Notas iniciais
Essa fic é um pouco longa para ser one-shot, mas espero que gostem. Por favor comentem.

Sora parou em frente ao seu armário e o olhou por vários minutos. Ela ouviu o sinal tocando, mas estava tão perdida em seus pensamentos que não se importou. Foi quando o Koushiro se aproximou que ela voltou à realidade.

“Sora, você está bem?” Ele perguntou enquanto balançava a mão na frente dela.

Ela deu um passo para trás, assustada em ver a mão do seu amigo. Depois ela o olhou.

“Oi, Koushiro. Eu não te vi aí.”

“Eu percebi.” Ele tinha uma sobrancelha levantada. “Muita coisa na mente?”

“É, acho que pode dizer isso.” A menina ruiva suspirou e abriu o armário. “Estou estressada com o tênis. Tem uma competição nacional chegando e eu preciso ir bem nela. Some isso ao fato que minha mãe está no meu pé porque quer que eu aprenda a fazer arranjos de flores e eu não quero fazer isso. Além disso, tem a escola, que está mais difícil que nunca. Não consigo acompanhar.”

“Uau, parece que há muita coisa acontecendo com você.”

“Nem me fale. Às vezes eu quero gritar para aliviar a tensão.” Ela deu de ombros. “Mas eu acho que todos nós estamos ocupados ultimamente. Eu não te vejo há um tempo.”

O expert em computadores coçou sua cabeça. “Bem, o clube de informática está basicamente tomando todo meu tempo. Mas eu meio que estou atrasado em educação física e estava pensando se você poderia me colocar no time de futebol novamente.”

“O Taichi não está no time?”

“Está, mas eu não posso exatamente falar com ele por causa da Naru.”

“Quem?”

“Seu rolo… você não sabia?”

“Sou uma péssima amiga. Eu nem sabia que o Taichi estava enrolado.”

“Então… ela não o deixa respirar. Toda vez que eu tento falar com ele sobre o time, ela aparece do nada e o leva embora. Você é minha última chance.”

“Certo, Verei o que posso fazer.” Sora notou o livro nas mãos dele. “Percebi que tem aula de matemática agora. Parece que estamos na mesma turma então.”

“Você está segurando um livro de química.” Koushiro apontou para o livro que ela segurava.

“Ótimo. Não consigo nem pegar o livro certo.” Ela disse ironicamente. “Pode ir na frente; vai se atrasar para a aulas. Eu já vou.”

“Tudo bem.”

Sora voltou ao seu armário e se pegou olhando para ele enquanto se perdia em seus próprios pensamentos novamente. Era como se toda a energia estivesse sendo sugada dela. Ela começou a se perguntar se entrar na competição nacional de tênis era uma boa ideia, somente os melhores jogadores do Japão se inscreviam para esse torneio. Ela balançou a cabeça e pegou seu livro de matemática. Depois de fechar o armário, ela se inclinou nele e suspirou. Era tão bom não pensar em nada por alguns minutos. Ao invés de se dirigir à aula de matemática, a menina deixou o prédio e sentou embaixo de uma cerejeira. Ela não pôde evitar notar quão lindas as árvores frutíferas ficavam durante a primavera. Ela sorriu e voltou sua atenção para sua volta. É claro que não tinha ninguém por perto; todos estavam trancados nas suas salas. Ela se sentiu meio desconfortável porque ela deveria estar lá também. De repente ela ouviu alguém lhe chamar, mas não conseguiu descobrir quem era. Ela voltou sua atenção para o livro em suas mãos enquanto os pensamentos negativos se apossavam de sua mente. Tênis, arranjos de flores, escola… era muito para ela lidar. Ela estava exausta. Ela queria ir á algum lugar onde ela pudesse relaxar e tirar um tempo de tudo. Sora estava lentamente desaparecendo e nem percebeu.

Hikari estava a caminho da escola sem companhia. Desde que o Taichi entrou no ensino médio ela não tinha ninguém para lhe acompanhar porque eles estudavam em prédios diferentes. Naquele dia, porém, ela teve uma surpresa.

“Hikari!”

