The Cullen's
2 Capítulo 2
(Musica do capítulo Happier Than Ever — (Cover by Vitamin String Quartet)
:https://youtu.be/g2Tm9secQsE?si=alJc5ocgvkUVZDbm)
A música que tomou o salão após as primeiras apresentações era mais lenta, quase íntima, como se a própria noite tivesse decidido diminuir o ritmo para observar com atenção aqueles que ousavam se destacar. Os lustres de cristal espalhavam reflexos dourados pelo mármore do chão, e o burburinho da sociedade londrina se tornava mais baixo, mais atento. Aquele não era mais apenas um baile de abertura — era o momento em que olhares começavam a pesar, intenções surgiam e reputações davam seus primeiros passos rumo ao triunfo ou ao escândalo.
Bella Swan sentia isso com clareza incômoda.
Estava à margem da pista, os dedos entrelaçados à frente do corpo, tentando manter uma expressão serena enquanto seu coração batia rápido demais. Os cabelos longos, cor de ébano, caíam soltos sobre os ombros, contrastando com a pele clara. Seus olhos, em tons profundos de chocolate, observavam o salão como quem assiste a algo do qual não deseja, de fato, participar. Ainda assim, havia consciência plena de que participava — quer quisesse, quer não.
Foi então que Edward Cullen aproximou-se.
Havia nele uma solenidade natural, quase inevitável. Seus cabelos castanho-acobreados, quase ruivos sob a luz, estavam impecavelmente arrumados, e os olhos claros — de um verde tão pálido que quase se confundia com azul — pousaram sobre Bella com uma atenção que não era invasiva, mas intensa. Ao estender a mão, o gesto foi correto, seguro, carregado do peso de quem sabia exatamente o lugar que ocupava no mundo.
— Senhorita Swan — disse ele, com voz baixa e controlada —, concederia-me esta dança?
Bella hesitou. Não por desinteresse, mas pelo oposto. Havia algo em Edward que a desarmava, que a fazia sentir-se perigosamente próxima de algo que não desejava admitir. Ainda assim, aceitou. Quando seus dedos tocaram os dele, um arrepio rápido percorreu-lhe o braço, e ela precisou respirar fundo para manter o controle.
Edward conduziu-a pela pista com precisão. Dançava como vivia: atento, responsável, cuidadoso. A mão em sua cintura era firme, porém respeitosa, e ainda assim Bella sentia-se estranhamente consciente daquele contato. A música envolvia os dois, isolando-os do restante do salão, e por alguns instantes o mundo pareceu diminuir.
— O senhor carrega uma seriedade rara para alguém tão jovem — comentou Bella, tentando romper o silêncio que se formara.
— Alguém precisa fazê-lo — respondeu Edward, com um leve sorriso contido. — E a senhorita parece carregar uma inquietação igualmente rara.
Ela ergueu o olhar para ele.
— Talvez porque não acredito que uma mulher deva ter sua vida definida por um único destino.
Edward a girou lentamente, mantendo o olhar fixo no dela.
— E talvez algumas escolhas não apaguem quem somos… apenas revelem.
O coração de Bella acelerou, e isso a irritou profundamente. Quando a música terminou, afastou-se rápido demais.
— Foi apenas uma dança — disse, quase defensiva. — Nada além disso.
Edward inclinou a cabeça, respeitando o limite, embora seus olhos traíssem que ele não acreditava naquela afirmação.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, uma presença diferente se impôs.
Damon Salvatore surgiu como quem não pede permissão ao mundo. Os cabelos negros, curtos e lisos, estavam impecavelmente desalinhados, e o sorriso carregava uma ousadia perigosa para os padrões da boa sociedade. Seus olhos azuis, profundos como o mar, pousaram imediatamente sobre Bella.
— Confesso que esperava algo mais escandaloso para a dança da noite — comentou ele. — Fiquei quase decepcionado.
— Então não deveria ter expectativas tão altas — respondeu Bella, erguendo o queixo.
Damon sorriu ainda mais.
— A noite ainda não acabou.
Edward virou-se lentamente para ele, a tensão palpável.
— Creio que a senhorita não pediu companhia.
— E creio que ela sabe decidir por si mesma — replicou Damon, sem desviar o olhar de Bella.
