The Curse - Romania Selection Interativa
4 Capítulo 03 - Empty
Notas iniciais
O dia amanheceu ensolarado, embora algumas nuvens escuras esparsasem-se no céu. Intensos raios de sol esgueiraram pelas brechas da cortina, batendo diretamente no rosto do príncipe. Ele abriu os olhos com rapidez, ansioso. Olhou para o lado, onde havia um relógio sob a mesa do quarto.
Sete horas da manhã.
– Droga. Estou atrasado — Stephen praguejou, saltando da cama enquanto já tentava se enfiar em alguma calça social.
Seu pai, o rei Ronan, iria encher o saco se visse que ele estava "levando tudo com tanta pontualidade". Stephen riu ao se ver imaginando exatamente o que o pai diria.
A porta do quarto do príncipe foi aberta de supetão quando ele ainda estava sem camisa.
– Rápido, rápido! — ela sussurrou, entrando no quarto e se escondendo atrás do guarda-roupa.
Stephen arqueou as sobrancelhas, surpreso e confuso.
– Miha? — chamou-a. — O que diabos você está fazendo aqui?
Mihaela, a princesa, arfava.
– Shhh! — ela repreendeu, tirando alguns fios cacheados dos lábios. — Não diz que eu estou aqui!
– Ah... Ok. Eu acho — Stephen balbuciou, fazendo uma careta. Ele andou até a porta para fechá-la, mas quando o fez, seu pai apareceu. — Pai?!
Ronan estava com o rosto vermelho. Parecia furioso.
– Onde está sua irmã? — ele perguntou, entre os dentes.
– O que está fazendo aqui? — Stephen devolveu, curioso. Ronan semicerrou os olhos. — Pensei que estivesse no escritório, cuidando da verba para a seleção. — Desconversou.
O rei fez uma careta, franzindo o cenho. Realmente, não havia pensado nisso. O dinheiro, e que precisaria liberar ele mesmo.
– Realmente, eu havia pensado nisso — Ronan mentiu. — Mas adivinhe a minha surpresa quando entro em meu escritório, abro a adega... E as bebidas não estão lá!
Stephen estremeceu, afastando-se conforme seu pai avançava para dentro de seu quarto.
– Miha não roubou as bebidas, pai — ele defendeu-a. Mesmo sabendo que sim, ela certamente as havia roubado.
O príncipe tentou impedi-lo de aproximar-se de seu guarda-roupa, mas Ronan foi mais rápido.
Stephen arquejou.
– Hum. — Seu pai murmurou.
Mihaela não estava mais lá.
– Pai? — uma voz surgiu de dentro do banheiro.
A princesa saiu lá de dentro com duas camisas nas mãos.
– Stephen, qual prefere? A azul ou a verde? — Mihaela perguntou, casualmente.
Stephen abriu a boca. Como diabos ela fizera aquilo?
– É, hum, a-a verde — respondeu.
Ronan mordeu a boca por dentro, fazendo uma expressão de desgosto.
– O que você está fazendo aqui? Eu te vi saindo do meu escritório! — gritou.
– Pai, — ela fez-se de desentendida, sorrindo — eu vim acordar o Steph pra que ele não se atrasasse. Estou ajudando-o a se preparar para os preparamentos da seleção.
Stephen tentou sorrir para soar mais convincente, porém tudo o que conseguiu foi uma careta.
– Ótimo — Ronan disse, duro, adirigindo-se à porta. Ele virou-se para a princesa. — Por acaso — perguntou, irônico — você não saberia o que aconteceu com a minha adega, saberia?
Mihaela sorriu.
– Sapato preto ou marrom?
***
Ronan entrou em seu escritório e bateu a porta com força, nervoso. Olhando de relance para a adaga na parede, suas suspeitas só aumentaram mais ainda.
Frustrado e cansado, o rei esparramou-se na cadeira e suspirou. Foi quando alguém bateu à porta quase que inaudivelmente, entrando logo em seguida.
– Querido? Tudo bem?- ela perguntou.
Era sua esposa, a rainha Adelaide. Ela estava de roupão, provavelmente acabara de acordar.
Ao ver sua mulher, Ronan esqueceu-se completamente de seus problemas. Adelaide tinha uma beleza diferente, única. Seus cabelos eram curtos e loiros, contrastando com os olhos, os quais a filha lhe puxara, castanhos avermelhados.
– Agora, sim — Ronan sorriu. Adelaide andou até ele e pôs as mãos sob seus ombros, massageando-os.
– Ouvi seus gritos do quarto, Ronan — ela suspirou. — Você parece muito estressado. É por causa de Miha?
– Querida, Miha é a melhor parte de meu estresse. Sei que ela é jovem e quer apenas se divertir. Nossa filha é muito sozinha como princesa...
– Então, o que o aflige tanto? — Adelaide perguntou.
Ronan respirou fundo e suspirou.