Ela se virou e viu o Takeru vindo em direção a ela. Ela lhe deu um sorriso doce.

“Bom dia, Takeru.”

“Estou te chamando faz um tempo.” Ele disse quando se aproximou dela. “Está tudo bem?”

“Sim, desculpe por não ter te ouvido. Eu me sinto solitária vindo para escola agora, desde que o Taichi trocou de prédio. Além disso, ele geralmente vai com o Koushiro e o Yamato. Então agora sou só eu.”

Algo no tom de voz dela fez o Takeru se preocupar. Ele levantou uma sobrancelha para ela, mas rapidamente deixou para lá.

“Por que não me disse? Eu adoraria te fazer companhia.”

“Eu não poderia te dar tanto trabalho. Nós moramos em prédios diferentes; seria pedir muito.”

“Você sabe que nunca me pede muito. Eu gosto da sua companhia, Hikari. Eu vou sozinho às vezes também.”

“Eu achei que você ia com a Miyako e o Iori.”

“Eu vou, mas às vezes eles ficam muito envolvidos numa conversa e eu não quero incomodá-los. Então é bom ter alguém mais para conversar.”

“Eu sei o que quer dizer.” Ela suspirou. “Por mais que eu ame o meu irmão, tudo o que ele fala é sobre futebol. Acaba ficando entediante depois de um tempo.”

“Então está dizendo que podemos ir à escola juntos?” Takeru perguntou um pouco animadamente.

“Talvez.” Ela sorriu. “Mas não crie expectativas.”

“Você é cruel.” Ele lhe mostrou a língua, de brincadeira.

“Só quando eu quero.” Ela retornou o gesto dele.

Os dois amigos andaram pelo corredor até a sala deles. Hikari geralmente sentava numa mesa antes do Takeru. Eles estavam tirando seus livros e todo o resto quando ela percebeu que esqueceu algo.

“Ah não, esqueci o meu estojo.”

“Eu posso te emprestar um lápis e uma caneta.”

“Não, tudo bem. Eu vou pedir alguns lá embaixo. Mas obrigada.”

O louro observou sua amiga sair da sala e logo depois ouviu um barulho estranho no corredor. Ele correu para fora e encontrou a Hikari caída no chão. Ele se apressou até ela e se ajoelhou.

“Hikari, você está bem? O que aconteceu?” Takeru perguntou enquanto a levantava um pouco.

“Eu não sei. Tudo ficou escuro e depois eu perdi meus sentidos.”

“Você desmaiou.” Ele se levantou e a ajudou. “Eu vou te levar à enfermaria.”

“Eu estou bem, Takeru.”

“Você desmaiou, Hikari. Não é normal e você precisa saber o que aconteceu.” Ele tinha uma expressão preocupada no rosto. “Vamos. Você não sentia isso desde o incidente com os Numemon.”

“Minha pressão caiu, só isso.” Ela sorriu para ele, tentando demonstrar que estava tudo bem. “Você não precisa se preocupar, tudo está sob controle.” Ela se afastou dos braços dele. “Eu vou tomar um pouco de água e já volto. Nós temos prova hoje, e eu não posso perder.”

Os olhos de Takeru caíram sobre a silhueta de Hikari enquanto ela se afastava. Ele não acreditou em uma palavra que ela disse, apesar do esforço dela. Ele teria de falar com o Taichi sobre isso.

Sora acordou de seu sono e olhou ao redor. Ela definitivamente não estava na escola. Tudo estava escuro. Era como se ela estivesse em outro mundo, mas certamente não o Mundo Digital. Piyomon lhe diria se forças malignas aparecessem lá novamente, não diria? Ela se levantou e decidiu explorar o lugar. Enquanto andava, ela sentia arrepios de frio por todo o corpo. Algo simplesmente não estava certo. Foi quando ela ouviu uma voz.

“Você finalmente está aqui.”

“Quem está aí?” Sora olhou por toda sua volta para encontrar a origem da voz, mas não conseguiu encontrar ninguém.

“Sua negatividade lhe trouxe a este mundo.”

“Quem é você? E onde estou?”

