Notas iniciais
Me desculpem a demora, me desculpem a demora, me desculpem a demora, me desculpem a demora, me desculpem a demora, me desculpem a demora, me desculpem a demora!!!!
Não me odeiem!!!!!
Eu precisava de um tempinho!!!
Me desculpem!
Gomen ne!

Fugi de casa.

Era a única alternativa, não é?

Coloquei alguns vestidos dentro de uma trouxa e sai correndo de casa. Kaito estaria me esperando fora da cidade, por isso eu tinha que ser rápida e sorrateira.

Corri pelo vilarejo. Nada chamativo uma garota correndo com uma trouxa e rasgando um vestido caro e azul enquanto isso. Eu precisava correr cada vez mais rápido. Meu tio não estaria lá, mas quando chegasse mandaria me caçarem.

Não tinha muita opção.

Sai da cidade e encontrei Kaito montado em um cavalo negro. O cavalo era um monstro, prestes a atacar garotas com o vestido rasgado. Ou qualquer um.

- Já veio? — Ele perguntou, olhando meus rasgos.

- Não, estou lá ainda. — revirei os olhos. — Por que está me olhando?

- Por que destrói tudo? — questionou.

- Não sei. Penso que é divertido. — O cavalo se mexia. — Não quer que eu monte nele, não é?

Kaito acariciou a crina do cavalo.

- Ele não quer que você monte. Mas nenhum dos dois tem escolha. — Kaito suspirou e olhou o céu. Estava repleto de nuvens sombrias. — Temos que ir, logo.

Assenti e tentei montar o cavalo.

Alguém me interrompeu.

- Nee-san, aonde você vai? — perguntou uma voz familiar.

Rin.

- Rin, eu — comecei.

- Você vai nos abandonar, nee-san? Por quê? — Rin estava com lágrimas nos olhos. Como não percebera que estava sendo seguida por minha irmã?

- Rin, eu não estou — tentei, novamente, começar mas fui cortada outra vez.

Rin chorava.

- Não me diga que não. Você só estaria mentindo. — Ela soluçava. Seu cabelo loiro estava bagunçado. — Por que, nee-san? Por que vai nos abandonar com ele?

- Rin! Rin, me escuta. — pedi. — Eu não vou te abandonar. Não vou abandonar nenhuma de vocês. Eu só preciso de um tempo para pensar no que farei com nosso tio.

- Não minta, Miku. — exigiu. — Não vou te perdoar por... tudo... isso.

Rin começou a correr. Me senti perdida e desolada.

- Rin! — gritava. — Rin! Volte!

Ela já estava longe. Comecei a correr mas Kaito me segurou. Arranquei as mãos dele dos meus ombros.

- Eu preciso ir atrás dela! — gritei.

- Não, ela não vai escutar. — Ele olhava para o chão.

- Mas eu preciso dela. Eu preciso ir explicar tudo! — berrei, quando comecei a correr.

- Você sabe o que me prometeu. Sabe também que quanto menos elas se envolverem, melhor. — disse Kaito.

Parei.

Eu sabia de tudo. Odiava Kaito por estar certo.

- Eu as amo muito. — murmurei.

Voltei para Kaito e montei. Abracei a sua cintura e comecei a chorar.

Quando tudo chegou nisso?

Cavalgamos não sei por quantas milhas, até entrarmos em um bosque. De longe avistei um casebre.

- Você mora lá? — perguntei.

O casebre era simples, e apesar de ser um casebre, a aparência de fora estava bem cuidada.

- Correção, nós moramos lá.

Corei e escondi meu rosto em suas costas.

Agora eu moraria com ele.

Essa ideia latejava minha cabeça.

Ele parou Ruford, o cavalo negro, e desceu. Depois me segurou e eu desci. Suspirei. Aquele casebre emanava uma sensação boa.

- Lar, doce lar. — falei.

Kaito sorriu.

Fiquei parada na frente da porta. Kaito me jogou uma chave.

- O que você vai fazer? — perguntei. Ele sairia pois já estava montando Ruford.

- Vou sair. Preciso ir até uma cidade próxima. — respondeu.

O quê? Vai me abandonar? Como eu faço essas coisas? Não quero ficar sozinha! Fique aqui! Alguém virá me matar!

- Ótimo. — falei. — Melhor assim.

Ele sorriu e saiu com Ruford. Fiquei olhando até os dois desaparecerem.

Suspirei e abri a porta. Entrei no casebre. Era praticamente vazio. Tinha uma cozinha, um banheiro*, uma sala-quarto. E só. Porém, precisava admitir. Preferia lugares assim do que a mansão onde morava.

Acendi a lareira com um pouco de lenha que estava armazenada na sala-quarto. Peguei um casaco, vesti, e fiz a trouxa de travesseiro.

Apesar de tudo, não demorei pra dormir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.