The Cullen's

14 Capítulo 15


A revelação do nome de Alice ecoou pela sociedade londrina como um trovão fora de estação. Nada mais era dito nos salões, nas carruagens ou atrás dos leques cuidadosamente erguidos. O segredo de Lady Whistledown não apenas ruíra — ele esmagara reputações, estremecera alianças e deixara cicatrizes profundas, sobretudo em Alice. A jovem Cullen, antes vista como espirituosa e excêntrica, agora caminhava sob olhares carregados de julgamento e curiosidade. Algumas damas a evitavam como se o simples contato pudesse contaminá-las com escândalo; outras sorriam falsamente, ávidas por arrancar dela qualquer confissão tardia. Alice, porém, mantinha a postura ereta, o queixo erguido, embora o peso daquela verdade ameaçasse dobrar-lhe os ombros a cada novo dia.

Na mansão Cullen, o ambiente tornara-se silencioso demais. Esme observava a filha com atenção constante, sem pressioná-la, mas presente como um porto firme em meio à tormenta. Rosalie, mais ríspida, defendia Alice com a ferocidade de quem protege sangue do próprio sangue. Ainda assim, a revelação tivera consequências diretas: convites foram cancelados, visitas rarearam, e o nome Cullen passou a ser pronunciado com cautela. O noivado de Bella e Edward, embora intacto em essência, sentia o impacto indireto daquele abalo — como se a sociedade, incapaz de separar irmandade de culpa, ameaçasse macular até mesmo o que era puro.

E, ainda assim, nada parecia capaz de diminuir a expectativa para o casamento mais aguardado da temporada.

Os dias que antecederam o evento foram marcados por uma tensão quase elétrica. Londres parecia conter a respiração. O último baile da temporada — aquele que definiria, oficialmente, o diamante do ano — seria realizado na mansão Swan. Não havia residência mais apropriada, nem ocasião mais simbólica. Era ali que Isabella Swan, prestes a deixar a condição de solteira, se despediria da sociedade sob os próprios lustres, cercada por todos que acompanharam sua ascensão silenciosa e graciosa.

Na noite do baile, a mansão Swan brilhava como um farol. Velas refletiam-se em espelhos altos, o som da música preenchia cada corredor, e o perfume das flores misturava-se ao murmúrio incessante da alta sociedade. Bella descia a escadaria principal com passos contidos, vestida em tons claros que realçavam sua delicadeza natural. Havia nela algo diferente — uma luminosidade que não vinha apenas do vestido impecável, mas da certeza de ser amada. Edward, ao vê-la, perdeu por um instante a compostura habitual.

— Você está… — ele começou, a voz baixa, oferecendo-lhe o braço.

— Deslumbrante? — Bella sorriu, arqueando a sobrancelha.

— Muito além disso, — ele respondeu, inclinando-se levemente. — Está exatamente onde deveria estar.

Durante o baile, era impossível dar dois passos sem ouvir comentários sobre o casamento. “O enlace do ano”, diziam alguns. “Uma união que marcará uma era”, sussurravam outros. A sociedade londrina girava em torno daquele casal como planetas em torno de um sol inevitável.

A comoção atingiu o ápice quando a Rainha fez sua entrada.

O salão silenciou. Todos se curvaram quando Sua Majestade avançou, os olhos atentos repousando diretamente sobre Bella. Diante de todos, um criado apresentou uma caixa forrada de veludo. Ao abri-la, o brilho dos diamantes arrancou suspiros coletivos.

— Isabella Swan, — declarou a Rainha, a voz firme e solene. — Durante todo o meu reinado, observei jovens promessas surgirem e desaparecerem. Mas poucas sustentaram graça, dignidade e força como você.

Ela colocou o colar diante de Bella, cujos olhos marejaram.

— Você foi o diamante mais aguardado de toda a minha era.

O salão explodiu em aplausos.

Mais tarde, afastadas do centro das atenções, Bella e Alice finalmente se encontraram a sós, próximas a uma das janelas abertas.

— Eu senti sua falta, — Bella confessou, quebrando o silêncio.

Alice respirou fundo. — Eu achei que havia perdido você.

— Nunca, — Bella respondeu, segurando-lhe a mão. — Erramos, mas ainda somos nós.

Do outro lado do salão, a Rainha observava a cena. Um sorriso melancólico surgiu em seus lábios ao lembrar-se de Lady Agatha Danbury — sua mais leal amiga, que deixara a sociedade anos antes para explorar o mundo. Ver aquela reconciliação reacendia nela uma saudade antiga… e uma esperança silenciosa.

Na manhã seguinte, porém, o tom da história mudou.

Alice despertou com um mal-estar persistente. Ao comentar casualmente com Esme e Rosalie, percebeu algo que fez seu coração disparar: suas regras estavam atrasadas. Muito atrasadas. O espanto tomou-lhe o rosto antes mesmo que pudesse disfarçar. Sem explicar-se, vestiu-se apressada e seguiu direto para a mansão Swan.

Encontrou Bella no quarto, cercada por criadas e costureiras. O vestido de noiva, antes perfeito, agora parecia apertado demais.

— Ele não fecha, — Bella murmurava, aflita. — Semana passada estava impecável. O que está acontecendo comigo?

Quando finalmente ficaram a sós, Alice fechou a porta com cuidado.

— Bella… — sua voz tremia. — Minhas regras estão atrasadas.

O sorriso nervoso da noiva desapareceu. — O quê?

— E as suas também estão.

O choque foi imediato. Bella empalideceu, os olhos perderam o foco… e ela caiu nos braços da amiga antes que pudesse reagir.

— Bella! Bella! — Alice gritou, desesperada.

Esme e Renée entraram às pressas, encontrando a futura noiva desacordada.

Mais tarde, durante o chá da tarde, Edward e Carlisle chegaram após o trabalho, preocupados com a “indisposição” de Isabella. Renée insistia para que a filha comesse algo.

— Só um pouco, querida.

— Não consigo, — Bella murmurou, aceitando apenas o chá.

Mas, ao aproximar a xícara dos lábios, o cheiro doce fez seu estômago revirar.

— Oh, isso não é um bom sinal, — Esme comentou, rindo suavemente. — Quando estava grávida do Edward, não conseguia nem sentir o cheiro de chá.

Alice e Bella se entreolharam, o riso inexistente, o pânico silencioso compartilhado.

Mais tarde, afastadas da conversa geral, cochicharam:

— Nossas regras sempre vieram juntas, — Bella sussurrou.

— Sempre, — Alice confirmou, a voz tensa. — Desde que viramos moças. Era sagrado.

O silêncio que se seguiu não precisava de palavras.

Algo estava prestes a mudar tudo.