“Está fazendo muitas perguntas.” A voz disse. “Siga a luz e você deverá me encontrar.”

Uma luz branca brilhante apareceu há alguns metros dela. Ela engoliu em seco e andou em direção a ela, embora ela estivesse com medo de descobrir o que estaria no final dela.

Hikari não voltou após dizer ao Takeru que ela iria apenas beber água e perdeu a prova. Takeru deixou a sala correndo assim que a prova terminou. Ele seguiu à enfermaria, mas ela nunca foi até lá. Ele então começou a procurar por ela em toda a escola, sem sucesso.

Tailmon estava esperando por sua parceira escondida numa árvore. Ela tinha a sensação de que tinha algo estranho com a Hikari, então a seguiu para se certificar que ela ficaria bem. A Digimon decidiu olhar a vista por um tempo quando viu sua amiga cruzando a rua. Ela desceu atrás da menina.

“Hikari!”

Ela fez menção de atravessar também, mas foi interrompida por um carro. Quando ela finalmente conseguiu atravessar, viu sua parceira começar a desaparecer, como se estivesse sendo levada a outro mundo.

“Hikari!” Tailmon a chamou novamente, mas ela pareceu não escutar.

Antes que percebesse, Hikari tinha desaparecido. Sua mochila foi a única coisa deixada para trás.

“Ah não!”

Yamato e Takeru concordaram em almoçarem juntos naquele dia. Eles estavam na fila quando Tailmon se aproximou deles.

“Takeru!”

“Tailmon, o que houve? Eu achei que ficaria escondida até a aula terminar.”

“Tem algo errado com a Hikari.”

“O que? Você a viu?”

“Ela sumiu.”

“O que está dizendo?” Takeru disse alarmado, e então ele entendeu. “Ela perdeu uma prova hoje. Ela desmaiou no corredor e eu tentei levá-la à enfermaria, mas ela disse que estava bem. Ela nunca perdeu uma prova.”

“Precisamos encontrá-la.”

“Oi pessoal.” Koushiro disse, juntando-se aos irmãos. “Vocês precisam encontrar quem?”

“A Hikari.” Takeru disse. “Tailmon a viu sendo transportada a outro mundo.”

“O que? Como o Mundo Digital?”

“Eu não acho que seja o Mundo Digital, Koushiro.”

“Falando nisso, Sora desapareceu também.”

“O que?” Yamato perguntou.

O especialista em computador assentiu. “Nós tínhamos aula de matemática, mas ela pegou o livro de química por engano. Ela foi trocar e não apareceu depois. Eu percebi que ela estava mais distraída que o normal.”

“Elas podem ter ido ao mesmo lugar?”

“É possível.”

“Vamos.” A estrela do rock se virou para o Takeru. “Precisamos achá-las.”

“Eu sei por que você quer encontrar a Sora, maninho.” Takeru disse com um sorriso malicioso.

“Porque ela é nossa amiga.” Yamato disse simplesmente, mas deu um olhar matador para seu irmão. “Não podemos deixar nada de ruim acontecer a ela.”

“Certo.”

“A Hikari também está sumida. O que você tem a dizer sobre isso?”

Takeru engoliu em seco. “Tá bom, eu entendi.”

Yamato tinha um sorriso triunfante no rosto. Ele sabia que seu irmão não tinha como rebater isso.

“Enfim, por onde começamos a procurá-las?”

“No Mundo Digital provavelmente.” Koushiro disse. “É o único lugar em que consigo pensar.”

“Takeru disse que acha que elas não estão lá, Koushiro.” Yamato disse. “E eu concordo com ele. A Sora não tem um digivice que abriria o portal, ao contrário da Hikari.”

“Você tem razão.” O menino ruivo levantou seu queixo com a mão, pensando em uma solução. “Eu não faço idéia de onde elas possam estar. Eu nunca ouvi sobre esse mundo antes.”

“Nós sabemos disso.” O louro disse meio irritado.

“Tailmon, você viu a Hikari desaparecendo.” Takeru se virou para a parceira de sua amiga. “Pode nos levar até lá?”

