The Cullen's

5 Capítulo 5


(Musica do capítulo: https://youtu.be/3NtjNCjaELo?si=xS1AehqTWpLC-oPs )

A lua de mel não começou como Rosalie imaginara.

A casa de campo era bela demais para alguém que se sentia em conflito. Cada detalhe parecia cuidadosamente disposto — as flores frescas sobre a mesa, o fogo já aceso na lareira, o silêncio confortável que deveria significar paz. No entanto, para Rosalie, aquele silêncio gritava. Ele a obrigava a lembrar. A sentir. A reviver.

Sozinha no quarto, ela sentou-se à beira da cama, os dedos deslizando lentamente pelo anel em seu dedo. Pesava mais do que qualquer joia deveria pesar. Não pelo ouro ou pelos diamantes, mas pelo que representava. O compromisso. A entrega. A noite na carruagem.

A lembrança veio sem pedir licença.

O espaço pequeno, o balanço irregular, a discussão que crescera até perder o sentido das palavras. A forma como Emmett a encarara, não como uma conquista, mas como alguém que a via inteira — irritada, orgulhosa, vulnerável. Rosalie lembrava do momento exato em que o coração disparara, quando percebeu que não estava apenas reagindo… estava desejando. Lembrava da intensidade do toque dele, da sensação de perder o controle que sempre acreditara ser fraqueza, mas que naquela noite se tornara algo perigosamente próximo de prazer.

Ela fechou os olhos, respirando fundo.

— Não foi amor — murmurou para si mesma. — Foi impulso.

Mas seu corpo não concordava. O coração acelerava do mesmo jeito ao lembrar.

Quando Emmett entrou no quarto, encontrou-a ali, imersa em pensamentos.

— Você parece distante — disse ele, sem acusação, apenas constatação.

Rosalie ergueu o olhar lentamente.

— Estou tentando entender quem me tornei.

Ele aproximou-se com cuidado, como quem aprende a amar sem invadir.

— Eu não quero ser o motivo do seu medo — disse. — Quero ser o lugar onde você possa descansar.

Algo dentro dela cedeu. Rosalie levantou-se, aproximou-se dele e, dessa vez, foi ela quem o beijou. Não com raiva, não com urgência, mas com escolha. O beijo foi profundo, intenso, e quando se afastaram, ela não negou mais o que sentia.

Talvez o amor não fosse fraqueza. Talvez fosse coragem.

-

Enquanto isso, Londres celebrava outro enlace.

O casamento de Elena e Stefan foi recebido com suspiros e aprovação geral. Havia algo neles que parecia simples e verdadeiro, como se o mundo fosse menos complicado quando estavam juntos. Elena caminhou até o altar com serenidade, os olhos castanhos brilhando ao encontrar os de Stefan, que parecia lutar para conter a emoção.

— Prometo escolher você todos os dias — disse ele, a voz firme, mas carregada de sentimento.

— E eu prometo não ter medo do futuro — respondeu Elena.

Durante a festa, dançaram como se ninguém mais existisse. Stefan girava Elena com cuidado, a mão firme em sua cintura, enquanto conversavam em murmúrios sobre a casa que sonhavam, os filhos que talvez viessem, o tempo que desejavam compartilhar.

Era amor em sua forma mais doce.

-

Bella, por outro lado, sentia-se encurralada.

O chá da tarde com a Rainha Charlotte fora uma experiência inquietante. Sentada diante da soberana, Bella sentiu-se examinada como poucas vezes antes — não como uma jovem a ser exibida, mas como uma mente a ser desvendada.

— A senhorita acredita que mulheres devam estudar política e filosofia — comentou a Rainha, observando-a por cima da xícara.

— Acredito que mulheres devam escolher — respondeu Bella, com voz firme. — Inclusive se desejam casar.

O silêncio que se seguiu foi denso. Então, a Rainha sorriu.

— Fascinante. — Inclinou levemente a cabeça. — Você não pertence às multidões, Isabella Swan. Pertence às mudanças.

Bella saiu dali com a sensação incômoda de que seu destino estava sendo moldado por mãos que não eram as suas.

Os dias seguintes foram sufocantes. Cavalheiros batiam à porta desde o amanhecer, trazendo flores, livros, joias, promessas vazias. Bella sorria por educação, mas por dentro sentia-se cada vez mais distante de tudo aquilo.

— Eles não querem me conhecer — disse certa tarde, exausta. — Querem vencer uma disputa.

— A sociedade raramente enxerga pessoas — respondeu sua mãe. — Apenas símbolos.

-

Naquela noite, Edward não conseguiu dormir.

As palavras de Damon ecoavam em sua mente, insistentes, incômodas. Você vive como se estivesse sempre se contendo. Pela primeira vez, Edward questionou se não era verdade. Se não havia passado a vida inteira sendo aquilo que esperavam dele, esquecendo-se de viver.

Sem pensar demais, vestiu-se, selou o cavalo e partiu pela madrugada silenciosa.

Bella despertou com o som suave de pedras contra a janela. Ao abrir, encontrou Edward ali, os cabelos desalinhados, o olhar intenso demais para a hora.

— Venha comigo — pediu. — Preciso te mostrar quem eu sou quando não estou sendo… o herdeiro.

Ela desceu pela árvore sem hesitar.

Cavalgaram sob a lua, o vento frio misturando-se à adrenalina até alcançarem uma colina isolada. Lá, Edward desmontou primeiro, oferecendo-lhe a mão.

— Damon — começou ele, sem rodeios. — O que ele significa para você?

Bella respirou fundo.

— Ele me faz esquecer quem esperam que eu seja.

Edward assentiu lentamente.

— E eu?

Ela o encarou.

— Você me faz lembrar quem eu posso ser.

Ele aproximou-se, a voz baixa, carregada de verdade.

— Eu te amo, Bella. Não como um dever. Não como uma escolha conveniente. Mas como alguém que finalmente decidiu sentir.

O beijo veio devagar, profundo, carregado de tudo o que não havia sido dito antes. Bella sentiu o coração bater forte, o mundo desaparecer, e pela primeira vez não tentou fugir do sentimento.

Quando se afastaram, ainda próximos demais, ela sussurrou:

— Nada disso será fácil.

Edward sorriu, tocando-lhe o rosto.

— Mas será real.

E, naquela colina, ambos entenderam que haviam cruzado uma linha invisível — e que o dia seguinte traria consequências impossíveis de evitar.