The Dark Side Of Red
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um de Setembro de 1997. Uma mulher de olhos azuis e uma pele incrível, com longos cabelos loiros, usando uma calça larga bege e uma camisa branca também larga, tudo somente para dar espaço para uma barriga de grávida de exatos nove meses. Era assim a aparência de Kara Haldan, uma mulher com seus 32 anos que naquele momento dormia em sua cama, desacompanhada e com a janela aberta. Ela dormia sem imaginar quaisquer eventos que aconteceriam, mudanças que iriam ocorrer muito em breve. O que se ouvia naquela noite era apenas o latido feroz de um cachorro, pertencente a uma das mais antigas moradoras daquela vizinhança. E então os latidos cessam, não por cansaço, mas sim pelo medo. Na rua silenciosa, uma figura desconhecida olhava para a janela fechada, e com um movimento simples como um estalar de dedos a mesma se abria um pouco, rangendo o mínimo possível, a estranha figura depois olhou para seu lado esquerdo, para o animal deitado com um olhar assustado.
—Sem coragem. –
Dito isto o desconhecido caminhou para mais perto da casa, e parou abaixo da onde planejava chegar, no quarto daquela mulher, a janela já estava lhe permitindo entrar, ele só precisava agir. Sem nada de esforço pulou, subiu cerca de 5 metros e facilmente chegou na onde desejava, e ainda também invadiu a casa. Seus olhos avermelhados varreram o quarto, lá dentro havia apenas uma televisão em uma grande cômoda, um sofá pequeno e ao seu lado outra cômoda, no entanto, esta com livros e um abajur, a alguns passos da cama um grande armário branco, um tapete marrom cobrindo o piso, e finalmente a cama de casal, onde apenas uma pessoa a estava ocupando no momento, a mulher de nome Kara. Com passos suaves para perto da cama se dirigiu, sentindo o agradável cheiro que aquela mulher tinha, ele já estava bem perto.
—Que frio. –
Esquecera-se de fechar a janela, e realmente a noite estava fria. Kara Haldan saiu da cama, bocejando algumas vezes e esfregando um dos olhos, dirigiu-se até a janela e olhou para fora, estava tudo em silêncio e até o cachorro de sua vizinha preferia se calar naquela noite, ela abaixou a janela e retornou para a sua cama e suas cobertas aquecidas, se arrumou e voltou a dormir. Onde estava a estranha visita? Uma porta do armário se abria revelando o desconhecido em silêncio, algumas roupas da mulher estavam em seus ombros largos. No mesmo silêncio saiu do armário e caminhou para perto da mulher, que novamente abria seus olhos.
—Um momento, eu me lembro de ter fechado a janela. –
Foi o que disse antes de olhar para o lado, a alguns metros dela, um desconhecido estava em silêncio, imóvel. Ela encheu seus pulmões de ar e berrou por míseros segundos, um grito que não serviu para afastar o sujeito, ele a calou tampando sua boca e a feriu com os dentes, uma mordida em seu pescoço. A mulher estava sentindo seu sangue ser drenado, o desconhecido estava se alimentando dela. Deveria fazer alguma coisa, não por ela, mas pela criança que em breve iria nascer, e então mordeu a mão do desconhecido, usou toda a sua força, era lutar ou morrer, apenas escutou o grito doloroso do homem, ela ingeria um pouco de seu sangue nojento, a mordida continuou firme mesmo que ela estivesse tonta pela falta de seu sangue. O homem se afastou, seus lábios e dentes estavam sujos, sua mão estava ferida, não iria ser ali que teria uma refeição completa. Estalou os dedos e a janela se abriu, erguendo-se como se alguém estivesse fazendo isso, a mulher com os lábios sujos de sangue olhou surpresa para aquilo, e viu o desconhecido correr e pular, seu corpo mudou e se tornou uma fumaça escura, fugindo pela noite.
—Tenho certeza que a policia não vai cuidar disso. –
Kara comentou e dirigiu-se até o banheiro, limpando a boca suja de sangue, olhou para seu reflexo enquanto cuidava daquela mordida, limpando bem para que não houvesse infecção, e pondo uma bandagem para encobrir as marcas. Pegou uma pílula para dormir e ia toma-la, mas quando viu uma breve mudança na cor de seus olhos, se antes eram azuis, por um momento ficaram em um tom combinado entre vermelho e dourado, a cor era linda, mas não durou e voltou a ser o bom azul costumeiro.
-Preciso parar com o remédio. –
E então algo. Uma dor angustiante, que muitas falaram que começaria assim mesmo, mas ela estranhou, estava com duas semanas de adiantamento. Enquanto suava ligou para uma amiga que disse que a ajudaria, e depois para a vizinha, uma enfermeira a 20 anos aposentada, as duas chegariam em breve. A dor ficou ainda pior, ela gritou ainda mais alto. Algumas horas depois, ali estava Kara em um quarto de hospital, exausta depois do trabalho de parto, do seu lado direito a boa amiga e do esquerdo a senhora aposentada, as duas companhias conversavam sobre o excelente trabalho feito pela nova mãe, que não se incomodava com a conversa, apenas esperava para ver a sua criança. A atenção das três é para uma mulher jovem, pela casa dos vinte anos, que abria gentilmente a porta do quarto, ela vestia roupas brancas e tinha cabelo escuro e olhos castanhos, exibia um sorriso gentil, e carregava em seus braços um ser muito pequeno, que fez Kara derramar algumas lágrimas. A criança tinha um rubor em suas grandes bochechas, sua pele era da mesma tonalidade que a mãe, seus cabelos apesar de poucos parecia que iriam ser escuros, uma bela menina de quase 2 quilos.
—Saudável e muito forte, mamãe fez um belo trabalho. –
A mulher constatou enquanto entregava a criança nos braços da mãe, que apenas agradecia. A nova mãe sentia pela primeira vez a criança, era uma sensação incrível, uma que não desejaria esquecer. A amiga, uma mulher lá pelos vinte e sete anos, com cabelos ruivos e olhos castanhos, pele branca, mordiscou os polegares, a alguns meses estava tentando uma criança e não conseguia.
—Qual vai ser o nome, Kara? –
—Victoria Haldan. – Kara comentou, sem tirar os olhos da criança.
“Uma homenagem a avó?” a senhora aposentada, de cabelos enrolados brancos, pele um pouco enrugada e olhos azuis claros, pensava naquilo. Era verdade, conhecia a muito tempo a família de Kara Haldan, poderia se dizer que era uma velha amiga da avó dela, só era uma pena que a mulher tinha falecido a meses antes, tempos antes daquela gravidez.
—July e Senhora Eliza, agradeço a ajuda. – Kara agradecia enquanto o cansaço apenas crescia e entregava para a enfermeira a criança.
—Não é preciso agradecer, Kara. – Senhora Eliza respondia segurando uma das mãos da nova mãe.
—Me faça madrinha dessa criança que fica tudo bem. – July respondia baixo.
—Feito. – Kara sorriu e olhou para a Senhora Eliza.— E a senhora uma boa babá?
—Hora essa, menina. – A senhora respondia com os olhos cheios de água.— Eu tomei conta de você, é lógico que farei o mesmo com sua filha. Não precisava nem pedir.
July e Senhora Eliza riram e por fim Kara descansou em paz, em alguns dias teria novamente energia. Enquanto isso, a enfermeira andava pelos corredores do hospital, carregando a criança em seus braços, uma menina com um grande futuro pela frente, ninguém naquele lugar imaginava que a criança era filha de uma lenda, não imaginavam qual sangue corria pelas suas veias, não sabiam o que o futuro lhe estava reservando.
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