“Sim, foi do outro lado da rua na verdade. Ela deixou sua mochila para trás. Eu a peguei e escondi.”

“Ótimo, talvez o portal se abra para nós também.”

“Vamos.”

“Vão vocês dois. Eu verei o que posso fazer daqui.”

“Certo.” Takeru disse.

“Nós as traremos de volta.”

Os dois irmãos correram para fora, seguindo Tailmon até onde a Hikari tinha sumido.

Sora continuou seguindo a luz, mas parecia que ela simplesmente não conseguia alcançá-la. Quanto mais perto ela chegava, mais longe ficava. Ela estava ficando exausta de andar, então caiu de joelhos. Logo após isso, a voz falou novamente.

“Já cansou?”

A menina fez um esforço para se levantar de novo. “Quem está aí?”

“Você não vai chegar até a luz se continuar assim.”

“Estou andando há horas e não consigo chegar.”

“Você não está focando o suficiente.”

“O que?”

“Sora!”

Ela se virou para ver quem a chamou. Um largo sorriso apareceu no rosto dela quando viu quem era.

“Hikari! O que está fazendo aqui?”

“Eu fui transportada a este mundo.” Ela correu até ela. “Eu achei que era a única aqui.”

“Eu não sei onde estamos.” Sora deu de ombros. “Você ouviu a voz?”

“A que falava com você? Sim, mas eu não reconheço.”

“Ele me disse para seguir aquela luz.” Ela apontou em direção a ela. “Mas eu estou andando há horas e não consigo chegar até lá.”

“Seguir a luz? E se for perigoso?”

“Cadê a Tailmon?” Ela olhou para baixo, procurando pela parceira dela.

“Está no nosso mundo. Não sei se ela me viu desaparecendo.”

“Vamos esperar que sim. Do contrário, ficaremos presas aqui para sempre.”

“Eu não quero.” Hikari esfregou seus braços. “Esse lugar é assustador.”

“Não acredito que falhei.”

“O que?”

“Eu não consigo chegar aonde tenho de ir. Isso significa que eu falhei.” Sora sentou e enterrou a cabeça nas mãos.

“Ah meu Deus! Sora, olha!”

Ela a viu com olhos arregalados por um breve momento. Antes que percebesse, ela estava parada sozinha no meio de algo que parecia ser um oceano negro.

Takeru correu para pegar a mochila escondida da Hikari quando ele chegou com o Yamato e Tailmon ao lugar onde ela tinha desaparecido.

“Tem certeza que é aqui, Tailmon?” Ele lhe perguntou. “Talvez alguém tenha movido a mochila dela.”

“Tenho certeza, Takeru. Eu só não sei como ir até aquele mundo.”

“Nós temos de descobrir.”

“Como, Takeru?” Yamato perguntou. “Não tem um portal aqui e o Gabumon não está comigo.”

“Tem de haver um jeito, Yamato. A Hikari não foi com o digivice dela, ela sempre deixa dentro da mochila.”

“Como você sabe?”

“Eu já a vi colocando ele lá.” Takeru abriu a mochila da Hikari e pegou o digivice dela. “Viu, eu te falei.”

“Estamos perdidos aqui. Você percebeu algo de errado com a Hikari antes disso?”

“Talvez, eu não sei.” Ele respondeu impacientemente. “Podemos manter o foco aqui? Você deveria estar preocupado com a Sora.”

“Eu estou preocupado com ela, nem imagina o quanto.”

“Então não seja tão pessimista com isso! Ela pode precisar de você.”

“Eu sei disso.” Yamato disse exasperado.

“Então faça algo!” Seu irmão respondeu irritado. “Hikari!”

“Gritar, sério?”

“Você tem uma idéia melhor?”

“Não, não tenho.” O líder dos Teenage Wolves foi à outra direção e começou a chamar a Sora.

“Sora! Onde está você? Sora!” Hikari chamou por sua amiga, mas ela não estava em lugar nenhum. “Isso não pode estar acontecendo.”

“Mas está.”

“É a mesma voz que estava falando com a Sora. Quem é você? Onde ela está?”

“Sua amiga falhou em alcançar a luz, mas você pode conseguir.”