Sentindo-se observada como um campo de batalha silencioso, Bella afastou-se alguns passos, irritada e, ao mesmo tempo, estranhamente viva. Não admitiria, mas havia algo naquele embate que despertava nela emoções conflitantes.
Do outro lado do salão, Rosalie Hale observava tudo com atenção calculada. Seus cabelos longos, loiros dourados, caíam em ondas perfeitas sobre os ombros, e os olhos azuis penetrantes avaliavam cada movimento. Estava acostumada a ser desejada — sempre fora. Ainda assim, algo naquela noite parecia escapar de seu controle.
Emmett Cullen aproximou-se com um sorriso fácil, contrastando com a rigidez do ambiente.
— A senhorita parece entediada — comentou.
— Parece mal informado — respondeu Rosalie, sem olhá-lo.
Emmett riu, genuíno.
— Posso tentar corrigir isso.
Ela virou-se, os olhos encontrando os dele. Por um instante breve, algo passou entre eles — rápido demais para ser nomeado. Rosalie afastou-se primeiro, contrariada.
— Não confunda insistência com interesse.
— Não confundo — respondeu Emmett. — Apenas acredito que nem tudo que vale a pena vem embrulhado em perfeição.
As palavras a atingiram mais do que gostaria.
Perto das portas que levavam ao jardim, Alice Cullen caminhava ao lado de Jasper Whitlock. Os cabelos castanhos curtos dela refletiam a luz suave, e os olhos atentos brilhavam enquanto falava animadamente. Jasper, de postura contida, observava-a com curiosidade silenciosa.
— O senhor observa tudo como se estivesse esperando algo acontecer — comentou Alice.
— Velho hábito — respondeu ele. — A guerra ensina a antecipar silêncios.
— Aqui não precisa — disse ela, sorrindo. — Às vezes, as coisas boas acontecem sem aviso.
Jasper sustentou o olhar dela por um instante mais longo, sentindo algo inesperado se formar.
A manhã seguinte
A mansão Cullen acordou envolta em uma tranquilidade enganosa. O som delicado de porcelanas sendo acomodadas e o aroma de chá fresco preenchiam a sala de estar. Bella e Rosalie, ainda visitantes da casa, estavam sentadas à pequena mesa redonda, enquanto Alice ocupava uma poltrona próxima, claramente animada demais para aquela hora da manhã.
Bella segurava a xícara entre as mãos, os pensamentos distantes. Rosalie mantinha a postura impecável, embora o leve tamborilar dos dedos denunciasse impaciência.
— Dormiram bem? — perguntou Alice, quase cantarolando.
— Considerando a noite que tivemos? — murmurou Rosalie. — O suficiente.
— Minha mente não acompanhou o descanso do corpo — admitiu Bella.
Alice inclinou-se para frente.
— Isso soa promissor.
— Não comece — advertiu Bella.
Alice sorriu.
— Jasper.
O nome pairou no ar.
— O primo dos Salvatore? — perguntou Rosalie.
— Ele mesmo — respondeu Alice, os olhos brilhando. — Há algo nele… quieto, profundo. Não tenta impressionar. Apenas é.
— Esperança costuma ser perigosa — comentou Rosalie.
— Não precisa ser — rebateu Alice.
Bella pousou a xícara.
— E se quisermos mais do que segurança? Mais do que conveniência?
Rosalie virou-se para ela.
— Ideais não sustentam uma mulher, Bella.
— Talvez não — respondeu ela, firme —, mas alguém precisa questionar o mundo como ele é.
A discussão cresceu, vozes mais firmes, até que Esme Cullen e a mãe de Bella intervieram, pedindo calma e respeito.
Pouco depois, Damon surgiu à porta da sala, encontrando Bella imediatamente.
— Vim saber se a noite lhe deixou boas lembranças.
Antes que ela respondesse, Edward apareceu, sério.
— Creio que está interrompendo.
O que se seguiu foi quase cômico: ambos tentando cortejar Bella à sua maneira. Ela, visivelmente irritada.
— Senhores — disse por fim levantando-se da poltrona e se livrando dos sois cavalheiros que brigavam para corteja-la— Eu não sou um prêmio.
