The Cullen's
29 Capítulo 29
O erro de Tânia Swan não foi desejar a queda de Bella Cullen. Em Londres, desejos cruéis eram moeda corrente — trocados em sorrisos educados, disfarçados em convites para chá, enterrados sob camadas de renda e falsa virtude. O verdadeiro erro de Tânia foi acreditar que inteligência podia ser imitada apenas com tinta e papel. Que bastava vestir o nome de outra mulher para herdar também sua astúcia, sua precisão e, sobretudo, sua capacidade de esperar o momento certo.
Ela escreveu demais. Falou demais. Sabia demais.
E foi exatamente isso que a traiu.
A rainha Charlotte percebeu antes de todos.
No gabinete real, iluminado pela luz filtrada das altas janelas, Charlotte analisava os panfletos espalhados sobre a mesa com a mesma atenção com que um general estuda mapas antes da guerra. Bella permanecia sentada à sua frente, em silêncio, observando cada mudança sutil na expressão da soberana — o franzir mínimo da testa, o dedo que batia uma vez, apenas uma, sobre o papel mais recente.
— Veja isto, minha querida — disse Charlotte, empurrando dois panfletos lado a lado. — Ambos atribuídos à Alice. Um escrito nesta temporada… e este, há poucos dias.
Bella inclinou-se, lendo com atenção. As palavras eram afiadas, mas algo nelas soava… diferente. Menos elegante. Mais apressado. Mais pessoal.
— Há raiva aqui — murmurou Bella. — Não ironia.
— Exatamente. — A rainha sorriu, fria. — Alice observava a sociedade. Quem escreveu este último queria ferir alguém específico.
Charlotte levantou-se, caminhando lentamente até a janela.
— E há outro detalhe. Este texto menciona acontecimentos ocorridos em horários nos quais Alice Whitlock comprovadamente estava em trabalho de parto ou cuidando dos filhos. — Ela virou-se de repente. — Minha querida, alguém não apenas roubou um nome. Roubou um escudo.
Bella sentiu o peso daquilo descer por sua espinha. Não como medo — mas como clareza.
— Tânia — disse, sem hesitar.
A rainha assentiu.
— E agora… vamos permitir que ela colha exatamente o que plantou.
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Enquanto Londres reorganizava seus julgamentos, Dimitri Swan enfrentava a própria ruína.
No escritório do pai, a luz da tarde entrava pesada, como se o próprio dia o acusasse. Dimitri estava em pé, os ombros curvados, o rosto marcado por noites em claro.
— Eu desquitei Tânia — disse, a voz baixa, quase quebrada.
Charles Swan ergueu lentamente os olhos.
— Explique-se.
— As regras dela nunca cessaram. — Dimitri respirou fundo, humilhado. — Continuei acreditando porque era mais fácil do que admitir que fui enganado. Mas… quando vi com clareza, percebi que nunca houve gravidez. Nunca houve filho.
Ele apertou as mãos.
— Tudo foi uma farsa. E eu… eu fui cúmplice.
Charles permaneceu em silêncio por longos segundos.
— Então você finalmente entende — disse por fim. — A diferença entre amor e orgulho ferido.
Dimitri assentiu, derrotado.
— Preciso pedir perdão. A Bella e ao Edward.
— Vá — respondeu Charles. — Mas saiba: perdão não apaga consequências.
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Na mansão Cullen, Dimitri entrou no salão de homens como quem entra em um tribunal.
Edward estava de pé, lendo documentos. Ao vê-lo, fechou o semblante.
— Se veio terminar o que começou naquele dia…
— Não — interrompeu Dimitri, ajoelhando-se diante dele. — Vim terminar o que comecei quando escolhi acreditar em mentiras.
O impacto foi imediato.
— Eu te bati — continuou Dimitri, a voz rouca. — Humilhei minha irmã. Acusei um homem inocente. Tudo porque confiei em uma mulher que usava meu amor como arma.
Edward respirou fundo, lutando contra a raiva antiga.
— Você quase destruiu minha família — disse, com frieza contida.
— Eu sei. — Dimitri ergueu os olhos marejados. — E carregarei isso para sempre. Mas vim dizer… ela mentiu sobre tudo. Sobre a gravidez. Sobre você. Sobre os panfletos.
Carlisle e Bella entraram naquele momento.
— Dimitri — disse Bella, a voz firme. — A verdade demora, mas sempre chega.
— Eu vou testemunhar — prometeu ele. — Direi tudo. Em público, se preciso.
Edward fechou os olhos por um instante, então estendeu a mão.
— Levante-se. — Sua voz era grave. — Porque a verdade não se ajoelha.
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Naquela noite, Bella observava Londres pela janela do quarto, a mão pousada sobre o ventre, sentindo duas vidas pulsarem, a que crescia dentro dela… e a que despertava dentro de si.
Edward aproximou-se em silêncio, envolvendo-a com cuidado.
— A rainha disse que você jogou melhor do que muitos homens experientes — comentou.
Bella sorriu, sem desviar o olhar da cidade.
— Eu apenas aprendi a esperar — respondeu. — E a ouvir quando todos achavam que eu estava em silêncio por fraqueza.
Lá fora, Tânia Swan começava a sentir o peso de cada palavra que escreveu.
E Londres, como sempre, escolhia um novo lado.
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