“Por quê? O que tem no final dela?”

“Você também está fazendo muitas perguntas. Eu terei de te mandar para um lugar parecido ao que sua amiga está, se continuar fazendo isso.”

Hikari engoliu em seco, resignada. Ela não queria ir aonde quer que a Sora estivesse, embora tivesse de encontrá-la.

“O que eu tenho de fazer? A Sora tentou por horas e não conseguiu chegar até aquela luz.”

“Deixe que a escuridão de seu coração lhe guie.”

“A escuridão do meu coração? Você deve estar brincando, eu não tenho tal coisa.”

“Tem, sim. Você está sempre dependendo do seu irmão para tudo.”

“Deixe meu irmão fora disso!”

“O que vai acontecer se ele não vier te salvar?”

“O que?” Os olhos dela arregalaram. “Isso não é uma opção! Ele vai vir me salvar.”

“Ele não sabe que você está desaparecida porque não se importa com você!”

“Isso não é verdade!” Ela caiu de joelhos. “Takeru, me ajude.”

“É inútil. Ninguém vai te ouvir.”

A voz começou a rir maleficamente e Hikari ficou desesperada.

Um arrepio frio preencheu o corpo do Takeru e seus olhos arregalaram. “Hikari!”

“O que?” Yamato e Tailmon correram até ele. “Onde?”

“Bem ali.” Ele apontou em direção ao céu.

“Você só pode estar brincando, Takeru.” Yamato disse cético. “Não tem como ela estar lá.”

“Ótimo!” Ele berrou. “Fique aqui e não vá atrás da Sora. Mas eu vou arriscar e salvar a Hikari.”

“Ahn?”

“O que está havendo, Tailmon?” Yamato olhou para ela. “Não me diga que você a viu também.”

“Eu vi.” O Digimon olhou para ele. “O Takeru abriu o portal.”

“Como?”

“Com o amor. O amor dele pela Hikari o fez abrir o portal.”

“O que? Podemos ir onde elas estão agora?”

“Se você acreditar no amor dentro de você, sim. Você precisa aceitar como seu coração realmente se sente em relação a Sora e você será capaz de encontrá-la.”

“O que eu realmente sinto pela Sora.” Ele fechou os olhos e colocou sua mão sobre seu coração.

“Pare de lutar contra o destino, Yamato.” Takeru disse firmemente enquanto olhava para seu irmão. “Você sabe que é louco por ela. Você só será capaz de salvá-la se reconhecer isso.”

“Takeru.” Yamato abriu os olhos e olhou em direção ao lugar que o Takeru estava apontando minutos atrás. “Sora, onde você está? Sora!”

“Yamato!” A imagem de Sora começou a aparecer lentamente.

“Sora!”

“Por favor, me salve. Eu não sei onde estou.”

“Eu vou te achar e te trazer de volta, confie em mim.”

Takeru observou seu irmão com um sorriso no rosto. “Viu, eu te disse. Agora vamos.”

Os dois irmãos se curvaram em direção as imagens de Hikari e Sora. Patamon e Tailmon os seguiram. Koushiro estava correndo em direção a eles quando viu tudo o que aconteceu.

“Yamato! Takeru! O que estão fazendo?”

Eles se viraram, mas era tarde demais para recuar.

“Vamos salvar a Sora e a Hikari. Nós conseguimos localizá-las, vamos trazê-las de volta em segurança.”

O especialista em computadores observou com terror enquanto eles desapareciam no céu.

“O que eles estavam pensando? Eles não podiam ter ido sozinhos atrás das meninas! Eu preciso pensar em algo agora.”

Sora olhou ao redor e não conseguiu descobrir onde estava. Tudo o que sabia era que estava sentindo frio e medo. Ela começou a pensar se alguém realmente sentiria falta dela e estava tentando salvá-la. Ela ficou desesperada quando percebeu que ninguém sabia como resgatá-la, já que ela não estava no Mundo Digital.

“Eu vou ficar aqui para sempre.” Ela sussurrou para si mesma. “Eu não acho que eles poderão me encontrar.”

