perguntou, surpresa:
– Segunda? Você já foi derrotada antes?
– Sim, por Red. – ela disse soturnamente. – Aquele cara é simplesmente louco... Nunca vi ninguém igual á ele. Se as pessoas superestimam o Herobrine por causa das coisas terríveis que ele fez, elas subestimam o que Red é, chamando-o de simplesmente “maligno” ou “perigoso”. – Mary fez uma pausa e respirou profundamente, fechando os olhos, como se ela se lembrasse da hora da derrota. Então ela continuou:
– Ele é insano.
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