— Ridículo.- disse Rosalie levantando-se abruptamente, saindo da sala com passos rápidos.
O rosto impecável demais para alguém que acabara de presenciar uma cena que a irritara profundamente. O ar parecia pesado, sufocante, e a varanda da mansão Cullen surgiu como um refúgio necessário. Ao apoiar as mãos na balaustrada, respirou fundo, tentando organizar os pensamentos, o que era inútil, pois tudo nela parecia fora de ordem naquela manhã.
— Fugir não combina com você — disse uma voz atrás dela.
Rosalie fechou os olhos por um instante antes de se virar.
Emmett estava ali, encostado no batente da porta, os braços cruzados, a expressão séria de um jeito que ela raramente via. Seus cabelos castanho-escuros estavam levemente desalinhados, e os olhos castanhos a observavam com uma atenção que a incomodava mais do que deveria.
— Não estou fugindo — respondeu ela, fria. — Estou evitando perder meu tempo.
— Engraçado — retrucou ele, dando alguns passos em sua direção. — Porque parece que você faz isso sempre que algo começa a sair do seu controle.
Rosalie riu, curta e sem humor.
— Não ouse fingir que me conhece, senhor Cullen.
— Talvez eu não conheça tudo — disse ele, agora mais próximo — Mas conheço o suficiente para saber que você não suporta a ideia de alguém enxergar além da sua perfeição cuidadosamente construída.
Ela sentiu o golpe. Endireitou o corpo, os olhos azuis faiscando.
— E você não suporta a ideia de não ser levado a sério — devolveu. — Vive como se tudo fosse uma brincadeira. Como se o mundo não exigisse esforço, estratégia, inteligência.
— Você acha mesmo que eu não penso? — Perguntou Emmett, a voz mais baixa, carregada. — Que não vejo o que está em jogo?
— Vejo apenas alguém que não entende o peso das escolhas — disse Rosalie, embora algo em seu tom tivesse vacilado. — Eu não posso errar. Não posso me dar ao luxo de… sentir.
Emmett parou diante dela. Tão perto que Rosalie precisou erguer o rosto para encará-lo. O coração começou a bater mais rápido, irritando-a ainda mais.
— Talvez esse seja exatamente o seu erro — disse ele, suavemente. — Fingir que não sente nada.
— Afaste-se — ordenou Rosalie, mas sua voz traiu a firmeza que pretendia.
— Diga isso de novo — respondeu Emmett, sem se mover — e eu vou acreditar.
O silêncio que se formou entre eles era espesso, carregado de tudo o que não havia sido dito desde a noite anterior. Rosalie sentia o peito apertar, o coração acelerado de um jeito que não fazia sentido. Aquilo não era racional. Não era seguro. E, ainda assim, era impossível ignorar.
— Você não significa nada para mim — disse ela, quase como um desafio.
Emmett inclinou-se levemente, os olhos presos aos dela.
— Então por que sua respiração mudou?
Ela abriu a boca para responder, mas não encontrou palavras. O mundo pareceu encolher ao redor dos dois. Quando Emmett finalmente a tocou, foi apenas para segurar seu rosto com cuidado inesperado, como se pedisse permissão sem usar palavras.
Rosalie deveria ter recuado.
Mas não recuou.
O beijo aconteceu como uma ruptura. Intenso, profundo, carregado de tudo o que ambos vinham negando. O coração de Rosalie disparou, tão forte que ela sentiu o pulso nos próprios ouvidos. Seus dedos agarraram o tecido do casaco de Emmett antes que pudesse se conter, e por um instante, apenas um, esqueceu-se de quem era, do que queria, do que o mundo esperava dela.
Quando se afastaram, ambos ofegantes, Rosalie sentiu o chão desaparecer sob seus pés.
— Isso… — começou ela, confusa, revoltada consigo mesma.
— Não foi nada? — completou Emmett, com um meio sorriso que misturava surpresa e algo perigosamente próximo de felicidade.
Ela abriu a boca para negar.
Foi então que a voz firme de Carlisle Cullen cortou o momento como uma lâmina.
— Emmett!
Rosalie sentiu o sangue gelar.
O escândalo estava formado.
E não havia como voltar atrás.
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