Notas iniciais
Heeeeeeeey! Oi oi oi! Que saudade de vocês, caraca, fiquei um mês sem tocar no Nyah! Infelizmente não terei tempo de conversar muito com vocês por aqui, maaaas, fiquem com este capítulo, que tá muito louco, fiz correndo pra postar logo hoje e evitar enfartos por ansiedade hehehe. Me digam o que acharam! Beijos! Alice

Alana desceu as escadas de casa correndo. Estava com tanta pressa que faltava voar sobre os degraus, pulando-os de três em três. Apesar de nova, não tinha a vantagem de ser pequena; seu um metro e quarenta, mesmo com oito anos, não facilitavam suas fugas ágeis.

Foi pega pelos braços antes que alcançasse o térreo da casa. Frustrada, deu um longo suspiro, abrindo-os em rendição. Sentia seu rosto arder e tinha certeza de que estava com as bochechas vermelhas.

Haha! Te peguei! seu melhor amigo gritou, gargalhando alto.

Tá bom, tá bom... ela resmungou, pausadamente, desvencilhando-se dele. E agora, do que vamos brincar?

Seu amigo pôs a cabeça sobre a mão, pensativo. Se tinha alguém que era mestre em inventar brincadeiras novas, era ele. Poderia até mesmo passar horas só arquitetando algo bem divertido. Ou maldoso.

Brincar? uma voz familiar veio das escadas. Não, não. Já chega de brincar, lindinhos. Agora é hora de... Trabalhar!

Era a mãe de Alana que descia a escadaria; bela como a filha, não precisava de artifícios que realçassem sua beleza. A natureza já lhe provera de tudo para ser considerada uma linda mulher.

Alek resmungou em voz baixa, contendo a decepção. Tinha de ser educado perto da senhora Stoichita, contudo, não era muito fácil.

Mas... Já? — ele questionou, sorrindo de canto.

A mulher olhou-o com uma sobrancelha erguida, dando logo uma risada aguda que ecoou casa acima.

Querido Alek... Vocês passaram a tarde juntos. Agora preciso de Alana comigo. Tenho algumas coisas para ela neste resto de dia Ekatherina explicou.

Alana bateu o pé.

Mamãe. Chamou-a, séria. Vou ter que ficar horas vestindo aquelas roupas chatas de novo?

Filha... Mas eu pensei que você...

Ah, não! Mas de novo? Você prometeu que eu poderia me divertir hoje! a garota protestou, colocando os fios louros, quase brancos, para trás do rosto, pois caíam, atrapalhando-a em seu discurso. Hoje é meu dia de brincar com Alek, e se eu não posso ficar com ele, então não vou. Alana cruzou os braços.

Ekatherina curvou o pescoço numa expressão surpresa.

Ora, Alana...

A garota virou a cabeça para os dois lados incessantemente, até que a mãe se pronunciasse.

Tudo bem! a mulher rendeu-se. Pode ficar com Alek.

Alana e o garoto se entreolharam, esplêndidos, e começaram a pular juntos. Mas logo Ekatherina apartou os dois.

Eu disse que podem ficar juntos, mas não aqui. E nem pulando! ela passou a mão no ar, demonstrando sua desaprovação. Você ainda precisa completar seu ensaio fotográfico, mocinha. Venha, vai ser divertido.

Alek sorriu para Alana, assegurando-a de que seria mesmo divertido. A garotinha sorriu de volta — certamente, seria. Afinal, o que podia ficar chato com Alek junto?

***

Ah, que dor de cabeça Alana resmungou, tentando levantar-se. São esses malditos sonh... Deixa pra lá. Sua voz arrastada de quem acabara de acordar a estava irritando como tudo naquele início de dia. Ao olhar pela janela, viu o carteiro jogar dúzias de cartas em seu quintal. Mas eu já não disse pra colocar na porta? Por que diabos esse carteiro é incapaz de fazer isso? Santo Deus! ela gritou, arrependendo-se no mesmo instante. Ai, que dor de cabeça!

Conseguiu agradecer, de mau humor, por pelo menos não ter de descer escadas. Aquilo seria um verdadeiro pesadelo... Com as pernas doloridas do ensaio fotográfico da noite anterior e a cabeça prestes a explodir, o que seria pior que escadas?

Detesto escadas resmungou.

Com esforço, abriu a maçaneta da porta de casa, indo em direção ao quintal. O dia estava nublado e Alana simplesmente não gostava de dias nublados. Por que ninguém entendia isso? Quer dizer, por que o céu não entendia isso?

