The Cullen's

25 Capítulo 25


Bella acordou antes do sol naquela manhã, o corpo ainda pesado, o coração inquieto como se tivesse passado a noite inteira em vigília. O quarto estava silencioso demais, e Edward dormia ao seu lado com a respiração profunda, alheio à tempestade que se formava dentro dela. Bella permaneceu imóvel por longos minutos, encarando o teto, contando os próprios batimentos como se isso pudesse lhe dar alguma resposta. Mas o corpo… o corpo já sabia.

Levantou-se com cuidado, segurando o lençol contra o peito, e caminhou descalça até a pequena sala de banho. O espelho devolveu-lhe um rosto mais pálido do que o habitual, os olhos atentos demais, como os de alguém que teme encontrar a própria verdade refletida ali. Bella respirou fundo, apoiou as mãos na pia e deixou o silêncio falar. Não havia sangue. Não havia dor. Apenas aquele enjoo persistente, aquela sensação estranha no baixo ventre, aquele atraso impossível de ignorar.

Um mês.

Exato demais para ser coincidência.

— Não… — murmurou para si mesma, com a voz quase inaudível. — Não agora.

Mas, ainda assim, algo dentro dela se aquietou. Um medo novo, sim — porém acompanhado de uma centelha inesperada de proteção. Bella não chorou. Não sorriu. Apenas decidiu. Ninguém saberia. Não ainda. Talvez nunca. Aquele segredo seria dela enquanto pudesse.

Quando voltou para o quarto, Edward já estava acordado, observando-a em silêncio.

— Você está bem? — perguntou, com a voz ainda rouca de sono.

Bella forçou um sorriso sereno.

— Estou. Só acordei cedo demais.

Ele a puxou para perto por um instante, beijando-lhe a testa, e Bella fechou os olhos, sentindo o peso daquela mentira recém-nascida pousar entre eles.

-

O parque estava tomado por tons de verde vibrante naquela manhã, a luz suave filtrando-se pelas copas das árvores como se o mundo estivesse deliberadamente belo demais para o que estava prestes a acontecer. O grupo caminhava junto pelos caminhos de pedra: Bella e Edward lado a lado; Dimitri à frente, animado; Tânia logo atrás, calculadamente próxima demais de Edward; e um pouco mais afastados, Alec Swan e Bree Turner, envoltos numa bolha própria, rindo baixo, trocando olhares que dispensavam explicação.

Bella observava o irmão mais novo com atenção. Alec parecia diferente — mais atento, mais presente. Bree falava com entusiasmo sobre livros, sobre a temporada, sobre como odiava bailes excessivamente formais, e Alec a escutava como se cada palavra fosse rara. Eles caminhavam devagar, às vezes se esquecendo do grupo, às vezes retornando, mas sempre sorrindo. Havia ali uma leveza que apertava o peito de Bella.

Era assim que deveria ter sido, pensou, olhando de relance para Edward. Simples. Livre. Sem veneno.

— Bree, você dança maravilhosamente — disse Alec, sem disfarçar o encantamento. — Depois do baile de máscaras, eu… procurei você por dias.

Ela corou, sincera.

— Achei que tivesse sido só imaginação minha.

Bella sorriu discretamente. Aquilo doía, mas também aquecia. Era bonito ver o amor nascer sem cicatrizes.

Foi quando Dimitri diminuiu o passo.

Ele observava Tânia agora. Observava de verdade.

O jeito como ela inclinava o corpo em direção a Edward. O riso exagerado. A mão que tocava o braço dele com intimidade demais. O olhar que demorava onde não deveria.

— Edward — Tânia disse, com falsa doçura — você ainda manca um pouco quando anda mais rápido… devia se poupar.

Dimitri parou de repente.

— O que você disse? — perguntou, o tom mudando.

Edward franziu a testa.

— Não é nada, Dimitri.

Mas Tânia sorriu, satisfeita.

