The Curse of Blood
5 Holandês Voador
Notas iniciais
Meu pai pareceu entender o que acontecia. Ele falou algo em voz baixa no ouvido de minha mãe e se virou para mim.
– Livie, pegue somente o que for necessário, e quando terminar, vou te buscar no seu quarto — com isso, ele me deu um abraço rápido e se dirigiu a porta para ver a gravidade da situação.
Corri para o andar de cima, agradecendo silenciosamente por estar usando calça ao invés de um vestido. Corri para o meu quarto e peguei um baú vazio. Coloquei roupas, penas, minha boneca, meus livros e a pintura da minha mãe.
Ouvi meu pai subir a escada e entrar no meu quarto. Ele por um momento focou somente em mim e depois olhou para o quarto em si. Ele lentamente entrou e se postou ao meu lado.
– Querida, é lindo — ele olhou para a parede. Depois de admirar brevemente a pintura, pareceu confuso. — Por que escolheu essa pintura?
– Foi o modo que encontrei de ficar perto de você — eu disse, timidamente.
Ele sorriu e pegou o baú de minhas mãos. Descemos a escada onde vimos minha mãe e Jack discutindo. Eu suspirei e meu pai tratou de acabar com a discussão. Ele se virou para mim, e falou com a voz firme.
– Minha filha, preciso que preste atenção no que vou dizer agora. Tem homens vasculhando a cidade atrás de você. Até chegarmos ao navio, não posso garantir sua segurança completamente. — ele disse, me olhando com firmeza — Preciso que confie em mim, e que não se separe de mim ou de sua mãe a não ser que seja necessário. Caso isso aconteça, o meu imediato está recrutando homens na taberna. Vá até lá e procure-o. Diga quem você é e estará em segurança. Entendeu?
Assenti. Ele se aproximou, tirou uma corrente longa do bolso, que eu já tinha visto minha mãe usar algumas vezes e colocou em meu pescoço. Alguma coisa me dizia que aquilo era importante, mas não era a hora de perguntar. Saímos pela porta, abandonando a casa onde eu havia passado a minha vida.
Jack estava certo. Haviam homens por todos os lados. Eles perguntavam a todos sobre mim, e pela primeira vez, agradeci a minha mãe por ter me isolado tanto das pessoas. Poucos me conheciam. Eu estava vestida como homem, mas meus cabelos me entregavam. Minha mãe estava vestida como eu e não se preocupava mais em como os vizinhos pensariam em nos verem assim. Quando estávamos quase no porto, um homem nos alcançou.
– Venha comigo! — o homem disse. Sua voz era fanha. Mas não encostou em mim, pelo contrário, mantinha uma certa distância e olhava expressivamente para Jack — Venha comigo!
Encarei Jack enquanto meu pai parava e dava um belíssimo soco no rosto do homem. Ele parecia pego no flagrante. Alguma coisa estava errada. Mesmo com o homem tendo me visto, nenhum dos outros vieram atrás de mim. Enquanto corríamos em direção ao Holandês eu pensava nisso. Quando chegamos na escada, eu parei para admirar a vista. Já tinha visto o Holandês há dez anos, mas ainda sim, a vista me surpreendia. Era colossal, amedrontador. A figura de proa me causava calafrios, com seus dentes afiados. Mas, era o lar do meu pai, portanto era o meu também. Lembrando do meu pensamento sobre Jack, esperei meus pais e Jack subirem e rapidamente, tirei a adaga que eu prendia escondida na cintura e dei passos firmes com ela em punho, na direção de Jack.
– Como ousa? — eu disse, com o tom de voz mais amedrontador que consegui encontrar. — Como ousa enganar a mim e a meus pais dessa forma? Recebemos você em nossa casa e você traiu nossa confiança.
Continuei avançando até ele estar encostado na amurada e eu estar com a adaga em sua garganta. Não tive coragem para olhar a expressão dos meus pais, mas imaginei que fosse desagrado. Desviei o olhar por um segundo e olhei para o porto abaixo de nós. A tripulação toda, vendo que o capitão voltava para o navio, veio atrás de nós imediatamente. Haviam alguns homens que claramente haviam sido recrutados agora, mas o que me chocou era que todos me olhavam. Estavam espantados por eu ter partido para cima de Jack daquela forma. Eu era uma mulher, vestida de pirata, no navio do temido capitão Turner, apontando a adaga para Jack Sparrow. A cena deveria ser, ao mínimo, ridícula. Mas o que me enfureceu completamente, era que Jack ria desdenhosamente de mim.
– Ora ora, parece que temos uma candidata a pirata aqui, Capitão! — ele falou, sabendo que eu estava enfurecida.
Eu teria cortado a garganta dele com a adaga, mas meu pai me puxou pelo braço antes.
– Querida, vamos para a minha cabine. E abaixe essa adaga — ele falou.
Com isso, ele foi até a amurada e se dirigiu aos homens que assistiam a cena.
– Quero toda a tripulação dentro do navio imediatamente! — ele gritou para os homens que estavam nos olhando. — Estarei com as senhoritas dentro da minha cabine e não quero ser incomodado.
Ele correu os olhos entre os homens e focou em um.
–Imediato, assim que os tripulantes forem acomodados, vá até minha cabine. — ele disse para um homem que estava cercado de outros. Ele me parecia muito familiar.
Com isso, ele virou-se para Jack, que continuava rindo de mim, e disse para nos acompanhar. Com isso, entramos no Holandês Voador.
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A cabine do meu pai era quase tão grande quanto meu quarto e do da minha mãe juntos. Em todos os lados, haviam pinturas de navios, mapas e outras coisas. Na parede próxima a cama, haviam algumas pinturas de minha mãe e uma minha. Foi acolhedor ver aquilo, mas eu ainda não me sentia a vontade.
Houve uma batida na porta, e um homem entrou. O homem que eu havia visto, que eu ainda não sabia o nome, entrou pela porta. Ele olhou para o meu pai, que deu um sorriso radiante para o homem e inclinou a cabeça em nossa direção. O homem olhou primeiro para minha mãe e lhe deu um abraço forte. Depois olhou para mim e seus olhos estavam marejados. Ele andou em minha direção e estendeu os braços, claramente esperando um abraço. Eu me levantei lentamente da cama onde eu estava sentada e olhei hesitante na direção da minha mãe. Ela me deu um sorriso encorajador e eu fui até o homem e lhe dei um abraço. Havia alguma coisa naquele abraço que me lembrava meu pai. O homem tinha um cheiro de mar que me fazia sentir completamente em casa. Ele alisava meu cabelo de uma forma tão paternal que eu quase esqueci onde eu estava.
– Livia, você cresceu tanto...-ele disse
Eu me afastei gentilmente.
–Como sabe meu nome? — perguntei, curiosa
Meu pai foi até nós e sorriu para mim.
– Livie, permita-me apresentar William Turner, imediato do navio e seu avô — ele disse.
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