Se eu me agacho, não levanto mais disse a si mesma, rindo logo em seguida de estar falando sozinha. Mas... Estar sozinha era algo a que já se habituara.

Depois de pegar as cartas e enfiá-las debaixo do suéter, Alana entrou em casa, mal se preocupando em trancar a porta novamente. "Quem paga meia vida para morar num condomínio de luxo merece ao menos não se preocupar com trancas de porta", pensou.

Com descaso, deu uma rápida olhada nas cartas, separando-as por grau de ausência de diversão. "Convite para jantar de gala — Família Stoichita", passa, "Convite para desfile da nova coleção de madrinhas...", passa, "Banco Nacional da Romênia", com certeza passa.

Entediada e sentindo o sono recobrar, Alana decidiu voltar para a cama, quando foi surpreendida ao deixar uma carta cair. Agachando-se para pegá-la, surpreendeu-se mais ainda ao ver de que cor era e o tipo de selo que tinha.

Curiosa, descolou o envelope avidamente. Porém, fechou os olhos antes de lê-la. E se fosse se decepcionar com o que lesse?

Finalmente, um convite da realeza a garota sorriu, ambiciosa.

Três, dois, um. Abriu a carta e começou a lê-la.

Conforme lia, fazia quantas caretas fossem possíveis. O coração estava acelerado, a mente girava sem parar, a adrenalina despertando-a completamente.

Como havia se esquecido daquilo?

Inscrevera-se para participar da Seleção há tanto tempo que mal se lembrava... Mas agora, lá estava ela, novamente, a sua frente, abrindo os braços para um destino com o qual sempre sonhou.

A Realeza.

Ao fim da carta, só conseguia se lembrar de uma frase:

" Congratulações por sua entrada na Seleção da Romênia. Boa sorte, e que o amor esteja sempre ao seu lado!"

***

Crystal nunca imaginara que sua vida fosse ficar tão bagunçada daquela forma, mas estava se surpreendendo a cada dia mais. Sentia-se numa encruzilhada, numa bifurcação pressionante que a estava praticamente enlouquecendo. Não sabia que caminho tomar, metaforicamente falando, e na verdade só tinha certeza de uma coisa: amava o que fazia. E pretendia morrer fazendo o que amava.

Crystal! Quanta demora! Vai perder a aula de dança se continuar se atrasando assim! sua mãe gritou da cozinha.

Estou indo, mãe ela respondeu, saindo de seu quarto. No caminho para a sala, de onde pegaria o casaco e sairia de casa, acabou esbarrando em seu pai.

Bom dia, joia rara! Theodor abraçou-a, dando um largo sorriso e um leve beijo em sua testa. Ao ver a expressão aflita da filha, perguntou: Sua mãe já está te enlouquecendo?

Crystal assentiu sutilmente, fazendo-o gargalhar. Logo sua mãe apareceu, trazendo duas xícaras de café nas mãos.

Estão rindo do que? Quero saber, também, para ver se assim me distraio do meu nervosismo. Gisela perguntou, olhando diretamente para a filha. Tentou manter o rosto tenso por alguns segundos, mas rapidamente desfez-se, encantada com os olhos de Crystal. Dando um riso baixinho, falou: O que esses olhos de céu não devem conquistar por aí, hum?

Theodor fechou a cara com seu comentário, o que fez mãe e filha rirem.

Bom dia, mãe Crystal falou, pegando a xícara. E obrigada. Desculpe o atraso, eu estava...

Gisela sentou-se no sofá da sala, interrompendo-a.

Já sei, já sei. Estava olhando as joias que fez no verão, certo? perguntou, levantando as sobrancelhas.

Crystal curvou os ombros. Pega no flagra, outra vez.

Eu já te disse, meu bem, esse seu vício por joias vai te levar a lugar... Gisela falou, gerando um sorriso esperançoso no rosto da filha. Nenhum! Trate de andar logo, damas não se atrasam.

Theodor olhou feio para a esposa.

Gisela, você tem que respeitar as paixões dela. Você passa horas caçando notícias ruins e não a julgamos por isso. argumentou.

Sua mulher fez uma careta e levantou-se.

Claro que ninguém me julga, e adivinha por quê? Porque isso é o que enche a barriga de vocês dois!

Crystal conteve a risada ao ver a expressão ofendida do pai. Deu-lhe um beijo no rosto rapidamente antes de pegar seu casaco e ir embora.

