The Cullen's
7 Capítulo 7
Damon aprendera cedo que a verdadeira crueldade não estava no grito, nem na ameaça direta. Estava no tom baixo, no olhar compreensivo, na frase dita como quem oferece abrigo — quando, na verdade, empurra alguém para o abismo. Foi assim que ele se aproximou de Bella naquela tarde, surgindo quase como uma sombra benevolente no corredor da mansão Swan.
— Você parece cansada — comentou, com falsa delicadeza. — Imagino o peso que tudo isso deve estar sendo para você.
Bella ergueu o olhar, defensiva. — Não preciso da sua preocupação, Damon.
Ele sorriu, suave. — Eu sei. Mas, ainda assim, me preocupo. — Fez uma pausa calculada. — Principalmente porque tudo isso… — gesticulou vagamente, referindo-se aos panfletos, aos cochichos, à hostilidade crescente da sociedade — …não teria acontecido se você não tivesse dado motivos.
A frase caiu como um golpe silencioso.
— Eu não fiz nada — respondeu ela, a voz firme, mas o peito apertado.
— Não intencionalmente — corrigiu ele. — E talvez seja isso que mais doa. — Aproximou-se um pouco mais. — Você não percebe o impacto que tem sobre os outros. Especialmente sobre Edward.
O nome foi usado como lâmina.
— Ele está sendo destruído por essa história, Bella. Pela sua indecisão. Pela sua… — Damon inclinou a cabeça, fingindo buscar a palavra certa — …necessidade de sentir mais do que devia.
Ela se afastou um passo, o coração acelerado por uma culpa que não conseguia nomear, mas que começava a se infiltrar. Damon observou em silêncio. Sabia exatamente quando parar. O estrago já estava feito.
O chá com a Rainha Charlotte foi um raro respiro. Sentados diante dela, Bella e Edward pareciam dois jovens acuados demais para o lugar que ocupavam. A rainha, porém, os observava com um olhar diferente — não de julgamento, mas de reconhecimento.
— Quando olho para vocês — disse Charlotte, apoiando a xícara no pires — lembro-me de mim mesma e do rei, quando ainda éramos apenas dois jovens insistindo em se amar apesar do mundo.
Edward ergueu os olhos, surpreso. Bella sentiu um nó na garganta.
— O amor verdadeiro — continuou a rainha — sempre incomoda. Porque expõe. Porque desafia estruturas antigas. — Ela inclinou-se levemente à frente. — Não se deixem convencer de que sentir é um erro.
Bella sentiu, pela primeira vez em dias, que não estava errada por existir daquela forma.
O baile daquela noite, no entanto, tratou de lembrá-los da realidade. Assim que entraram no salão, os cochichos começaram — primeiro baixos, depois impossíveis de ignorar. Olhares atravessados, sorrisos falsos, leques se abrindo como escudos.
— Veja como ela anda — murmurou alguém.
— Dois homens disputando a mesma moça… que falta de decoro.
— Cullen deveria saber o seu lugar.
Edward manteve a postura rígida, mas Bella sentia a tensão em cada músculo dele. Damon, por outro lado, parecia se divertir. Não se afastava de Bella, aproximava-se demais, tocava-lhe o braço com intimidade excessiva, sussurrava comentários apenas altos o suficiente para Edward ouvir.
— Está vendo? — disse Damon, enquanto oferecia o braço a Bella, que recusou. — Eles já decidiram quem você é.
Edward deu um passo à frente.
— Afaste-se dela.
Damon sorriu.
— Ou o quê? Vai confirmar exatamente tudo o que dizem sobre você?
Bella sentiu-se no centro de um jogo cruel. Não era o baile que a sufocava — era a sensação de ser usada como arma.
Na manhã seguinte, a mansão Cullen parecia outro mundo. Havia luz nas janelas, cheiro de chá fresco, risadas que vinham da sala de estar. Bella chegou acompanhada de Alice e encontrou Rosalie sentada com as mãos sobre o ventre, o olhar suave.
— Estou grávida — anunciou, sem rodeios.
Alice deu um pequeno grito de alegria. Bella sentiu os olhos marejarem.
— Rosalie… isso é maravilhoso.
A conversa fluiu naturalmente. Alice falou sobre a vida com Jasper, sobre dividir silêncios, sobre aprender o ritmo de outro coração. Rosalie contou, rindo, sobre a intimidade do casamento, fazendo Bella corar ao imaginar, contra a própria vontade, como seria dividir uma vida — um corpo, um futuro — com Edward.
— Vocês não imaginam — disse Bella, num sussurro cúmplice — o que já aconteceu entre mim e Edward…
Mas a frase morreu quando Esme entrou, acompanhada de Carlisle, Jasper, Emmett… e Edward.
O clima mudou, mas não de forma ruim. Risadas, histórias, xícaras sendo preenchidas. Bella sentou-se ao lado de Edward. Não se tocaram, mas a proximidade era elétrica.
Até a porta se abrir novamente.
Damon entrou como quem pertence ao lugar.
— Bella — disse, com voz firme. — Precisamos conversar.
Ela levantou-se, confusa.
— Agora?
— Sim. — O olhar dele endureceu. — E será a última vez que você vem a esta casa.
O silêncio caiu pesado sobre a sala.
— Você não pode me proibir — respondeu ela, finalmente.
Damon sorriu, frio.
— Posso. E estou fazendo isso para o seu próprio bem.
Edward se levantou.
— Ela não é sua posse.
Damon encarou-o, os olhos escuros cheios de algo perigoso.
— Ainda não — respondeu.
E naquele instante, Bella entendeu:
Damon não queria apenas vencê-los.
Ele queria quebrá-los.
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