— Só estava sendo gentil. Seu amigo se machucou feio… e eu me preocupo.

Dimitri virou-se para Edward, os olhos escurecendo.

— Desde quando minha esposa se preocupa tanto com você?

— Dimitri, isso não é...

O soco veio sem aviso.

Edward cambaleou para trás, o impacto forte o suficiente para fazê-lo cair sobre o caminho de pedras. Bella gritou.

— Dimitri, pare!

Mas ele não parou.

— Canalha! — Dimitri rugiu, acertando outro golpe, desta vez no rosto. — Desde quando você fica rondando minha mulher?

Edward tentou se levantar, a perna esquerda falhando por reflexo, ainda sensível perto do fêmur. Caiu de novo, e Dimitri aproveitou, acertando-lhe o maxilar com violência.

— Dimitri! — Alec correu, tentando segurá-lo. — Para com isso!

Tânia levou a mão ao peito, teatral.

— Eu tentei evitar isso… — disse, com a voz trêmula. — Edward me incomoda há anos. Eu nunca contei porque tinha vergonha, ele é seu melhor amigo…

— Mentira! — Edward gritou, cuspindo sangue.

— Cala a boca! — Dimitri berrou, acertando-o mais uma vez, deixando o rosto dele inchado, marcado, irreconhecível.

Bella correu até Edward, ajoelhando-se ao lado dele.

— Chega! — gritou, desesperada. — Dimitri, você vai matá-lo!

Guardas do parque se aproximaram, e Alec conseguiu finalmente puxar o irmão para trás. Dimitri tremia de ódio, apontando para Edward.

— Fique longe das mulheres Swan — cuspiu. — Ou eu acabo com você.

Bella ajudou Edward a se levantar, o coração disparado, o estômago revirando — não apenas pelo medo, mas pela necessidade urgente de proteger algo mais.

-

Na mansão Cullen, o silêncio era pesado como uma sentença. Bella limpava cuidadosamente os cortes no rosto de Edward, os dedos trêmulos, mas firmes. Ele estava sentado na beira da cama, irritado, humilhado, os olhos ardendo de raiva.

— Ela é cruel — ele disse, com a voz baixa. — Tânia insiste que o filho é meu. Mas eu sei que não é. Eu sei, Bella. Eu não tive nada com ela. Ela armou tudo.

Bella parou por um segundo. Olhou nos olhos dele. Procurou mentira. Encontrou apenas exaustão.

— Eu acredito em você — disse, enfim.

Edward respirou fundo, como se aquelas palavras fossem o único remédio possível.

Foi então que a porta da sala se abriu com violência.

— Isabella! — a voz de Charles Swan ecoou pela mansão.

Bella se virou a tempo de ver o pai entrar acompanhado por Dimitri, ainda furioso, e Alec, vermelho de vergonha, tentando conter o caos.

— Você vem comigo agora — Charles disse, autoritário. — Esse casamento será anulado. Sua reputação já foi manchada o suficiente.

— Pai, isso é mentira! — Bella rebateu. — Tânia está mentindo!

— Ela me contou tudo — Charles respondeu. — Disse que Edward a importuna desde antes do casamento com Dimitri.

Os Cullens surgiram na sala, alarmados. Carlisle ergueu as mãos.

— Senhor Swan, isso é um mal-entendido...

— Não toque na minha irmã! — Dimitri gritou, puxando Bella pelo braço quando Edward tocou a mão da esposa. — Esse casamento acabou!

Bella sentiu o mundo girar. A mão de Dimitri apertava forte demais. O ar faltou.

E então, sem planejar, sem escolher… a verdade escapou.

— EU ESTOU GRÁVIDA! — Bella gritou, a voz rasgando a sala como um trovão.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Edward empalideceu.

Charles congelou.

Dimitri soltou o braço da irmã.

Alice levou a mão à boca.

E Bella, com a mão instintivamente sobre o ventre, percebeu que não havia mais volta.