“Isso mesmo.” A voz falou novamente. “Ninguém pode te encontrar porque ninguém te ama.”

“Ninguém me ama?” Ela repetiu. “Isso não é verdade. Minha família e meus amigos me amam.”

“Você está destinada a ficar neste lugar pelo resto de sua vida.”

A menina ruiva fechou os olhos e sentiu o frio e o medo crescerem dentro do seu coração. Quando ela os abriu, o brilho que tinha neles havia sumido. Tudo que podia sentir era vazio e tristeza.

“Yamato…” Sora conseguiu dizer eventualmente, em tom baixo.

“Ahn?” Yamato parou de andar repentinamente.

“O que houve?” Takeru se virou e olhou para ele.

“Eu acho que ouvi a Sora chamando meu nome.”

“Sério? Onde?”

“Eu não sei, Takeru. Se soubesse, já teria corrido até ela.”

“Tem certeza que é ela?”

“Não muita, foi muito baixo. Quase como se ela estivesse perdendo as forças.”

“Isso não é bom.” O louro mais jovem pareceu pensar por um momento. “Eu acho que devemos nos separar para podermos encontrá-las mais rápido. Eu não acredito que elas estejam no mesmo lugar.”

“Não podemos nos separar. O Patamon está com você. O que vai acontecer se eu cruzar com um Digimon? Não tenho como me defender.”

“Tem razão. Mas isso não é nada como o Mundo Digital. Pelo menos, não como o que costumamos ir. Então acho que ficará bem.”

“Ele tem razão, Takeru.” Tailmon disse. “Você tem o Patamon para te defender. Eu não digo só Digimon, mas qualquer coisa pode aparecer nesse mundo. Eu iria com ele, mas não posso evoluir sem a Hikari.”

“Tailmon.”

“Eu não sei o que fazer.” Takeru disse nervosamente. “Eu quero salvar a Hikari, mas não posso deixar a Sora. Ela é igualmente importante.”

“Vamos salvar as duas.” Yamato colocou uma mão no ombro de seu irmão. “Vamos conseguir, de um jeito ou de outro.”

“Mas como? Você mesmo disse, o Gabumon não está com você.” Ele olhou para o chão. “Não podemos ir em direções diferentes e isso vai nos tomar mais tempo para encontrar as meninas.”

“Bem, não se pode ter tudo. Nós devemos pensar num plano e decidir qual delas vamos resgatar primeiro.”

“Droga.” O jogador de basquete caiu de joelhos.

“Takeru.”

“Ei, não desista agora.” O cantor se ajoelhou perto dele e pegou o colarinho dele. “Você estava me dizendo para pensar positivo. Onde está sua esperança?”

“Minha esperança?” Takeru arregalou os olhos. “Ela se foi.”

“É o seu Brasão! Sem sua esperança não chegaremos a lugar nenhum!”

“Tem razão.” Ele levantou. “Preciso da minha esperança para me ajudar a conseguir o que quero.”

“Esse é o meu irmão!” Yamato disse orgulhosamente. “Agora precisamos nos apressar antes que seja tarde demais.”

“Certo!”

Hikari parou de gritar e removeu suas mãos da sua cabeça. Ela levantou e olhou ao redor; um sentimento de medo tomando conta dela. Ela colocou um olhar de bravura e começou a andar para sua direita. Um largo sorriso apareceu nos lábios dela quando viu seus dois amigos e sua parceira.

“Tailmon! Takeru!”

“Hikari!” A Digimon correu até ela e pulou em seus braços.

“Eu achei que ninguém viria me salvar.”

“Claro que viríamos.” Takeru andou até o lado dela. “Eu não poderia te deixar aqui.”

“Como vocês chegaram aqui afinal?” A menina o olhou. “Aqui não é o Mundo Digital, então não é fácil de chegar.”

“O amor. O amor ativou o portal.”

“O que?”

“Você está bem?”

“Estou, só um pouco assustada. Esse lugar é apavorante, eu quero sair daqui.”

“Nós vamos.” O louro colocou uma mão no ombro dela.

“Cadê a Sora?” Yamato perguntou. “Ela estava com você?”

