Caminhei pela calçada e finalmente parei naquela velho prédio acinzentado com muros pichados escrito palavrões e revoltas sobre a comunidade, entrei e sentei na frente como todo dia eu sempre fazia, hoje era dia de entregar o trabalho já peguei e deixei em cima da mesa. Fecho meus olhos e sinto aquele perfume forte invadindo a sala, abro e vejo o Samuel na minha frente com aquele belo sorriso.

-Camila-disse ele me acordando para realidade.

-Oi-disse e ele riu.

-Eu perguntei se você fez o trabalho?-perguntou ele mexendo o cabelo.

-Fiz sim por quê?-perguntei

-É que não deu tempo de fazer eu estava trabalhando e sabe como é né- olhava diretamente nos meus olhos- será que pode colocar meu nome e depois eu pago?-perguntou sorrindo.

-Há claro eu coloco-sorri e ele sorriu- não precisa pagar-disse.

-Mas deve ter dado mau trabalho, isso seria injusto-disse ele, ai que fofo, para de viajar Camila.

-Não nem deu muito trabalho –disse e ele sorriu saiu e eu anotei seu nome, na verdade aquele trabalho me deu trabalho, três paginas grandes escritas para o professor de Química, ele chegou e recolheu os trabalhos e seguiu as aulas normalmente. Como sempre o Carlão o menino mas bagunceiro da nossa sala estava fazendo graça.

-Há Julia devolve sua cachorra-disse e todos riram, ele era fanho então o Cachorra sai meio que estranho isso tinha graça.

-Sai demônio-disse ela e rimos, sempre que os dois faziam graça o Samuel olhava para mim e procurava meu sorriso, parecia que sempre isso acontecia, mas ele nunca falou comigo a não ser querendo que eu coloque o nome dele no trabalho ou a procura do meu caderno para copiar as lições. Me virei e concentrei nas lições, eu e o Samuel éramos bem diferentes, eu tinha um estilo mas largado, cabelos sempre solto, sem maquiagem, roupas eu tentava não deixar o mas colado possível no corpo e curtia Rock e Era católica, ele era o típico menino top, sempre bem vestido cabelo penteado corretamente, lábios rosados, pele branca, trabalha em uma loja de materiais de construção como o que carregava coisas de homens mas velhos já não tinham tanta força, curtia pelo que eu vi eletrônica, e era Evangélico. De todos as diferenças que podia nos atrair essa era o que impedia um “namoro” ou até um casamento, sim eu já me imaginei casando com ele, mas a questão é que meu sonho é se casar na igreja tudo como a tradição manda, já a crença dele não é assim um de nos teria que desistir da religião do outro e esse alguém não seria eu, e nem muito menos ele, não que seja assim, por mim crendo em deus está ótimo mas teríamos que decidir qual de nos trocaria de religião, desde pequena fui a igreja católica, lá é meu lar, me sinto bem, pelo que eu vi a mesma coisa foi com ele, não que eu tenha preconceito , por que na casa de deus todos são bem vindos mas é questão de costume também. Me livrei outra vez desses pensamentos, o sinal bateu e saímos para o intervalo, ao descer as escadas ele estava lá, Guilherme o menino loiro do 3º ano de olhos verdes, estava falando com seu amigo Kelvin ou piru como é chamado, Kelvin era o tipo de menino que pela aparência você julga ele como inteligente e bom menino, mas quando você o conhece percebe que a historia é bem mas em baixo. Ele era bonito e o corpo melhor ainda, mas era bagunceiro repetiu o 2°ano, fumava e fazia coisas que até o diabo tinha medo. Já o Guilherme aparentava ser o demônio em pessoa, mas era ao contrario, de todos os 3° anos ele tinha a melhor nota, ele jogava no time da escola, e todos os professores o elogiavam. Ano passado quando eu o vi pela primeira vez meu coração quase saiu pela boca, ele era o menino mas lindo da escola na minha opinião. Mas ele tinha um lado que eu descobri que não gostei nenhum pouco, ele era galinha, quase no fim do ano passado minha “Amiga” jancléia pediu para ficar com ele, logico que ele não ia recusar, ela era linda tinha os cabelos enrolados mas controlados e olhos verdes de gatos, ele só não ficou com ela por que estava ficando com outra menina. Ali acabou o encanto, eu desci as escadas normalmente e percebi o olhar dele sobre mim ignorei sempre isso acontecia , mas cá para nós olhares não são nada, fui para cantina .

-Quanto que tá a Fanta maracujá?-perguntei.

-2,50-disse o moço, nossa não quer levar minha alma junto também não?.

-Me vê uma por favor-disse tirando o dinheiro do bolso e quando eu me virei ele estava atrás de mim o Guilherme, instantaneamente nossos olhares se encontraram assim que senti minhas bochechas queimarem me virei.

-Toma aqui moça, uma Fanta maracujá gelada-disse e eu entreguei o dinheiro.

-Muito obrigada-disse e peguei o canudinho e deixei o espaço livre para o próximo no caso ele.

