The Cullen's

6 Capítulo 6


Edward não percebeu quando Damon parou diante da porta do escritório. Estava de costas, a voz baixa, porém carregada demais para ser apenas confidência comum. Jasper o ouvia em silêncio, encostado à escrivaninha, atento como quem entende que aquele relato não era só sobre uma noite — era sobre um ponto de ruptura.

— Eu nunca fiz nada assim — Edward confessou, passando a mão pelos cabelos, o olhar perdido em algum lugar distante. — Acordar alguém no meio da madrugada. Pedir que confiasse em mim sem promessas. Levá-la para fora da cidade, para longe de tudo… — Ele riu sem humor. — E quando a beijei, Jasper… não foi impulso. Foi como se o mundo tivesse parado só para aquilo.

Jasper arqueou a sobrancelha.

— E Bella?

Edward respirou fundo.

— Ela não recuou. Não fingiu. Estava ali inteira. E eu… eu vou pedir a mão dela. Estou esperando meu pai para irmos hoje à mansão Swan.

Do outro lado da porta, Damon sentiu algo raro atravessá-lo: não ciúme puro, mas uma fúria fria, estratégica. Um sorriso lento se formou em seus lábios. Edward sempre foi previsível em sua honra. E Damon sempre soube usar isso contra ele.

— Então é isso — murmurou para si mesmo. — Que vença quem chegar primeiro.

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A Mansão Swan ainda despertava quando Damon foi anunciado. Charles Swan estranhou a visita tão cedo, mas não recusou recebê-lo. Damon apresentou-se com elegância estudada, postura confiante, voz firme.

— Senhor Swan — disse ele, sem rodeios. — Venho pedir oficialmente a mão de sua filha em casamento.

Charles ficou em silêncio por alguns segundos. Observou o homem à sua frente: nobre, influente, respeitado pela sociedade. Não era um pedido inesperado, apenas… antecipado.

— Damon Salvatore — respondeu por fim. — Minha filha é muito cortejada. Mas um homem decidido sempre me pareceu melhor que um sonhador hesitante. — Ele assentiu. — Tem minha permissão.

O aperto de mãos selou algo que Bella ainda nem sabia que estava prestes a perder.

Pouco depois, Edward e Carlisle chegaram. A presença de Damon na sala foi como um golpe físico. Edward estacou. Carlisle percebeu na mesma hora e pousou a mão no braço do filho, num gesto silencioso de contenção.

— Charles — cumprimentou Carlisle, cordial. — Não esperávamos encontrar companhia.

Damon virou-se devagar, o sorriso educado demais.

— Imagino.

Charles pigarreou, satisfeito por ser o portador da novidade.

— Estávamos justamente falando do noivado de Bella.

Edward sentiu o chão desaparecer.

— Noivado?

Nesse momento, a porta se abriu e Bella entrou com Alice, ainda rindo de algo trivial do passeio. O sorriso morreu em seu rosto ao perceber a tensão na sala.

— Pai…?

Charles levantou-se, orgulhoso.

— Minha filha, tenho novidades. Você está noiva.

Alice levou a mão à boca, empolgada.

— Bella! Isso é maravilhoso!

Bella sorriu por reflexo — até Damon dar um passo à frente.

— Casará comigo — disse ele, com naturalidade cruel.

O mundo parou.

— Não — Bella respondeu, firme. — Eu não vou.

O silêncio foi pesado.

— Bella — Charles advertiu. — Isso já está decidido.

Ela respirou fundo, o peito subindo e descendo rápido.

— Eu só me caso por amor.

O olhar do pai endureceu.

— Amor é um luxo. Você não sabe o que é amor.

Edward não disse nada. O que doeu mais foi isso.

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Enquanto isso, Rosalie e Emmett retornavam da lua de mel, ainda envoltos naquela intimidade recém-consagrada. Rosalie conversava com Esme em voz baixa, inquieta.

— Minhas regras estão atrasadas — confessou.

Esme sorriu com doçura.

— Talvez a vida esteja querendo se anunciar.

Mais tarde, no chá entre amigas, Rosalie contou tudo. O calor das noites com Emmett, a intensidade dos corpos, a possibilidade que agora crescia silenciosa dentro dela. Bella ouviu em silêncio, com um nó no peito que não sabia explicar.

O casamento de Alice e Jasper chegou como um sopro de beleza em meio ao caos. O jardim estava iluminado por lanternas suaves, risos e música. Mas foi longe de todos, entre sombras e arbustos, que Edward encontrou Bella.

— Você não devia estar aqui — ela sussurrou.

— Nem você — ele respondeu.

O beijo aconteceu como antes: necessário, intenso, inevitável.

E então, uma voz gelada:

— Que espetáculo deplorável.

A Rainha Charlotte os observava, horrorizada.

No dia seguinte, Lady Whistledown não poupou crueldade. O panfleto espalhou-se pela cidade como fogo, expondo o noivado de Bella, insinuando impropriedade, desonra e ambição.

A Rainha chamou Bella para outro chá. Edward estava lá.

— Já basta — disse Charlotte. — Se a sociedade quer guerra, terá.

Ela escreveu pessoalmente à Lady Whistledown, rejeitando o noivado com Damon e exigindo que o diamante da temporada se unisse a Edward Cullen.

O novo panfleto causou alvoroço.

E, pela primeira vez, a sociedade voltou-se contra Bella e Edward.

Mas agora… já não havia mais retorno.