“Sim.” Hikari abaixou a cabeça. “Alguém a levou embora.”

“Quem?”

“Eu não sei, tudo o que ouvi foi uma voz. A Sora ficou dizendo que tinha falhado e eles a levaram. Não pude fazer nada.”

“Então há outras dimensões neste mundo.” A estrela do rock desviou o olhar. “Ótimo.”

“O que fazemos agora, irmão?”

“Eu não sei. Se o Koushiro estivesse aqui ele saberia o que fazer ou aonde ir.”

“Hikari, o que aconteceu?”

Os irmãos se viraram e viram a Hikari no chão, cobrindo sua cabeça com as mãos e gritando.

“Não, de novo não!”

“Hikari!” Takeru se ajoelhou ao lado dela. “O que está havendo?”

“Um oceano. Um oceano negro. Ah meu Deus!”

“O que?” O louro agora estava segurando seus ombros firmemente. “Você viu alguma coisa?”

“Acabei de ver onde a Sora está.” Hikari tirou as mãos da cabeça e o encarou. “Ela estava no meio de um oceano negro.”

“O que está dizendo?” Yamato perguntou nervosamente.

“Se acalme, Yamato.” Takeru voltou sua atenção para sua amiga. “Você sabe onde é ou como podemos chegar lá?”

“É bem ali.” Ela apontou ao norte e eles seguiram seu dedo.

“Você tem certeza? Não tem nada que pareça um oceano naquela direção. Só uma área aberta.”

“Claro que tem. Você só não consegue ver, como ela consegue.”

“Quem está aí?” O jogador de basquete perguntou, procurando pela origem da voz.

“Onde está a Sora?”

“As crianças hoje em dia fazem muitas perguntas.” A voz disse meio irritada. “Sua amiga está num lugar seguro, sob minha supervisão.”

“Sora não fez nada para estar lá. Traga-a de volta!”

“Force-me.”

“Hikari, você acha que pode encontrar esse oceano se nós seguimos suas direções?” Yamato lhe perguntou.

“Acho que sim.” Ela assentiu.

O louro e seu irmão começaram a segui-la enquanto ela ia em direção a área aberta.

Sora estava sentada com seus braços ao redor das pernas e olhando para o nada. Suas roupas estavam quase perdendo as cores, assim como sua pele e cabelo. A sensação fria ainda estava em todo seu corpo e ela não parecia perceber as três pessoas vindo em sua direção.

“Sora!” Yamato correu até ela assim que a notou.

Ele se ajoelhou ao lado dela enquanto Takeru e Hikari pararam atrás dele.

“Quem é você?”

“Sou eu, Yamato. O Takeru e a Hikari também estão aqui.” Ele olhou para eles.

“Eu não me lembro de nenhum de vocês.”

“Isso não é bom.” Takeru disse.

“Como não pode se lembrar da gente?” A estrela do rock voltou sua atenção para Sora. “Nós somos seus amigos. Passamos por tantas coisas juntos.”

“Eu não reconheço vocês.”

“Tente um pouco mais, Sora. Eu sei que há uma memória em algum lugar da sua mente. Você provavelmente se lembra da Piyomon, certo?”

“Piyomon?” Ela reagiu, para a felicidade dos outros. “Esse nome soa familiar.”

“Ela é sua parceira.” Yamato disse com um sorriso. “Ela estava com você o tempo todo, quando tivemos de derrotar os inimigos no Mundo Digital.”

“Sora.” Takeru se ajoelhou ao lado de seu irmão. “Sou eu, o Takeru. Por favor, tente se lembrar de nós.”

“Takeru.” Ela o olhou com olhos vazios.

“Sou eu.” Ele sorriu. “Nós viemos te salvar.”

“Me… salvar?” Ela disse fracamente. “Mas ele me disse que ninguém viria.”

“Quem falou isso?”

“A voz.” Hikari respondeu, fazendo os meninos a olharem. “Ele disse a mesma coisa para mim.”

“Idiota!” Yamato esmurrou o chão com seu punho.

“É claro que viríamos te salvar, Sora. Nunca te deixaríamos sozinha neste lugar.”