***

Enquanto caminhava pelas ruas vazias do centro da Romênia, Crystal esfregava as mãos uma na outra para tentar se aquecer. Apesar de não ser inverno, o tempo sempre era extremamente gélido pela manhã. A chuva da madrugada deixou uma névoa relativamente alta sob a cidade, que só iria embora por volta de meio dia. O tempo ali era mesmo estranho, mas ela já estava acostumada.

A fazia lembrar-se de uma pedra muito preciosa... Labradorite. Um nome não tão belo quanto a própria pedra, mas tão peculiar quanto. Assim como o tempo, que ia mudando conforme a incidência solar, assim era a labradorite, uma pedra azul cuja cor muda de acordo com a luz a que é exposta. Para Crystal, o mais interessante dos feldspatos.

Eeeei! alguém a acordou de seus pensamentos. Estava onde, dessa vez?

Crystal piscou, olhando para o lado.

Julia? O que está fazendo aqui? perguntou.

Julia cruzou os braços e prensou os lábios, dando-lhe tempo para pensar.

Ah... Desculpe. Esqueci que você ia me buscar para irmos juntas, hoje.

Sua amiga balançou a cabeça e riu, jogando os cabelos de um lado a outro.

Tudo bem, agora me escute. Tenho uma surpresa pra você. Julia anunciou, tirando um pequeno envelope do sobretudo.

Crystal franziu o cenho. O que seria aquilo?

Mas não é meu aniversário disse.

Julia rolou os olhos, impaciente.

E isso não importa, amiga! explicou, cantando a última vogal. Se eu fosse você, lia agora, pois morro de curiosidade! Abre, abre, abre!

Crystal encarou a amiga com desconfiança. O que tinha demais numa...

Espere. Carta? Por que você a recebeu, se é para mim? perguntou.

Porque... Porque digamos que te fiz um grande favor! Julia respondeu. Agora, abra. Vamos, Crys, é apenas uma carta.

Tudo bem, tudo bem. Abro, com uma condição: só se você faltar a aula de dança comigo. Crystal sorriu maliciosamente.

Hum... Crys, eu... Julia respirou fundo e suspirou. Certo. Estou mesmo morrendo de frio! ela bateu palmas, animada.

***

Gisela corria pelas ruas com pressa, teria de se atrasar para o trabalho depois de ler uma notícia a respeito de uma tal de... Seleção. Por Deus, como havia deixado aquilo passar? E se o período de inscrições já houvesse acabado? E se a chance de sua vida, digo, da vida de sua filha tivesse sido jogada fora por mera desatenção?

Ah, não, ah, não ela choramingou, virando na esquina do estúdio de dança. Arfando, seguiu em direção à portaria do local, quando repentinamente ouviu uma voz conhecida dando gritinhos poucos metros depois dali. O que está acontecendo? perguntou-se, indo em direção ao barulho. Conheço essa voz...

Mãe? Crystal gritou, surpresa, ao levar de Gisela um esbarrão que quase a fez cair.

Crystal? Não deveria estar na aula de dança? E Julia, o que você faz aqui? a mulher perguntou, pálida de susto.

Julia abriu um largo sorriso.

Me tornando a amiga da futura... Imperatriz... Da Romênia! ela cantarolou, dançando ao redor de Crystal, que a olhava com tanta estranheza quanto à mãe.

Gisela arquejou.

Espere. Então você sabe? Crystal, você sabe da Seleção? questionou, ansiosa.

Crystal deu um sorriso amarelo.

Bem, eu...

Eu a inscrevi, e ela vai participar! Foi selecionada, foi selecionada! Julia contou, sorrindo sem parar.

Gisela arregalou os olhos. Mal podia acreditar no que ouvia. Aquilo só podia ser um sinal dos céus... Sua filha, sua pedra preciosa, finalmente iria honrar o esforço da família.

Crystal sua mãe abraçou-a, emocionada você vai ser nossa imperatriz!

Mas eu... Eu ainda não confirmei se vou, e queria tanto ingressar em mineralogia... ela foi interrompida.

Sim, meu bem, eu sei que você também está emocionada!

Crystal suspirou ao sentir sua cabeça ser bombardeada por todo tipo de pensamento. O que aconteceria a partir dali? Por que Julia a inscrevera na Seleção? Por que sua mãe se importava tanto com um mero evento? E o mais preocupante de tudo: o que aconteceria com seus sonhos?

Notas finais
Sexta, no Globo Repórter. Alice PS: Não esqueçam das notas :D