The Curse of Blood
9 Arrependimento
Notas iniciais
Por alguns segundos continuei aturdida pelo sorriso resplandescente de Nathaniel. Depois, olhei para meu pai, e a expressão dele me tirou do torpor. Meu pai parecia ter vestido uma máscara de ferro. O belo rosto dele estava com as feições duras e ele olhava fixamente para Nathaniel. Minha mãe, parecia prestes a desmaiar a qualquer segundo e Nathaniel, por sua vez, parecia solidário com a reação dela.
Passei a procurar dentro da minha mente onde o sobrenome Norrington entrava. Era uma família nobre, bastante abastada, de homens que quase sempre serviam à Coroa. Mas ainda sim, o nome não me dizia nada. Resolvi quebrar o silêncio.
– Vocês se conhecem? — perguntei.
A minha voz amoleceu a máscara de ferro que era o rosto do meu pai. Minha mãe se recuperava lentamente. Nathaniel olhava para mim como quem pede ajuda.
– Você era tão pequeno...eu sinto tanto... — minha mãe olhava para Nathaniel quase pedindo por clemência — James... Devia ter esperado... Me perdoe...
Meu pai, segurava minha mãe nos braços. Eu me aproximei e perguntei a ela o que estava acontecendo. Ao ouvir minha voz, ela pareceu se acalmar.
– Vamos para a cabine, todos. Teremos uma longa conversa. — ela disse, com uma voz seca.
Olhei para Nathaniel, que não olhava para mim. Resolvi esperar um pouco mais por respostas.
Eu tomei a dianteira e abri a porta da cabine do meu pai. Eu estava irritada por não saber do que se tratava. Fechei a porta e fiquei ao lado de Nathaniel. Meu pai pareceu não gostar. Senti Nathaniel relaxar levemente os músculos e interpretei isso como um agradecimento por eu me manter ali com ele.
– Sra. Turner, peço desculpas — Nathaniel disse — não sabia que sua reação seria essa.
Minha mãe ainda o olhava como se ele fosse um fantasma. Depois de alguns segundos ela resolveu falar.
– Em primeiro lugar, me chame de Elizabeth. Eu não seria Sra. Turner se não fosse pelo seu irmão. — ela disse.
Por um segundo, não entendi. Depois, algo pareceu se clarear em minha mente.
– E sou eu quem tem que te pedir desculpas Nathaniel. — ela continuou — Se eu não tivesse sido tão covarde, James estaria aqui.
Sua voz estava carregada de amargura. Nunca ouvi minha mãe falar daquela forma.
– Não tem porque pedir desculpas Sra. Tur... Elizabeth. — ele completou. — Meu irmão morreu protegendo a mulher que amava, se a tivesse deixado para morrer e se protegesse, garanto que ele não conseguiria viver com a culpa.
Olhei para meu pai. Ele parecia impassível e eu compreendi. Minha mãe, havia me contado, que tinha sido noiva de um homem antes de se tornar pirata e se casar com meu pai. O homem era James Norrington. Irmão de Nathaniel.
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