– É o reino da Dinamarca. — O rei respondeu. — Eles enviaram uma carta que chegou esta manhã.
Adelaide arregalou os olhos.
– A Dinamarca? E o que diziam?
– Vão romper o acordo comercial conosco. Disseram não querer estar associados a mortes misteriosas de nobres. — Ronan engoliu em seco. — A morte de Lady Alice já repercutiu mais que o suportável.
***
Stephen terminou seu café da manhã com pressa e logo retirou-se da grande e luxuosa sala de jantar. Os lustres de cristal suspensos no teto reluziam os raios de sol que entravam pelos vitrais, iluminando intensamente a sala.
A princesa quase tropeçou sob os saltos enquanto tentava alcançá-lo. Ela praticamente corria na tapeçaria vermelha que cobria o chão.
– Ei, Steph! — Mihaela o chamou.
O príncipe virou-se para trás e curvou as sobrancelhas.
– O, que, foi, aquilo?
Sua irmã deu uma risadinha baixa ao alcançarem as escadarias do palácio. Os guardas já a olhavam com expressões desconfiadas.
– Foi uma demonstração dos meus métodos de como me safar de problemas.
Stephen parou e colocou as mãos sobre os ombros de Mihaela.
– Miha — ele a olhou nos olhos. — Você está roubando as bebidas da adega do papai?
A princesa gargalhou.
– Miha. — Stephen falou, severo. Ela rolou os olhos. — Você está roubando!
Mihaela esquivou-se e apoiou os braços no corrimão. Seus cachos castanhos armavam facilmente, apesar de seu esforço em mantê-los presos.
– Eu só quero me divertir um pouco — respondeu, com voz chorosa. — Stephen, faz ideia de como viver aqui é maçante?! Eu não posso fazer nada! E não tenho muitas companhias.
Stephen suspirou, abraçando a irmã.
– Disso, eu entendo.
Mihaela deu um sorriso desanimado.
– Papai é tão bravo comigo. Se ele ao menos... Me ouvisse mais. Me deixasse sair mais. Viajar.
– Eu sei, Miha, eu sei — Stephen beijou sua cabeça. — Mas já que você não pode fazer o que quer, que tal fazer o que eu quero?
Sua irmã arqueou uma sobrancelha, curiosa.
– Você geralmente é meio tão louco quanto eu — ela sorriu. — Então, em que posso ajudar?
Stephen respirou fundo.
– A manter viva minha futura esposa. — Brincou, mas logo arrependendo-se da piada. Mihaela achou graça de seu constrangimento. Stephen ser engraçado era extremamente raro.
– Posso te ajudar nisso — ela estendeu a mão. — Com uns bônus, claro.
Stephen semicerrou os olhos.
– Nem pense nisso. Não vou te dar bebida como pagamento.
***
A pequena garota o vira entrar pelos portões do vilarejo sem nenhum sinal de consciência. Ele apenas andava, andava e andava. Ia adiante, alheio ao resto. Provavelmente, tinha apenas alguns anos a menos que ela, se não fosse de mesma idade. Seus cabelos eram loiros, claros como a luz do sol, e seus olhos eram acinzentados.
Parecia tão curioso. E perdido. Ela continuou a observá-lo, até que lembrou-se de que algo terrível poderia acontecer à ele se prosseguisse.
Saindo das sombras de um barril em que se escondia, a garota, numa capa preta, resolveu ir até ele. Sentia que deveria protegê-lo. Não sabia porque, mas sabia que deveria.
Algo nele a deixara encantada.
– Você está perdido? — a pequena garota perguntou. — Quantos anos têm?
Ele afastou-se instintivamente, calado e quieto. Seus olhos expressavam medo.
Mas por que ele teria medo dela? Ela apenas queria ajudá-lo!
– Não tenha medo de mim, eu vim protegê-lo — ela lhe disse, segurando suas mãos. — Escute, você precisa ir embora daqui.
– Por quê? — o garoto perguntou.
A menina, que beirava os doze anos, olhou-o profundamente com seus olhos castanhos amendoados. Ele não devia saber onde estava. Mas que pessoa não saberia?
– Quem é você? — a garota perguntou.
– Meu nome é Stephen — ele respondeu.
Stephen?
Não era um nome muito comum para os moradores do centro-leste da Romênia.
– Stephen — a garota avisou, agora com terror nos olhos. — Vá embora, agora! Fuja!
Ao olhar para trás, a garota viu uma figura se aproximar de Stephen com as unhas afiadas e negras. Seus olhos escuros brilhavam de animação ao vê-lo.
Mas a garota sabia o tipo de animação que aquela mulher tinha por ele.
No entanto, quando tentou tocá-lo, Stephen já havia sumido.
Skatter abriu os olhos. Seu corpo estava suado e ela sentia sua garganta apertada.
De novo, o mesmo pesadelo.
E eles vinham cada vez piores.
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