“Por quê?”

“Porque nós te amamos, Sora.” Yamato pegou as mãos dela e a olhou. “Você significa muito para mim. Para todos nós.”

“O que? Ninguém me ama.”

“Você não pode ouvir essa voz! Há muitas pessoas que te amam! Sua família, seus amigos. Não estaríamos aqui se não significasse nada para nós.”

“É isso mesmo?”

“Absolutamente!”

“Meu lugar não é lá.”

“Não diga isso! Seu lugar é lá sim, sempre foi.” O louro disse firmemente. “Abra seus olhos, Sora! Não pode deixar essa voz entrar na sua cabeça e te tirar de nós. Eu me recuso a te perder sem lutar.”

“Por que está fazendo isso?”

“Porque eu preciso de você. Porque você se tornou uma parte importante da minha vida e eu não vou deixar alguém que nem posso ver ter você. O que vou dizer aos seus pais e amigos que falhei em te resgatar?”

“Yamato.”

“O que?” Ele ficou surpreso em ouvi-la lhe chamando.

“Continue fazendo isso, maninho.” Takeru o encorajou. “Está funcionando.”

“Não me deixe aqui.” Ela disse fracamente.

“Não vou fazer isso… nunca. Tudo o que precisa fazer é segurar minha mão mais forte e confiar em mim.”

“Quero ir para casa.”

“Aperte minha mão, Sora, e eu te levo para casa.”

Sora fechou os olhos e lentamente apertou a mão do Yamato. Ela ficou assim por um tempo e ele apreensivamente esperou pelo que aconteceria depois.

As cores em suas roupas retornaram ao mesmo tempo em que ela finalmente abriu os olhos. Yamato, Takeru e Hikari mal podiam esconder sua felicidade quando perceberam que o brilho deles tinha voltado. Ela piscou com força, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo.

“Onde estou?” Ela se soltou da mão do louro e sentou corretamente.

“Esse é o lado negro do Mundo Digital.” Hikari respondeu, olhando ao redor. “É medonho, não é?”

“E como.” Sora esfregou seus braços para aquecê-los. “Quero voltar.”

Yamato se abaixou na frente dela e pegou seus ombros firmemente. Havia uma expressão séria no rosto dele que a assustou, mas algo nos olhos dele não a deixava desviar o olhar.

“Você está bem?”

“Acho que estou. Só estou cansada.”

“Vamos te levar para casa.” Ele levantou a ajudou a ficar em pé, mantendo-a perto de seu corpo. Depois ele olhou para o alto e fechou a cara. “Mas como vamos fazer isso?”

“Hikari e eu podemos cuidar disso.” Takeru olhou para a irmã de Taichi e ela assentiu. “Patamon e Tailmon vão evoluir para Pegasumon e Nefertimon. Isso deve bastar para nos levar de volta à Terra.”

“É bom vocês dois terem seus parceiros por perto. Nunca sabemos quando poderemos precisar deles.”

“Eu deixei a escuridão da minha mente tomar conta de mim… e você estava lá para me salvar novamente.”

“Eu não poderia deixar nenhum dos meus amigos partirem sem lutar. Especialmente um próximo como você.”

“Eu nunca serei capaz de lhe agradecer o suficiente, Yamato.”

“Você não precisa me agradecer.” Ele disse com um sorriso. “Desde que esteja segura, é o bastante para mim.”

“Vocês também, Hikari e Takeru. Muito obrigada por me resgatarem. Vocês são realmente incríveis.”

“Sem problemas, Sora.” Takeru respondeu meio envergonhado. “Você sabe o quanto amamos você, certo?”

“Agora eu sei.” Ela sorriu calorosamente, fazendo os outros três se juntarem a ela.

“Vamos voltar agora?” Hikari perguntou, subindo na Nefertimon.

“Com certeza. Já passamos tempo demais neste mundo.”

“O Koushiro provavelmente está preocupado com a gente.”

Sora se juntou a Hikari enquanto os irmãos subiam no Pegasumon e os dois Digimon saíram daquele mundo negativo, esperando nunca mais voltarem.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!