The Cullen's

18 Capítulo 9


A briga terminou como começara: abrupta, desordenada e deixando marcas invisíveis mais profundas do que qualquer ferimento físico.

Emmett foi o primeiro a alcançar Edward, segurando-o pelos ombros com força suficiente para impedir outro avanço, enquanto Jasper conteve Damon com um gesto firme, o olhar sério demais para permitir nova provocação. O jardim da mansão Cullen, que minutos antes abrigava sussurros e confidências, agora parecia pesado, carregado de tensão e olhares curiosos que começavam a se aproximar.

— Chega! — rosnou Emmett. — Vocês dois enlouqueceram?

Alice correu até Bella no mesmo instante, envolvendo-a em um abraço apertado, enquanto Rosalie segurava o rosto da amiga com cuidado, como se temesse que ela pudesse se despedaçar a qualquer momento.

— Respira, Bella — murmurou Rosalie. — Olha pra mim. Você está segura.

Mas Bella mal conseguia ouvi-las. Seu olhar permanecia fixo em Edward, o peito subindo e descendo de forma irregular, o sangue ainda pulsando forte demais após o confronto. Damon, do outro lado, parecia igualmente afetado — não pela luta em si, mas pela expressão de dor nua no rosto de Bella.

Horas depois, quando a mansão finalmente voltou a um silêncio tenso, Edward e Damon encontraram-se sozinhos na biblioteca. Não havia mais espaço para socos. Apenas para verdades.

— Eu nunca planejei me apaixonar por ela — começou Damon, apoiando as mãos na mesa, a voz baixa. — Isso não fazia parte do jogo.

Edward permaneceu em pé, rígido, mas atento.

— Você nunca joga sem intenção, Damon.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios do primo.

— Talvez. Mas dessa vez… eu perdi o controle.

O silêncio entre eles foi pesado, quase respeitoso.

— Eu a amo — disse Edward, sem hesitação. — Não como uma conquista. Não como um desafio. Eu a amo como alguém que me fez querer viver diferente.

Damon fechou os olhos por um instante.

— E eu a quis porque ela não me quis — confessou. — Porque ela me viu… e não se dobrou.

Foi a primeira vez que Edward enxergou algo além do rival: um homem dividido.

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Naquela mesma noite, Damon retornou à mansão Salvatore com o coração inquieto demais para descansar. Elena o aguardava na sala de estar, sentada perto da lareira apagada, o rosto iluminado apenas pela luz suave das velas.

— Você parece cansado — disse ela.

Damon sentou-se ao seu lado, o peso de tudo finalmente rompendo as defesas que costumava erguer com tanta facilidade.

— Eu estou perdido, Elena — admitiu. — Entre quem eu fui… e quem talvez eu possa ser.

Ela ouviu em silêncio enquanto ele falava de Bella, da obsessão, da culpa, da sensação de estar sempre atrasado em relação à própria redenção. Quando terminou, Elena tocou seu rosto com delicadeza.

— Você não é o homem que pensa ser — disse ela. — E nem precisa pagar pelos erros de todos os seus sentimentos.

O beijo que se seguiu foi lento, diferente dos anteriores. Havia ali dor, consolo e uma necessidade silenciosa de não estar sozinho. Eles se amaram na sala de estar, sem pressa, como dois corações feridos tentando sobreviver ao que restou. Ainda assim, quando Damon adormeceu depois, a imagem de Bella insistiu em surgir — não como desejo, mas como lembrança do que quase o destruiu.

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No dia seguinte, a Rainha Charlotte recebeu Elena para o chá.

Observou-a com atenção, notando o cuidado com que ela se sentava, a mão instintivamente protegendo o ventre.

— Está grávida — constatou a rainha, sem surpresa.

Elena assentiu.

— De Stefan.

Charlotte sorriu, pensativa.

— A vida sempre encontra formas curiosas de reorganizar o destino. Talvez… você seja a chave para salvar outros dois jovens de uma tragédia maior.

Elena não entendeu completamente, mas sentiu que algo estava sendo movido além de sua compreensão.

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A madrugada caiu pesada sobre a casa Swan.

Edward aproximou-se com cautela, como já fizera antes, o coração batendo alto enquanto observava a janela de Bella. Não percebeu o movimento no interior da casa. Não ouviu o clique metálico da arma sendo engatilhada.

O disparo ecoou pelo jardim como um trovão.

Bella acordou com o som, o grito preso na garganta. Correu até a janela e o viu caído, imóvel, o corpo estendido entre as sombras.

— Edward! — gritou, descendo as escadas sem se importar com nada além dele.

No jardim, ajoelhou-se ao seu lado, as mãos tremendo ao tocar o casaco manchado de sangue.

— Chamem ajuda! — implorou a um criado que surgira assustado. — Por favor!

Edward foi levado às pressas para a mansão Cullen. Carlisle assumiu o controle imediatamente, os olhos cheios de medo contido enquanto cuidava do filho ferido. A bala não fora fatal — mas o aviso fora claro demais para ser ignorado.

Quando Edward despertou, encontrou o pai ao seu lado.

— Londres não é mais segura para você — disse Carlisle, com a voz pesada. — Nem para ela.

Edward respirou fundo.

— Então eu vou embora.

— Sozinho? — perguntou Carlisle.

Edward ergueu o olhar, firme.

— Não. Eu vou com Bella.

Carlisle fechou os olhos por um instante antes de responder.

— Então saiba, meu filho… que essa escolha mudará tudo. Sua posição, seu nome, sua relação com esta família. Não haverá retorno.

Edward não hesitou.

— Eu sei. E mesmo assim, escolho ela.

Do lado de fora do quarto, Bella ouvia.

E pela primeira vez, não sentiu medo do futuro.

Sentiu coragem.