-Me vê uma Fanta Maracujá também-disse ele e olhou para mim- temos gostos refinados- e ergueu a latina no ar e saiu, Ho meu deus ele falou comigo? Claro que falou sua anta acorda, eu também fiquei surpresa quase ninguém gostava de Fanta maracujá, agora eu não sei o porquê, era tão bom, balancei minha cabeça e sai. E é agora que você fala que eu tenho problemas, sim eu tenho sérios problemas isso seria paixonite aguda, não posso ver nenhum menino lindo que já me vejo casando e tendo filhos com ele. No meu caso não seria só o Samuel e o Guilherme tinha também o Marcos Roberto ou marquinhos, ele é meu amigo de infância, foi a primeira pessoa que eu conversei quanto eu cheguei aqui em Sorocaba, lembro como se fosse hoje eu sentava na calçada da minha nova casa esperando meus pais arrumarem a casa e ele me chamou para brincar de lego, e desde então somos amigos, fizemos catequese juntos, fomos para igreja juntos, grupo de jovens juntos, e ele foi na minha festa de 15 anos, foi depois dai que nos começamos a nós olhar diferente, tá cá para nos eu não tinha mas 4 anos e nem ele, algo estava acontecendo um amor estava surgindo mas ambos tinha medo de estragar a amizade disso eu sabia, ele talvez possa gostar de mim mas não tem coragem para falar por medo de levar um não e nossa amizade estragar e eu tinha medo também, o Guilherme e o Samuel eram básicas atrações já o Marcos era coisa para valer, mas estou vendo que quem se ferra nessa historia sou eu. Que merda para de pensar nisso e se concentra na aula, disse a mim mesma, as aulas terminaram normalmente e eu sai, estava indo para casa, quando me deparo com uma cena que estragou meu dia, em minha direção vinha o Marcos e uma menina agarrada a ele a tala da Sabrina a amiga da irmã dele, tudo bem ele não a abraçava de volta, mas tipo cara se ele gostasse de mim não iria deixar ela o abraçar, eu ia passar direto mas ele me paro.

-Nossa não fala oi-disse ele e eu me virei.

-Oi-disse acenando, meu braços estava com livros tinha estava com uma blusa de frio que ia até o meio das minhas coxas, o cabelos mau amarrado, e a cara de sono incomparável. Devia ter me arrumado melhor se eu soubesse que ele viria .

-Estudando muito?-perguntou.

-É fazendo o possível-disse e ele sorriu, aquele traste de menina ainda estava agarrada nele, ele talvez não sabia mas a cena estava me incomodando.- Nossa acho que você já conhece ela é a Sabrina amiga da minha irmã-disse o Marcos ele tinha reparado que eu a olhava agarrado a ele.

-Oi-disse ela com a voz de nojenta- look despojado o seu né?-disse com ironia e eu me olhei e fiquei constrangida, o marcos olhou e falou alguma coisa.

-Bem vou indo acho que meu cargo de vela já foi cheio por hoje-disse me virando e saindo.

-Não espera, não é o que você tá pensando-disse ele e eu ignorei.

-Tchau marcos-disse nunca fui de chamar ele de marcos, só quando eu me irritava, sai sem qualquer explicação, meus pais estava trabalhando então fiz minha comida limpei a casa e fiquei assistindo a tarde inteira, mas sempre vinha na minha mente a cena daquela maldita menina tirando com a minha cara estava com vontade de socar tudo e chorar, meus pais chegaram e todos nos jantamos, subi para meu quarto tomei banho e deitei na cama e comecei a escrever no meu diário.

Talvez minha vida vai mudar, talvez seja fase, talvez seja loucura minha, ou talvez minha vida é uma Droga e eu não quero Admitir, as palavras pareciam flutuar enquanto eu escrevia no meu diário. Me virei e fiquei de barriga para cima encarando o teto, fechei os olhos e desejei que pelo menos amanhã no meu aniversario algo bom acontecesse, talvez o Marcos admitisse logo de uma vez que gosta de mim, ou o Samuel sei lá, ou talvez o Guilherme, ai meu deus por que eu não sou uma pessoa normal e gosto só de uma pessoa? Talvez esteja explicado eu não sou normal, sou aquela menina que todos excluem ou que evitam, sou aquela que por mas que tente se arrumar, não consegue um elogio, sou aquela menina apaixonada pelo amigo de infância, tem uma queda por um colega de classe e sente atração pelo menino do Terceiro. Joguei meu diário longe e escondi meu rosto nas mãos.

-Três meninos e nenhum olha para mim, que injusto-disse olhando pela janela- Deus não sou de falar muito com você mas por favor me salva dessa vida, estou sendo dramática eu sei-disse e me levantei e fui para a janela- mas quero mudanças quero que algo de bom uma vez na minha vida aconteça-disse olhando para o céu, a brisa gelada da noite bateu entre os meus cabelos e eu fechei os olhos sentindo- espero que isso seja um sim-disse sorrindo e fechei a janela, me deitei , amanhã pode ser um novo começo.